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  • Dexter In The Dark

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    scissors
    19/06/2009Livro

    Dexter in the darkPoderia resumir o livro inteiro – e deixar de resenhá-lo, mas não vou fazer isso com meu fiel leitor – em uma única palavra: bizarro. Jeff Lindsay, em seu terceiro livro da série, intitulado de Dexter In The Dark (Dexter no escuro em inglês; espero que os brasileiros não escorreguem na tradução como fizeram no primeiro livro), usufruiu de muita criatividade para desenrolar esse novo episódio. A narração, pela primeira vez, é dividida em três pessoas, sendo que quem inaugura as primeiras páginas é IT. Isso mesmo: terceira pessoa do singular na gramática inglesa para designar coisas – é assim que a gente aprende, não é?

    IT não pode sequer ser designado como um ser. Ele mesmo se pergunta quem é, de onde veio e quando surgiu – porém com a teoria de que sempre existiu. Sua relação com os outros personagens demora para se afixar e deixa seu leitor na dúvida, senão pelas pistas dúbias que vão sendo deixadas em suas interferências, e até um pouco sem paciência.

    O segundo protagonista a entrar em cena é Dexter, já preparado para executar o seu hobby favorito. É nessa história, aliás, que o forense da polícia de Miami finalmente revela – implicitamente – como ele prepara suas presas antes do golpe fatal, e como ele se livra delas. Depois do acidente com o anel de Rita, Dexter tem a mais nova missão de ser noivo, compartilhar suas opiniões quanto aos preparativos do casamento (os quais ele desdenha com veemência) e ser pai. Sim, ele terá de desempenhar o papel que o pai de Astor e Cody não cumpriu apropriadamente.

    O terceiro e último personagem a pisar no palco é o Watcher (Observador em inglês). A primeira vítima de Dexter coinscidentemente tem, de alguma maneira, ligação com o Watcher. Como seu parceiro não aparece no horário combinado, ele (ou ela, não dá para saber) logo percebe a razão de seu atraso: Dexter está com seu fio de nylon enroscado no pescoço do indivíduo. O Watcher se pergunta, claro, quem é o corajoso mascarado e por que ele estava fazendo aquilo. Não demorou muito, aliás, para descobrir que ele era algum membro da polícia. Pela primeira vez o nosso querido serial killer comete o primeiro erro: ao estacionar o carro, ele deixa à vista seu crachá do escritório.

    A metodologia utilizada pelo novo assassino assusta um pouco, dependendo do seu grau de imaginação. Os corpos são encontrados carbonizados, sempre com um pé descalço, e decapitados. No lugar é deixado uma cabeça de boi feita em cerâmica. Aqui começa a preocupação do Dexter, para nosso desespero, pois ele percebe que sua primeira vítima não era a pessoa certa, já que novos corpos começam a aparecer descalços.

    O ponto crucial do livro pousa no próprio Dark Passenger, a voz sussurrante que inspira e dá ânimo para Dexter cometer suas mórbidas façanhas. A princípio sem explicação, ele subitamente desaparece (talvez esse seja o motivo do título do livro). Dexter fecha os olhos, se concentra, pergunta, suspira, pergunta de novo, espera por algum sopro ou qualquer outro tipo de sinal. Mas tudo é em vão. Seu amigo companheiro o abandonou. A bizarrice da qual comentei no início toma forma aos poucos a partir das próprias indagações de Dexter. A fim de tentar entender quem é o Dark Passenger, nosso amigo se pega pensando em diversas teorias quanto à existência de seu parceiro, inclusive a de que seja um espírito – crença essa que o Dexter acha pura bobagem. Outro fato no livro que só faz comprovar a criatividade do autor é o interesse das crianças, principalmente de Cody, pelos recentes casos de assassinato – na série televisiva mostra um pouco desse comportamento estranho do menino. Alguns personagens do livro anterior aparecem “parcialmente” (desculpem o trocadilho infame, mas é inevitável e você me entenderá quando ler) durante alguns capítulos, porém serviram apenas para ilustrar uma tragédia disfarçada de comédia.

    Bom, acho que já falei muito sobre a história. Confesso que, mesmo para um livro de ficção, foi difícil digerir as revelações feitas nas últimas páginas. Como eu disse antes, Lindsay estava muito bem inspirado. Contudo, o melhor sempre fica por conta do humor negro e sarcástico recheado de tons irônicos embutidos em cada um dos comentários de Dexter. São impagáveis! Agora é esperar – não muito, só uns dois ou três meses – para a próxima aventura: Dexter By Design.

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1 comentário(s) para “Dexter In The Dark” RSS icon

  • Olá,

    Eu só não entendi uma coisa: “bizarro” é bom ou é ruim?

    Abraço,

    Fabiano

    [Reply]

    Resposta:

    @Fabiano, confesso que no início achei bem ruim, mas aos poucos fui assimilando a ideia (principalmente do “IT”).

    [Reply]


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