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    03/03/2010Cinema e TV

    Educação

    “Educação” (“An Education“) pode ser interpretado das duas maneiras: educação tanto na vida acadêmica como na sua vida. Você erra o exercício, tira nota baixa e ainda assim quer discutir com a professora de que está certa, tendo plena consciência de que não está. Não consigo pensar em uma melhor descrição para a personagem adolescente Jenny, de apenas dezesseis anos, vivida pela atriz novata Carey Mulligan: uma aluna inexperiente tanto no colégio como em relacionamentos.  A professora é retratada por vários coadjuvantes: a própria professora séria e solitária, a diretora autoritária que se julga dona da verdade; cada uma delas dá sua lição de moral em Jenny de acordo com suas respectivas perspectivas diante do comportamento da aluna, cujo futuro brilhante na faculdade de Oxford pode virar pó nas mãos de um homem mais velho, aqui retratado por David, personagem na pele de Peter Sarsgaard.

    Mesmo tendo o final previsível, apesar de não ter encarado isso como um ponto negativo, o filme mostra o que todo mundo esperava acontecer. Para falar a verdade, eu mesmo fiquei surpreso com o desfecho da história, porém, por outro lado, não via um caminho alternativo frente a tantas ousadias no roteiro: aceitar carona de estranhos (por mais que o próprio estranho avisasse de tal perigo), os pais deixarem a filha ainda menor de idade sair à noite (antes da meia-noite, para ser mais específico) com o mesmo estranho e, de quebra, confiar nas mentiras dele (as quais eram sustentadas pela própria filha que, de algum modo, se sentia a aventureira fazendo isso). Não posso agurmentar nada a respeito,  entretanto, pois não sei como era o estilo de vida dos ingleses na década de 60, se eram tão conservadores quanto meus pais afirmavam ser na época deles; não sei também dizer como anda a relação pais e filhos nos dias de hoje – pelo menos posso afirmar que estão bem diferentes da que eu tinha quando também era um adolescente – para fazer qualquer tipo de comparação.

    É provável que os pais de Jenny tenham dado certa liberdade para a filha pensando no futuro confortável para ela (leia-se: ao lado de um homem financeiramente estável) em vez da opção de ingressá-la na faculdade e, na pior das hipóteses, torná-la uma mulher solteira e infeliz para o resto da sua vida (pelo menos é o que o filme induz toda vez que a professora entra em cena). Certo ou errado? Acho mais errado deixar que Jenny perdure seu vício no cigarro dentro de casa. Ficamos intimidados em julgar qualquer atitude dos personagens quando nos deparamos com o sonho de cada um, a esperança que eles alimentam para terem uma vida mais feliz e satisfatória – mesmo que isso vá contra os princípios  impostos pela sociedade. Achamos errado, contudo, no fundo, torcemos para que o “errado” dê certo.

    Não posso deixar de elogiar os diálogos engraçados do roteiro tão bem edificado por um dos meus escritores favoritos, Nick Hornby. Já deixei de acreditar na credibilidade do Oscar, mas não é isso que vai tirar o seu mérito por ter sido indicado ao melhor roteiro adaptado esse ano. É como se eu estivesse lendo um livro dele na tela do cinema. Para quem está acostumado com sua forma de escrever, é muito fácil identificar os momentos desconcertantes e ao mesmo tempo hilários, as curtas respostas transbordando o tão tradicional humor ácido inglês e, claro, o clima pop e jovem que se mantém original mesmo retratado em uma época nem tão moderna assim.

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    08/02/2010Cinema e TV

    Fim da escuridão

    O título é exagerado e quando vi o trailer, então, logo pensei que fosse imitação de “O Troco”. Quase. “Fim da Escuridão” (“Edge Of Darkness“) mostra um Mel Gibson menos aventureiro, porém sem perder a identidade de policial justiceiro e durão retratado em tantos de seus filmes, assim como na safra de maior sucesso “Máquina Mortífera”.

    Óbvio que, mesmo perto dos seus sessenta anos, Mel Gibson quer deixar à mostra toda sua força e agilidade nas telas. – ninguém quer acreditar na possibilidade de ter um dublê. Seu jeito curto e grosso de falar com as pessoas, as aparições repentinas na casa dos outros (“como você entrou aqui?”) e as piadinhas seguidas de socos e pontapés são iguais as dos anos 90. Roteiro para um filme de ação não precisa ser criativo, basta uma dose de perseguição de carros, algumas cenas de susto (quando, por exemplo, matam a filha dele à queima-roupa), amigos traidores e, para não fugir à regra, um personagem misterioso o qual você nunca sabe de qual lado está.

    A história, aliás, tem um quê de conspiração – calma, não é “Teoria da Conspiração”. Após a morte de sua filha, detetive começa a investigar por conta própria o motivo desse assassinato tão cruel (pausa para o drama). Aos poucos, enquanto vai atrás dos contatos que ela tinha na agenda do celular, o detetive descobre que a empresa de segurança onde sua filha trabalhava esconde algo muito terrível (pausa mais longa para o drama). Precisa dizer mais? É pura diversão para quem nãosabe o que fazer no final de semana.

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    02/02/2010Cinema e TV

    Amor sem escalas

    Entre tantas indicações ao Globo de Ouro – seis ao todo – e ganhador de uma delas com melhor roteiro, “Amor Sem Escalas” (“Up In The Sky“), do mesmo diretor de “Juno” Jason Reitman, era uma das minhas esperanças de ser um filme que valeria a pena ter ido ao cinema assistir. Não vou dizer que não valeu a pena, mas não sei por que fizeram tanto hype em torno dele.

    A história, baseada no livro de mesmo título, mostra bem a realidade dos estadunidenses na forte crise econômica que se alastrou pelo planeta em 2009: redução de custos e, consequentemente, desemprego desenfreado. O trabalho de Ryan, personagem de George Clooney, é demitir as pessoas. Segundo ele mesmo, os diretores bundões o contratam justamente para não terem que enfrentar a indignação e, na maioria das vezes, a raiva dos que estão para serem demitidos. Já há vários anos no mesmo cargo, viaja quase todos os dias do ano, tornando-o praticamente um cliente VIP da American Airlines. Seu objetivo, aliás, é atingir a marca de dez milhões de milhas.

    O filme retrata bem a divergência de gerações e as mudanças críticas que devem ser feitas devido à crise: para conter as despesas de viagem, a empresa onde trabalha contratou um novo serviço de videoconferência para demitir as pessoas. Como parte do treinamento desse sistema, Natalie, recém graduada e também jovem (não que eu seja tão mais velho do que ela no filme… rs!), entra em cena. Os diálogos e as situações entre a dupla são divertidas e, algumas vezes, bem afiadas. Pontos interessantes que a história aborda muito bem: experiência conta mais quando um terceiro interfere sem ter conhecimento do processo; as relações humanas nem sempre podem ser substituídas pela máquina – mesmo que a distância seja crucial para a resolução do problema.

    O lado mais emocional do filme também consegue se sair bem, mostrando os dois extremos: Ryan não sente a necessidade de se envolver com ninguém, sempre usando seu trabalho como justificativa (não tem como não lembrar da aeromoça em “O Terminal”, cuja função é a mesma, exceto pelo fato de ela ter um amante); como prova disso, entra em ação Alex, cuja profissão é exatamente a mesma de Ryan e possui a mesma visão do companheiro de cama. Natalie não se conforma com esse tipo de idealismo, visto que ela está em um relacionamento há algum tempo e, além disso, preza pela companhia de pessoas amadas. Creio que há pessoas que se encaixam perfeitamente em cada tipo de perfil  – posso dizer  que já passei pelo primeiro e estacionei no segundo -, porém o roteiro segue um caminho e faz questão de apagar o outro do mapa. Dá a impressão de que o outro serve apenas de atalho, o que não resolve a vida sentimental de ninguém por muito tempo.

    É aí que mora o cliché, seguido de uma lição de moral que se mostra sutil no final do filme. Sutil porque o objetivo maior dessa mesma lição é: mesmo em tempos de crise (não só a econômica, importante frisar), o apoio que você tem de familiares e amigos é vital.

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    29/12/2009Cinema e TV

    Digo que poderia ser qualquer outra cidade metropolitana e cosmopolita nesse filme, mas é claro que nenhuma cidade melhor do que Nova York para representar todas as raças e todas as culturas em um único lugar (modéstia a parte, e sem fazer comparações absurdas, São Paulo também tem seu privilégio quando o assunto é diversidade). Em “Nova York, Eu Te Amo” ela serviu muito bem como pano de fundo para as doze histórias colecionadas em duas horas de duração.

    New York, I Love You

    Cada história é dirigida por um diretor diferente, apesar de alguns personagens se cruzarem acidentalmente entre elas. Nada demais, apenas se trombam para que você saiba quando uma termina e a próxima começa. E assim você é levado por todos os contos: sem qualquer objetivo preciso, descontraidamente, apenas situações triviais que podem acontecer a qualquer momento e em qualquer lugar. Algumas histórias são inusitadas, como a do homem que se esforça ao máximo para seduzir uma moça que fuma na calçada.

    (parênteses: quase todos no filme fumam. Foi usado como desculpa para os personagens iniciarem seus diálogos, porém dá a impressão de fazer apologia ao cigarro ou, inevitavelmente, de que ninguém carrega um isqueiro consigo no bolso ou na bolsa)

    Outras histórias são absurdas – aquelas cujo cliché dá lugar a um final inimaginável – e engraçadas, como a do garoto que é convencido por um homem a fazer par com sua filha em uma cadeira de rodas na festa de debutantes. História de um encontro em que a paixão floresceu sob os lençóis carregados de tesão mas que precisa de uma segunda chance. História misteriosa envolvendo uma ex-cantora e um funcionário de hotel. História sobre tradições religiosas. História sobre o drama de um pai recém-separado. História sobre um pintor obcecado por uma mulher.

    Depois de assistir a esse filme, quem é que não fica com vontade conhecer Nova York? :)

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    28/12/2009Cinema e TV

    AVISO: contém alguns spoilers. Sem imagens devido ao último acontecimento.

    Não gostei muito da quarta temporada do Dexter assim que comecei a assistir. Com exceção dos primeiros episódios, que já mostram nosso querido serial killer quase perdendo sua reputação ao sofrer um acidente e, ainda por cima, não lembrar onde colocou os restos fatiados de sua primeira vítima, os demais se desenrolam lentamente e praticamente sem nenhuma ação.

    O vilão da história é Arthur, ou Trinity, nome dado ao assassino que há trinta anos mata três pessoas, sempre com um intervalo de alguns anos para recomeçar o ciclo: uma mulher completamente ensagüentada na banheira, uma outra mulher que aparentemente comete suicídio ao pular de um prédio e um homem com a cabeça destroçada por uma ferramenta caseira (martelos, principalmente). O envolvimento de Dexter com Trinity gradualmente se complica até chegar nos últimos capítulos, porém achei que essa relação ficou demasiadamente extensa – talvez por isso eu não tenha gostado muito dessa temporada no início; o roteiro enrola para deixar o melhor para o final.

    Por outro lado, tenho que dar um desconto, pois um homem dificilmente consegue conciliar sua vida de assassino com a de pai de três filhos e uma esposa. Os dois últimos livros de Dexter mostram muito bem isso, mesmo as histórias sendo completamente diferentes da TV. O seriado não deixa esse detalhe de lado e o explicita em algumas ocasiões bem engraçadas, como as sessões de terapia em casal (cuja terapeuta é interpretada pela atriz que faz o papel de assistente da dupla de cirurgiões em Nip/Tuck). Além disso, sua irmã Deb é outro membro da família que Dexter tenta dar a devida atenção, apesar de fazer o contrário afastando-a das verdadeiras pistas que levam ao Trinity Killer.

    Falemos um pouco sobre Debra Morgan. Parece que a produção da série gosta de fazer essa personagem sofrer. Se não bastasse ela ter de carregar consigo o trauma de ter namorado o principal assassino da primeira temporada, sofrer com o sequestro de seu ex-namorado na terceira, agora na quarta ela mais uma vez se decepciona profundamente. Agente Lundy, o amor de sua vida na segunda temporada, cujo retorno – mesmo aposentado – surpreendeu a todos, teve um final nada feliz ao lado de sua amada: tanto ela como Lundy levam um tiro cada um em um estacionamento, contudo apenas Deb sobrevive. E não pára por aí… Debra finalmente descobre a verdade sobre a informante e amante de seu pai Harry, Laura Moser. Ela é a mãe biológica de Dexter e, pior, do Ice Truck Killer (aquele namorado assassino da primeira temporada).

    Voltemos ao Dexter. Como disse, o envolvimento entre Dexter e Trinity foi longo e vagaroso. Entendo que a aproximação de Dexter deveria ser mostrada com detalhes – e, além de tudo, com muita cautela para não causar desconfiança em Arthur -, entretando tudo isso podia muito bem ter se reduzido a, no máximo, três episódios. Os doze episódios deram a impressão de terem sido gravados em vinte e quatro, tornando o suspense cansativo e, no meu caso, a ponto de perder interesse pelo seriado (mentira, não cheguei a tanto, mas bem que deu vontade de pular algumas cenas e até alguns episódios para saber o final).

    Descobrir que Arthur tem as mesmas características de Dexter, tais como ser carismático com todos e ter uma família tão feliz quanto a dele, e usá-las como disfarce para o que realmente gosta de fazer, o induz a uma pequena reflexão sobre suas atitudes, suas múltiplas facetas e o que elas acarretam como consequência na vida de quem está à sua volta. Isso não me serviu como justificativa para levar o personagem a pensar em desistir de ser o que é. Chega um momento em que você também fica compelido a acreditar que ele deve abandonar o posto de serial killer por causa da família – e em algumas ocasiões você também fica com raiva do Harry quando ele tenta convencer seu filho adotivo de que a família o atrapalha em seus planos mortais -, porém, se você se centrar nas premissas de Dexter, a família é um obstáculo sim para que ele continue com seu hobby. Nós queremos que nosso serial killer predileto seja descoberto ou, pior, se arrependa do que mais gosta? Se isso acontecer, ou a série acaba ou eu não assisto mais.

    Sem querer fazer comparações com a obra original (nem deveria, aliás, pois a série é baseada no livro), mas o Dexter de Jeff Lindsay continua frio e calculista até a última página da última publicação, se aproveitando de Rita como escudo para fingir seu lado humano e, de quebra, treinar Cody e sua irmã com o código de Harry. Outro fator determinante no livro, que não é ponto de referência na adaptação para a TV, é o Dark Passenger. Em pouquíssimas vezes é citado como a escuridão que acoberta os pensamentos de Dexter (não só nessa temporada como nas anteriores), ou seja, mais um motivo para desfazer a imagem de mau que Dexter carrega consigo. Em suma: tornar Dexter um homem bom só arruinaria a sequência da série na TV.

    Eis que o último episódio vem para desmistificar qualquer conclusão precipitada e derrubar qualquer cliché existente. Tudo parece perfeito demais: Dexter consegue vencer Trinity, agora um homem que não passa de uma vítima conformada com seu final (como se sua missão estivesse cumprida), as crianças se divertindo na Disney, Rita esperando seu marido para uma segunda lua-de-mel e o próprio Dexter tentando seguir seu caminho sem os chamados do Dark Passenger. Tudo perfeito demais… mas Harry estava certo (ele sempre está): Dexter é o que ele é, não há como ele mudar o que é e o que faz, é simplesmente o destino.

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    11/12/2009Cinema e TV

    Viagens de avião, principalmente as com mínimo de oito horas, são em parte um sofrimento. A outra parte é um tédio. Para tentar trazer o sono e espantar o incômodo (como disse uma das passageiras, quem viaja em classe econômica vai de 90º), uma das alternativas após folhear o catálogo do duty free são os filmes. Entre as poucas opções, resolvi assistir “Julie & Julia”.

    Julie & Julia

    O filme é baseado em dois livros, “Julie & Julia”, de Julie Powell, e “My Life In France”, da Julia Child. Desnecessário explicar o título do filme, acredito eu. Julia é interpretada por Meryl Streep, encenação essa, aliás, que ficou forçada demais. Tudo são flores e risadas para Julia no filme, mesmo quando ela enfrenta algumas decepções (nem tão graves assim, já que o filme é bem leve e açucarado). Ela se muda com o marido para Paris, cujo emprego na Embaixada o faz com que seja transferido de país uma vez ou outra (depois de um tempo, o casal vai morar na Alemanha, se não me falha a memória). Lá ela percebe que só há livros para cozinhar em francês, então porque não começar a aprender a língua e tentar traduzir as receitas para, depois, escrever um livro em inglês? Como você pode ver na foto acima, o sonho de se tornar Palmirinha também foi realizado.

    A escritora Julie, interpretada pela quem é essa atriz Amy Adams, é uma profissinal de telemarketing frustrada e alimentada por um desejo constante de dar aquela guinada em sua vida – ah, como eu adoro roteiros originais! Eis que o namorado dela mostra uma novíssima ferramenta da internet, o blog. A partir daí, ela começa a escrever no blog suas aventuras na cozinha – todas tentando ser muito engraçadas, mas até que valeu o esforço – com base no livro de receitas da Julia, aquele mesmo traduzido do francês. A cozinheira se transforma uma amiga imaginária de Julie, idolatrada do começo até quase o fim do filme. Só para quebrar um pouco o gelo, Julie também tem suas decepções (lembra que é bem leve e açucarado?) e uma rápida briga com o namorado – eu perdi essa parte porque estava na fila do banheiro.

    Inesperadamente, para os que não acreditam em clichés, o blog vira um sucesso. Graças ao namorado, ao acessar um site misterioso de rankings, Julie descobriu que estava tendo inúmeras visitas (coitadinha, o blog dela não tinha uma seção própria de estatísticas). Jornalistas começam a ligar sem parar para ela e… já deu para imaginar como acaba o filme.

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    23/11/2009Cinema e TV, Música

    Não tem como não resistir ao filme (500) Dias Com Ela (500 Days With Summer). A fofura começa desde o começo, contando rapidamente o passado de cada um dos personagens: Tom e Summer (daí o título do filme), protagonizados por Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt. Não vou falar muito sobre o filme, deixo para você conferir -- mesmo que não seja no cinema, pois pelo que percebi logo estará fora de cartaz.

    O diretor Marc Webb é estreante com longa-metragens, mas soube aproveitar sua experiência com videoclipes (a maioria de bandas pop que eu obviamente não gosto -- exceto essa). Talvez a prova maior esteja na cena em que Tom sai na rua dançando com todo mundo que ele cruza pela frente. A trilha sonora também tem seu peso para deixar a trama mais, digamos, de acordo com a personalidade do casal.

    O disco preferido de Summer era “The Boy With The Arab Strap” do Belle & Sebastian e fã assumida de Ringo Star; Tom tem um pôster dos Smiths colado na parede do seu quarto (isso quando ele ainda é um garoto) e Here Comes Your Man é uma das músicas que ele canta no karaokê; Regina Spektor empresta Us para tocar bem no comecinho da história, Feist vem depois com o hit Mushaboom, seguida de Quelqu’un M’a Dit da Carla Bruni em uma cena em que Tom resolve falar sobre o real status do seu relacionamento com Summer. (abro parênteses para fazer um protesto: por que She’s Like The Wind não entrou no álbum da trilha sonora?)

    A história segue aleatoriamente, voltando e pulando vários dos 500 dias, desde como Tom conheceu Summer até… bom, já falei, vai assistir ao filme. Situações se contradizem com o que era legal até os 50 primeiros dias com o que se tornou um tédio nos primeiros 400 dias, fórmula que funcionou e me arrancou boas risadas. O figurino também faz jus aos personagens: vestidos combinando com os lacinhos no cabelo de Summer e camisetas com estampas simples e descoladas que servem direitinho no corpo magricelo de Tom. Entrentato, sempre tem algum fator que simplesmente não convence: quem é aquela menina que vive aparecendo para Tom com seus conselhos, como se ela fosse madura o bastante para concedê-los? Pode até ser que aconteça, mas achei descenessário.

    Confira a seguir o vídeo de Why Don’t You Let Me Stay Here, single do álbum de She & Him, cuja líder é a própria Zooey Deschanel. Nem preciso falar quem dirigiu…

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    12/11/2009Cinema e TV

    Dexter: Early Cuts

    A Showtime preparou uma extensão para a web bem legal do seriado Dexter. Dexter: Early Cuts é a versão em desenho animado que conta as histórias precedentes do nosso querido serial killer. A série é dividida em doze partes, porém a diferença crucial, além da animação, é a duração: entre um e dois minutos para cada episódio, sendo que os quatro primeiros capítulos narram a caça da primeira “vítima”, Alex Timmons, lá em 2003. Para fazer jus ao seriado, a voz é do próprio Michael C. Hall, ator que interpreta Dexter.

    Para acompanhar a saga, acesse o site oficial. Assista a seguir o primeiro episódio (em inglês):

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    09/11/2009Cinema e TV

    Audrey Tatou como Coco Chanel

    Já não estava muito animado para ver “Coco Antes de Chanel”, película biográfica da estilista francesa Gabrielle Chanel, mais conhecida por Coco Chanel. Não conheço nada da vida dela – só agora associei o corte de cabelo à pessoa, acreditem -, agora que assisti ao filme, então, fiquei com menos vontade ainda. O filme, aliás, não ajuda em nada a retratar a trajetória de sucesso de “Cocoricó”.

    O roteiro deslancha na superficialidade, sendo que cada fase dela é contada da pior e mais pobre maneira possível. Sua infância é mostrada em três cenas e, como num passe de mágica, a então designer de chapéus termina sendo aplaudida com o desfile de sua coleção de roupas nos últimos minutos do filme. Detalhes mais polêmicos, como sua colaboração com o nazismo, foram descaradamente esquecidos na trama. O fato de ter revolucionado a moda feminina no começo do século XX também passou despercebido, dando a impressão de que Chanel não tinha uma visão a frente de seu tempo e sim uma vantagem bonificada acidentalmente pelo destino. Os diálogos tentam salvar com algumas doses de acidez e a atuação de Audrey Tatou até que convence pela competência, porém mesmo assim não deixa de ser um filme chato e descartável.

    Curiosidade a parte, o pôster do filme teve uma singela alteração: trocaram o cigarro de Coco por uma caneta-tinteiro. Que eu saiba, Coco só lia livros, não os escrevia. :P

    Saiba um pouco mais sobre a vida de Coco nessa matéria da Bravo! Online.

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    29/10/2009Cinema e TV

    Mais um filme da Mostra que, por sorte, fez o meu gosto. Não escolhi de olhos fechados – nem poderia, já que horário e distância eram critérios decisivos na minha escolha -, contudo nem a sinopse ajudou a me convencer de que seria o filme ideal para aquele dia. Tentei, inclusive, buscar por resenhas online, porém sem sucesso.

    Patrik, Idade 1,5

    O filme sueco “Patrik, Idade 1,5″ não tem uma história original, longe disso. Nem por isso, claro, a trama deixa de envolver você até o fim. Mesmo centrado em um casal de gays que deseja adotar uma criança, Göran e Sven, tema-gancho que provavelmente atraiu a maioria dos que estavam na sala (não posso generalizar, pois os cinéfilos de plantão fazem questão de ir em todos os filmes da Mostra, não importa qual), a polêmica se estende por outro caminho: a suposta criança de um ano e meio na verdade foi um erro de digitação; a “criança” a ser adotada em questão já tem seus quinze anos, vividos à beira de um passado em orfanatos e crimes leves.

    Quando li a sinopse sobre a confusão com a idade da criança, comecei a dar risada; isso só pode ser comédia tamanho o absurdo da história. Não que seja impossível acontecer isso, e o filme prova ser comum esse tipo de equívoco, mesmo com idades tão discrepantes. O drama tenta se instaurar em momentos cujos clichés já fazem parte de nossas memórias: pausas longas, pensamentos desconsolados e filetes de lágrimas escorrendo lentamente pelo rosto. O humor, entretanto, interrompe humildemente essas cenas e todo mundo cai naturalmente na risada. É impossível não abrir o sorriso ao se deparar com detalhes tão engraçados: a música country brega e brochante que toca enquanto o casal faz sexo, idealizada pelo quadro de Dolly Parton, a perfeição plastificada nas atividades diárias dos moradores do bairro (uma vizinha sempre aparece fazendo ginástica no gramado de sua casa), a filha de Sven deles sempre vestida como se estivesse em um evento cosplay, entre outras cenas.

    Nem preciso dizer que o filme aborda a dificuldade de adotar crianças por homossexuais – sinceramente, não acredito que a diretora do filme tenha se preocupado em tratar do assunto como o principal -, mas o legal foi mostrar que a vida de dois gays são tão normais quanto a vida de um casal hetero, sem estereótipos. O preconceito sim é o objetivo do filme: por mais que a vizinhança respeite o casal – abre parênteses: o bairro é uma cópia proposital de “Desperate Housewives”, tudo muito caprichado e colorido -, a exclusão social está explícita: não são convidados para as festas de aniversários, porém os cumprimentos e sorrisos na rua são educadamente fingidos.

    Espero que o filme não seja apenas exibido agora no circuito da Mostra. Produções de países menos conhecidos na indústria do cinema merecem mais destaque e melhor distribuição. Se estrear por aqui, mesmo que daqui a um ano, eu pago para ver de novo. ;)

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