Azure Ray: As Above So Below

O retorno de um artista ou banda que você admira muito é sempre uma imensa satisfação. Foi assim com a dupla Maria Taylor e Orenda Fink, mais conhecidas por Azure Ray. Seis anos ausentes (cada uma se reservou no direito de seguir carreira solo) e surge o inesperado “Drawing Down The Moon”, em 2010; dois anos depois, minha expectativa por mais um grande disco é totalmente frustrada com o lançamento de “As Above So Below”: um repertório de apenas seis faixas.

Com a decepção lentamente digerida, tento me concentrar nas novas camadas musicais que elas experimentaram para esse novo trabalho. As meninas não ignoraram a textura sonhadora e doce presente em suas melodias, contudo instrumentos como violão ou guitarra foram descartados. Consegui reconhecer o piano em The Heart Has Its Reasons e, muito distante, um provável teclado sussurra suas notas em To This Life.

Batidas profundas se esparramam com a ajuda de ruídos digitais e desconhecidos, como percebemos nitidamente em Scattered Like Leaves, primeiro single divulgado. Esses barulhos invasivos ficam mais evidentes em Red Balloon, com os vocais da dupla ecoando em frações descompassas. Quando você acha que não pode ficar mais estranho, Unannounced vem construída por uma melodia sinistramente reversa. Talvez o que mais se aproxima do que já conhecemos do Azure Ray é We Could Wake, com o mesmo piano andarilhando pelo fundo da música. Veja abaixo o vídeo para o primeiro single.

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