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Educação
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03/03/2010Cinema e TV
“Educação” (“An Education“) pode ser interpretado das duas maneiras: educação tanto na vida acadêmica como na sua vida. Você erra o exercício, tira nota baixa e ainda assim quer discutir com a professora de que está certa, tendo plena consciência de que não está. Não consigo pensar em uma melhor descrição para a personagem adolescente Jenny, de apenas dezesseis anos, vivida pela atriz novata Carey Mulligan: uma aluna inexperiente tanto no colégio como em relacionamentos. A professora é retratada por vários coadjuvantes: a própria professora séria e solitária, a diretora autoritária que se julga dona da verdade; cada uma delas dá sua lição de moral em Jenny de acordo com suas respectivas perspectivas diante do comportamento da aluna, cujo futuro brilhante na faculdade de Oxford pode virar pó nas mãos de um homem mais velho, aqui retratado por David, personagem na pele de Peter Sarsgaard.
Mesmo tendo o final previsível, apesar de não ter encarado isso como um ponto negativo, o filme mostra o que todo mundo esperava acontecer. Para falar a verdade, eu mesmo fiquei surpreso com o desfecho da história, porém, por outro lado, não via um caminho alternativo frente a tantas ousadias no roteiro: aceitar carona de estranhos (por mais que o próprio estranho avisasse de tal perigo), os pais deixarem a filha ainda menor de idade sair à noite (antes da meia-noite, para ser mais específico) com o mesmo estranho e, de quebra, confiar nas mentiras dele (as quais eram sustentadas pela própria filha que, de algum modo, se sentia a aventureira fazendo isso). Não posso agurmentar nada a respeito, entretanto, pois não sei como era o estilo de vida dos ingleses na década de 60, se eram tão conservadores quanto meus pais afirmavam ser na época deles; não sei também dizer como anda a relação pais e filhos nos dias de hoje – pelo menos posso afirmar que estão bem diferentes da que eu tinha quando também era um adolescente – para fazer qualquer tipo de comparação.
É provável que os pais de Jenny tenham dado certa liberdade para a filha pensando no futuro confortável para ela (leia-se: ao lado de um homem financeiramente estável) em vez da opção de ingressá-la na faculdade e, na pior das hipóteses, torná-la uma mulher solteira e infeliz para o resto da sua vida (pelo menos é o que o filme induz toda vez que a professora entra em cena). Certo ou errado? Acho mais errado deixar que Jenny perdure seu vício no cigarro dentro de casa. Ficamos intimidados em julgar qualquer atitude dos personagens quando nos deparamos com o sonho de cada um, a esperança que eles alimentam para terem uma vida mais feliz e satisfatória – mesmo que isso vá contra os princípios impostos pela sociedade. Achamos errado, contudo, no fundo, torcemos para que o “errado” dê certo.
Não posso deixar de elogiar os diálogos engraçados do roteiro tão bem edificado por um dos meus escritores favoritos, Nick Hornby. Já deixei de acreditar na credibilidade do Oscar, mas não é isso que vai tirar o seu mérito por ter sido indicado ao melhor roteiro adaptado esse ano. É como se eu estivesse lendo um livro dele na tela do cinema. Para quem está acostumado com sua forma de escrever, é muito fácil identificar os momentos desconcertantes e ao mesmo tempo hilários, as curtas respostas transbordando o tão tradicional humor ácido inglês e, claro, o clima pop e jovem que se mantém original mesmo retratado em uma época nem tão moderna assim.
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Tags: an education, carey mulligan, david, educação, jenny, melhor roteiro adaptado, nick hornby, oscar, oscar 2010, peter sarsgaard





































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