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    19/01/2010Música

    Depois de ouvir o último trabalho do quarteto Animal Collective, “Merriweather Post Pavilion”, fiquei com a seguinte dúvida pairando no ar: até onde vai o experimentalismo? Sou muito aberto a novidades sonoras -- sejamos francos, nem tanto assim -, porém algumas delas tem um limite aceitável para meus ouvidos.

    O Animal Collective personifica suas músicas em tudo que se relaciona ao natural, orgânico ou seja lá como você queira classificar -- pelo menos é a minha percepção quando reparo as vestimentas em alguns de seus vídeos. Trilhado por esse raciocínio, posso citar alguns outros artistas: The Knife, liderado pela cantora Karin (inclua aí o trabalho solo dela Fever Ray), Björk (o álbum “Vespertine” fala só sobre natureza e, arrisco dizer, “Medúlla”, cujo objetivo foi dar ênfase em seus vocais), Bat For Lashes (leia a ótima resenha de “Two Suns” feito pelo meu amigo Giovane), CocoRosie e, claro, Atlas Sound (projeto solo de Bradford Cox, vocalista do Deerhunter e super amigo de Panda Bear, um dos integrantes do Animal Collective).

    Meu conceito de experimentalismo não vai de encontro à sonoridade dos garotos de Nova York. Sou muito mais ouvir os trabalhos inovadores de Matthew Herbert e seus ruídos anônimos do que entrar em transe escutando melodias psicodélicas (abro parênteses para esclarecer que a psicodelia traduzida em música pode ter interpretações variadas para cada um) como a do Animal Collective.

    A arte da capa do disco, preciso dizer, me irritou profundamente assim que avistei aquela ilusão de ótica das folhinhas verdes se mexendo sem parar. A faixa de abertura In The Flowers soa um pouco barulhenta por causa dos arranjos desconcertantes ao fundo da melodia, o que infelizmente destoa a cantoria nos momentos de ápice. My Girls dá continuidade aos mesmos arranjos e também quase deixa o vocalista em segundo plano. Also Frightened provavelmente teve inspiração em algum ritual indígena e Summertime Clothes muda o tom do disco com vocais sobressaltados. Bluish amortece com uma agradável sobriedade, porém a mistura de vozes em Guys Eyes volta com o clima hipnótico. Taste está mais para uma música de carrossel e Lion In A Coma com certeza deixa qualquer um em coma com o didgeridoo tocando de fundo. No More Runnin’ causa uma intermitência cerebral em meio a tanta exaltação sonora, nos deixando em estado alfa apenas com essa frase. Brothersport fecha o álbum com um alarme incessante e insuportáveis repetições de “open up your”. Confira a seguir o vídeo dessa música (eu não consegui assistir até o final):

    Leia também:

      Atlas Sound

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