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Música. Cinema. Livros. Whatever.
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    09/03/2010Whatever

    Só que dessa vez não é de domínio, nem de servidor, nem de rede. É pessoal mesmo. Quando eu me restabelecer, volto com as novidades musicais de sempre. Agradeço imensamente a compreensão. :)

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    08/03/2010Música

    Keep all your crows away
    Hold skinny wolves at bay
    In silver piles of smiles
    May all your days be gold my child

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    05/03/2010Música

    Craig Ramsey

    A foto assusta um pouco -- parece aquelas estátuas de cera que olham para o nada -, mas a recomendação masculina de hoje vale a pena. Craig Ramsey canta, compõe e toca suas músicas do primeiro álbum “Parting Gift For A Party Girl” com uma simplicidade que migra do folk ao indie pop escocês. Nada muito longo; você ouve as doze faixas em apenas meia hora, uma viagem rápida e agradável que não cansa se colocar no repeat. Veja  a seguir apresentação ao vivo com sua banda de apoio The Nice People, tocando Going To Bed, uma das faixas do álbum:

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    04/03/2010Música

    The Watson Twins

    Só tinha ouvido falar nas gêmeas acima, Chandra e Leigh, quando soube da colaboração delas no primeiro trabalho solo de Jenny Lewis, vocalista e líder da banda Rilo Kiley. Até então, The Watson Twins tinha apenas como referência um country mais alternativo, se assim posso dizer -- não tem como comparar, entretanto, com Jesse Sykes, pois seu country é bem mais enobrecido, sem desmerecer as irmãs. O álbum de estreia “Fire Songs” em 2008 continua com o mesmo estilo Americana, como se ainda não tivessem se desapegado das influências de Jenny.

    Agora com o novo disco “Talking To You, Talking To Me”, lançado esse ano, as meninas resolveram renovar o guarda-roupa e mudar o visual sultimente. Claro que a raiz folk entrelaçada ao country não se dissipou da noite para o dia, ainda é possível sentir o cheiro caipira misturado com alguns temperos de blues e soul -- Forever More e Midnight são as faixas que mais expressam essa nova experiência. A música de introdução, Harpeth River, logo me lembrou as primeiras melodias obscuras do Portishead, e pelo jeito não fui o único a perceber isso; elas mesmas colocaram a citação no MySpace delas.

    Algumas canções, porém, ficam em cima do muro, como The Brave One e Tell Me Why. De alguma maneira se destoam do resto do repertório, mas nada como as batidas lentas e acentuadas de Calling Out e Give Me A Chance para voltar com o equilíbrio sonoro. Já a baladinha pop U-N-Me, seguida da bateria acelerada de Modern Man fecha o disco como uma incógnita… talvez a ansiedade de Chandra e Leigh tenha antecipado um final mais legal e elaborado. Confira a seguir apresentação ao vivo da dupla fazendo um cover “interiorano” de Just Like Heaven do The Cure, com direito a gaita e vestimentas típicas da fazenda. :)

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    03/03/2010Cinema e TV

    Educação

    “Educação” (“An Education“) pode ser interpretado das duas maneiras: educação tanto na vida acadêmica como na sua vida. Você erra o exercício, tira nota baixa e ainda assim quer discutir com a professora de que está certa, tendo plena consciência de que não está. Não consigo pensar em uma melhor descrição para a personagem adolescente Jenny, de apenas dezesseis anos, vivida pela atriz novata Carey Mulligan: uma aluna inexperiente tanto no colégio como em relacionamentos.  A professora é retratada por vários coadjuvantes: a própria professora séria e solitária, a diretora autoritária que se julga dona da verdade; cada uma delas dá sua lição de moral em Jenny de acordo com suas respectivas perspectivas diante do comportamento da aluna, cujo futuro brilhante na faculdade de Oxford pode virar pó nas mãos de um homem mais velho, aqui retratado por David, personagem na pele de Peter Sarsgaard.

    Mesmo tendo o final previsível, apesar de não ter encarado isso como um ponto negativo, o filme mostra o que todo mundo esperava acontecer. Para falar a verdade, eu mesmo fiquei surpreso com o desfecho da história, porém, por outro lado, não via um caminho alternativo frente a tantas ousadias no roteiro: aceitar carona de estranhos (por mais que o próprio estranho avisasse de tal perigo), os pais deixarem a filha ainda menor de idade sair à noite (antes da meia-noite, para ser mais específico) com o mesmo estranho e, de quebra, confiar nas mentiras dele (as quais eram sustentadas pela própria filha que, de algum modo, se sentia a aventureira fazendo isso). Não posso agurmentar nada a respeito,  entretanto, pois não sei como era o estilo de vida dos ingleses na década de 60, se eram tão conservadores quanto meus pais afirmavam ser na época deles; não sei também dizer como anda a relação pais e filhos nos dias de hoje – pelo menos posso afirmar que estão bem diferentes da que eu tinha quando também era um adolescente – para fazer qualquer tipo de comparação.

    É provável que os pais de Jenny tenham dado certa liberdade para a filha pensando no futuro confortável para ela (leia-se: ao lado de um homem financeiramente estável) em vez da opção de ingressá-la na faculdade e, na pior das hipóteses, torná-la uma mulher solteira e infeliz para o resto da sua vida (pelo menos é o que o filme induz toda vez que a professora entra em cena). Certo ou errado? Acho mais errado deixar que Jenny perdure seu vício no cigarro dentro de casa. Ficamos intimidados em julgar qualquer atitude dos personagens quando nos deparamos com o sonho de cada um, a esperança que eles alimentam para terem uma vida mais feliz e satisfatória – mesmo que isso vá contra os princípios  impostos pela sociedade. Achamos errado, contudo, no fundo, torcemos para que o “errado” dê certo.

    Não posso deixar de elogiar os diálogos engraçados do roteiro tão bem edificado por um dos meus escritores favoritos, Nick Hornby. Já deixei de acreditar na credibilidade do Oscar, mas não é isso que vai tirar o seu mérito por ter sido indicado ao melhor roteiro adaptado esse ano. É como se eu estivesse lendo um livro dele na tela do cinema. Para quem está acostumado com sua forma de escrever, é muito fácil identificar os momentos desconcertantes e ao mesmo tempo hilários, as curtas respostas transbordando o tão tradicional humor ácido inglês e, claro, o clima pop e jovem que se mantém original mesmo retratado em uma época nem tão moderna assim.

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    02/03/2010Música

    Holly Miranda

    Carinha de bebê, uma menina praticamente. Holly Miranda lança seu primeiro disco, “The Magician’s Private Library” e a imagem de garota desaparece por completo, exceto pela que está dormindo na capa do encarte. Prefiro não comentar que ela assinou com uma grande gravadora (XL Recordings) ou que teve apoio de um dos integrantes do TV On The Radio na produção, pois não acho que são fatores determinantes para definir o talento de um artista.

    Os arranjos são rastejantes, acompanham a voz melancólica e dócil de Holly, como por exemplo em Joints (a minha predileta). O primeiro single, Waves, tem um lado mais tristonho ainda, porém é do jeito que gosto; outras, como No One Just Is e Slow Burn Treason, já possuem uma atmosfera mais sombria; mesmo assim, Miranda consegue manter uma certa graciosidade em algumas faixas, como Sweet Dreams e Everytime I Go To Sleep.

    Confira a seguir uma versão ao vivo -- no meio da rua mesmo, depois pelas escadas de um prédio, como costumam fazer no La Blogotheque -- de Joints (que violino é esse, minha nossa… simplesmente demais!):

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    01/03/2010Música

    Joel Alme

    Agora a Suécia me trouxe um homem de olhos azuis encantadores. Não só os olhos mas a voz para lá de energética, carregada de emoção. Joel Alme lançou seu debut “A Master Of Ceremonies” em 2008 -- eu nem ouvi ainda, acredite -, contudo é com o novo trabalho “Waiting For The Bells” que eu me interessei por esse sueco tão charmoso.

    O primeiro single You Will Only Get It Once já mostra tudo que Joel conseguiu fazer com as outras músicas: vários instrumentos para transformar melodias cativantes em verdadeiros hinos da alegria, sempre cantadas apaixonadamente. Confira a seguir o vídeo de The Queen’s Corner, do primeiro disco:

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    26/02/2010Livro

    Hocus PocusDepois de ler Hocus Pocus, posso afirmar agora que Kurt Vonnegut possui um nível mais que satisfatório de sarcasmo e humor negro. Era exatamente o que estava esperando, visto que não encontrei essas qualificações em Slaughterhouse-Five.

    Mesmo sendo um dos últimos livros publicados antes de sua morte, ainda na década de 90, o passado predomina a vida de Eugene Debs Hartke (acho estranho associar Eugene ao sexo masculino, mas enfim, não vem ao caso) em uma série de memórias escritas durante seu confinamento na biblioteca de uma antiga faculdade para pessoas especiais – não sei como traduzir learning-disabled de forma politicamente correta – que, nos tempos presentes, funciona como um presídio.

    O ano em questão é 2001, 61 anos de experiência contados de uma maneira aparentemente inocente, sem perceber que na verdade – pelo menos é a impressão que tive desde as primeiras páginas – sua vida até aqui se caracteriza por uma coletânea dos próprios fiascos e infortúnios que levaram a vida de muitos de seus amigos, colegas de trabalho ou apenas conhecidos. Talvez a única sorte que Eugene tenha tido em sua vida foi não tê-la perdido.

    É impossível conter as risadas, aquelas que persistem em puxar o canto da sua boca enquanto você lê silenciosamente no ônibus ou no metrô, em cada trecho narrado por Hartke. Trechos de quando ele se casou com uma mulher louca e renegou a educação dos filhos por receio de que ficassem tão desequilibrados quanto a mãe; de como ele acidentalmente participou da guerra no Vietnã em troca do futuro em uma universidade renomada; de quando ele começou a lecionar na Faculdade Tarkington (família cujos genes carregam a dislexia como herança); de como ele foi acusado e preso pela fuga dos presos (nem ele sabe direito como isso aconteceu, ou simplesmente não se conforma); de como seus colegas soldados morreram na guerra e como um de seus colegas professores morreu crucificado (sim, por mais trágico que seja, é uma das mortes mais hilárias).

    Eugene também serve como pano de fundo para muitas das críticas de Vonnegut, todas muito bem afiadas, à sociedade e seu falso moralismo, ao choque de culturas (principalmente entre os asiáticos), à discriminação entre as classes sociais, ao jogo de interesses na economia mundial e, claro, à guerra. São várias as reflexões, mas para que bancar o crítico antropólogo se o intuito é se divertir?

    E eu acho que descobri qual é o número de pessoas que Eugene matou durante a guerra, o mesmo número de mulheres com quem ele já fez sexo. Caso você não tenha sido tão inteligente como eu tido o mesmo êxito que eu, Kurt deixa um recadinho de consolo:

    Just because some of us can read and write and do a little math, that doesn’t mean we deserve to conquer the Universe.

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    25/02/2010Música

    Marina and the Diamonds

    Sabe que eu nem ia escrever nada sobre ela. Quando Marina & The Diamonds lançou o primeiro single Obsessions, lá em 2009 (como se fizesse tanto tempo assim), eu até me interessei pela sua voz grave e dominante, acompanhada pelas notas saltitantes de piano.

    Depois Marina reapareceu com Mowgli’s Road, umas risadinhas de criança no início e a bateria mais presente do que o próprio piano. Hollywood não me agradou muito; daí tive a impressão de que tentou, tentou, mas não emplacou, me soou uma voz forçada e desritmada. I Am Not A Robot começa legal, lenta do jeito que eu gosto, porém não demora muitos segundos para desfalcar a delicadeza da música.

    E nada mudou quando escutei por inteiro o álbum “Family Jewels”. A mesma fórmula dos vocais poderosos e a melodia crescente do piano enjoa a cada faixa. Comecei a me lembrar da Florence + The Machine, cujas similaridades infelizmente são grandes. Achei um desperdício de talento; Marina e seus diamantes poderiam ter aproveitado melhor o timbre e o piano. Quem sabe da próxima vez. Veja abaixo o vídeo do single de estreia:

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    24/02/2010Música

    Não é novidade alguma que a dupla Goldfrapp está de álbum pronto para ser lançado esse ano, “Head First”, tanto que já vazaram duas faixas do novo trabalho (pergunte ao meu amigo Giovane). Uma delas virou single e já caiu na rede junto com seus respectivos remixes -- entre eles o DJ pop insuportável Tiësto e o produtor Richard X -, nem um pouco criativos ao meu ver.

    Todo mundo deve ter notado os elementos synthpop dos anos 80, super nostálgicos aos meus ouvidos por assim dizer. Achei estranho, estou demorando para me acostumar, mas se levar em conta que cada disco de Alison e Gregory é uma surpresa, tudo deles é bem vindo.

    Não tem vídeo oficial, mas e EMI disponibilizou assim mesmo no YouTube, só com a capa do single. Confira a seguir Rocket:

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