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Retrô 2012 [Parte 1]

podcast

Já era hora. Revistas, sites e blogs especializados em música já divulgaram suas listas de melhores álbuns do ano – mas não espere encontrar a maioria desses indicados aqui no blog. Como eu continuo um rapaz humilde, resolvi fazer uma retrospectiva para 2012 bem singela, trazendo à tona tudo o que apareceu de bom (e nem tão bom assim). O ano, na verdade, foi pobre de lançamentos memoráveis, mas pelo menos rendeu três partes do retrozão.

01. El Perro Del Mar: Walk On By
02. Porcelain Raft: Unless You Speak From Your Heart
03. Paul Banks: The Base
04. Letting Up Despite Great Faults: Visions
05. Stumbleine: Fade Into You (feat. Steffaloo)
06. Garbage: Control
07. Blackbird Blackbird: All
08. IO Echo: When The Lillies Die
09. Melody’s Echo Chamber: Crystallized
10. Beth Orton: Magpie
11. Cat Power: Cherokee
12. Clare Bowditch: You Make Me Happy

Clare Bowditch: The Winter I Chose Happiness

Clare Bowditch: The Winter I Chose Happiness

Quando Clare Bowditch lançou o EP “Are You Ready Yet?” no ano passado, logo percebi o caminho que a australiana iria trilhar em seu próximo trabalho (é só reparar nas versões accapella). O single que intitula o pequeno repertório é texturizado por um longo e esplêndido solo de piano, do começo ao fim dos seus sete minutos. Mudanças de plano à vista?

Em “The Winter I Chose Happiness”, a felicidade não está estampada só no nome do álbum. A palavra-símbolo da alegria aparece nos versos de Thin Skin (“we should be so happy”), assim como na música citada acima (“are you ready yet to be happy?”), e em outros títulos, como The Big Happy, You Make Me Happy e Let’s Get Happy Together. Suas lamentações e até uma certa bravura presentes nos trabalhos anteriores – principalmente no terceiro disco “The Moon Looked On” – cessaram para dar lugar a declarações românticas escritas com produções praticamente minimalistas: às vezes apenas o violão dedilhado em Amazing Life ou Your Love Walks With Me, outras vezes o piano novamente desenrolando suas notas solitárias em The One ou You Will Know. Mas o que pode justificar tanta felicidade é a experiência de Clare abrindo a turnê do célebre Leonard Cohen na Austrália – isso certamente inspirou o tema central do novo disco.

Clare realmente resolveu encostar a guitarra e se dedicar a outros instrumentos. A brincadeira descontraída na faixa de introdução Let’s Get Happy Together e o compasso rápido de Cocky Lady mostram nitidamente o interesse da cantora com os típicos instrumentos desse gênero musical – e ela se saiu muito bem! Assista a seguir à bagunça que nossa ruiva deixa pela casa no primeiro single You Make Me Happy:

Vale a pena conferir também o vídeo de Thin Skin, onde pessoas foram recrutadas para pular nuas de um trampolim – tudo gravado com uma bela fotografia em câmera lenta.

Podcast: Retrô 2010

Para fechar o ano, resolvi fazer uma seleção das músicas e artistas que, seja em parte ou a maioria, foram citados rapidamente por aqui. Alguns mereciam posts inpirados, mas que por algum motivo ficaram de fora (eu poderia, inclusive, intitular esse podcast de Lado B). O playlist dessa edição é grande, então prepare-se para ouvir de tudo, desde indie rock a remixes ruidosos. Espero mais uma vez que goste das músicas escolhidas, pois elas retratam bem o ano de 2010.


MP3 | 192 Kpbs | 110 Mb | 1’20″ | download

01. Best Coast: Something In The Way
02. The Bilinda Butchers: This Love Is Fucking Right (The Pains Of Being Pure At Heart cover)
03. Elk City: Nine O’Clock In France (Pocket vs Ray Ketchem Remix)
04. Tricky: Piece Of Me (Britney Spears cover)
05. Little Dragon: Fortune (Iambic Remix)
06. Tennis: Take Me Somewhere
07. Andreya Triana: A Town Called Obsolete (Mount Kimbie Remix)
08. Bran Van 3000: Garden Waltz
09. Clare Bowditch And The New Slang: Modern Day Addiction
10. Groove Armada: Look Me In The Eye Sister (White Light version)
11. DJ Shadow: I’ve Been Trying
12. Martina Topley-Bird: Phoenix (Some Place Simple version)
13. The Watson Twins: Harpeth River
14. Blackbird Blackbird: Pure
15. Memoryhouse: Sleep Patterns
16. The XX: VCR (Four Tet Remix)
17. Bonobo: Eyesdown (Floating Points Remix)
18. CocoRosie: Hopscotch
19. Daedelus: Order Of The Golden Dawn
20. Cults: Go Outside
21. Madita: ET
22. Quadron: Pressure
23. UNKLE: Follow Me Down

Retrô 2010

Poços de Cadas, MG

Eu sei que ainda está cedo para fazer retrospectiva, mas o ano de 2010 praticamente acabou para mim. Ainda pode acontecer muita coisa em menos de um mês, mas sequer meu relógio biológico está colaborando (tive algumas gafes por pensar que estivesse uma semana à frente de todos).

Simplesmente não tenho do que reclamar. Comecei o ano na praia, terminei meu namoro/casamento de cinco anos – o que para muitos, para não dizer todo mundo, foi uma surpresa em tanto -, fiz novas amizades (online e offline, como é de costume), voltei a sair e a dançar  – e muito – com os novos e velhos amigos (além de reencontrar alguns que moram longe), arrisquei alguns podcasts (com edições especiais da turma do Google Reader), encontrei meu bar preferido, fui a muitos shows, fui promovido, viajei pela primeira vez para a Europa (e mesmo assim reclamei do metrô de Paris, apesar de ter me fascinado com Versailles), estourei meu cartão de crédito e deixei minha conta corrente menstruada de tão vermelha que estava. Como disse meu ex, aproveitei tudo o que não consegui nos últimos cinco anos. Verdade ou não, tenho que concordar.

Aqui no blog, como puderam perceber, ficou meio parado de uns meses para cá. Não é culpa do tempo, de trabalho e muito menos da preguiça. A culpa é só minha, mas como toda promessa para o ano que se aproxima, vou tentar retomar o ritmo diário de posts – quem sabe assim ele não faz jus ao nome. Aqui deixo a lista dos vinte discos lançados e mais ouvidos por mim em 2010. Como o Last.fm não condiz muito com minha realidade  musical (ah se eu pudesse sincronizar meu celular), fiz questão de vasculhar os posts desde janeiro – até que não deu muito trabalho, para falar a verdade. O ranking não significa absolutamente nada, pois todos eles têm igual relevância e intensidade na frequência com que foram apreciados.

01. Elk City: House Of Tongues
02. Brisa Roché: Right Now
03. Blonde Redhead: Penny Sparkle
04. Tracey Thorn: Love And Its Opposite
05. Sally Seltmann: Heart That’s Pounding
06. Land Of Talk: Cloak And Cipher
07. Clare Bowditch: Modern Day Addiction
08. Andreya Triana: Lost Where I Belong
09. Betty Steeles: Betty Steeles
10. Bonobo: Black Sands
11. Holly Miranda: The Magician’s Private Library
12. Massive Attack: Heligoland
13. Four Tet: There Is Love In You
14. Marlango: Life In The Treehouse
15. Belleruche: 270 Stories
16. Unkle: Where Did The Night Fall
17. Badly Drawn Boy: It’s What I’m Thinking (Part 1)
18. Kate Nash: My Best Friend Is You
19. The Radio Dept.: Clinging To A Scheme
20. Azure Ray: Drawing Down The Moon

Bônus:
21. The Clientele: Minotaur
22. Matthew Herbert: One One

E na estante, quem ganhou o prêmio de mais lido foi Chuck Palahniuk (ainda tem uns três livros na fila), sendo que a vice-liderança ficou com Jeff Lindsay (nosso adorável serial killer Dexter vem ganhando notoriedade há alguns anos, como todos sabem). Kurt Vonnegut conseguiu seu troféu de prata apenas com três livros (mais uns três livros me esperam ansiosamente), quantidade suficiente para me convencer de sua qualidade sarcástica. Os livros que inspiraram os filmes desse ano (e talvez alguns do ano passado, não me recordo agora) também fizeram parte da minha coleção literária de 2010 – um vício recém-adquirido que provavelmente não será interrrompido no ano seguinte.

Clare Bowditch: Modern Day Addiction

Clare Bowditch

Não poderia estar mais feliz: Clare Bowditch volta com um álbum completamente diferente de todos os outros – até o Feeding Set foi substituído por The New Slang. Talvez seja essa a principal mudança em “Modern Day Addiction”, uma nova sonoridade, comtemplando outros arranjos e uma variedade maior de instrumentos.

A voz continua com a mesma potência, se fazendo firme em todas as doze novas faixas. O primeiro single The Start Of War indica um certo tom político em suas letras, mas o que ela quer mesmo transmitir é a esperança de todos viverem melhor e mais humanizados em um mundo sufocado por futilidades tecnológicas.

Essas frivolidades adoradas pelo homem são comentadas na canção que leva o título do disco. Running até parece cansar pela insistência de Clare em declarar as voltas incessantes que nunca levam a nenhum lugar. A Lucky Life é apenas um convite para uma vida que não se limite ao materialismo. Your Own Kind Of Girl incentiva a criar a própria personalidade sem se influenciar por estereótipos. Em The Most Beautiful Lies, Clare não se importa de ser enganada. A Little History (Homage To My Dad Two) aponta as qualidades que qualquer um pode ter mesmo tendo suas limitações e defeitos. Assista a seguir o vídeo do segundo single Bigger Than The Money:

Clare Bowditch

Clare Bowditch

Clare Bowditch, nascida na Austrália mas que atualmente mora em Berlin, tem sua banda “The Feeding Set” estampada no nome apenas para dar crédito aos demais integrantes. Porém, ninguém consegue tirar o brilho de seus cabelos ruivos mesclados com seus olhos verdes. Com um conhecimento notável de instrumentos acústicos de várias partes do mundo, graças ao curso que estudou sobre etnomusicologia, os arranjos de praticamente todas as suas canções possuem um toque especial – por acaso você já ouviu falar do tambura, do dàn tranh e do dàn bau?

Seu álbum de estréia “Autumn Bone”, lançado em 2004, teve uma repercussão apenas em seu país de origem. Contudo, com o lançamento do segundo disco “What Was Left” no ano seguinte, uma gravadora de grande porte se interessou pela banda da ruiva de olhos cintilantes. Logo o sucesso estourou quando veio o terceiro trabalho (e o meu predileto), “The Moon Looked On”, porém não tudo o que eles realmente mereciam.

A linha musical é guiada entre o folk e o pop – pop esse que poderia ser substituído, na minha opinião, pelo indie, visto que a banda ainda se centra no cenário alternativo. Mesmo se utilizando dos instrumentos exóticos, guitarras e violões ainda permanecem como protagonistas. E quanto às letras, Clare gosta de aproveitar seu lado pessoal como disfarce para compor, mas sem deixar transparecer suas experiências positivas e negativas, os tão conhecidos altos e baixos da vida.

Cuidado: em breve serei um motorista

Hoje pela manhã foi a correria para fazer exame psicotécnico, exame de vista e agendar as aulas do CFC (já esqueci o que é, alguma-coisa-Condutor). Como não importa a minha via sacra pelo Detran em busca da aprovação do pré-cadastro (em outras palavras, para provar que eu sou alfabetizado), aqui vai uma lista bárbara de músicas em homenagem aos futuros motoristas de carro (ou de moto ou de caminhão, o perigo é o mesmo senão pior). Pedestres, sigam meu conselho: saiam da frente!

Angelfish: Mummy Can’t Drive
The Cardigans: Lead Me Into The Night*
Clare Bowditch & The Feeding Set: That Wouldn’t Be So Good
Garbage: Driving Lesson
Beth Orton: Stolen Car
The Dresden Dolls: The Jeep Song
Waldeck: Nothern Lights

*Ok, é um barco, mas o que vale é a intenção.