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Madrid

Madrid

Bandas brasileiras não são a minha praia. Música brasileira não é a minha praia. Mas se alguma delas canta em inglês, eu até dou um desconto – ou pelo menos um pouco mais de atenção. Se o som da banda é levado por estilos musicais agraciados pelos meus ouvidos chatos e criteriosos, então já é um grande avanço: Rosie and Me está aí para comprovar (ainda que eu nunca tenha falado deles aqui no blog).

Não poderia imaginar, entretanto, que a reunião de dois nem tão antigos integrantes de bandas nacionais  - as quais praticamente me dão ânsia só de ouvir os nomes – pudesse resultar em um trabalho tão atraente. Adriano Cintra, ex-CSS (Cansei de Ser Sexy), e Marina Vello, ex-Bonde do Rolê, é uma combinação quase impossível para o meu entendimento, se levar em conta o tipo de música que cada um desses grupos tocam.

A nova dupla Madrid conseguiu criar músicas cujas referências, tanto no vídeo do primeiro single Sad Song como no repertório do álbum homônimo de estreia, recaem na mistura obscura de rock e cabaret de outra dupla, Dresden Dolls (e até das excentricidades da própria Amanda Palmer). Tem também pequenas gotas de Kelly De Martino e Hope Sandoval (agora de volta com o Mazzy Star), para complementar a densa névoa noir do dueto. Assim como Cibelle, a fama estendeu o seu tapete para o exterior, tanto que as últimas datas da turnê acontecem na Europa. Quem sabe eles dão uma passadinha por aqui qualquer outra vez.

Top 10 discos e artistas por Last.fm

Como já disse antes, o Last.fm não condiz integralmente com minha realidade musical, mas até que conseguiu espelhar em parte o que ouvi em 2010. Engraçado reparar como alguns artistas sequer aparecem na lista de discos. Boa virada e até 2011! ;)

Top 10 discos:
01. Brisa Roché: All Right Now
02. Tracey Thorn: Love And Its Opposite
03. Elk City: House Of Tongues
04. Cibelle: La Vênus Resort Palace Hotel
05. Betty Steeles: I Am Betty Steeles
06. Sally Seltmann: Heart That’s Pouding
07. Big Sir: Und Die Scheiße Ändert Sich Immer
08. Madita: Pacemaker
09. Cults: Cults 7″
10. Belleruche: 270 Stories

Top 10 artistas:
01. Bran Van 3000
02. Brisa Roché
03. Elk City
04. Tracey Thorn
05. Stars
06. Air
07. Cibelle
08. Massive Attack
09. The Cranberries
10. Beach House

Cibelle

Cibelle

Cibelle é uma cantora paulistana erradicada em Londres (citei seu nome rapidamente quando falei do Hollywood, Mon Amour) que, mesmo estando longe da terra natal, fez questão de honrar um pouco a musicalidade brasileira em seus três discos: interpretou Caetano – um deles na companhia do Devendra Banhart, também ídolo de Veloso -, cantou Tom Waits, misturou português com francês e espanhol e, de quebra, fez versões um pouco mais modernas da bossa nova com barulhos eletrônicos (e o samba, claro, também entrou na roda).

No seu último disco, “La Vênus Resort Palace Hotel”, lançado esse ano, Cibelle incorpora a personagem Sonja Khalecallon, anfitriã do hotel que dá título ao repertório cujas influências, além das já citadas acima, vão do country presente em trilhas sonoras de velho-oeste a covers um tanto estranhos de se ouvir: ritmo latino para um dos temas do 007 e embalo acústico para uma canção infantil dos Muppets. De música popular brasileira, restaram duas composições: Escute Bem e Sapato Azul, apesar de caminharem completamente às avessas do meu gosto musical (os leitores desse blog devem saber da minha falta de patriotismo quando o assunto é música), preencheram o playlist das minhas últimas semanas. Confira a seguir o vídeo de Man From Mars, primeiro single desse álbum:

Podcast: Mariana Rosa

Mariana Rosa

Tive a impressão de que Mariana Rosa apareceu de repente. Quando percebi, ela já estava comentando em todos os itens de todos os amigos em comum. Mariana sempre faz um esforço para ler tudo o que foi compartilhado no seu Google Reader – ela mesmo já disse que passa o final de semana zerando os não-lidos. Entretanto, leitura é mais do que um hobby, faz parte de seu trabalho diário – uma futura advogada, torcemos para seu sucesso. Ela só compareceu ao segundo encontro da nossa panelinha, mas certamente fará presença nos próximos. Sua lista é a mais romântica de todas. Pode ser porque eu esteja solteiro e carente (não afetivamente, veja bem), então já fico me imaginando ao lado de alguém, deitados no sofá e comendo porcaria ao som de muito folk, jazz, vozes masculinas adoráveis e vozes femininas cativantes. Listen and fall in love.

MP3 | 192 Kpbs | 93.0 Mb | 67’46″ | download

01. Thomas Dybdahl: Rain Down On Me
02. Kevin Johansen: No Seas Insegura
03. Melody Gardot: Quiet Fire
04. Alexi Murdoch: Orange Sky
05. Dave Matthews Band: Grace Is Gone
06. Iron & Wine: Naked As We Came
07. De-Phazz: Love Set You Going (De-Phazz vs. Lahr Mix)
08. Jaymay: Hard To Say
09. Jeff Buckley: Lover, You Should’ve Come Over
10. Mando Diao: Gold
11. Jose Gonzalez: Heartbeats
12. Teitur: One And Only
13. Priscilla Ahn: Lullaby
14. John Foreman: Learning How To Die
15. The Weepies: Gotta Have You
16.  Jorge Drexler: High & Dry (Radiohead cover)

Bônus:
17. Cibelle feat. Devendra Banhart: London, London (Caetano Veloso cover)

Hollywood, Mon Amour

Hollywood, Mon AmourQuando ouvi todo o tracklist de músicas que fizeram sucesso nos anos 80, todas com uma roupagem completamente diferente, algo me atinou na hora: é quase uma cópia do Nouvelle Vague. Não por acaso: Hollywood, Mon Amour é o novo projeto de Marc Collin, um dos fundadores do Nouvelle Vague; também não é de se estranhar que a gravadora que assina o trabalho é a The Perfect Kiss, que já lançou outros membros do mesmo Nouvelle Vague (Marina Celeste e Phoebe Killdeer).

Confesso que me interessei só pelas músicas cantadas pela Skye (Call Me e A View To Kill) e, acredite se quiser, a paulistana erradicada em Londres Cibelle (Footloose). Tem também uma cantada pela Juliette Lewis – isso mesmo, aquela que se fantasiou de índia [sic]. Ela não é minha cantora preferida e tampouco conheço a versão original de This Is Not America (eu não sou fã de David Bowie, pode me xingar), mas a versão dela é a minha preferida de todas. Há também covers que ficaram muito bons, como a breguíssima Arthur’s Theme (Best That You Can Do), a calorosa Flashdance… What A Feeling, que aqui ficou bem mais calminha, e Together In Electric Dreams.

Depois de tanto ouvir as novas versões e as versões originais, cheguei a conclusão de que a década de 80 foi a mais brega que eu vivi. Ainda bem que eu era criança e não tinha noção do que era ser ridículo.