Zé Offline
Música. Cinema. Livros. Whatever.-
28/12/2009Cinema e TVAVISO: contém alguns spoilers. Sem imagens devido ao último acontecimento.
Não gostei muito da quarta temporada do Dexter assim que comecei a assistir. Com exceção dos primeiros episódios, que já mostram nosso querido serial killer quase perdendo sua reputação ao sofrer um acidente e, ainda por cima, não lembrar onde colocou os restos fatiados de sua primeira vítima, os demais se desenrolam lentamente e praticamente sem nenhuma ação.
O vilão da história é Arthur, ou Trinity, nome dado ao assassino que há trinta anos mata três pessoas, sempre com um intervalo de alguns anos para recomeçar o ciclo: uma mulher completamente ensagüentada na banheira, uma outra mulher que aparentemente comete suicídio ao pular de um prédio e um homem com a cabeça destroçada por uma ferramenta caseira (martelos, principalmente). O envolvimento de Dexter com Trinity gradualmente se complica até chegar nos últimos capítulos, porém achei que essa relação ficou demasiadamente extensa – talvez por isso eu não tenha gostado muito dessa temporada no início; o roteiro enrola para deixar o melhor para o final.
Por outro lado, tenho que dar um desconto, pois um homem dificilmente consegue conciliar sua vida de assassino com a de pai de três filhos e uma esposa. Os dois últimos livros de Dexter mostram muito bem isso, mesmo as histórias sendo completamente diferentes da TV. O seriado não deixa esse detalhe de lado e o explicita em algumas ocasiões bem engraçadas, como as sessões de terapia em casal (cuja terapeuta é interpretada pela atriz que faz o papel de assistente da dupla de cirurgiões em Nip/Tuck). Além disso, sua irmã Deb é outro membro da família que Dexter tenta dar a devida atenção, apesar de fazer o contrário afastando-a das verdadeiras pistas que levam ao Trinity Killer.
Falemos um pouco sobre Debra Morgan. Parece que a produção da série gosta de fazer essa personagem sofrer. Se não bastasse ela ter de carregar consigo o trauma de ter namorado o principal assassino da primeira temporada, sofrer com o sequestro de seu ex-namorado na terceira, agora na quarta ela mais uma vez se decepciona profundamente. Agente Lundy, o amor de sua vida na segunda temporada, cujo retorno – mesmo aposentado – surpreendeu a todos, teve um final nada feliz ao lado de sua amada: tanto ela como Lundy levam um tiro cada um em um estacionamento, contudo apenas Deb sobrevive. E não pára por aí… Debra finalmente descobre a verdade sobre a informante e amante de seu pai Harry, Laura Moser. Ela é a mãe biológica de Dexter e, pior, do Ice Truck Killer (aquele namorado assassino da primeira temporada).
Voltemos ao Dexter. Como disse, o envolvimento entre Dexter e Trinity foi longo e vagaroso. Entendo que a aproximação de Dexter deveria ser mostrada com detalhes – e, além de tudo, com muita cautela para não causar desconfiança em Arthur -, entretando tudo isso podia muito bem ter se reduzido a, no máximo, três episódios. Os doze episódios deram a impressão de terem sido gravados em vinte e quatro, tornando o suspense cansativo e, no meu caso, a ponto de perder interesse pelo seriado (mentira, não cheguei a tanto, mas bem que deu vontade de pular algumas cenas e até alguns episódios para saber o final).
Descobrir que Arthur tem as mesmas características de Dexter, tais como ser carismático com todos e ter uma família tão feliz quanto a dele, e usá-las como disfarce para o que realmente gosta de fazer, o induz a uma pequena reflexão sobre suas atitudes, suas múltiplas facetas e o que elas acarretam como consequência na vida de quem está à sua volta. Isso não me serviu como justificativa para levar o personagem a pensar em desistir de ser o que é. Chega um momento em que você também fica compelido a acreditar que ele deve abandonar o posto de serial killer por causa da família – e em algumas ocasiões você também fica com raiva do Harry quando ele tenta convencer seu filho adotivo de que a família o atrapalha em seus planos mortais -, porém, se você se centrar nas premissas de Dexter, a família é um obstáculo sim para que ele continue com seu hobby. Nós queremos que nosso serial killer predileto seja descoberto ou, pior, se arrependa do que mais gosta? Se isso acontecer, ou a série acaba ou eu não assisto mais.
Sem querer fazer comparações com a obra original (nem deveria, aliás, pois a série é baseada no livro), mas o Dexter de Jeff Lindsay continua frio e calculista até a última página da última publicação, se aproveitando de Rita como escudo para fingir seu lado humano e, de quebra, treinar Cody e sua irmã com o código de Harry. Outro fator determinante no livro, que não é ponto de referência na adaptação para a TV, é o Dark Passenger. Em pouquíssimas vezes é citado como a escuridão que acoberta os pensamentos de Dexter (não só nessa temporada como nas anteriores), ou seja, mais um motivo para desfazer a imagem de mau que Dexter carrega consigo. Em suma: tornar Dexter um homem bom só arruinaria a sequência da série na TV.
Eis que o último episódio vem para desmistificar qualquer conclusão precipitada e derrubar qualquer cliché existente. Tudo parece perfeito demais: Dexter consegue vencer Trinity, agora um homem que não passa de uma vítima conformada com seu final (como se sua missão estivesse cumprida), as crianças se divertindo na Disney, Rita esperando seu marido para uma segunda lua-de-mel e o próprio Dexter tentando seguir seu caminho sem os chamados do Dark Passenger. Tudo perfeito demais… mas Harry estava certo (ele sempre está): Dexter é o que ele é, não há como ele mudar o que é e o que faz, é simplesmente o destino.
Tags: arthur, cody, dark passenger, debra morgan, dexter, dexter morgan, harry, ice truck killer, laura moser, quarta temporada, temporada 4, temporada quatro, trinity killer -
10/12/2009WhateverAh… Miami! Cidade do Dexter, do David Caruso e sempre lembrada por Will Smith. Miami está para os mexicanos assim como o Paraguai está para os brasileiros. A língua oficial não é inglês, não se engane. Todos os residentes ilegais farão o máximo para tentar entender seu inglês macarrônico, mas abrirão um sorriso largo e amarelo quando ouvirem seu portunhol. Se for um vendedor brasileiro então, a satisfação e o alívio de coincidirem com a mesma cultura será imensa.
Antes de tudo, gostaria de fazer um esclarecimento. O fato de estar em Tampa, apenas a uma hora de carro de Orlando, não foi motivo para me levar à Disney ou ao Universal Studios. De Tampa para Miami, com American Airlines e sem barrinha de cereal, também dá uma hora de viagem. E foi lá que eu planejei ficar meus três curtos dias de lazer.
Primeira impressão: o calor é tão insuportável quanto o de Salvador (não cheguei a ir mais longe para saber se há regiões do nordeste mais quentes). Agora os americanos estão entrando no inverno, mas nada interfere na temperatura acima de 80ºF, tanto que me recomendaram não ir no verão. Lá também é uma cidade motorizada, mas ainda assim o transporte público não deixa a desejar, apesar de ter intervalos consideravelmente demorados – não vem um atrás do outro, você senta, espera, abre o livro, lê até a metade e só depois você avista o ônibus. Há uma integração de ônibus, trem e o metromover, uma espécie de mini-vagão que circula nas imediações do centro. Olhando o mapa assusta um pouco, porém quem tem boca e fala espanhol, não se perde. Por ser recheada de veículos, o trânsito até que não é tão caótico quanto o de São Paulo, entretanto é a cidade com o seguro mais caro do estado da Flórida. O táxi tem praticamente a mesma tarifa cobrada pelos paulistanos (entre US$ 2 e US$ 2,50, dependendo da zona onde você quer chegar), então fica caro caso você não se aventure com os coletivos.
Miami não é uma cidade turística. Você vai encontrar museus, claro, mas a principal atração da cidade são os shoppings. São enormes, mas não são maiores que os próprios estacionamentos. Os poucos que visitei foram o Dadeland Mall, onde iniciei o estrago no meu cartão de crédito comprando body lotions da Bath & Body Works (tá na hora de vir para o Brasil, por favor) com promoções tentadoras dn estilo buy 3 get 2 free. Perto dali, a poucas milhas de distância, você dá de cara com a Target e a Bath Bad & Beyond, porém saí correndo enlouquecidamente quando me deparei com a Best Buy. Lá eu ultrapassei o limite da razão e do meu cartão com encomendinhas para os amigos, tais como netbook, HD externo, joguinhos de PSP, Playstation 3, Wii, pen drives e DVD duplo da Madonna.
O outro shopping, Village of Merrick Park, deve ter servido como imitação inspiração para o Cidade Jardim aqui de São Paulo. Passeando pelo shopping a céu aberto, é um desgosto constante ter de lembrar que não se vive em Miami ao ar livre. Todas as vitrines possuem um efeito especial muito interessante: parecem vidros embaçados de carro, sem contar o choque térmico que se leva ao sair do ar condicionado tão frio e confortável e enfrentar o bafo quente que brotava do chão feito forno a lenha.

E quanto à South Beach, a morada dos ricos e famosos? Fui para a Ocean Drive conhecer Miami Beach, mas a praia me decepcionou profundamente. Sim, estava nublado e tinha acabado de chover, mas isso não justificou a falta de glamour (veja foto acima; o mato não é Photoshop). Só encontrei glitter de verdade nas lojas de grife da Collins Av. e da Lincoln Road – uma pena já ter estourado meu cartão. Já adianto que não encontrei a loja do Miami Ink, mesmo tendo caminhado a Washington Av. inteirinha – tatuagens simplesmente não me apetecem. Contudo, encontrei uma loja fenomenal de CDs e LPs: Uncle Sam’s Music. Escondida, porém com o som alto e sem pudor para quem estivesse do outro lado da calçada; justo quando eu passava, acredite se quiser, estava tocando The Asteroids Galaxy Tour! Simplesmente delirei.
Miami me impressionou pelos arranha-ceus. Um maior que o outro e, quando você acha que já viu um prédio grande o suficiente, tem outro logo atrás. O centro financeiro, localizado na Brickell Av. (primeira foto desse post caliente), possuem os mais bonitos na minha opinião. No meio de tanto cimento, pude apreciar um arroz-com-feijão-e-frango disfarçado de comida mexicana no Baja Fresh, que fica na Brickell Village, um conjunto de restaurantes e algumas danceterias. E por falar em restaurantes, só tive o prazer de conhecer um bom e decente: o japonês Matsuri, também com fachada discreta em meio a várias lojas. Tão pequeno e tão cheio, mas vale cada penny, dime e quarter gasto.
Chega por hoje, amanhã tem mais. To be continued…
Tags: baja fresh, bath & bed beyond, bath & body works, best buy, collins av, dadeland, david caruso, dexter, estados unidos, EUA, fl, florida, Lincoln Road, matsuri, metromover, miami, miami beach, miami ink, ocean drive, south beach, target, united states, usa, village of merrick park, washington av, will smith -
12/11/2009Cinema e TV
A Showtime preparou uma extensão para a web bem legal do seriado Dexter. Dexter: Early Cuts é a versão em desenho animado que conta as histórias precedentes do nosso querido serial killer. A série é dividida em doze partes, porém a diferença crucial, além da animação, é a duração: entre um e dois minutos para cada episódio, sendo que os quatro primeiros capítulos narram a caça da primeira “vítima”, Alex Timmons, lá em 2003. Para fazer jus ao seriado, a voz é do próprio Michael C. Hall, ator que interpreta Dexter.
Para acompanhar a saga, acesse o site oficial. Assista a seguir o primeiro episódio (em inglês):
Tags: dexter, early cuts, michael c hall, showtime -
13/10/2009Livro
Posso dizer que depois de “Dearly Devoted Dexter” (só agora lançaram a versão nacional, que atraso!), “Dexter By Design” está entre os meus prediletos, mesmo que não tenham lá tantos títulos assim no portifólio de Jeff Lindsay.Dexter está em um marasmo só: sua lua-de-mel com Rita em Paris não está nada animadora, tendo que fingir ao máximo sua alegria com os franceses. A história, claro, mesmo longe de Miami, não poderia começar mais bizarra. O casal, abordado por uma mulher que não lhe cabia mais piercings na boca, recebe um panfleto de uma exposição de arte com o tema de Réalité. Nela, as pessoas eram guiadas por um vídeo com sequência de fotos mostrando uma mulher -- se for muito sensível ou tiver nojo, pule para o próximo parágrafo -- decepando a própria perna com uma serra de mesa. Logo o companheiro inseparável de Dexter, Dark Passenger, se anima e dá seus assobios, antecipando momentos de admiração pela veracidade das imagens que Rita e o resto do público negavam em acreditar: a mesma mulher que serrilhou parte do seu corpo aparece ao vivo e a cores logo após a apresentação do vídeo.
Pode parecer mais do que esquisito ou de mau gosto a premissa do livro -- algo como para chocar seus leitores sem necessidade -, porém devemos levar em conta que o personagem principal é um serial killer esquartejador de assassinos (de acordo com o código de Harry, senão ele mataria quando e quem ficasse com vontade). Com isso, não é de se espantar que o próximo inimigo de Dexter seja um tanto extravagante. De volta à Miami e à rotina de seu trabalho, Dexter se depara com uma cena incomum: os corpos de dois turistas são encontrados, ambos com uma máscara sorridente de plástico aparentemente grudada com cola no rosto. Até aí nada de anormal, se não fosse pelo fato de o assassino ter aberto a barriga de cada vítima, removido todos os órgãos com cuidado (o qué um bom começo, de acordo com Dexter) e preenchido o espaço com cesta de frutas tropicais, par de óculos, protetor solar, equipamento de mergulho, repelente e um pequeno prato de pasteles. Uma verdadeira obra de arte.
Nem preciso dizer que não é o único caso desse assassino que, a princípio, tem como objetivo prejudicar o turismo local. Outros corpos são encontrados devidamente ornamentados com o mais refinado gosto artístico e contemporâneo. Descobrir, aliás, quem é o assassino é o que menos importa na história (na verdade ele não demora muito para ser revelado); o mais legal e angustiante é ver que Dexter mais uma vez se torna displicente com seu hobby. Devido a um incidente com sua irmã Debra, Morgan se guia por impulsos involuntários -- aqui eu me pergunto se ele realmente não tem sentimentos, como sempre enfatizou desde o primeiro livro -- e comete sua primeira imprudência. Sim, a primeira que desencadeia alguns outros deslizes, o que obviamente chama a atenção de ninguém mais do que o FBI. Se não bastasse a vigilância constante de Doakes, mesmo com sua limitação física e verbal, um outro personagem aparece para atrapalhar os planos de disfarce de Dexter: Coulter, o novo companheiro de investigação de sua irmã. De quebra, ele ainda tem de conciliar sua vida de recém-casado e lidar com as preocupações superficiais de Rita como mãe. Agora oficialmente como pai, mesmo que seja o segundo, de Astor e Cody, Dexter tenta dar continuidade ao treinamento iniciado em “Dexter In The Dark” para seus pupilos.
O final me pareceu muito repentino, resolvido de uma maneira rápida e sem muitas complicações. Mesmo com muitos pontos para acertar, Lindsay consegue se sobressair sem pecar com os detalhes -- já deu para perceber que ele não é muito atento, não por descuido, mas para dar vazão mais fácil ao enredo. As desconfianças que nasceram em vários personagens em torno da verdadeira identidade de Dexter é que não me convenceram muito: deu a impressão de que as pessoas são ligeiramente inocentes a ponto de acreditar no que o nosso adorável assassino diz ao tentar se justificar -- muitas das vezes sem sucesso. Pensando por outro lado, se essa desconfiança toda vem à tona e faz com que a máscara de bom menino caia sem rodeios, não há mais sentido em continuar com a série, seja nos livros ou na própria TV.
Agora teremos de esperar até 2011 para a próxima edição: “Dexter Is Delicious”, cujo tema central será sobre canibalismo:
Tags: astor, cody, dexter, dexter by design, dexter is delicious, doakes, França, jeff lindsay, paris, rita, the dark passenger -
24/06/2009Cinema e TVEssa deveria ir direto para o Fail Blog. O canal Showtime, responsável por séries famosas – e até controversas, se assim posso dizer – como Dexter, Californication e Weeds, deixou a desejar na divulgação. Exemplo claro disso foi a ação tomada pelo canal ao restringir qualquer pessoa em divulgar imagens promocionais da quarta temporada do meu serial killer favorito sem autorização. Fabiana do Rockerspace.net recebeu a notificação e ficou indignada.
Quem não ficaria? Desde quando material promocional – vamos procurar no dicionário a palavra promoção – não pode ser distribuído? Atitudes como essa provam o medo exarcebado que algumas empresas têm em perder negócios. A internet não deve ser vista como uma ameaça e sim como um avanço na forma de comunicar, seja através da TV, do rádio ou do papel. Enquanto a Showtime faz propaganda para conseguir mais assinaturas, a CBS sai na frente disponibilizando seriados com episódios na íntegra (alguém a fim de assistir CSI?).
–
[follow the links above; that's piece of cake]
This one should go straight to Fail Blog. The TV channel Showtime, responsible for broadcasting famous series – and even controversial, if I say so – such as Dexter, Californication and Weeds, has let us down on ther advertising. A clear example of that was the procedure taken by the channel by restricting any person from promoting teaser material from my favorite serial killer’s fourth season without permission. Fabiana from Rockerspace.net received a notification from them and she was filled with indignation.
Who wouldn’t be? Since when a promotional material – let’s look up the dictionary the word promotion – cannot be spread out? Attitudes like that prove the overdone fear which some companies have on losing their businesses. Internet is not supposed to be seen as a threat, it’s supposed to be seen as a progress in the way of communications, be it through TV, radio or printing. While Showtime advertises for getting more orders, CBS goes one step forward letting series available online along with full episodes (does anybody want to wach CSI?).
Tags: cbs, dexter, showtime -


































Falou e disse