Zé Offline
Música. Cinema. Livros. Whatever.-
16/06/2010Música
A foto acima pode parecer um tanto bucólica, mas a banda canadense (parece que o Canadá se fez o país-referência do ano para bandas alternativas) Forest City Lovers mostra um som não muito diferente do que retratam em seu figurino -- que também, convenhamos, é um pouco rural se olhado de longe.
A foresta está no nome da banda e as artes dos discos anteriores, tanto como o debut “The Sun And The Wind” e “Haunting Moon Sinking”, dedicam a vida em meio ao cerrado e à natureza como premissa. Como parte dessa ode ao verde, o folk está presente na maioria de suas composições, salvo algumas notas discretas de guitarra e arranjos bem humildes. O último álbum “Carriage”, lançado esse ano, faz jus ao violão e a pouca duração das músicas, incentivando quem gostou a escutar mais uma vez para continuar o clima camponês e imaginar os passarinhos piando nos galhos das árvores -- sim, eu me inspirei na foto deles para tal descrição. Confira a seguir o vídeo do single extraído do último trabalho, If I Were A Tree:
Tags: canadá, carriage, folk, forest city lovers, haunting moon sinking, if i were a tree, indie, the sun and the wind -
27/10/2009Música
Quando uma banda não sai do meu playlist por duas semanas seguidas, me sinto mais do que compelido -- em outras palavras, obrigado -- a escrever sobre ela. Spiral Beach é um quarteto de Toronto -- e vivam as bandas canadenses! -- que toca muito mais do que um simples indie rock. O visual colorido e bagunçado dos jovens artistas na foto acima, assim como em tantas outras, revela a energia contida em todos os elementos de suas músicas: os vocais escandalosos de Maddy Wilde, a guitarra barulhenta de Airick Woodhead, a batera incessante de Daniel Woodhead e o baixo quase tímido de Dorian Wolf. O grupo começou não faz muito tempo. Seu primeiro disco saiu independente em 2005 levando o nome deles como título. Em 2007 veio o segundo álbum, “Ball”. No ano seguinte eles começaram a gravar o terceiro trabalho, o qual foi lançado agora em 2009, “The Only Really Thing”.
Em “Ball”, o repertório acaba bem antes do que se espera; a maioria das faixas não passa dos três minutos. Teddy Black assusta um pouco com sua introdução um pouco pesada, mas logo alivia com a bateria feito marchinha de Made Of Stone. Rocket Fuel apresenta os vocais de Airick com a ajuda de Maddy aos fundos; os dois, contudo, se juntam com mais ânimo em Casual T. We Saw Ghosts, a única a ultrapassar os quatro minutos de duração, guarda um clima solene e mostra vocais mais comportados. Pedestrian corta um pouco a linha agitada com teclados e batidas simpáticas. Astro Girls, não sei por que, parece fazer parte de um filme de gângster. Man Moon fecha com vozes mais severas e instrumentos mais freados. Os interlúdios, como CLT e Two Black Eyes, não passam de divertidas brincadeiras sonoras.
“The Only Really Thing” foi o primeiro disco que ouvi do Spiral Beach. Por consequência, é o meu favorito, deixando o anterior um pouco de lado no meu nonstop listening. Battery já abre com a devida empolgação que se conhece dos quatro jovens. Scour + Devour literalmente me devora toda vez que a escuto; eu não resisto à guitarra e a batida retumbante enquanto Maddy exalta o mantra “search and destroy and scour and devour”. O aviso dado em Domino (this is good and getting better / this is falling on the floor) é cumprido e a casa cai no ápice do refrão. After Midnite controla a adrenalina por alguns instantes, mas o quarteto não quer ficar quieto por muito tempo (it’s after midnight / it’s still the same / the midnight comes / you’re the only one). Para meu espanto, o violão surge como protagonista e dá o tom pacífico com a companhia de um violino. Raising The Snake me decepciona um pouco pelo marasmo que marca a canção inteira.
May Go Round (In A Mania) dá uma revirolta e derruba a casa de novo com tudo que eles podem tocar ao mesmo tempo e com a mesma vibração -- tento me conter para não ficar pulando enquanto Maddy grita o refrão. Which + Whats dá uma pausa com uma guitarra de passos calmos. Way Way Out estranhamente me faz lembrar B-52′s. O violão reaparece arreganhado em 7 Girls, dando a impressão de arrebentar as cordas do dito instrumento. O teclado também dá as caras remendando suas notas em Cemetery -- preciso deixar registrado, foi com essa faixa que meu amigo de GReader Piano Black apresentou Spiral Beach; obrigado! -, além de ter um agradável refrão grudento (it all comes back / but you know that / it all comes back to you). Vagueries arrisca um folk desmantelado com vocais lacônicos. Shake The Chain, para fazer jus ao nome, arrasta muitas correntes em toda sua execução, trazendo junto um clima de luta sangrenta entre cowboys.
Confira a seguir o vídeo de Domino, editado com imagens de uma performance ao vivo do grupo:
Tags: airick woodhead, ball, canadá, cemetery, daniel woodhead, domino, dorian wolf, indie rock, maddy wilde, made of stone, spiral beach, the only really thing, toronto -
08/07/2009Música
Mais uma banda canadense para minha coleção: Great Lake Swimmers. Não li muito sobre eles, sei que botaram o pé na estrada no começo dos anos 2000, tocando humildemente um folk que abusa de notas vagarosas no violão (mesmo que pareça de propósito, o instrumento deixa em segundo plano os outros integrantes do grupo).
No quarto disco de estúdio, “Lost Channels” não traz nenhuma novidade ou mudança notável em relação aos trabalhos anteriores. O mesmo violão, a mesma voz sofrida e ao mesmo tempo piedosa de Tony Dekker, a mesma impressão de ser tomado por uma repleta paz de espírito, contudo percebe-se uma tímida exaltação tentando se sobressair de todas essas características.
Talvez essa tranquilidade toda se justifique nos lugares onde Tony escolheu para as gravações, tais como igrejas antigas, construções históricas e áreas rurais. O título do álbum não podia ser mais pitoresco: faz referência a uma certa passagem do Rio São Lourenço, próximo de onde eles gravaram, onde um barco de exploração militar se deu como desaparecido em 1760. O vídeo do novo single Pulling On A Line também, claro, não poderia ser diferente e manteve o mesmo clima bucólico:
Tags: canadá, folk, great lake swimmers, lost channels, quebec, rio são lourenço, st. lawrence river, tony dekker, toronto -
16/03/2009MúsicaNunca fui fã assíduo do Metric, admito. Prefiro muito mais o projeto solo da Emily Haines, líder do grupo originalmente formado em Nova York mas que agora tem como pátria o Canadá. Entretanto, nenhum dos três álbums até agora me detiveram tanto quanto o quarto, cujo lançamento está previsto para o mês que vem (mas que você pode conferir na íntegra lá no site oficial deles).

Sendo mais franco ainda, o disco que até então eu ouvia sem parar – e olha que não eram todas as faixas – era “Grow Up And Blow Away”, principalmente Soft Rock Star. Fora isso, mais nada. Agora com “Fantasies” é diferente: eu escuto todas sem exceção e sem parar.
Para começar, Help Me Alive, single de estréia que ganhou versão acústica (vai lá no site para baixar, é de graça), ganha força progressiva na bateria enquanto Emily solta aos poucos versos amigáveis como I tremble / They’re gonna eat me alive e, logo depois, já entra na frase principal da música com My heart keeps beating like a hammer. A introdução da próxima, Sick Muse, me fez vibrar porque é quase igual ao comecinho de Special do Garbage, e porque Haines coloca o coração na boca para cantar Everybody, everybody just wanna fall in love / Everybody, everybody just wanna play the lead. As guitarras de Satellite Mind remexe qualquer esqueleto e quase estoura qualquer tímpano se estiver no último volume. Para dar uma pausa, Twilight Galaxy relaxa as mentes perturbadas com um sitentizador de fundo – mesmo que ela não cante para isso: Go higher than high /Go lower than deep / Keep doing it wrong / Keep singing alone.
Mal dá para descansar e Metric volta com tudo com Gold Guns Girls – minha preferida, por sinal -, dando a impressão de que não estão satisfeitos (Is it ever gonna be enough?). Gimme Sympathy é a mais pop de todas, outra faixa que recebeu uma versão mais desplugada. Collect Call se atreve com uma leve melodia eletrônica do início ao fim, tornando-se a mais balada do álbum. Front Row rasga com um riff pesado e abafa de propósito a voz de Emily. Blindness soa melancólica por causa do protesto contra a maldade desenfreada do ser humano, tanto que até a batida pacífica e tímida só aparece no meio da música. E, para terminar, Stadium Love resume toda a empolgação do repertório como se realmente estívessemos em um estádio.
Agora me fala se não valeu a pena?
Tags: canadá, emily haines, fantasies, grow up and blow away, help i'm alive, metric, Nova York, rock, soft rock star
-
17/03/2008BlogosferaA cidade de São Paulo oferece várias opções de lazer e entretenimento, mas quando o tópico da procura é área verde, a metrópole se encolhe a pouquíssimas opções. O Parque do Ibirapuera, por ser um dos cartões postais da capital paulistana, é a referência quase que obrigatória para fugir do caos acimentado. O problema é que a idéia, até então original, torna-se mais do que comum para todos os seus residentes; como consequência, a dor de cabeça se instala e o objetivo para passear com a família ou para uma simples caminhada se desmorona até chegar ao parque: trânsito igual ao dos dias úteis, sem vagas para estacionamento – e quando há, os guardadores de carros oficializam seu trabalho informal nos momentos mais inoportunos -, espaço disputado entre pedestres e ciclistas, entre outras situações frustantes.
Localizada entre as regiões norte e oeste, no bairro de Pirituba, o Parque Cidade de Toronto revela sua beleza aos poucos enquanto o cidadão faz o caminho entre as ruas arborizadas que circundam o parque. Tomada por uma área de 109.100 m², a área verde comprova-se bem preservada, não só pela paisagem pacífica que o grande lago promove, mas pela infra-estrutura bem implantada: sanitários limpos e em bom estado, mini-playgrounds localizados logo na entrada – cujos brinquedos lembram os dos parques canadenses -, duas quadras poliesportivas e até um espaço com churraqueira e mesas de madeira para piqueniques.
A harmonia entre as aves completa o cenário natural desse lugar: frangos-d’água, martim-pescadores e garças se misturam na beira do lago. Apesar do aviso para não alimentarem os animais, algumas pessoas ignoram o alerta, na maioria das vezes para entreter seus filhos, e chegam a jogar pedaços de pão aos peixes que ficam na parte mais rasa, ao fundo do parque.
Como o parque nasceu há 16 anos, fruto de um programa de intercâmbio profissional firmado com a prefeitura de Toronto, não há como não reparar nos pinheiros e nos plátanos, vegetação também típica do Canadá – a famosa folha que estampa a bandeira dese país se espalha em todo o caminho -, concentrados no outro lado do parque.
Em uma cidade tão grande e tão repleta de opções gastronômicas e culturais, o “lazer verde” às vezes não é prioridade para os moradores que estão mais acostumados com uma vida corrida e cinza.
Todas as fotos abaixo possuem direitos reservados de seus respectivos autores.
Flickr de Rodolfo Avona
Flickr de André MotikawaEste post faz parte da blogagem inédita.
Tags: área verde, canadá, entretenimento, lazer, parque cidade de toronto, são paulo -







































Falou e disse