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  • While The Light Lasts

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    scissors
    01/07/2009Livro

    While the light lastsPerdi a conta de quantas histórias já li da Agatha Christie, apelidada carinhosamente de Rainha do Crime. Lembro que comecei a ler seus quarenta e tantos livros – ela tem oitenta ao todo, sem contar os romances que escreveu sob o nome de Mary Westmacott – graças à uma coleção que tinha sido publicada em bancas de jornais semanalmente. O engraçado de ler Agatha é que depois de um certo tempo não lembro mais quem é o assassino, o motivo, às vezes sequer da história.

    Retomei a leitura, só que agora em inglês. Não que eu tenha recomeçado a ler todos, mas quando encontro algum livro o qual não me recordo, compro para ver se realmente não passou pelos meus olhos – no final, claro, já tinha lido. :)

    “While The Light Lasts” (em português, Enquanto Houver Luz) é, na verdade, uma coletânea de  nove histórias as quais tinham sido publicadas apenas em jornais ou revistas nas décadas de 20 e 30. São contos, aliás, que foram relançados praticamente vinte anos após sua morte. Mesmo tendo uma história com o detetive belga mais vaidoso da história (The Mystery Of The Baghdad Chest), há outras em que nada remetem somente a assassinatos. São contos de triângulos amorosos (Within A Wall), trágicos reencontros amorosos (While The Light Lasts), chantagens (The Actress), caça ao tesouro (Manx Gold) e até sobrenatural (The House Of Dreams).

    O que achei interessante também nessa edição são os comentários feitos após cada uma das histórias. São relatos de quando e onde elas foram publicadas, o que levou Agatha a escrevê-las e outros fatos curiosos, tais como o desaparecimento da escritora por quase duas semanas após saber da traição do primeiro marido – o que muitos dizem não ter passado de um golpe de publicidade, apesar de médicos terem diagnosticado como amnésia e até colapso nervoso.

    Um fato, porém, me decepciona na escritora britânica: o racismo. Todo mundo tem direito de não gostar de algo ou alguém, mas acho que isso que não precisa ficar implícito – às vezes explícito – publicamente. Guarde para você, assim você não arranja briga com ninguém. Creio que o caso mais famoso foi o título “Ten Little Niggers” (traduziram suavemente para O Caso Dos Dez Negrinhos, mas sabemos muito bem que é “pretinhos”); arrancou várias críticas da imprensa na época e, logo depois, encontraram nomes alternativos como “Ten Little Indians” e “And Then There Were None” (E Não Sobrou Nenhum) – não adiantou, entretanto, adaptar para Indians se a ilha qu serviu como cenário da história se chamava Nigger Island.

    Na última história que leva o mesmo título do livro, Agatha consegue ser criativa ao descrever a cor das pessoas, o que não seria necessário já que ela indica a África no primeiro parágrafo como o local do conto:

    But the coffee-coloured driver, appealed to, responded with the cheering news that their destination was just round the next bend of the road.

    Bom, ninguém é perfeito. É melhor pensar que Agatha contribuiu e renovou a maneira de escrever romances policiais, vivas até hoje.

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1 comentário(s) para “While The Light Lasts” RSS icon

  • caracas! nunca tinha viajado nesse lance dos “negrinhos”.
    Enfim, preconceito ou nao de lado, eu PIREI qnd li esse livro. Tinha uns 12 anos e o achei MT FODA! Outro dia tava justamente me lembrando dele.

    [Reply]


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