Electric Guest

A primeira música que ouvi do dueto Electric Guest, formado por Asa Taccone e Matthew Compton, foi This Head I Hold (cujo vídeo você confere ao final), carro-chefe do EP que antecipa o lançamento do álbum de estreia “Mondo” agora em abril. A primeira impressão é a que ficou, porém essa música vai contra, eu imagino, o estilo musical da dupla. O piano na introdução da canção entrega o compasso da melodia inteira, tornando-a mais pegajosa com a voz um tanto delicada de Taccone e, claro, as batidas duplas acompanhadas das palminhas aceleradas antes do refrão.
O equívoco de que a levada das outras faixas seja do mais puro pop logo é dispersado por uma estranha ginga soul em American Daydream, com distorções sonoras entrelaçadas com notas de guitarra, batidas bem sossegadas e os vocais abafados no tom certo. Mesmo em Jenny, com um violão sendo tocado à medida que batidas mais pulsantes encobrem o refrão, o pop tenta invadir o território, porém sem muito sucesso.
A aura entristecida toma forma e força na última faixa do EP, Troubleman, perdurando oito longos porém despercebidos minutos. Não há muito segredo, aparentemente, nos instrumentos para formular tal clima enevoado (é o violão e a guitarra quem comanda as notas, em sua maioria), então ficamos com a letra do refrão sendo repetida várias vezes – mesmo depois de a música ter cessado, como se fosse uma lavagem cerebral -, as quais não trazem conforto ou alívio nenhum (“she’s got it bad for me / she’s got it bad for me / the only game she plays now turn the other way”).


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