Zé Offline

Música. Cinema. Livros. Whatever.
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    30/07/2010Whatever

    Torre Eiffel

    Desculpe a longa ausência, mas foi difícil combater o jet lag essa semana, além de conciliar com o trabalho pendente. Não vou falar nada da viagem porque acho muito melhor conferir as fotos – nada melhor do que elas para ilustrarem o que eu vislumbrei em Paris.

    Eu ainda não terminei de subir todas – tirei aproximadamente mil fotos -, então não deixem de visitar meu Flickr nas próximas vezes.

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    04/06/2010Whatever


    Minipop: Automatic Love

    Não é porque foi meu aniversário, não é porque está chegando dia 12 – data que, além de ser dia dos namorados aqui no Brasil, é o dia em que comecei meu namoro. Namoro esse que findou no dia 12 também, só que três meses antes de junho. Era para completarmos cinco anos. E agora eu acabei de fazer 27.

    Fazendo as contas rapidamente, comecei tudo com apenas 22 anos. Bom, idade é relativa, pode não ser tão novo assim (tudo depende da sua perspectiva). Estava para terminar a faculdade e, como nunca tinha saído de casa para morar sozinho, decidi que iríamos morar juntos assim que eu finalizasse uma DP (pois é, nunca fui um aluno tão exemplar assim). Tínhamos acabado de completar cinco meses de namoro.

    Precoce? É uma palavra que eu penso constantemente. Moramos de aluguel por quase quatro anos – só ano passado resolvemos comprar um apartamento. No nome dos dois. Com tantos compromissos assumidos em conjunto (pelo menos o curso da pós cada um pagava o seu), comprar um imóvel não significava um empecilho tão grande assim, pelo contrário, era a maior de todas as conquistas. Mais alguns móveis novos e pronto, o sonho da casa própria estava devidamente realizado.

    E eis que agora voltei a morar com papai e mamãe. O apartamento está à venda. Os móveis também. Tudo está se desfazendo sem que eu perceba a velocidade do progresso. Cada um para o seu lado, com seus respectivos objetivos pessoais. Nada mais planejado a dois.  Pareço até dramático falando assim, porém é exatamente assim que vejo como nossas vidas se desvincularam de uma hora para a outra. Depois de tudo, eu era um visitante no apartamento onde eu dividia o mesmo espaço e minha rotina. A intimidade virou amizade. Os quase cinco anos? Foi bom enquanto durou. (pois é, eu detesto clichés, entretanto não há frase melhor para descrever esse momento)

    Claro que dá saudades. Mesmo que eu tenha certeza de que não haverá retorno – de ambas as partes -, fica a nostalgia dos bons tempos. Por isso existem fotos e recordações. E agora? Agora penso como será um novo relacionamento com uma pessoa diferente (um amigo meu teve a sorte de ter um novo com a mesma pessoa). Estou mais seletivo (leia-se: muito mais chato), já penso no futuro que eu teria pela frente. Aí eu páro [ainda tem acento?] e rebobino a fita: eu quero mesmo embarcar nesse barco de novo? Acho que não. Ficar sozinho eu não quero mesmo, contudo não é fácil desengatar da experiência de um namoro – praticamente um casamento, por que não? – de cinco anos.

    Experiência. Aí vem a palavra “precoce” atrás. Será que eu vivi tudo isso tão cedo? Só agora que meus amigos – alguns da mesma idade, outros mais novos – estão pensando em alugar um apartamento, comprar um apartamento… morar juntos. Eu já fiz tudo isso. Para quem nunca tinha namorado e nunca tinha saído da casa dos pais, até que veio tudo de uma vez só. E consegui lidar com tudo isso numa boa (tá bom, eu sempre fui um pouco mimado, então às vezes eu reclamava). E, claro, como eu fico feliz de ver todos à minha volta mais felizes do que eu. Fala se não é bom ter alguém do seu lado compartilhando tudo que vem pela frente: a preocupação da conta entrar mais no vermelho, a entrega atrasada da mesa com tampo de vidro rachado, o jantar especial metade-calabreza-metade-champignon, o primeiro carro usado de 1900-e-bolinha.

    É tudo tão bom. E eu arrisco passar por tudo isso de novo. Quem sabe agora não. Talvez não esteja completamente preparado. Aliás, nunca se sabe. Vai saber amanhã tô me mudando de novo, esperando o maridão chegar em casa para ele preparar aquele miojo gostoso para nós… a não ser que ele prefira um hambúrguer de microondas.

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    24/05/2010Whatever

    PauseFlickr de love|hate

    Não se preocupem, não é uma pausa longa, cansativa e agonizante. Falta de assunto não tem, pelo contrário, estou com várias bandas na fila à espera de um post por aqui. Livros também estão em situação similar -- diria que um pouco pior, porque eles exigem mais trabalho na produção do texto e amarração das minhas ideias.

    O problema é a inspiração mesmo. Passa a semana, chega sábado e domingo e ela não me faz companhia quando sento na frente do computador. Não adianta: quando não estou com vontade, tenho certeza de que não vai sair do jeito que eu quero. Gosto de manter a rotina de postagens, mas se não tem qualidade, prezo pela escassez -- mesmo que temporária.

    Contudo, aceito sugestões musicais. Sempre é bom saber que meus leitores prezam pela sobrevivência desse querido blog. Confira a seguir o vídeo do projeto solo de Peter Svensson, guitarrista dos Cardigans, chamado Paus (a tradução faz just a esse post):

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    09/03/2010Whatever

    Só que dessa vez não é de domínio, nem de servidor, nem de rede. É pessoal mesmo. Quando eu me restabelecer, volto com as novidades musicais de sempre. Agradeço imensamente a compreensão. :)

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    23/12/2009Whatever

     Já está tarde para comprar presentes de natal, a não ser que você ainda tenha ânimo e boa vontade para enfrentar o trânsito de carros, a falta de vagas em estacionamentos e o tráfego intenso de pessoas nos shoppings e ruas de comércio. Se você não tem paciência para nada disso, fica a minha dica:

     

    Snorg Tees

    Não sou fã de camisetas estampadas, mas não resisti a esse site. Não tem frases em português (admito que acho mais interessantes as em inglês, principalmente por causa dos trocadilhos), contudo as estampas compensam pela simplicidade de alguns desenhos e a criatividade em outros. O preço, apesar de ser em outra moeda, não é alto: entre dezoito e trinta dólares (as com capuz são mais caras). Se levar em conta que uma camiseta daqui custa em torno de quarenta reais, vale a pena trocar de nacionalidade de vez em quando.

    Abaixo estão algumas que encomendei essa semana. Você pode pedir para entregar em até duas semanas, porém o valor do frente sobe para vinte e cinco doletas. Dependendo da quantidade que você colocar no carrinho, compensa chegar mais rápido.

     

    Essas já estão em casa:

     

    Além disso, você pode enviar uma foto sua vestindo sua camiseta preferida para a galeria do site. Algumas estampas já saíram de circulação (compramos “I made you a camera-phone”, cujo desenho é uma câmera e um celular grudados com fita adesiva), mas eles sempre repõem com novidades.

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    10/12/2009Whatever

    Miami, FL, USA

    Ah… Miami! Cidade do Dexter, do David Caruso e sempre lembrada por Will Smith. Miami está para os mexicanos assim como o Paraguai está para os brasileiros. A língua oficial não é inglês, não se engane. Todos os residentes ilegais farão o máximo para tentar entender seu inglês macarrônico, mas abrirão um sorriso largo e amarelo quando ouvirem seu portunhol. Se for um vendedor brasileiro então, a satisfação e o alívio de coincidirem com a mesma cultura será imensa.

    Antes de tudo, gostaria de fazer um esclarecimento. O fato de estar em Tampa, apenas a uma hora de carro de Orlando, não foi motivo para me levar à Disney ou ao Universal Studios. De Tampa para Miami, com American Airlines e sem barrinha de cereal, também dá uma hora de viagem. E foi lá que eu planejei ficar meus três curtos dias de lazer.

    Primeira impressão: o calor é tão insuportável quanto o de Salvador (não cheguei a ir mais longe para saber se há regiões do nordeste mais quentes). Agora os americanos estão entrando no inverno, mas nada interfere na temperatura acima de 80ºF, tanto que me recomendaram não ir no verão. Lá também é uma cidade motorizada, mas ainda assim o transporte público não deixa a desejar, apesar de ter intervalos consideravelmente demorados – não vem um atrás do outro, você senta, espera, abre o livro, lê até a metade e só depois você avista o ônibus. Há uma integração de ônibus, trem e o metromover, uma espécie de mini-vagão que circula nas imediações do centro. Olhando o mapa assusta um pouco, porém quem tem boca e fala espanhol, não se perde. Por ser recheada de veículos, o trânsito até que não é tão caótico quanto o de São Paulo, entretanto é a cidade com o seguro mais caro do estado da Flórida. O táxi tem praticamente a mesma tarifa cobrada pelos paulistanos (entre US$ 2 e US$ 2,50, dependendo da zona onde você quer chegar), então fica caro caso você não se aventure com os coletivos.

    Miami não é uma cidade turística. Você vai encontrar museus, claro, mas a principal atração da cidade são os shoppings. São enormes, mas não são maiores que os próprios estacionamentos. Os poucos que visitei foram o Dadeland Mall, onde iniciei o estrago no meu cartão de crédito comprando body lotions da Bath & Body Works (tá na hora de vir para o Brasil, por favor) com promoções tentadoras dn estilo buy 3 get 2 free. Perto dali, a poucas milhas de distância, você dá de cara com a Target e a Bath Bad & Beyond, porém saí correndo enlouquecidamente quando me deparei com a Best Buy. Lá eu ultrapassei o limite da razão e do meu cartão com encomendinhas para os amigos, tais como netbook, HD externo, joguinhos de PSP, Playstation 3, Wii, pen drives e DVD duplo da Madonna.

    O outro shopping, Village of Merrick Park, deve ter servido como imitação inspiração para o Cidade Jardim aqui de São Paulo. Passeando pelo shopping a céu aberto, é um desgosto constante ter de lembrar que não se vive em Miami ao ar livre. Todas as vitrines possuem um efeito especial muito interessante: parecem vidros embaçados de carro, sem contar o choque térmico que se leva ao sair do ar condicionado tão frio e confortável e enfrentar o bafo quente que brotava do chão feito forno a lenha.

    E quanto à South Beach, a morada dos ricos e famosos? Fui para a Ocean Drive conhecer Miami Beach, mas a praia me decepcionou profundamente. Sim, estava nublado e tinha acabado de chover, mas isso não justificou a falta de glamour (veja foto acima; o mato não é Photoshop). Só encontrei glitter de verdade nas lojas de grife da Collins Av. e da Lincoln Road – uma pena já ter estourado meu cartão. Já adianto que não encontrei a loja do Miami Ink, mesmo tendo caminhado a Washington Av. inteirinha – tatuagens simplesmente não me apetecem. Contudo, encontrei uma loja fenomenal de CDs e LPs: Uncle Sam’s Music. Escondida, porém com o som alto e sem pudor para quem estivesse do outro lado da calçada; justo quando eu passava, acredite se quiser, estava tocando The Asteroids Galaxy Tour! Simplesmente delirei.

    Miami me impressionou pelos arranha-ceus. Um maior que o outro e, quando você acha que já viu um prédio grande o suficiente, tem outro logo atrás. O centro financeiro, localizado na Brickell Av. (primeira foto desse post caliente), possuem os mais bonitos na minha opinião. No meio de tanto cimento, pude apreciar um arroz-com-feijão-e-frango disfarçado de comida mexicana no Baja Fresh, que fica na Brickell Village, um conjunto de restaurantes e algumas danceterias. E por falar em restaurantes, só tive o prazer de conhecer um bom e decente: o japonês Matsuri, também com fachada discreta em meio a várias lojas. Tão pequeno e tão cheio, mas vale cada penny, dime e quarter gasto.

    Chega por hoje, amanhã tem mais. To be continued…

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    09/12/2009Whatever

    Tampa, FL, USA

    Não é todo dia – pelo menos eu – que se vai para os Estados Unidos, seja para business ou para pleasure. Aproveitei um treinamento corporativo que fiz em Tampa, na Flórida, para conhecer o pouco que o lugar tinha a oferecer.

    Primeiro, falemos da cidade. Não tem nada de atrativos; claro que tem lá sua gama de restaurantes e bares à noite (toda cidade tem, por menor e menos conhecida que seja), mas nem me dei o trabalho e o luxo de conhecê-los. O máximo que fiz, aliás, foi dar uma caminhada até o Channelside Bay Plaza (era o único lugar que dava para ir a pé, pois não é uma cidade que dá a devida atenção para pedestres), um conglomerado de lojinhas, cinema e alguns lugares para comer. É lá também onde fica o Florida Aquarium, onde você paga vinte dólares para ver peixes, sapos, pássaros, mais peixes, estrelas-do-mar, mais peixes, e muitas raias que ficam se debatendo e jogando toda a água em você. Tem um tal de ecotour com golfinhos, mas não queria pagar mais quinze dólares só para vê-los (para isso existe Discovery Channel). Pelo menos tive a chance  - leia-se: de graça – de ver um pinguim enquanto ele era transferido para seu próprio show (você também paga a parte para alimentar os bichinhos do gelo).

    Agora falemos do que realmente interessa. Tampa é famosa pelo parque Busch Gardens. Todo mundo me contou que lá tem a maior montanha-russa do mundo. Na verdade, não sei se é verdade – nem procurei para ver se o fato é verídico - mas, segundo o taxista que me levou, o parque ainda tem o maior brinquedo do gênero no mundo. Como falei, a cidade foi projetada para quem é motorizado, logo não preciso mencionar que gastei trinta dólares na ida (gorjeta inclusa) e mais trinta dólares na volta (gorjeta inclusa). Só para colocar seu sapatinho de cristal no lugar, você desembolsa oitenta dólares (mais impostos, claro, porque nos Estados Unidos tudo é plus taxes). Burro da minha parte porque poderia muito bem ter comprado online e teria economizado uns quinze dólares.

    O parque é imenso, mas depois de passar o dia inteiro lá dentro, você percebe que não é tão grande assim. Devo ter ido em todas as montanhas-russas (uma estava fechada, porém sequer lembro qual) e tenho certeza de que não vi todos os bichos que eles mostram no flyer. No lobby do hotel, inclusive, tinha a estátua de um filhote de girafa, entretando tenho plena certeza de não ter visto nenhum animal parecido. Também não vi leões, tigres brancos ou bengalas, hipopótamos, entre outros selvagens. O máximo que posso contar foram os elefantes e um rinoceronte bem entediado. Contudo, olhando o mapa interativo no site agora, vi que há um trem que faz um mini-safari, provavelmente a única atração do parque que perdi de vista. Não me arrependo, visto que em São Paulo existe um zoológico com os mesmos animais. Além do mais, fui para aproveitar os brinquedos e não os bichos – tirei foto de flamingos, araras, lagartos, gambá e tatu, eu sei, mas foi apenas para cumprir protocolo; me recusei a tirar foto dos macacos porque, mais uma vez, o Discovery Channel é especialista em produzir programas sobre fauna. Abro exceção somente para as águias, já que fiquei admirado pela imponência dessa ave.

    Foi divertido, claro, mas da próxima vez vou escolher a Disney (nunca foi meu sonho de viagem quando tinha quinze anos, mas nunca podemos dizer nunca, não é?). Quando tiver um tempinho, conto um pouco sobre Miami que, apesar de não ter montanhas-russas, é um paraíso sem limites para os muambeiros de plantão.

    Curiosidade: o Hooters é uma rede de lanchonetes cujas garçonetes usam bermudas que terminam no meio das nádegas e os decotes no joelho. Nenhuma novidade até aqui, óbvio, a não ser pelo esporte: lá não é futebol, é beisebol.

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    06/10/2009Whatever

    Aproveitando a falta de vontade tempo em escrever sobre muitas bandas que estão aguardando na fila, resolvi preencher nesse curto espaço de tempo mais um post aleatório.

    Acho que estou com preguiça de ler. Não livros, porque esses eu leio a todo custo – pelo menos quando a história é interessante: em pé, me equilibrando com uma mão só no meio de muitos infelizes (assim como eu) que pegam ônibus às sete horas da manhã e batendo minha mochila na cara de quem está sentado e babando na própria roupa de tanto sono. Estou com preguiça de ler revistas e jornais.

    Vejo aquelas pessoas pegando o jornalzinho que é distribuído em quase todas as esquinas de São Paulo e, sinceramente, não me dá a mínima ânsia de saber o que foi impresso naquele papel sujo. O motivo principal, claro, é a falta de novidade. Tudo que eu ler lá já estava na internet há, pelo menos, dois dias. O que eu não sabia provavelmente é porque me tornei um ermitão e fiquei alienado do que está acontecendo nesse nosso mundo conturbado – fiquei sabendo pela minha sogra essa semana que a natureza se jogou com tudo nas ilhas Samoa.

    Taí outra coisa que sempre me dei conta, porém nunca dei a mínima importância: não sei o que acontece mundo afora, let alone na cidade onde moro (adoro essas expressões em inglês, sorry). Tem pessoas que ficam horrorizadas por eu não saber, sei lá, que está tendo greve de correios ou de bancos. Primeiro: raramente envio uma carta; segundo: raramente ultrapasso a porta com detector de metais – sou adepto dos caixas eletrônicos 6h às 22h 24h. Bom, foram meros exemplos os quais lembrei agora porque cheguei a ver algumas faixas penduradas em agências. No mundo, então… deixa pra lá.

    Sou péssimo em geografia – meu namorado ficou incrédulo por eu não saber onde fica as ilhas Samoa, como se eu não soubesse que Rio de Janeiro é capital do Rio de Janeiro. Não suporto e não faço questão de saber os nomes de políticos, tanto do Brasil como dos de outros países. Então você já imagina o quão alienado sou em relação à esses assuntos. As pessoas que ficaram horrorizadas por eu não saber da greve dos bancos ficam mais estarrecidas por eu não saber, sei lá, sobre a regulamentação do pré-sal. Entendam: para mim – talvez para vocês sim – essas notícias não me afetam diretamente. Pode ser que indiretamente e num futuro bem distante, mas no presente momento I don’t give a shit. A partir de agora podem me chamar de burro e desatualizado e, acima de tudo, me recriminarem por não fazer a mínima idéia de quando e onde aconteceu o último maremoto devastador.

    Revistas. Lá em casa chegam três: Info Exame, Men’s Health e Reader’s Digest (essa última eu nem conto porque vai direto para a minha sogra). Nenhuma delas fui eu quem assinou. O desinteresse é tanto que sequer tiro a embalagem protetora. Aquelas páginas recheadas de propagandas – não leio nenhuma – e de reportagens de dez a vinte páginas me desmotivam. Só de ver as letrinhas esmiuçadas em colunas apertadas (com todo o respeito aos diagramadores), meus óculos fica embaçado por vontade própria. Cansa a minha vista e me dá sono. Algumas matérias são engraçadas pelo absurdo dos temas – tô esperando a Men’s Health vir com algo do tipo “Saiba como fazer vaca suspensa com as mulheres” ou “Pare de trabalhar para cuidar do seu corpo 24 horas por dia” -, outras são exageradas no conteúdo técnico – sempre pulo a seção “Inmetro” da Info pois sei que nunca vou comprar metade daquilo que eles avaliam -, outras ainda são muito clichés – “Eu venci a batalha contra o câncer de fígado” são típicas reportagens de capa da Reader’s.

    Não me entendam mal. As revistas são ruins para mim, mas não que sejam péssimas para vocês. Meu namorado adora essas revistas, what can I do? Poderia muito bem me passar por ele e cancelar todas as assinaturas, mas ainda existe democracia nesse país.

    Era só isso que eu queria falar mesmo. Obrigado pela atenção.

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    21/07/2009Whatever

    Há coisas que são óbvias para nós e não permitimos que não sejam óbvias para os outros. Há de convir, entretanto – e não ouse contradizer tal  confirmação -, que tendenciamos a pensar que tal suposição seja impossível. Burrice? Ignorância (no pior sentido, sem escrúpulos, my dear)? Duvido. É preguiça de conhecer o óbvio. Isso explica nossa indignação. Veja exemplo cristalino abaixo, aconteceu comigo:

    Na porta de um bar, o indivíduo (posso falar hostess, mesmo não sendo mulher ou drag queen?) pergunta para minha amiga:

    - Qual o seu nome?

    - Silvana.

    (pausa)

    - Silvana é com L ou com U?

    - Com L.

    O indíviduo agora faz a mesma pergunta para mim:

    - José Luiz.

    (pausa)

    - José é com J ou com G?

    (eu hesito, não para pensar, mas por ter ficado atônito)

    - Com J.

    (pausa longa – dele, não minha)

    - José é com S, não com Z, né?

    (pausa catatônica novamente, agora minha)

    - Sim, é com Z.

    Não é óbvio José com J e com S? Para o indivíduo não é. Ficou indignado? Eu só ficava indignado quando escreviam meu Luiz com S (e, principalmente, com acento agudo no I), mas só depois desse ocorrido percebi que podia ficar muito mais indignado: a possibilidade de alguém me chamar de GOZÉ.

    ***

    Às vezes pensamos que, por ser tão óbvio, tal acontecimento é uma fraude ou, pior, é “forçado”, como dizem por aí. A Anabela de Malhadas é forçada? (e olha que nem fiz piadinha com os portugueses)

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    12/06/2009Whatever

    Estava fuçando as comunidades que eu fazia parte – Orkut é campeão quando se trata de comunidades inúteis -, quando o perfil dele me chamou a atenção. Podia ter sido qualquer um, ainda mais na comunidade de uma padaria, mas foi ele. Quase não tinha fotos, o avatar não demonstrava um sorriso sequer. Fiquei curioso e vi as bandas que ele gostava (eu tinha uma lista completa de todas as minha bandas favoritas no meu perfil). Thievery Corporation foi o motivo para deixar um scrap no mural dele, já que quase ninguém, pelo menos no Orkut, sabia o que era. Para aproveitar a deixa, perguntei sobre o Black Box Recorder (banda que se tornou uma de nossas trilhas sonoras por um bom tempo). Ele respondeu. Não era o que eu tinha perguntado (ele disse que era uma banda inglesa, não que tipo de música eles tocavam).

    Logo trocamos mais scraps, até trocar e-mails e números de telefone. Falamos de tudo, menos de música. O engraçado é que a ficha não tinha caído. Todo esse interesse não era à toa. Demorou para eu me dar conta que ele realmente estava interessado. Marcamos de nos encontrar no shopping, almoçarmos juntos e, quem sabe, pegar uma sessão de cinema. Coincidência ou não, era justo um domingo, dia 12 de junho de 2005. Quando eu cheguei na praça de alimentação, lá estava ele no fundo, bem mais bonito do que eu imaginava. Não sei se era para me agradar, mas ele estava ouvindo The Cardigans. Sentamos e conversamos por pouco tempo; ele não parava de falar, dava para perceber que ele estava nervoso, ansioso, quase tremendo. Eu até que não, mas bem que aquele friozinho na barriga se prolongou por um bom tempo.

    Assistimos a Tentação, filme que eu já tinha visto. Nem ele nem eu prestamos atenção. Há de se concordar que o tema do filme não era apropriado, mas não tinha outro filme que valesse a pena. Fomos então para a casa dele. [trecho censurado] Não sei descrever o que estava sentindo. Era muito sentimento se misturando, tanto que não hesitei em pedi-lo em namoro. Ele aceitou prontamente. Não conseguia pensar em mais nada. Queria vê-lo todos os dias, assim como ele já me queria ao lado dele a todo instante.

    Nunca tinha namorado antes. Era o primeiro relacionamento firme que encarava, e era o primeiro namoro aceito no primeiro encontro. Passamos por vários momentos bons, quase não houve discussões (só para constar, nunca tivemos briguinhas superficiais do tipo “por que você não veio me buscar?” ou, pior, “por que você não me ligou ontem?”). Os segredos – que aqui vejo apenas como omissões, os quais vão sendo revelados a medida que cada um se sente mais confortável – não existem mais, a confiança se torna parte do cotidiano. As diferenças começam a aparecer e o respeito cresce junto (aquela história de falar algo só para agradar ficou preso no passado, nos primeiros meses de paixão cega). As responsabilidades aumentaram, já que eu estava acostumado com uma vida muito mimada pela mamãe. Contudo, não há sensação melhor do que dormir e acordar juntos. Não importa os apertos no final do mês (ele sempre foi neurótico com falta de dinheiro; eu, pelo contrário, ficava à beira da linha vermelha na conta corrente), a companhia sempre é mais valiosa.

    Crise dos três anos? Besteira, já chegamos no quarto. Depois vão falar que tem a crise dos sete. Já chegaram a falar para ele comprar apartamento só no nome dele. Bom, amigos (se é que podemos chamar de amigos quando escutamos esses comentários infelizes) são um desafio permanente: é preciso saber tolerá-los com educação. E por falar em tolerância, é preciso também ter muita paciência com a família. Não adianta, problema tem em todo lugar, em todo o canto. Se não houvesse dificuldades, que graça teriam nossas vidas? Tudo muito fácil, de bandeja, não ajuda em nada a amadurecer, se virar sozinho, dar os grandes tropeços e as dolorosas cabeçadas.

    E nada mais romântico do que relembrar as trilhas sonoras que marcaram nossos momentos a dois:

    Nouvelle Vague – In A Manner Of Speaking
    Hooverphonic – Sometimes (Live Version)
    Lamb – Gabriel
    Funkstörung – Sleeping Beauty (feat. Lou Rhodes)
    Bent – Swollen (feat. Sian Evans)
    Flunk – Personal Stereo

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