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Retrô 2012 [Parte 3]

podcast

Última parte da retrospectiva 2012. Ao selecionar as músicas, tive a impressão de que o começo do ano foi bem mais legal do que agora nos últimos meses.

01. Bat For Lashes: Laura
02. Melody Gardot: Goodbye
03. Jesca Hoop: Hospital (Win Your Love)
04. Blue Foundation: Just A Hand
05. Archive: Violently
06. 2:54: Killer
07. Norah Jones: Happy Pills
08. Marlango: Gira
09. Electric Guest: This Head I Hold
10. Memoryhouse: The Kids Were Wrong
11. Desire: Under Your Spell (trilha sonora de “Drive”)
12. Tennis: Origins
13. Big Sir: Regions

*Quase esqueci delas:
14. Tracey Thorn: Joy
15. Clare And The Reasons: The Lake

Jun Miyake

Jun Miyake

Fui assistir a “Pina”, mais por curiosidade do que por interesse, mas já podia ter antecipado minha total indiferença com o documentário. Prestei muito mais atenção na trilha sonora do que nas danças, que soube mesclar uma verdadeira coletânea de world music, incluindo aí nossa tão batida MPB – Caetano Veloso, no caso do filme. Não costumo ser tão eclético assim, mas digamos que, por mais que as coreografias não tenham feito sentido algum para mim, as músicas selecionadas se encaixaram perfeitamente (e estranhamente) nelas.

Uma música em particular prendeu toda a minha concentração, tanto que mal consigo lembrar do casal dançarino em questão (os movimentos se resumiam ao homem segurando a mulher para que ela não caísse no chão, fruto de um tombo proposital). A voz que aos poucos se destacava dos acordes iniciais do violoncelo me era muito familiar e, logo após o filme, me apressei para descobrir a vocalista misteriosa: Lisa Papineau, de quem tanto venero nos discos do Big Sir.

A canção é The Here And After, do compositor e trompetista japonês Jun Miyake - cuja admiração por Pina Bausch, pelo que notei em minhas andanças pela internet é bastante presente. Ela faz parte de seu último álbum “Stolen From Strangers”, em que a fusão de ritmos emprestados de vários cantos do mundo, assim como na trilha de Pina, demarca o estilo musical do repertório. Além de Lisa, outros cantores contribuem para a diversidade de línguas nas faixas, como os franceses Arthur HigelinStéphane Sanseverino e o americano Arto Lindsay – que canta um português aceitavelmente límpido. Pelo próprio talento de Jun recair sobre trompete e piano, é natural que toda essa convergência sonora tenha uma veia pulsante no jazz, além, claro, de dar a ideia de ser a trilha sonora de um filme fantasioso.

Big Sir: Before Gardens After Gardens

Big Sir

Há muito tempo eu esperava por algo novo do dueto Big Sir, formado por Lisa Papineau e Juan Alderete, baixista do The Mars Volta. Seu segundo e último disco “Und Die Scheiße Ändert Sich Immer”, de 2006, é uma obra repleta de experimentos vocais e sonoros.

O mais recente álbum “Before Gardens After Gardens” não é diferente, podendo ser considerado uma evolução das variações musicais implementadas no trabalho anterior. As batidas e sintetizadores eletrônicos estão mais acentuados, como podemos perceber em Ready On The Line e Right Action (beats rápidos e regulares que dão lugar à voz determinante de Lisa) e Infidels, por exemplo. A introdução repentina da primeira faixa Regions é o que herda o estilo de produções de antes, trazendo como brinde, porém, uma dramática viola, também presente em notas mais rasgadas na quase acapella The Kindest Hour.

Em cada disco, entretanto, sempre há uma música que sobe ao pódio como favorita. Nesse, Old Blood foi a premiada, talvez pelo próprio ritmo embalado pela guitarra que atravessa o refrão e contorna os vocais de Papineau. Outras se desgarram dos instrumentos mais movimentados e pairam serenas no piano, como em Born With A Tear, e até no acordeão, como é o caso de Be Brave Go On. Órgãos se contrapõem com várias vocalizações em Our Pleasant Home, reduzindo finalmente à uma única voz em 1 Thousand Petals, constituída apenas por um baixo. Ouça o repertório na íntegra a seguir:

Top 10 discos e artistas por Last.fm

Como já disse antes, o Last.fm não condiz integralmente com minha realidade musical, mas até que conseguiu espelhar em parte o que ouvi em 2010. Engraçado reparar como alguns artistas sequer aparecem na lista de discos. Boa virada e até 2011! ;)

Top 10 discos:
01. Brisa Roché: All Right Now
02. Tracey Thorn: Love And Its Opposite
03. Elk City: House Of Tongues
04. Cibelle: La Vênus Resort Palace Hotel
05. Betty Steeles: I Am Betty Steeles
06. Sally Seltmann: Heart That’s Pouding
07. Big Sir: Und Die Scheiße Ändert Sich Immer
08. Madita: Pacemaker
09. Cults: Cults 7″
10. Belleruche: 270 Stories

Top 10 artistas:
01. Bran Van 3000
02. Brisa Roché
03. Elk City
04. Tracey Thorn
05. Stars
06. Air
07. Cibelle
08. Massive Attack
09. The Cranberries
10. Beach House

Big Sir

Big Sir

Desenterrar o backup de MP3s é uma ótima terapia para meus ouvido, sendo que ando meio perdido no que tange a boas descobertas musicais. Big Sir está lá gravado em um dos meus tantos DVDs, cujos discos fiz questão de resgatar para o meu celular.  

Big Sir é formado por Lisa Papineau e Juan Alderete de la Peña, baixista da banda The Mars Volta. Não sei dizer se o encontro dos dois teve influências ou do The Mars Volta ou da própria Lisa (nunca ouvi o trabalho deles), mas posso dizer que é um som contagiante, mesmo que seja um tanto experimental – poderia definir como uma breve passagem pelo jazz com suaves doses eletrônicas). O debut “Big Sir” (2000) conta mais com a voz de Papineau, cedendo no seguinte “Und Die Scheiße Ändert Sich Immer” [and the shit is always changing] (2006) para músicas instrumentais. Eles tiveram a ajuda de muitos amigos músicos para a produção desse álbum, mesmo porque há um arsenal de instrumentos: clavinetes e muitos outros derivados de teclados, chocalhos e até apitos.

Entre um e disco e outro, foi lançado uma coletânea e remixes, “Now That’s What I Call Big Sir” (2001), entretanto não agradaram muitos meus ouvidos. Abro exceção pelo belo cover do Jeff Buckley, Everybody Here Wants You.