Rapidinha da semana: Julian Plenti

Paul Banks

O sorrisinho maroto estampado no semblante infantil de Paul Banks, vocalista e líder do Interpol (me arrependo até hoje de não ter ido ao show deles) mudou para uma expressão mais séria e de mocinho, com direito a barba e bigode, ao se identificar com o pseudônimo Julian Plenti. Paul criou muito mistério para lançar seu disco solo “Julian Plenti Is Skyscraper”: sem muitas fotos promocionais, nada de novidades em seu perfil do MySpace – ele mesmo colocou a seguinte frase no avatar: “What’s the fuss? Await the revolution come August” – e, no site oficial, apenas o download do single Fun That We Have para quem se inscrever na newsletter.

A Matador Records é que dá mais notícias sobre o projeto solo de Banks: músicas compostas e tocadas ao vivo por Manhattam entre 1998 e 2003, as quais viraram demo em 2006. Em 2009, essas mesmos ensaios finalmente foram gravadas em estúdio. Para isso, convidou alguns amigos (Mike Stroud do Ratatat, Charles Burst ex-The Occasion e Sam Fogarino do próprio Interpol), além de alguns contratados para tocar os arranjos.

Quando ouvi o primeiro single, senti um certo desestímulo de prosseguir com minha curiosidade: um tiro certo no pop rock descartável com refrão fácil e repetitivo. Arrisquei mesmo assim na faixa de abertura, Only If You Run; gostei. Skyscraper me surpreendeu pela introdução de instrumentos que ocupa quase metade da melodia e retocado por pouquíssimas palavras (shake me, shake me, skyscraper). Games For Days é cópia integral de Interpol, mas nem por isso desmerece seu posto como uma das melhores do álbum. Madrid Song cede ao descanso com notas serenas de piano em pouco mais de dois minutos, seguida no mesmo ritmo pacífico por No Chance Survival. Unwind dá um banho de estimulantes graças ao coro de vozes guiado pelo tom sempre grave de Paul. O violão entra em cena em On The Esplanade e permanece até o final da música. Por incrível que pareça, as guitarras pausadas em Fly As You Might parece ter sido extraído do Circlesquare.

No todo, o tão misterioso personagem de Paul Banks até que não me decepcionou. Experimentos solos são bem aceitos pela minha pessoa – vários exemplos, basta dar um busca mais filtrada no meu blog -, ainda mais quando são projetos que estão no papel, às vezes esquecido no fundo do guarda-roupa, e vêm à tona subitamente. Tudo voluntariamente e sem compromisso.

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  1. Pingback: Paul Banks: Banks | Zé Offline

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