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24/07/2009Música
Foto: BernardNem preciso falar que mashup aqui se refere à música. Se na raiz do conceito mashup consiste na combinação de vários tipos de mídia (imagem, som, texto), no âmbito musical não é diferente: pegue trechos ou elementos -- vale tudo, desde batidas eletrônicas até riffs de guitarra -- de várias músicas, coloque no liquidificador e a vitamina está pronta para descer goela abaixo. Se vai ficar gostosa, aí é outro caso. No meu caso, a vitamina tem sabor de frutas estragadas.
Não consigo mastigar a idéia de que mashup é pura criatividade. Tudo bem que a velha frase “hoje nada se cria, tudo se copia” se aplica nos dias atuais, ainda mais em tempos de recriar, dar um novo contexto e outros sinônimos superficiais que querem falar tudo e nada dizem, porém o bom senso não seguiu os mesmos passos. Não vejo sentido em misturar estilos adversos ou bandas diferentes como estão fazendo hoje.
Na década de 90 era moda fazer medley: junte todos os hits de um mesmo artista -- veja bem, um único artista, um único tipo de som -- e coloque tudo sob uma mesma base de beats. Era assim com a eurodance, quando não precisava se esforçar muito para fazer música eletrônica (vide Double You, Nicki French e Whigfield, bem resistentes ao tempo, por sinal); bastava uma batidinha regular para iniciar a música, uma aceleradinha antes do refrão para dar aquele ar de suspense e, no final, baixar a poeira só com os sintetizadores. Mesmo não sendo original, eu achava tolerável e até legal.
Assino embaixo com o que está escrito no Wikipedia:
They have also been described negatively as “the logical extension of the sampling fever of the ’80s taken to its dumbest extreme”.
E não é verdade? Mashup nada mais é do que samplear uma música com doses exageradas de glitter em cima de outras músicas. O que no final da década de 90 nós chamávamos de “X vs Y” (exemplo perfeito: de EBTG vs Soul Vision saiu Tracey In My Room; no fundo não passa de um remix simples e sintético de Wrong), até então versões feitas somente na música eletrônica, eles traduzem hoje para mashup. A falta de criatividade -- desculpem, a recriação -- já vem daí. O mais bizarro que posso citar é essa experimentação a seguir, uma mistura ensandecida de videoclipes, cantores e bandas de três décadas bem distintas:
Me chamem de antiquado, de oldskool, que eu tô ficando velho e rabugento, faço voto à antiga e boa música eletrônica. Prefiro as colagens musicais, fico nostálgico com a dance music dos anos 90, mato saudades da flash house dos anos 80, pulava com as BPMs do drum’n'bass (que na época chamavam de jungle). Isso ninguém vai conseguir trazer de volta.
Tags: anos 80, anos 90, eurodance, mashup, medley, sample -
10/06/2009Música
Não, eu não sou fã. Sequer conheço todas as músicas da dupla Paul Hartnoll e Phil Hartnoll. Mas com certeza você já ouviu Orbital em algum lugar, mesmo sem se recordar onde, quando ou como. Os dois discos que carimbaram minha memória foram “The Middle Of Nowhere” (1999) e “The Altogether” (2001) -- você encontrava em qualquer loja de esquina. Infelizmente eles não ficaram tão conhecidos quanto The Crystal Method ou The Chemical Brothers, mas tiveram seu reconhecimento no outro lado do mundo (essas bandas de cá são tão limitadas…). Começaram há vinte anos fazendo a velha música eletrônica, o esquecido techno. Nada muito de excepcional, tenho que concordar (não é também meu estilo preferido), mas que mereceram seu lugarzinho entre tantos destaques da cena eletrônica perdida dos anos 90.
Agora eles lançam uma segunda coletânea (a primeira foi para compactar a carreira entre 1989 e 2002), intitulada 20, com remixes e versões ao vivo inéditas, além dos singles que fizeram hits nas pistas de dança -- eu ainda era uma criança… rs! Curiosidade: nossa amiga Alison Goldfrapp participou de duas músicas no disco “Snivilisation” (1994), quando estava longe de lançar seu primeiro trabalho (depois ela voltou a cantar com eles no TMON).
Confira o vídeo do single The Box. Conseguiu reconhecer a atriz?
Para fechar, meu vídeo preferido do dueto. Não só pela criatividade da história mas pelo enredo também -- é tema de “O Santo”, filme que até hoje eu não assisti e cuja trilha sonora é um desbunde em quesito de música eletrônica:
Tags: alison goldfrapp, anos 90, música eletrônica, orbital, orbital 20, paul hartnoll, phil hartnoll, snivilisation, techno, the altogheter, the chemical brothers, the crystal method, the middle of nowhere
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20/05/2009Música
Eu conheço The Crystal Method praticamente de nome – lembro que eles fizeram um remix estonteante de I Think I’m Paranoid do Garbage. Realmente foi uma dos duetos que se destacaram no início dos anos 90, auge de várias vertentes da música eletrônica, entre elas techno, drum’n'bass (não sei por que jungle era sinônimo) e o breakbeat – joga aí na bacia Fatboy Slim, The Prodigy, The Chemical Brothers e Groove Armada (nem precisa de link porque são figurignhas pra lá de carimbadas). A dupla californiana, composta por Ken Jordan e Scott Kirkland, estava na mesma prateleira de sucesso que Orbital, ou seja, quase ninguém se dava conta de que eles eram tão famosos quanto os que acabei de citar.
Já comentei o que penso da música eletrônica atual, então pulo essa parte. Vamos ao que interessa: “Divided By Night”, quarto disco de estúdio do The Crystal Method, traz à tona o melhor da música eletrônica daquela época (os anos 90 já estão beirando “vinte anos atrás”, mas eu não quero pensar nisso agora…rs!), música essa que não existe mais nos anos 2000. O trabalho de construir uma melodia coerente, com introdução de loops frequentes, beats e batidas pulsantes crescentes, sintetizadores ganhando força no fundo para estourar os tímpanos no ápice do refrão, scratches que dão a súbita pausa para acalmar os nervos parecem uma receita de bolo ultrapassada e sem sabor. Só que Ken e Scott guardaram a receita a sete chaves e ressucitaram em todo o repertório do novo trabalho.
Os vocais têm peso, é fato, tanto que os convidados variam entre rappers e cantoras de rock. Porém, serviram muito bem para dar o incremento na “arte final” da produção. A faixa instrumental, que abre e dá título ao álbum, dita o caminho a ser trilhado: pura agitação. O primeiro single Drown In The Now mostra o lado mais gangsta do duo, mergulhando depois no electro de Kling To The Wreckage, abafado pelos acordes mais acentuados de guitarra. Double Down Under é outra melodia instrumental perfeita para trilha sonora de um filme de ação (será que eles quiseram matar saudades?). Dentre as minhas favoritas, senão as melhores do disco, estão Come Back Clean, cuja sequência rítmica dos versos cantados por Emily Haines se desenrolam fácil nos diversos efeitos eletrônicos; Slipstream, em contrapartida, é a versão masculina de Emily, cedendo a breaks mais graves e distorcidos para dar ênfase na voz um tanto ríspida de Jason Lytle. Senti que migalhas de trance foram jogadas em Black Rainbows e Falling Hard encerra a festa com uma bela balada de quase sete minutos.
Drown In The Now (feat. Matisyahu)
Divided By Night
Slipstream (feat. Jason Lytle)
Come Back Clean (feat. Emily Haines)
Garbage – I Think I’m Crystalized
Tags: anos 90, breakbeat, divided by night, emily haines, jason lytle, ken jordan, matisyahu, música eletrônica, scott kirkland, techno, the crystal method
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13/04/2009MúsicaFez quinze anos que Kurt Cobain morreu. E quem nasceu em 1990 já é maior de idade desde o ano passado. O que é pior?
Eles provavelmente não devem saber quem é Kurt Cobain. Muito menos Nirvana. Eles não devem saber que Courtney Love era do Hole e mulher do Kurt. Eles não devem sequer saber que o Dave Grohl (quem?) tem um banda chamada Foo Fighters (nossa, nunca ouvi falar!). Grunge: alguém se arrisca? Stone Temple Pilots? Alice In Chains? Será que eles ao menos já ouviram falar no Red Hot Chilli Peppers?
Agora tudo é emo. Ficar triste, querer se matar e beijar meninos e meninas virou moda.
Essa primeira década de 2000 não teve nada de bom a oferecer. Mesmo. E ano que vem faz vinte anos que não surge nada de memorável como surgiu na década de 90.
Deprimente.
Tags: alice in chains, anos 90, courtney love, dave grohl, foo fighters, grunge, hole, kurt cobain, nirvana, red hot chilli peppers, rock, stone temple pilots -


































Falou e disse