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Retrô 2012 [Parte 2]

podcast

Dando continuidade à retrospectiva do ano, na segunda parte há um pouco mais de sons mesclados: música eletrônica, folk e demais experimentalismos, porém a sequência até que criou uma harmonia simpática e democrática.

01. Madrid: Siblings
02. School Of Seven Bells: Love Play
03. Amanda Palmer & The Grand Theft: The Killing Type
04. Azure Ray: Scattered Like Leaves
05. The XX: Angels
06. Four Tet: 128 Harps
07. Moodorama: Never Go!
08. Terranova: Question Mark
09. Rhye: Open
10. Metric: Youth Without Youth
11. Fiona Apple: Every Single Night
12. Julia Stone: I’s All Okay
13. Marissa Nadler: Love Again, There Is A Fire
14. CocoRosie: Tearz For Animals (feat. Antony Hegarty)

Azure Ray: As Above So Below

O retorno de um artista ou banda que você admira muito é sempre uma imensa satisfação. Foi assim com a dupla Maria Taylor e Orenda Fink, mais conhecidas por Azure Ray. Seis anos ausentes (cada uma se reservou no direito de seguir carreira solo) e surge o inesperado “Drawing Down The Moon”, em 2010; dois anos depois, minha expectativa por mais um grande disco é totalmente frustrada com o lançamento de “As Above So Below”: um repertório de apenas seis faixas.

Com a decepção lentamente digerida, tento me concentrar nas novas camadas musicais que elas experimentaram para esse novo trabalho. As meninas não ignoraram a textura sonhadora e doce presente em suas melodias, contudo instrumentos como violão ou guitarra foram descartados. Consegui reconhecer o piano em The Heart Has Its Reasons e, muito distante, um provável teclado sussurra suas notas em To This Life.

Batidas profundas se esparramam com a ajuda de ruídos digitais e desconhecidos, como percebemos nitidamente em Scattered Like Leaves, primeiro single divulgado. Esses barulhos invasivos ficam mais evidentes em Red Balloon, com os vocais da dupla ecoando em frações descompassas. Quando você acha que não pode ficar mais estranho, Unannounced vem construída por uma melodia sinistramente reversa. Talvez o que mais se aproxima do que já conhecemos do Azure Ray é We Could Wake, com o mesmo piano andarilhando pelo fundo da música. Veja abaixo o vídeo para o primeiro single.

Maria Taylor: Overlook

Maria Taylor

Não faz muito tempo que falei sobre o novo álbum de Maria Taylor, “Overlook”. A espera pareceu longa, mas finalmente saiu. Como fã que se preze, sinto-me na obrigação de comentá-lo de cabo a rabo (mesmo que não seja na extensa – e às vezes exaustiva – descrição de faixa por faixa, como costumo fazer). Taylor mais uma vez, como já realizado em seus trabalhos anteriores, brinca com o pop de seda herdado do Azure Ray, adiciona colheradas cheias de rock e, em uma música ou outra, traz na bolsa um pouco de folk, influência direta de sua terra-natal.

A faixa de abertura Masterplan introduz uma Maria dramática, reforçada por uma bateria que vibra na mesma intensidade das notas graves do violão. O gelo quebra um pouco com Matador, uma levada equilibrada entre folk e country: dá até para perceber seu sotaque um tanto arrastado quando, no refrão, o matador (de aluguel?) espera impacientemente do lado de fora. A serenidade reina absoluto com a tocante Happenstance, uma ode nostálgia de Taylor ao Alabama.

Like It Does regressa ao country levemente, cedendo notas ressonantes de guitarra, contudo é em Bad Idea? que ela se entrega de uma vez ao estilo musical: seria uma má ideia recostar na cadeira de balanço na varanda, levantar as botas para o alto e não se importar com a vida lá fora? O drama – típico de suas composições com Orenda Fink – se dilui no violão dedilhado de Idle Mind, uma canção de rendição total ao mesmo tempo que a indecisão surge. As guitarras chamam o pop rock de volta ao palco com In A Bad Way, cuja letra não é nada promissora (“and just like we predicted, it ended in a bad way”).

Quase no final do repertório, This Could Take A Lifetime ainda carrega uma certa carência afetiva: a eterna busca por alguém perfeito como você (não você, caro leitor, mas se quiser se equiparar como tal, não esqueça da modéstia e da humildade). Along For The Ride flutua entre os tímpanos com ecos dissipados de guitarras, uma rápida despedida de dois minutos que fecha, infelizmente, uma pequena porém grande (notória) seleção de nove melodias. Faça o download gratuito de duas faixas nas caixas a seguir:

 

Maria Taylor: novo disco

Maria Taylor

Se você ainda não sabe quem é Maria Taylor, dá tempo de ler um pouco sobre ela aqui mesmo no blog. Faz praticamente um ano que Taylor se reuniu com Orenda Fink para surpreender seus ouvintes com um álbum de inéditas do Azure Ray – o qual todos nós pensávamos que havia se desmanchado de vez.

Agora é a vez dos holofotes se voltarem novamente para Maria: seu quarto disco “Overlook” será lançado no próximo mês (e o primeiro single In A Bad Way já pode ser ouvido no site oficial, além de ter outra faixa inédita, Matador, disponível para download). E olha que não foi fácil para Taylor voltar aos estúdios, mesmo estando ocupada com a turnê de Azure Ray:

It was surprising to Taylor then, that after buying her first house and settling in, she was unable to write any songs for an entire year. Concerned, but busy with touring and promotion around Azure Ray’s new album, she carried on. Then last December during a month-long break, she finally wrote a song – the ruminative and haunting “Happenstance” – and the floodgates opened. Taylor hid away in her bedroom for two weeks, writing and demo-ing the nine songs that now make up her lush fourth LP Overlook.

Enquanto aguardamos por um vídeo novo, ficamos com Cartoons And Forever Plans, segundo e último single extraído de seu terceiro trabalho, ”LadyLuck” (já faz dois anos!), que conta com a participação de Michael Stipe do R.E.M.

 

 

Podcast #7: Apaixone-se

Quero ver todo mundo se apaixonando a partir de agora. Do rock ao trip-hop, do violão ao piano, quase sempre acompanhados dos meus vocais femininos favoritos. Ouça e apaixone-se.


MP3 | 192 Kpbs | 51,4 Mb | 37’26″ | download

01. Corinne Bailey Rae: Low Red Moon (Belly cover)
02. Grand National: Little Bin
03. Sophie Hunger: Shape
04. Canidas: Asylum
05. Azure Ray: Don’t Leave My Mind
06. Marlango: The Answer
07. The Postmarks: Three Little Birds (Bob Marley cover)
08. Tracey Thorn: You Are A Lover (The Unbending Trees cover)
09. Amanda Palmer: On An Unknown Beach (Peter Jefferies cover)
10. Four Tet: Angel Echoes

Retrô 2010

Poços de Cadas, MG

Eu sei que ainda está cedo para fazer retrospectiva, mas o ano de 2010 praticamente acabou para mim. Ainda pode acontecer muita coisa em menos de um mês, mas sequer meu relógio biológico está colaborando (tive algumas gafes por pensar que estivesse uma semana à frente de todos).

Simplesmente não tenho do que reclamar. Comecei o ano na praia, terminei meu namoro/casamento de cinco anos – o que para muitos, para não dizer todo mundo, foi uma surpresa em tanto -, fiz novas amizades (online e offline, como é de costume), voltei a sair e a dançar  – e muito – com os novos e velhos amigos (além de reencontrar alguns que moram longe), arrisquei alguns podcasts (com edições especiais da turma do Google Reader), encontrei meu bar preferido, fui a muitos shows, fui promovido, viajei pela primeira vez para a Europa (e mesmo assim reclamei do metrô de Paris, apesar de ter me fascinado com Versailles), estourei meu cartão de crédito e deixei minha conta corrente menstruada de tão vermelha que estava. Como disse meu ex, aproveitei tudo o que não consegui nos últimos cinco anos. Verdade ou não, tenho que concordar.

Aqui no blog, como puderam perceber, ficou meio parado de uns meses para cá. Não é culpa do tempo, de trabalho e muito menos da preguiça. A culpa é só minha, mas como toda promessa para o ano que se aproxima, vou tentar retomar o ritmo diário de posts – quem sabe assim ele não faz jus ao nome. Aqui deixo a lista dos vinte discos lançados e mais ouvidos por mim em 2010. Como o Last.fm não condiz muito com minha realidade  musical (ah se eu pudesse sincronizar meu celular), fiz questão de vasculhar os posts desde janeiro – até que não deu muito trabalho, para falar a verdade. O ranking não significa absolutamente nada, pois todos eles têm igual relevância e intensidade na frequência com que foram apreciados.

01. Elk City: House Of Tongues
02. Brisa Roché: Right Now
03. Blonde Redhead: Penny Sparkle
04. Tracey Thorn: Love And Its Opposite
05. Sally Seltmann: Heart That’s Pounding
06. Land Of Talk: Cloak And Cipher
07. Clare Bowditch: Modern Day Addiction
08. Andreya Triana: Lost Where I Belong
09. Betty Steeles: Betty Steeles
10. Bonobo: Black Sands
11. Holly Miranda: The Magician’s Private Library
12. Massive Attack: Heligoland
13. Four Tet: There Is Love In You
14. Marlango: Life In The Treehouse
15. Belleruche: 270 Stories
16. Unkle: Where Did The Night Fall
17. Badly Drawn Boy: It’s What I’m Thinking (Part 1)
18. Kate Nash: My Best Friend Is You
19. The Radio Dept.: Clinging To A Scheme
20. Azure Ray: Drawing Down The Moon

Bônus:
21. The Clientele: Minotaur
22. Matthew Herbert: One One

E na estante, quem ganhou o prêmio de mais lido foi Chuck Palahniuk (ainda tem uns três livros na fila), sendo que a vice-liderança ficou com Jeff Lindsay (nosso adorável serial killer Dexter vem ganhando notoriedade há alguns anos, como todos sabem). Kurt Vonnegut conseguiu seu troféu de prata apenas com três livros (mais uns três livros me esperam ansiosamente), quantidade suficiente para me convencer de sua qualidade sarcástica. Os livros que inspiraram os filmes desse ano (e talvez alguns do ano passado, não me recordo agora) também fizeram parte da minha coleção literária de 2010 – um vício recém-adquirido que provavelmente não será interrrompido no ano seguinte.

Azure Ray está de volta

Azure Ray

Simplesmente não dá para acreditar. Depois de cada uma delas seguir seu próprio caminho, Maria Taylor e Orenda Fink surpreendem todos seus fãs anunciando não somente o retorno de Azure Ray, como o lançamento do quarto disco “Drawing Down The Moon”, a ser lançado em setembro desse ano (que, até lá, com certeza já vai ter vazado na rede). O hiato de seis anos definitivamente não afetou em nada a amizade da dupla californiana, tanto que já tem o primeiro single para degustação, Don’t Leave My Mind. Confira a seguir o vídeo com uma prévia das faixas do novo álbum:

Rapidinha da semana: Maria Taylor

Maria Taylor

Maria Taylor, uma das minhas cantoras preferidas de uns anos para cá, está com data marcada para o lançamento do terceiro disco, “Ladyluck”. Fiquei na suspeita quando saiu o EP “Savannah Drive”, em conjunto com seu colega Andy LeMaster (Now It’s Overhead), onde consta a versão acústica – até então inédita – de Ladyluck e Time Lapse Lifeline.

Para quem ainda não sabe, Maria fazia parte do Azure Ray, dupla com a esquecida Orenda Fink (eu particularmente não gosto das músicas dela). Talvez a música mais conhecida seja Sleep por causa da trilha sonora de “O Diabo Veste Prada”, porém eu já tinha meus ouvidos colados nos álbuns das meninas muito antes disso.

Demorou para Taylor inaugurar sua carreira solo. Só em 2005, praticamente três anos após o fim de Azure Ray, é que a mulher nascida no Alabama resolveu lançar seu primeiro trabalho, “11:11″. Tanto esse como o próximo disco, “Lynn Teeter Flower”, mantém suas características cravadas no pop rock e no folk, apesar de possuírem alguns ritmos um pouco mais variados (tem até um rapper em uma das canções).

Já se pode conferir no MySpace dela faixas inéditas, todas do primeiro single do último álbum, “Time Lapse Lifeline”. Pelo que eu ouvi, o estilo musical continua o mesmo, entretanto senti uma queda maior pelo folk. Confira o novo videoclipe abaixo:

Seguindo o caminho sozinho

Ouvi o trabalho solo da Andrea Palmer essa semana. Álbum de estréia que, por incrível que pareça não foi coincidência, me lembrou muito o Dresden Dolls. Andrea Palmer é a vocalista do Dresden Dolls, por isso que lembrou tanto (duh!). Não posso estipular uma regra de que todo artista que deixa a banda por um momento – ou até para sempre, dependendo de alguns casos – faz um trabalho solo diferente. Vejo isso pelo Thom Yorke, que para muitos foi considerado o “Kid B” do Radiohead – também sou da mesma opinião.

Outros, por exemplo, preferem seguir caminhos totalmente distintos. Veja os integrantes do Cardigans: Magnus criou o Righteous Boy, Peter criou o Paus e Nina criou o A Camp. Esse último foi o que mais impressionou, pois percebi um processo inverso: o projeto solo de Persson influenciou a banda inteira (ouça os dois últimos álbums deles e você vai perceber a diferença). Por falar na sueca loirinha-morena, ela está fazendo um suspense desnecessário e insuportável para seus fãs. Reza a lenda que o segundo álbum solo vai sair esse ano – quem quiser saber o que ela andou aprontando ao vivo, vai no YouTube (estou no escritório, não tenho como acessar os vídeos).

Quem também está prestes a lançar um trabalho solo é a minha diva ruiva e escocesa Shirley Manson. Pelo que eu soube, ela teve alguns probleminhas para se acertar com alguma gravadora que aceitasse o lançamento de seu primeiro disco. Se ela conseguiu entrar em um acordo, não sei. Se alguém souber de alguma novidade, por favor volte e aqui e deixe um comentário – vou agradecer imensamente.

Para finalizar, aqui ficam registradas outras meninas que seguiram seu caminho sozinhas e deram certo, apesar de terem deixado um trabalho muito bom para trás – e que a maioria não têm mais retorno, por mais que tenhamos um fio de cabelo de esperança: Lou Rhodes (ex-Lamb), Maria Taylor (ex-Azure Ray), Nicola Hitchcock (ex-Mandalay), Hope Sandoval (ex-Mazzy Star), Roisin Murphy (ex-Moloko), Skye (ex-Morcheeba) e… Tracey Thorn (será que o Everything But The Girl acabou mesmo?).