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Nestor
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28/02/2009BlogosferaQuando a gente finalmente resolveu trazê-lo para casa, ele já tinha quase um ano de vida. Hoje, já para fazer dois em junho, nem dá para comparar – só lembrando mesmo – com o tamanho e delicadeza que ele tinha quando foi encontrado pelo minha sogra. Estava chovendo e, mesmo sem poder enxergar direito, avistou um ser vivo abandonado na rua, encharcado e com medo.
Minha sogra mora no interior, em uma casa não tão grande assim, mas que consegue comportar, além de sua filha e seu marido, oito hóspedes: Pequena, Dodô, Nina, Sansão, Snow, Julie, Ucha e Mel. A recepção não foi lá muito calorosa. Pequena, já velhinha porém muito rabugenta, foi a primeira a se incomodar com a presença do recém-chegado. Assim que Nestor se instalou provisoriamente no quarto da minha cunhada, Pequena corria para perturbá-lo: perseguia, gritava, ameaçava bater nele. Sansão, que apesar do nome é o mais medroso de todos (tem pavor de trovões e rojões e vive escondido debaixo da cama), também não pestanejava em mostrar seus ciúmes. O único que realmente gostou do novo residente foi Snow: logo se jogou em cima do Nestor e começou a fazer carinho até se cansar.
Como os “donos da casa” não gostaram muito da idéia de o Nestor ser mais um membro da família, minha sogra foi obrigada a deixá-lo na edícula. Não foi por maldade, ela mesma ficou com o coração na mão só de pensar que ele iria passar praticamente o dia inteiro fechado em um lugar quase escuro e isolado da casa. Minha cunhada ficou incumbida de levar sua comida e trocar sua água quando ele dava o alerta de fome. Pequena, para variar, assim que ouvia Nestor já corria na frente para atanazar a vida dele – ela que é cardíaca, podia ser um pouco mais piedosa. Quando eu e meu namorado chegamos para conhecer o novo visitante, nos encantamos. Desde pequeno foi sempre muito carinhoso, vinha nos cumprimentar com suas unhas afiadas, com os olhos arregalados de poder estar, mesmo que por algumas horas, longe de seu obscuro recinto improvisado.
Demorou até eu e a mãe do meu namorado convencê-lo a trazer Nestor para São Paulo; só ano passado é que pôde ter uma casa (aliás, um apartamento) inteira só para ele. Sempre tive receio de ter mais um acompanhante em casa, ainda mais com a má fama que sempre ouvi por aí – hoje sei que todos esses comentários são injustos – sobre eles serem ariscos, desconfiados e anti-sociais. Quando Nestor chegou em casa, ele prontamente vasculhou todos os cantos possíveis. Logo tratei de comprar comida apropriada e uns brinquedinhos para ele se acostumar com o novo ambienter; arrumei o banheiro dele no nosso banheiro (depois mudamos para a área de serviço por causa da bagunça ao se limpar) e a cama dele até hoje fica perto da nossa cama (depois de um tempo ficou pequena, mas logo comprei um nova e bem confortável). O arranhador foi um pouco caro; era para evitar futuros arranhões no sofá, o que não adiantou muito. Contudo, nem podemos culpar o Nestor, ele não entende essas coisas; é instinto, então não tem o que discutir.
Algumas vezes tivemos de voltar para o interior, pois o médico do Nestor era de lá. Ele deu todas as vacinas necessárias e, de quebra, levamos bronca por causa das gordurinhas extras. Por enquanto não podíamos comprar uma comida melhor – como são caras! -, tinha de ser aquelas que inibem o apetite. Não que ele esteja gordo feito um porco, mas reconhecemos que ele está com uma pancinha fora dos padrões de beleza e saúde. E toda vez que Nestor chegava, ele logo se arrepiava e saía correndo para se esconder no primeiro lugar mais alto que encontrava. As lembranças não eram boas e Pequena, mesmo com suas constantes faltas de ar, tinha uma memória de elefante – realmente não dá para entender o porquê de tanta ruindade. Ficávamos preocupados, pois Nestor não comia direito e sequer ia ao banheiro. Snow até que tentava brincar com ele, mas a apreensão tomava conta dele: ele não aguentava ficar lá por muito tempo – ainda bem que era só nos finais de semana.
A melhor coisa foi ter trazido Nestor para morar conosco. Não tem recompensa maior vê-lo na porta esperando a gente chegar em casa, se jogar no chão para fazer carinho em sua pancinha peluda, ouvir o “motorzinho” funcionar só de encostar a mão no seu pescoço, nos acordar às seis horas da manhã (no horário de verão era às cinco) pedindo comida com sua patinha, se enfiar debaixo do lençol e se esparramar entre nossas pernas, brincar de correr de um cômodo ao outro e, ainda, fazer posição de ataque para pular sem avisar em cima de nós, se esconder no meio das roupas quando abrimos a porta do guarda-roupa, resmungar porque seu banheiro não está limpo, deita na mesa do computador para fazer companhia ou senta em cima do vaso sanitário enquanto tomo banho. Enfim, são momentos tão significativos para nós que, para quem não está acostumado, parece até exagero. Mas não é.
Conheçam o Nestor:
Minha sogra teve outro visitante inesperado, o Chad. Felizmente, ele já tem onde morar e um dono para cuidar muito bem dele. Os oito hóspedes de quem falei lá em cima são cachorros que foram encontrados ou jogados na porta da casa da minha sogra. Desde então fazem a alegria dela – exceto do Nestor.
*Post especialmente escrito para ganhar o livro que a Lucia Freitas vai premiar. Torçam por mim, por favor.
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3 comentário(s) para “Nestor” 
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Nossa, e ainda sendo cachorros, um deles adorou o Nestor de cara?! Impressionante!
Curiosidade: a gata da minha mãe chama Pequena, e minha branquela chama-se Mel, xarás das cachorrinhas. E a Pequena daqui é tão mal-humorada quanto a daí.
Essas pequenas coisas (esperar na porta, dormir no meio das pernas etc.) são mesmo grandes. Parecia que você estava descrevendo a Mel – desses comportamentos todos, ela só não tem o hábito de virar de barriga pra cima, nem ronrona tããão facilmente. Esses dois atributos são da Cacau.
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João Paulo 02/03/2009 em 13:56
Ahhh, e a outra estadia dele em casa? A ‘vó’ dele vai ficar com ciúmes!
Mas fica para a segunda parte do post![Reply]
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tarsila 17/03/2009 em 21:47
gente, me emocionei com a história, linda linda. tenho uma gatinha, a filó que encontrei dentro de uma caixa ainda com olhinhos fechados, tivemos que dar mamadeira e acordar a cada 4 horas na primeira semana com ela. mal sabíamos que ela nasceu com um probleminha congênito e por isso é ceguinha. mas a gata mais especial que já tive (sempre adorei gatos). e é exatamente assim, ela fica no colo quando estamos no computador, fica no banheiro na hora do banho e também brinca de esconde-esconde. uma fofa que nem o nestor.
amo gatinhos, inclusive está passando um especial, não sei se vocês viram neste domingo na tv a cabo, sobre a gestacao deles… um encanto só…
bom, parabéns pelo post, me empolguie até. beijos!
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essa daqui é a filó: http://images.orkut.com/orkut/albums3/ATYAAADf4x1xXvR_c67Er_O-m-f9LZCjeJvGY1yptuKrsxQd_7hoaDi4BcuslaDh_VfYC00NALK6E3-wl6qlGdhJxijFAJtU9VDD0yEmyCthNK00OQG2–cPP9pSlA.jpge este é o especial que falei: http://www.natgeo.com.br/br/fotos/2/vida-felina#/files/img/galleries/637-0-1-874/inthewomb-00146-512×288-la.jpg
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Para quem adora bichos: o resultado » Ladybug Brasil - Sobrevôos, descobertas, achados. março 17th, 2009 em 21:24
[...] aqui no Ladybug. Joaninha se emocionou com a história do Fafá, cardíaco de carteirinha, e do Nestor, que o danado do Zé só explica direitinho no final e a do Lilo, contada pelo Rodrigo no blog do [...]






































Lu Monte 28/02/2009 em 20:40