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Música. Cinema. Livros. Whatever.
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    24/02/2010Música

    Não é novidade alguma que a dupla Goldfrapp está de álbum pronto para ser lançado esse ano, “Head First”, tanto que já vazaram duas faixas do novo trabalho (pergunte ao meu amigo Giovane). Uma delas virou single e já caiu na rede junto com seus respectivos remixes -- entre eles o DJ pop insuportável Tiësto e o produtor Richard X -, nem um pouco criativos ao meu ver.

    Todo mundo deve ter notado os elementos synthpop dos anos 80, super nostálgicos aos meus ouvidos por assim dizer. Achei estranho, estou demorando para me acostumar, mas se levar em conta que cada disco de Alison e Gregory é uma surpresa, tudo deles é bem vindo.

    Não tem vídeo oficial, mas e EMI disponibilizou assim mesmo no YouTube, só com a capa do single. Confira a seguir Rocket:

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    09/09/2009Música

    Day One

    Não gosto de hip-hop ou qualquer outro gênero que tenha a menor semelhança, porém tenho de tirar o chapéu para o Day One. Phelym Byrne e Donni Hardwidge tocam músicas que misturam um hip-hop amigável (leia-se: dá para entender o que eles cantam, pois não usam gírias de guetos e afins) com música eletrônica, rock e um pouco de folk. O resultado é o álbum “Probably Art”, lançado em 2007.

    Diria que é uma reinvenção da música eletrônica, o que é muito difícil de se encontrar por aí. Criatividade não falta para eles dois: mesclam vários instrumentos – além do violão e da guitarra, eles arriscam na flauta, na gaita e no saxofone -, com efeitos sonoros bizarros (macacos gritando e cavalos relinchando, por exemplo) e, claro, as batidas de breakbeat que originaram o movimento rap nos anos 80. Esses e outros elementos se harmonizam de uma maneira muito divertida, tornando o álbum legal de se ouvir até o final.

    É até difícil de imaginar alguém cantando rap e tocando violão. Simplesmente não combina, mas quando você ouve a dupla britânica em ação, você acaba mudando de idéia. Entretanto, para que sua opinião realmente seja a mesma que a minha (de que é uma boa sugestão musical), remova de sua mente qualquer artista de black music do cenário atual (50 Cent, Snoopy Dog, P. Diddy e outros os quais me recuso a lembrar o nome). A partir daí você estará plenamente apto a escutar o som inovador do Day One.

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    24/07/2009Música

    liquidificadorFoto: Bernard

    Nem preciso falar que mashup aqui se refere à música. Se na raiz do conceito mashup consiste na combinação de vários tipos de mídia (imagem, som, texto), no âmbito musical não é diferente: pegue trechos ou elementos -- vale tudo, desde batidas eletrônicas até riffs de guitarra -- de várias músicas, coloque no liquidificador e a vitamina está pronta para descer goela abaixo. Se vai ficar gostosa, aí é outro caso. No meu caso, a vitamina tem sabor de frutas estragadas.

    Não consigo mastigar a idéia de que mashup é pura criatividade. Tudo bem que a velha frase “hoje nada se cria, tudo se copia” se aplica nos dias atuais, ainda mais em tempos de recriar, dar um novo contexto e outros sinônimos superficiais que querem falar tudo e nada dizem, porém o bom senso não seguiu os mesmos passos. Não vejo sentido em misturar estilos adversos ou bandas diferentes como estão fazendo hoje.

    Na década de 90 era moda fazer medley: junte todos os hits de um mesmo artista -- veja bem, um único artista, um único tipo de som -- e coloque tudo sob uma mesma base de beats. Era assim com a eurodance, quando não precisava se esforçar muito para fazer música eletrônica (vide Double You, Nicki French e Whigfield, bem resistentes ao tempo, por sinal); bastava uma batidinha regular para iniciar a música, uma aceleradinha antes do refrão para dar aquele ar de suspense e, no final, baixar a poeira só com os sintetizadores. Mesmo não sendo original, eu achava tolerável e até legal.

    Assino embaixo com o que está escrito no Wikipedia:

    They have also been described negatively as “the logical extension of the sampling fever of the ’80s taken to its dumbest extreme”.

    E não é verdade? Mashup nada mais é do que samplear uma música com doses exageradas de glitter em cima de outras músicas. O que no final da década de 90 nós chamávamos de “X vs Y” (exemplo perfeito: de EBTG vs Soul Vision saiu Tracey In My Room; no fundo não passa de um remix simples e sintético de Wrong), até então versões feitas somente na música eletrônica, eles traduzem hoje para mashup. A falta de criatividade -- desculpem, a recriação -- já vem daí. O mais bizarro que posso citar é essa experimentação a seguir, uma mistura ensandecida de videoclipes, cantores e bandas de três décadas bem distintas:

    Me chamem de antiquado, de oldskool, que eu tô ficando velho e rabugento, faço voto à antiga e boa música eletrônica. Prefiro as colagens musicais, fico nostálgico com a dance music dos anos 90, mato saudades da flash house dos anos 80, pulava com as BPMs do drum’n'bass (que na época chamavam de jungle). Isso ninguém vai conseguir trazer de volta.

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    15/06/2009Música

    Nouvelle Vague

    O grupo francês Nouvelle Vague, famoso por fazer covers de bandas de pop/rock dos anos 80 em estilo bossa nova está com novo disco: “3″. Conheço quase todas as bandas, mas as músicas não. Tem Depeche Mode de novo (Master And Servant) e também repeteco de Echo And The Bunnymen (All My Colours), sendo que Martin Gore e Ian McCulloch participaram em suas respectivas canções. No repertório também tem Sex Pistols (God Save The Queen; para quem é fã, talvez não goste da versão repaginada) e Violent Femmes (Blister In The Sun). Dos grupos mais famosos, incluíram Simple Minds (The American), Talking Heads (Road To Nowhere) e Soft Cell (Say Hello Wave Goodbye).

    Algumas cantoras foram convidadas, entre elas a brasileira Eloisia (alguém já ouviu falar?) e Melanie Pain -- minha predileta Phoebe Killdeer infelizmente não participou dos vocais nesse álbum. É claro que todos esperam, pelo menos eu, as músicas mais conhecidas, mas essas eles deixam para cantar ao vivo:

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  • Gotye

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    26/05/2009Música

    Gotye

    Tenho como premissa falar um pouco sobre o artista e depois narrar o trabalho, pois geralmente algo na vida deve ter servido de lição ou aprendizado para chegar até onde chegou. Com o Gotye (tente pronunciar: gore-ti-yeah), cujo nome verdadeiro é Wally De Backer, é praticamente impossível seguir essa premissa. Olhei o site oficial, li o Wikipedia, mas nada além de informações superficiais. Pois bem, o belga fica me devendo essa. Vamos direto às suas músicas.

    Seu primeiro álbum, “Boardface” (2004) é uma referência ao trip-hop, sem sombras de dúvida, mas que deixa rastros da música eletrônica dos anos 80. A introdução de Out Here In The Cold me faz sentir em uma maratona de film noir; sua voz, delicada do começo ao fim, entra em concordância ao cantar versos completamente carentes (please, don’t leave me out here in the cold / no, no, please, don’t leave out here on my own). Mesmo tendo um tom tenro em suas cordas vocais, Gotye também convidou a ala feminina em algumas faixas, como por exemplo em True To You, Out Of My Mind e principalmente Loath To Refuse. Quando você acha que entrou na atmosfera sombria das músicas, vem Here In This Place, um solo de saxofone a la Kenny G que rompe todo o equilíbrio instrumental do que se tinha ouvido antes. Waiting For You serve de interlúdio em seus curtos dois minutos, sem ter ao menos uma batida, apenas os sussurros afinados de Wally  (comparação nítida com Lullaby do Lamb).

    Eis que vem “Like Drowning Bloog” (2006), uma reviravolta na composição das músicas. Não há semelhança alguma com as características nostálgicas noir do primeiro disco. Gotye abandona suas amigas e participa ativamente de todas as faixas. The Only Way parece ter influências do Beck por causa das batidinhas e dos ecos que se sobrepõem durante a melodia inteira. Hearts A Mess possui batidas sobressalentes que vão de encontro com a voracidade de Gotye no refrão. Coming Back convida a dar passos de tango -- ou seria um elegante flamenco? -- pelo salão de dança. Os beats sintetizados de Thanks For Your Time me soaram fracos e sem graça, logo pulei direto para Learnalilgivinanlovin, música tão exaltada que força seus pés a saírem do chão. Puzzle With A Peice Missing é praticamente um plágio da sonoridade tranquila de “Vertigo” criada por Groove Armada, contudo ela é muito bem orquestrada. A colagem musical é o ápice da criatividade -- sou suspeito para falar de colagens, eu adoro! -- em A Distinctive Sound; com certeza Gotye se inspirou nos vizinhos australianos The Avalanches. Já em Seven Hours With A Backseat, fica aquela impressão de que você conhece a música, está na ponta da língua, mas a memória falha -- uma faixa instrumental para deixar de fundo e no repeat. Ao escutar Night Drive, tive a mesma sensação de “Boardface”: o som destoou completamente com essa batidinha melancólica de Roxette.

    Assista ao clipe de Hearts A Mess, animação fofa produzida pelo diretor australiano Brendan Cook:

    E tem também a sequência solitária de stills (mais de 10 mil, segundo a descrição do vídeo) de Out Here In The Cold:

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    30/04/2009Música

    Van She

    Fiquei sabendo lá no INMWT. Resolvi ouvir uma música e gostei. Arrisquei ouvir o álbum e não me decepcionei. O quarteto australiano aí em cima é formado por Nick Routledge (vocais, guitarra), Matt Van Schie (baixo), Michael Di Francesco (sintetizadores) e Tomek Archer (batera). Influenciados pelo som dos anos 80 – eu me arrisco dizer que eles tiveram como referência Depeche Mode e The Cure -, Van She tem um repertório bem equilibrado no seu disco de estréia, “V”, que começa bem rock nas primeias faixas, onde eles abusam de baixo, guitarra e bateria.

    Strangers, a primeira que ouvi, já me encantou de primeira; Cat & The Eye e Changes dobram a dose dos acordes de guitarras. Passando por It Could Be The Same, você percebe que os garotos se acalmaram um pouco e decidiram pular para os sintetizadores, fazendo a alegria de quem gosta de um bom synthpop (eu nem tanto, mas também depende da banda, né); Temps Mort provavelmente é a faixa que mais deve empolgar os fãs do gênero eletrônico, mesmo não chegando aos dois minutos.

    A guitarra volta a fazer parte do arranjo em Talkin’, porém os efeitos de vozes distorcidas é bem visível – aliás, bem ouvível. Kelly incrementa as vozes alteradas digitalmente e esquece do rock que estava presente nas primeiras canções – com exceção de Virgin Suicide, que apesar de começar lenta em notas de violão e suave no tom do vocalista, se anima no refrão com a batera mais forte. Sunbeams repete a fórmula dos beats, mas fica muito melosa e repetitiva.

    Strangers (confira o vídeo)

    Changes

    Cat & The Eye (confira o vídeo)

    Temps Mort

    Talkin’

    Virgin Suicide

    Kelly (confira o vídeo, completamente 80s!)

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    09/03/2009Blogosfera, Whatever

    O quê? Zé falando de novela? Da Globo?

    Só por hoje. Todos sabem que meu forte não é novela, ainda mais a das 6 (bom, podia ser qualquer outro horário, não ia fazer diferença). O que eu quero ressaltar na verdade é a festa de lançamento da nova novela-remake Paraíso: basta ver as fotos para sentir como foi o agito ontem à noite.

    Eu sou o máximoDrink de jaboticada, uma delícia! (foto: Maria Carol)

    A versão original passou em 1982, ou seja, eu nem sabia da existência dela (eu nasci no ano seguinte, só para constar). Pelo que Liliane Ferrari escreveu e pelo que a Renata Ruiz me contou durante a festa, o Daniel – é ele mesmo: cantor de sertanejo e protagonista de mais um filme também remake sobre sertanejos – interpreta o papel que Sérgio Reis fez na época (coincidência ou não, o “pinga nimim” também estava estreando como ator global) e outros atores, como Cássia Kiss, lembram bastante os papéis da primeira edição. Kadu Moliterno, o adorado pelas menininhas da década de 80 em Armação Ilimitada, está em um papel bem mais velho do que na versão original. Por falar em mais velho, só reconheci os atores mais antigos (mas bem que recebi um guia com fotos de todo o elenco para não passar vexame no twitter… rs!), como observou Maria Carol. A nova safra de atores, além da juventude, esbanjam gás total e tentam não lembrar os papéis antes cedidos só para a Malhação.

    Talvez fosse moda naquela época trazer à tona o clima de interior e o erre puxado dos caipiras, além das paisagens genéricas de pastos e pradarias tão vistos em cenas introdutórias de outras novelas como O Reio do Gado e Pantanal (essa eu nem preciso linkar, preciso?). Hoje o que reina são cenas clichés de cidades e famílias com problemas diversos (se não há problema, não há enredo e, consequentemente, não há novela), como Laços de Família e [tente se lembrar de outra que não seja igual], temas do século passado e de culturas estrangeiras – de preferência que dê ênfase exagerada em uma religião. Quem sabe, com essa onda de remakes que invadiu os cinemas, a TV brasileira consiga se salvar da mesmice (milagres como esse não acontecem, infelizmente) e dar oportunidade à geração sem criatividade da década de 2000 de conhecer um pouco o que para nós da velha  geração, mesmo sabendo que não era lá aquela novidade, significa a palavra “novela”.

    Nem preciso dizer como foi legal reencontrar amigos “virtuais”, além de ter feito ótimas amizades – e conhecer novos blogs, claro! ;)


    Last but not least
    : agradecimento especial, não só pelo convite mas pela sempre companhia de honra:

    Minha amiga Samantha Shiraishi (foto: Maria Carol)

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    16/10/2008Música

    Hollywood, Mon AmourQuando ouvi todo o tracklist de músicas que fizeram sucesso nos anos 80, todas com uma roupagem completamente diferente, algo me atinou na hora: é quase uma cópia do Nouvelle Vague. Não por acaso: Hollywood, Mon Amour é o novo projeto de Marc Collin, um dos fundadores do Nouvelle Vague; também não é de se estranhar que a gravadora que assina o trabalho é a The Perfect Kiss, que já lançou outros membros do mesmo Nouvelle Vague (Marina Celeste e Phoebe Killdeer).

    Confesso que me interessei só pelas músicas cantadas pela Skye (Call Me e A View To Kill) e, acredite se quiser, a paulistana erradicada em Londres Cibelle (Footloose). Tem também uma cantada pela Juliette Lewis – isso mesmo, aquela que se fantasiou de índia [sic]. Ela não é minha cantora preferida e tampouco conheço a versão original de This Is Not America (eu não sou fã de David Bowie, pode me xingar), mas a versão dela é a minha preferida de todas. Há também covers que ficaram muito bons, como a breguíssima Arthur’s Theme (Best That You Can Do), a calorosa Flashdance… What A Feeling, que aqui ficou bem mais calminha, e Together In Electric Dreams.

    Depois de tanto ouvir as novas versões e as versões originais, cheguei a conclusão de que a década de 80 foi a mais brega que eu vivi. Ainda bem que eu era criança e não tinha noção do que era ser ridículo.

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    11/08/2008Música

    É raro eu ouvir discos gravados ao vivo, salvo se há uma música inédita, um cover feito como brincadeira. Enfim, se é para ter algum show ao vivo, que ao menos tenha em DVD, e não só em CD. Nouvelle Vague, para quem AINDA não sabe, é uma banda que faz cover de músicas dos anos 80 (confira o playlist) em estilo bossa nova.

    Aí você vira pra mim e aponta aquele dedo com sujeira na ponta da unha: “mas você disse que DETESTA música popular brasileira!” Sim, é verdade, mas o fato de a bossa nova ter se originado do Brasil (que a Europa fique para sempre com os Gilbertos -- Astrud, João e Bebel, além dos congêneros imitadores baratos) não quer dizer que eu gosto de música brasileira indiretamente. Deu pra entender? Não vamos chegar ao cúmulo de que, se eu ouvir a Shirley Manson cantando samba eu vou adorar. Sou fã, mas não chega a tanto.


    Quem aí se lembra do Billy Idol?

    Eles só tem dois álbuns de estúdio, mas se você dar uma bisbilhotada no YouTube, vai encontrar várias versões. Nesse disco ao vivo duplo, entitulado apenas como “Aula Magna 17.12.07″, tem duas “novas” músicas: Sweet Dreams (Eurythmics, preciso dizer?) e Grey Day do Madness (nunca ouvi falar). As outras eu já conheço e, para falar a verdade, não ficou muito diferente do que o convencional. Destaque para minha predileta -- essa sim ficou linda no palco -, In A Manner Of Speaking. E sabe o que é engraçado? Depois de tanto ouvir a Phoebe cantando sozinha, é incrível como eu consigo reconhecer sua voz de imediato (duh!).

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