Groove Armada: Black Light

Sou fã do Groove Armada, mas o último álbum “Soundboy Rock” (2007) me decepcionou bastante. Apesar do pop e do hip-hop estarem embutidos na veia dos meninos, não achei que eles fossem chegar ao extremo, como nos singles Get Down (vocais femininos recitando frases inteligíveis) e Song 4 Mutya (cantora e melodias nauseantes). Foi o motivo pelo qual decidi deserda-los.
O novo disco “Black Light” reverteu minha opinião. Digo de antemão que nada se compara com as obras-primas “Vertigo” (1999) e “Lovebox” (2002), mas até que chegou bem perto. As influências do synthpop nos anos 80 concederam ao Groove Armada um estilo eletrônico nunca experimentado antes: esqueça os resquícios de chillout presenciados em At The River e Inside My Mind (Blue Skies) e as batidas fumegantes de canções mais agitadas como I See You Baby e Groove Is On. Todos sabem que o electro produzido nos dias de hoje nunca me cosquistou por completo pela sua preguiça criativa, contudo Andy Cato e Tom Findlay se deram bem ao manusear os sintetizadores.
A música de abertura Look Me In The Eye Sister surpreende com uma invasão de guitarras e a voz contagiante de Jessica Larrabee, que também convence seu talento em Just For Tonight e, principalmente, em Time And Space. Quanto aos homens, Nick Littlemore, um dos integrantes do chatinho Empire Of The Sun, tenta mostrar toda sua vivacidade em Not Forgotten e Warsaw (sem contar a estranha e disritmada Fall Silent, em que os vocais distorcidos não ajudaram), mas sem muito êxito. Ben Duffy e SaintSaviour são convidados a conduzir Paper Romance (vídeo que você confere logo abaixo), segundo single extraído do disco. E é com SaintSaviour que eu me apaixonei por completo por I Won’t Kneel, um festival de luzes, cores e letras psicodélicas. A surpresa maior, pelo menos para mim, se depositou sobre Bryan Ferry (isso mesmo, aquele que canta Slave To Love), participando com muito charme e sedução [sic] em Shameless.
