Bem-vindo, 2012

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2012 chegou, mas eu ainda não estou preparado para começar o ano novo aqui no blog. Peço desculpas pela ausência, mas janeiro será um mês de férias. Já fiz e ainda farei algumas viagens, então divirtam-se e relembrem as minhas descobertas musicais no arquivo de posts. Até breve! :)

P.S.: Garbage, uma das minhas bandas do coração, divulgou vários teasers da gravação do quinto álbum, a ser lançado esse ano. Veja no vídeo a seguir a compilação de todos eles.

Retrô 2011

Foto: João Canziani. Capa da coletânea “A Retrospective”, Pink Martini.

Desde 2008 (confira também 2009 e o ano passado) venho fazendo o famoso retrozão, listando quem foram os mais ouvidos, assistidos (com a crise cinematográfica, essa categoria praticamente entrou em extinção) e lidos de cada ano (não tenho variado muito nos autores, então vocês devem suspeitar quem são). Como esse blog não é inovador, o post de hoje será justamente para divulgar os escolhidos de 2011, ainda que pareça um pouco cedo para isso – nem tanto, convenhamos; faltam quinze dias para 2012.

Achei melhor criar uma coletânea de músicas, assim consigo estender o meu leque de artistas. Pensei até em fazer por discos (todos são muito bons), mas infelizmente não teve nenhum excepcional esse ano. No final, a lista abaixo representa exatamente as faixas que mais se destacaram desses álbuns. Em ordem alfabética para não desmerecer ninguém.

2:54: Scarlet
Ane Brun
: Alfonsina Y El Mar (Mercedes Sosa cover), “It All Starts With One”
Björk: Crystalline, “Biophilia”
Big Deal: Talk / Cool Like Kurt, “Lights Out”
Boy: Little Numbers, “Mutual Friends”
Clare And The Reasons: Invisible, “Letters To Distant Cities”
Cults: Abducted, “Cults”
Daedelus: Overwhelmed, “Bespoke”
DJ Cam: Swim (feat. Chris James), “Seven”
DJ Shadow: Sand And Lonely / Scale It Back (feat. Little Dragon), “The Less You Know, The Better”
Feist: The Circle Married The Line / Pine Moon, “Metals”
Jay-Jay Johanson: Dilemma, “Spellbound”
Joan As Police Woman: The Magic, “The Deep Field”
Lana Del Rey: Video Games
Little Dragon: Ritual Union, “Ritual Union”
Love Inks: Blackeye, “E.S.P.”
Maria Taylor: Happenstance, “Overlook”
Mazzy Star: Common Burn
Oh Land: Lean, “Oh Land”
Phoebe Killdeer & The Short Straws: The Fade Out Line / Scholar, “Innerquake”
R.E.M.: ÜBerlin, “Collapse Into Now”
Rachael Yamagata: Even If I Don’t, “Chesapeake”
Russian Red: Tarantino, “Fuerteventura”
St. Vincent: Cheerleader, “Strange Mercy”
Tennis: Origins / South Carolina, “Cape Dory”
The Kills: Baby Says, “Blood Pressures”
The Luyas: Too Beautiful To Work, “Too Beautiful To Work”
Thievery Corporation: Take My Soul (feat. LouLou), “Culture Of Fear”
Tracey Thorn: Nighttime (The XX cover), “Nighttime EP”
 Zee Avi: Concrete Wall, “Ghostbird”

Melhores remixes:
Feist: How Come You Never Go There (Beck Remix)
Four Tet: Angel Echoes (Jon Hopkins Remix)*
Kings Of Convenience: Rule My World (Velferd Remix, muito melhor ao vivo)
Lana Del Rey: Video Games (Club Clique For The Bad Girls Remix)
Lady Gaga: Born This Way (Twin Shadow Remix)
Little Dragon: Ritual Union (Maya Jane Coles Remix)
Metric: Satellite Mind (Surf Remix by Hyperknox)
The Irrepressibles: In This Shirt (Zero 7 Remix)
Tracey Thorn: Swimming (Visionquest Remix, Ewan Pearson Re-Edit)
*Única exceção da lista, pois foi lançado no final de 2010.

Melhores lados-b:
DJ Shadow: Come On Riding (Through The Cosmos), “I’m Excited EP”
Stateless: Blue Fire (feat. Amentina), I’m On Fire EP”
Tennis: Deep In The Woods, “Origins EP”
UNKLE: Sunday Song (feat. Rachel Fannan), “Only The Lonely EP”

Melhores shows:
Goldfrapp
Interpol (das três apresentações, a melhor foi em São Francisco)
The Kills

Discos que merecem ser mencionados (e não apareceram na lista acima):
“Parallax”, Atlas Sound
“Belle”, Bic Runga
“Last Night On Earth”, Elysian Fields
“Making Mirrors”, Gotye
“Arabian Horse”, Gus Gus
“5″, Lamb
“Wounded Rhymes”, Lykke Li
“All Things Will Unwind”, My Brightest Diamond
“Soita Mulle”, Regina
“Brave Tin Soldiers”, Sarah Nixey
“Seeker Lover Keeper”, Seeker Lover Keeper
“Meet Me In Montauk”, Steffaloo
“Creatures Of An Hour”, Still Corners
“Forget”, Twin Shadow

Melhores decepções do ano:
“Cults”, Cults
“Electric Love”, Dirty Vegas
“Within And Without”, Washed Out

Still Corners

Still Corners

Não posso deixar Still Corners passar em branco antes de acabar o ano. O quarteto liderado pela vocalista Tessa Murray e o compositor Greg Hughes me hipnotizou com seu rock etéreo encavalado entre os tantos teclados sombrios do disco de estreia “Creatures Of An Hour”, lançado há alguns meses.

O primeiro single desse trabalho (vídeo logo abaixo), Cuckoo, inaugura o repertório ao mesmo tempo que molda a textura das próximas nove faixas. As guitarras, com o apoio da bateria (um tanto fraca, diga-se de passagem), dão seu grito inicial de guerra na maioria das músicas, contudo elas sempre são vencidas pela grandeza dos teclados, com exceção de The White Season, uma canção de ninar se comparada com as outras.

É interessante ouvir o EP “Remember Pepper” que, mesmo fugindo um pouco do estilo escolhido pela banda, contém os primeiros indícios de que iriam seguir por esse caminho, além de me trazer à mente muitas referências de Broadcast.

Você também pode ouvir o disco na íntegra a seguir:

Kings Of Convenience em São Paulo

Kings Of Convenience em São Paulo

A dupla norueguesa Kings Of Convenience só pecou pelo estrelismo típico de João Gilberto: “o lugar é muito bonito, mas faz eco e reverbera muito”, “tenham certeza de que o ‘shh’ não atrapalhe o silêncio”, entre outras indiretas. A culpa, na verdade, nem pode ser depositada completamente na dupla: Erlend foi quem causou mais desconcerto durante o show (e deu para perceber como o outro integrante, Eirik, se sentiu constrangido com os exageros do colega).

Entre outras restrições exigidas pelo grupo, como a proibição de bebidas durante a apresentação (todo mundo com mais de um copo esquentando nas mãos), além de não poder tirar foto na primeira meia hora, a performance do dueto foi bem satisfatória. Uma hora e meia de músicas tocadas diretamente, salvo uma pausa de nem cinco minutos, com a maioria dos hits deles: Cayman Islands, Know How (pediram para que as mulheres ajudassem na parte em que a amiga Feist canta), I’d Rather Dance With You, Parallel Lines (graças a um cartaz entregue por um fã lá na frente), I Don’t Know What I Can Save You From, 24-25Mrs. ColdFailure, Me In You, Rule My World (um amigo francês deles remixou essa música eles tocaram uma versão bem animada) e Boat Behind (são as que eu lembro até agora).

O clima no começo foi um tanto apreensivo, ainda mais com a maior das exigências tentando ser seguida à risca pelo público: fazer silêncio enquanto eles tocavam. É compreensível, entretanto, que isso seja respeitado, dado o fato de ser um show à base de voz e violão – o que muitos infelizmente não obedeceram. Entre os incômodos de Erlend (“ouvi um celular tocando agora”, “onde está o público que eu conheci quando vim para São Paulo?”) e a revolta infantil de alguns expectadores que insistiam no falatório, a harmonia se acentuou integralmente até o final, cuja animação se instaurou até nos cantores.

Veja  seguir a performance de Know How:

Bic Runga: Belle

Bic Runga

Bic Runga nunca foi tão conhecida assim, fato que chega a me entristecer, admito. Seu único sucesso ficou marcado pela trilha sonora do primeiro filme de “American Pie”, mas talvez para a cantora neozelandesa não seja problema algum.

Seu quarto álbum de estúdio “Belle” infelizmente vai passar despercebido em 2011. Pode ser pela distância – literalmente do outro lado do mundo -, pode ser pela falta de divulgação, a qual Bic Runga parece não se preocupar nem um pouco, então por isso faço questão de registrar minha apreciação não só pelo lançamento como pela própria cantora.

Com tanto tempo sem gravar nada (seu último disco “Birds” é de 2005), fico feliz de voltar a presenciar tanta satisfação estampada nas dez faixas que compõem o repertório do novo trabalho. A música de introdução Tiny Little Piece Of My Heart traz uma alegria irradiante nos seus primeiros versos. O primeiro single oficial Hello Hello embarca apressadamente no violão e, logo em seguida, vem à tona as memórias da Bic Runga que conheço: If You Really Do transborda vocais mais calmos e cintilantes acompanhados de cautelosas batidas e às vezes isoladas por um baixo. A mesma trajetória calejante continua em This Girl’s Prepared For War (percebe-se aí um drama apenas pelo título).

A beleza vista em tudo tão novo e desconhecido é retratada com muita sobriedade em Everything Is Beautiful And New. O baixo retorna para prestigiar a voz de Bic Runga em Good Love. Em Devil On Tambourine, escrito com a ajuda de seu parceiro Kody Nielson, propaga alguns riffs tímidos de guitarra, mas mesmo assim mantém a melancolia. A faixa-título, que na verdade é cover do tema de um seriado televisivo francês, enaltece sem limites uma tristeza, diga-se de passagem, elegante. Kody ressurge para dividir a atenção com sua companheira em Darkness All Around Us (talvez por ter sido escrita por ele, ficou um pouco destoada do estilo sonoro com que estou acostumado). Por fim, Music And Light dá a impressão de amenizar tanto dramalhão espalhado pelas canções com notas firmes de piano.

Mesmo que a produção do álbum tenha ficado nas mãos (e por que não na influência) de Kody, dando um tom até um pouco mais sombrio e arcaico para a maioria das músicas, ainda é possível separar o talento de Bic Runga. Veja a seguir o vídeo oficial de Hello Hello:

Rapidinhas da semana #refresh 4

#refresh 4 (03.08.2008)

Bitter:Sweet: o segundo disco, “Drama” (2008), foi exatamente o que eu mencionei não ter conferido ainda. É tão bom quanto o primeiro, porém ainda permanece como último trabalho.

Jem: a tal música que estreou na trilha sonora de “Sex And The City” realmente entrou para o segundo álbum da cantora, “Down To Earth” (2008). O repertório é legal, mas não vence a potência pop que foi o primeiro trabalho. Em fevereiro desse ano ela anunciou ter entrado em estúdio para o terceiro disco, mas até agora nada… quem sabe em 2012?

Brazilian Girls: também pararam no último trabalho, “NYC” (2008). Sem novidades quanto a um novo disco. Pelo jeito tiraram férias, pois a última atualização na seção de notícias do site oficial é do ano passado…

Broken Social Scene: o show naquele ano foi adiado, mas pude vê-los agora em 2011 no Planeta Terra. Não tinha ouvido nada deles nessa época e não me dei o trabalho de escutar mesmo a poucos dias antes das últimas apresentações da banda (a última foi no Rio de Janeiro, com direito a duas horas de duração). Mais uma vez eles resolveram dar uma pausa, só que dessa vez foi definitiva.

Inquietos

Inquietos

Não sei até que ponto é aceitável misturar ficção com realidade ou, ainda, fazer com que a ficção seja, mesmo que levemente, uma distorção da realidade e, por conta disso, acabe se tornando uma desculpa justificável. Pode ser que não tenha me expressado muito bem ao começar a resenha de “Inquietos” (“Restless”), novo filme do diretor Gus Van Sant, mas vou tentar dar um pouco de luz ao meu raciocínio até o final.

A história envolve um casal de jovens que se conheceram em um funeral. O garoto Enoch estava lá por puro hobby (referências à Clube da Luta são inevitáveis quando lembramos das visitas ao grupos de auto-ajuda); a garota Annabel estava lá porque conhecia o falecido. Minha irritação com o filme cria uma raiz já desde o início: a infantilidade com que o relacionamento do casal é alimentado durante a trama toda, como se eles vivessem no mundo de Alice – ou mesmo no da Pollyanna, já que a morte é encarada com muita tranquilidade pelos protagonistas. Tal comportamento consequentemente daria abertura a diálogos frívolos, típicos de adolescentes – se eles realmente fossem adolescentes.

Então entra em cena o amigo fantasma de Enoch, um militar japonês morto na Segunda Guerra Mundial, fruto de seu papel como piloto kamikaze. Essa é a parte em que a ficção interfere na realidade e é permitida sem preconceitos. Basta dar asas à sua criatividade e acompanhar a vida paralela do espírito – por que não acreditar que ele é realmente um espectro e não simplesmente um amigo imaginário de Enoch?

Annabel, por sua vez, diante das notícias nada animadoras de seus recentes exames, não se deixa abalar nem um pouco e acha que sua irmã se preocupa demais. Eu também me preocuparia bastante diante das condições limitadíssimas em que Annabel se encontra, porém esse “mero detalhe” passa despercebido justamente para dar ênfase nos ótimos momentos que ela precisa aproveitar com Enoch. Estar debilitada por causa de uma doença que pode ser avassaladora e mesmo assim ter disposição para fazer tudo o que ela fez até o final do filme pareceu ser uma desculpa plausível. É aí que o filme peca drasticamente em querer mostrar o lado emotivo do casal: deixa de lado uma parte da realidade a qual não pode ser levada como ficção.

A preocupação estampada nos parentes de Enoch e Annabel, a única realidade aceitável no filme, é rapidamente ofuscada pelo amor incondicional criado pelo casal romântico. Nenhum deles precisa de cuidados, muito menos de conselhos, afinal já é suficiente engolir que eles formam um casal feliz e apaixonado. Até a morte, tema central da trajetória, ironicamente não ganha força no filme. Invadir necrotérios e brincar de morrer são cenas vistas como simplórias e engraçadas. Mesmo com tantas falhas e distorções, o filme conseguiu me comover um pouco com seu final, também simplório e engraçado – o que, ironicamente, fez com que algumas pessoas chorassem.

Big Deal

Big Deal

Casais me cativam há um bom tempo. Exemplo maior está no Everything But The Girl (saudades que são parcialmente compensadas com o trabalho solo da Tracey Thorn), mas posso citar Tennis e Boy como mais recentes.

Kacey Underwood e Alice Costelloe formam a bela dupla Big Deal. O primeiro disco do casal, “Lights Out”, saiu faz alguns meses e, só pela capa, transmite ótimas vibrações musicais. As dozes canções são tocadas apenas com guitarra e violão (sem bateria ou baixo, o que pode soar estranho), alternando entre as vozes de Kacey e Alice. Uma combinação tão simples que causa tanto apreço aos meus ouvidos. Às vezes dá a impressão de não haver final para cada faixa, como se todo o repertório estivesse remendado pelos acordes de guitarra.

Das poucas músicas que prestei atenção na letra – admito que não é o mais importante para mim, a princípio -, até me espantei com alguns palavrões soltos no refrão de Talk: “all I wanna do is talk / the seeing you fucks me up”. Temas sobre conflitos amorosos e tentativas de reatar o relacionamento parecem sobrevoar a maioria das letras. Em Distant Neighborhood, isso fica bem claro: “I can make you stay if you wanna be alone”. Confira a seguir o vídeo campestre de Homework:

The Rumour Said Fire

The Rumour Said FireGostaria de falar muito mais sobre os dinamarqueses do The Rumour Said Fire, mas nem o site oficial da banda ajuda: a biografia está em dinarmaquês. O máximo que pude entender (leia-se, com a ajuda de um tradutor online), o cantor, compositor e guitarrista Jesper Lidang formou a banda em 2008 com Christian Rindorf (bateria), Søren Lilholt (vocais e guitarra) e Kasper Nissen (baixo). Mas tudo bem, o que importa mesmo é a música, não é?

O primeiro e único EP do quarteto, “The Life and Death of a Male Body”, concentra seis faixas com uma identidade melódica não muito definida, fingindo ser uma banda folk com gaita, violão e vocais suaves em The Balcony (confesso que Simon & Garfunkel pulou à cabeça) e, logo em seguida, uma invasão de guitarras típicas do britpop dos anos 80 em In The Sour.

É no álbum de estreia “The Arrogant”, lançado em 2010, que a banda parece se encontrar e afinar o estilo sonoro: influências, também oitentistas, acobertam o repertório de apenas dez canções, com exceção de algumas que deslizam superficialmente, a exemplo de Comfort To The Dalai Lama (com uma sequência deslocada de batidas mais ressonantes) e The Arrogant (com muito ânimo nos acordes de violão e muito drama na voz). Confira a seguir o primeiro vídeo gravado para o single Passion:

Scarlet

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