Zé Offline

Música. Cinema. Livros. Whatever.
  • scissors
    23/02/2010Música

    Há projetos que deveriam ter algum tipo de continuidade, mas ficam só na esperança de quem curte o som. É o caso de Weekend Players, encabeçado pelo Andy Cato do Groove Armada e Rachel Foster, cujo sotaque britânico dá o charme às músicas.

    Com muita influência do esquecido house dançante do final dos anos 90, o primeiro e até então único trabalho da dupla, “Pursuit Of Happiness” (2003), também se destaca pelas melodias típicas de downtempo, o que não deixa de ser referência do que o Groove Armada costumava tocar no começo de carreira. Minhas preferidas são 21st Century e Jericho, mas vale a pena escutar até a última faixa. Confira a seguir o vídeo do single Into The Sun:

    Tags: , , , , , , ,
  • scissors
    02/10/2009Música

    Zero 7

    Gostaria muito de saber o que aconteceu com o  Zero 7 em seu quarto álbum, lançado essa semana no Reino Unido e Estados Unidos – como se o lugar fizesse diferença para conseguir ouvi-lo. Sam Hardaker e Henry Binns, desde o disco de estréia “Simple Things” (2001), produzem músicas instrumentais dóceis, de vez em quando com a ajuda singela de alguns beats eletrônicos. Os vocais femininos de Sophie Barker e, principalmente, Sia também complementam a atmosfera pacífica e lounge do trabalho deles. Em “The Garden” (2006) é que percebi uma mudança sutil no estilo calmo do Zero 7 tocar suas canções: elas estavam mais agitadas, porém sem perder a compostura – a voz do cantor folk José Gonzalez até que combina nas faixas em que participa.

    Agora, em “Yeah Ghost”, a dupla pareceu desbancar e fazer definitivamente a perturbadora fusão eletrônica. Sim, perturbadora porque não me agradou ouvir a introdução barulhenta de Count Me Out, seguida dos gemidinhos pop de Mr. Mcgee (apesar da cantora Eska ter usado bem o soul em sua voz, não combinou com a melodia). Swing e Pop Art Blue talvez sejam as únicas a serem descartadas de tantas esquisitices: suaves e angelicais. O primeiro single Medicine Man também não convence. Ghost Symbol e Sleeper atingem o pico de batidas desajustadas, tornando-as rejeitadas pelos meus ouvidos. Fiquei decepcionado, mas quem sabe eles resolvem voltar às origens. Aí sim eu volto a ficar satisfeito.

    Tags: , , , , , , , , , , , , ,
  • Bonobo

    1
    scissors
    14/09/2009Música

    Bonobo

    Depois de tanto tempo escutando sons mais agitados e pesados, hoje me vejo uma pessoa mais tranqüila e que prefere muito mais uma melodia ao estilo after hours. Seja lounge, chill out, downtempo ou música de lobby de hotel. Não importa o nome, o que importa é que de uns tempos para cá só tenho ouvidos para esse gênero.

    Bonobo é um belo exemplo dessa linha melódica que, às vezes, é puramente eletrônica e tem o auxílio de certos arranjos instrumentais e, outras vezes, é extremamente instrumental e conta com a ajuda de alguns elementos eletrônicos. Simon Green – seu verdadeiro nome – sempre gostou de experimentar vários instrumentos (flauta, saxofone, guitarra, violão) em suas faixas, brincando com eles aleatoriamente entre uma nota eletrônica e outra.

    Nesse terceiro disco, “Days To Come”, tive a impressão de que ele quis algo muito mais instrumentalista. Além dos vocais graves de Bajka em algumas canções – o que ele não tinha arriscado nos dois primeiros trabalhos -, Bonobo pareceu revezar entre os improvisos do jazz contemporâneo e as batidas rápidas e fortes do soul. Para tanto, dou meu palpite de que ele sofreu considerável influência do Cinematic Orchestra (quando ouvi Transmission94 (Parts 1 & 2), logo pensei que fosse uma participação especial do grupo) e até do Lamb (Walk In The Sky tem um violoncelo tocado quase que igualmente pela dupla de trip-hop).

    Por mais que não tenha influência de ninguém, o homem-macaco (trocadilho infame: bonobo, em inglês, é uma espécie de chipanzé) deu suas piruetas e conseguiu fazer um disco diferente, mas sem perder sua identidade do começo da carreira.

    Tags: , , , , , , ,
  • scissors
    03/07/2009Música

    Se a sensação do momento é o electro nauseante e insistente, carregado nas costas de cantoras-revelação como La Roux e Little Boots, eu prefiro ficar com a Adrianne Verhoeven, mais conhecida como Dri. Não, ela não toca electro, mas se arriscou com elegância em um som eletrônico lo-fi, beirando o downtempo e se esbarrando no R&B.

    Proveniente de bandas da cena folk rock do Kansas como The Anniversary e Fourth Of July, além de ainda fazer parte do grupo indie Art In Manila (junto com Orenda Fink, ex-parceira de Maria Taylor no extinto Azure Ray), não dá para saber de onde Dri tirou suas influências musicais. Não que isso seja um ponto negativo, muito pelo contrário.

    O álbum de estréia “Smoke Rings” revela referências de funk e hip-hop, todas elas emaranhadas em samples que servem de base para as melodias de Dri. Não tive como não lembrar de The Avalanches quando ouvi Don’t Wait e What’s Real, as mais baladinhas do disco; Free Tonight, confesso, foi a que menos gostei, mas é perfeita para um aquecimento na pista de dança; em Two Are One, Dri abre o repertório em estado de transe; Hot As Hades tem uma sequência rítmica contagiante, mesmo sem chegar nos dois minutos; Goodnight, Baby embala com a batida forte, porém é apenas um prelúdio para a última faixa que leva o nome do álbum -- quase uma canção de ninar.

    Confira o vídeo de You Know I Tried, uma das minhas prediletas:

    Confira as versões que Dri gravou para o Daytrotter Sessions: muito soul na veia.

    Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
  • scissors
    03/06/2009Música

    Kato

    Peguei The 39Steps para ouvir aleatoriamente. Pode ter sido a capa do disco que me chamou a atenção -- apesar de sempre ter algum link para testar a música. Os poucos gêneros que definem a produção guiada por Kato e o vocal de Laura Fowles, downtempo e eletrônica, podem ser facilmente traduzidos para o tão chamado trip-hop.  A breve descrição que ele dá no perfil do MySpace prediz o estilo musical do dueto:

    Holding onto something that was nothing in a dream….the universe of The 39Steps is calling. Scratchy horns and spring pianos, red reverbs and talk of ghosts- the details are sketchy but you know what they are saying.

    Honestamente, não me supreendeu muito, mesmo lendo a biografia de adjetivos criativos que descrevem a trajetória deles.  As primeiras faixas tentam seguir aquele mesmo clima mórbido e nebuloso do trip-hop, valendo-se de batidas profundas, vocais tensos e melodias de poucas e simples notas, porém até o final parece um remake do que já foi visto há dez, quase vinte anos. Nenhuma novidade.

    Confira o vídeo de Coming Clean, primeiro single do álbum de estréia de mesmo título:

    Tags: , , , , , ,
  • Flunk

    1
    scissors
    27/05/2009Música

    Flunk

    Para quem olha a foto pode pensar -- ainda mais quando já se sabe qual são as preferências de quem escreve -- que a banda é da Suécia. Quase lá: Noruega. Não lembro exatamente como e quando Flunk veio até mim. Talvez alguma relação de estilos musicais tenha encurtado o caminho.

    A banda começou no começo de 2000, quando o quarteto se juntava em sessions -- sem compromisso e com muita diversão -, cujas músicas não passavam de projetos instrumentais com samples e vocais soltos. Eles conseguiram assinar contrato com uma gravadora local e logo se destacaram com o cover do New Order, Blue Monday. Não foi o único cover que eles fizeram, mas foi o que deu um empurrãozinho na carreira da banda: a música foi usada, para variar, em várias coletâneas, seriados e filmes.

    O álbum de estréia, “For Sleepyheads Only” (2002), tem exatamente esse propósito: levar o ouvinte para uma galáxia bem distante e isolá-lo de qualquer perturbação que se faça ameaça. O repertório possui elementos do downtempo, batidas dispersas -- posso fazer referência ao dubstep? -, muitos samples e versos jogados porém angelicais, graças à voz infantil de  Anja, na época incerta quanto ao seu futuro de vocalista e líder do Flunk. É claro que os efeitos eletrônicos são apenas a base para construir a sonoridade sonhadora dos noruegueses: guitarra, violão, bateria e baixo são essenciais e transparentes desde o primeiro trabalho.

    O segundo disco, “Morning Star” (2004), agora com todos seus integrantes já firmados, traz um Flunk mais alegre e com alguns dedinhos no pop. Faixas como Morning Star, On My Balcony e Play (essa foi usada na trilha da extinta série The O.C.) provam a docilidade celestial de Anja. O violão tem mais peso na maioria das melodias, entretanto resquícios lo-fi podem ser encontrados, como em Six-Seven Times e Probably (minhas prediletas, aliás). Durante uma mini-turnê nos Estados Unidos, nasceu o cover -- bem melhor do que a original, que me desculpem os fãs -- de See You, do Depeche Mode, que mais tarde faria parte do terceiro trabalho da banda.

    “Personal Stereo” (2007) é o melhor de todos, na minha opinião, a começar pela faixa-título: The One I Love, do R.E.M., serviu de inspiração para compor a letra. Aqui eles atingiram sua maturidade musical, como se tivessem encontrado sua identidade e o equilíbrio entre os samples, os beats e o a bateria, sem alterar obviamente a voz de menina de Anja. Desde as faixas mais fáceis de escutar, como Heavenly e Two Icicles (Change My Ways parece uma versão acústica), até as mais difíceis (demorei para me acostumar com as batidas severas de Keep On e os acordes arranhados de guitarra de If We Kiss). O mais legal de tudo foi Flunk ter liberado algumas faixas no site oficial para um concurso de remixes. Os ganhadores tiveram seu mérito reconhecido em uma compilação entitulada “Democracy”, lançada no mesmo ano.

    Pausa blasé: eles colocaram meus dois remixes nessa coletânea; clique aqui e faça o download gratuito de todas as versões ganhadoras -- mas primeiro, as minhas: If We Kiss (Zee’s Chillin’ Remix) e Diet Of Water And Love (Zee’s Remix).

    O ano de 2008, mesmo com alguns projetos solo de Anja em paralelo, Flunk se reuniu para produzir “This Is What You Get”, lançado agora em maio desse ano. O álbum ainda é um experimento para meus ouvidos. Tem um pouco de cada época do quarteto: o downtempo escondido no interlúdio de Dying To See You, o dubstep se esquivando em Stain e Cardboard Rebel, o pop meloso em Cigarrette Burns, a bateria e a guitarra a todo vapor em Ride, os poucos versos espalhados ecoando em Speedskating, as batidas pesadas e estrondosas em Shoreline, o violão simples e acústico em Down e, só para não desacostumar, mais um cover -- o mais inusitado e diferente de todos -- para finalizar o repertório: Karma Police, do Radiohead. Ouça o álbum na íntegra na página do Last.fm.

    Bônus: faça o download de Silent Night, gravado -- claro! -- no Natal do ano passado. Você também pode ouvir por inteiro o primeiro disco do Flunk lá no Last.fm.

    Blue Monday (New Order cover)

    Six-Seven Times

    On My Balcony

    Tags: , , , , , , , , , , , , , ,
  • scissors
    13/05/2009Música

    Marc=George AndersenSteffen Aaskoven
    Na verdade, só conheço o Bliss por causa das participações especiais da Sophie Barker, cujos vocais ficaram conhecidos nos primeiros álbuns do Zero 7 e duas faixas do Groove Armada (Your Song e Inside My Mind, ambos do último trabalho decente que eles fizeram, “Vertigo”).

    “No One Built This Moment” já é o quarto trabalho do quarteto liderado pela dupla Marc-George Andersen e Steffen Aaskoven. Sophie colaborou em três singles do disco anterior “Quiet Letters” (2003): Breathe, Don’t Look Back e Right Here; agora ela emprestou sua voz para a maioria do repertório do disco. Talvez o destaque se dê pela participação do oitentista Boy George no single American Heart, entretanto uma outra artista me chamou a atenção: Ane Brun.

    A musicalidade do Bliss está mais para world music – no que diz respeito a todas aquelas músicas inspiradas na cultura de cada comunidade ou país – do que a música eletrônica propriamente dita. As referências de downtempo ou chillout servem mais como uma máscara para dar ênfase no âmbito comercial: suas músicas já foram utilizadas na campanha da DKNY, episódios do CSI e na trilha sonora do filme “Sex And The City”. Trilhas, aliás, devem ser o hobby preferido deles. Entre os amigos do MySpace estão Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e Quentin Tarantino, além de músicos compositores conhecidos como Enio Morricone e Craig Armstrong.

    Independente disso, o estilo de tocar do Bliss é bonito, além de transmitir um clima bem pacífico para a mente: melodias tranquilas e vocais serenos. É para ouvir e relaxar o corpo.

    Calling (feat. Sophie Barker)

    Trust In Your Love (feat. Ane Brun)

    American Heart (feat. Boy George)

    People Among Us

    Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
  • scissors
    10/02/2009Música

    Tosca
    Richard Dorfmeister, que sempre produziu músicas chillout com maestria ao lado de Peter Kruder – a dupla dinâmica K&D -, volta com mais um álbum inédito de seu projeto paralelo com o austríaco Rupert Huber, Tosca*. (não vou admitir piadinhas por causa do nome)

    O downtempo predomina todas as faixas dos quatro discos lançados até hoje, sendo que o dub vira brincadeira de criança na mão da dupla. Ouça aos principais singles (F*** Dub, Chocolate Elvis, Honey) e você vai entender o que quero dizer.

    Ano passado eles lançaram o single Brian Emely, mas não botei muita fé. Tanto no MySpace como no site oficial da G-Stone Recordings – um ótimo exemplo de web 2.0, por sinal – não consta mais detalhes sobre o novo disco, intitulado “No Hassle”. Bisbilhotei o site e o MySpace da !K7 Records, mas sem sucesso também.

    Na verdade, fiquei sabendo da novidade por aqui, e fazendo uma consulta mais aprofundada no Sr. Google, descobri esse suposto site (muito suspeito e muito simples). As poucas resenhas que encontrei por aí, todas de blogs, dizem que o novo trabalho traduz a filosofia de vida de Dorfmeister e Huber. Que seja uma experiência de vida, mas que tenha a mesma qualidade musical.

    *A !K7 criou um perfil do MySpace deles por causa de um álbum só. Frescura ou disputa? Vai entender…

    Tags: , , , , , , , , , , , , ,
  • scissors
    09/01/2009Música

    O título do site oficial de Nicola Hitchcock já anuncia de onde ela é mais conhecida: a voz de Mandalay, extinto dueto de downtempo (ou, se preferir, de trip-hop, apesar de ter poucos elementos para se fazer tal referência) que se destacou no final da década de 90. Apesar de terem produzido apenas dois álbuns, “Empathy” (1998) e “Instict” (2000), a dupla formada com Saul Freeman ficou conhecida pela voz sussurrante, sonolenta e trêmula de Nicola. Várias músicas do Mandalay fizeram parte de trilhas sonoras de seriados, porém o single Beautiful é que reinou as rádios européias (os Estados Unidos só conheceram a dupla com o lançamento de um álbum cujo repertório mistura faixas dos dois discos, “Solace”), assim como várias coletâneas de música eletrônica, incluindo o famoso Café Del Mar.

    Nicola despertou interesse em vários artistas, desde os mais alternativos, como Hector Zazou, até os mais pops, como DJ Tiesto, o que rendeu à cantora britânica colaborações paralelas ao Mandalay. Algumas dessas participações especiais foram compiladas em seu segundo álbum solo, sob o estranho título “Passive Agressive” (2005) – o disco de estréia dela foi em 1993, muito antes de ela imaginar que iria fazer esse tipo de sucesso, e cujas músicas em nada lembram seu lado eletrônico. Ouvindo faixa por faixa, dá a impressão de que é mais um trabalho do Mandalay: as mesmas batidas fracas e ecoadas, acompanhadas pela voz aguda de Hitchcock.

    Por enquanto, Nicola não tem novidades, tanto no seu site como em seu MySpace. É isso aí, estamos aguardando notícias. ;)

    Tags: , , , , , , , , ,
  • scissors
    04/01/2009Música

    Natalie Walker era vocalista de um extinto grupo de trip-hop chamado Daughter Darling. Eles renderam um álbum apenas e logo a norte-americana resolveu seguir adiante em carreira solo. Seu primeiro trabalho, “Urban Angel” (2006), mostra relativa mudança, tanto em relação com sua ex-banda como com o estilo musical.

    Suas músicas são mais intimistas, um pouco dramáticas até, mas de muito bom gosto para quem as escuta pela primeira. Entretanto, no segundo disco “With You” (2008), ela pecou ao se entregar ao pop melódico e sem identidade. O single de estréia Crush – que não está incluído no repertório desse último lançamento – foi um aviso de antemão para duvidar da competência de Natalie. Os próximos singles, Over & Under e Pink Neon comprovaram definitivamente que ela errou na receita do bolo, pelo menos dessa vez.

    Talvez o estrelismo precipitado tenha subido à cabeça – se ela ainda tivesse assinado com uma gravadora famosa, mas nem isso -, o que de alguma maneira influenciou diretamente seu trabalho musical. Vamos aguardar o próximo disco, quem sabe Natalie perceba que suas raízes ainda estão fincadas no downtempo e no trip-hop e, assim, consiga deixar o pop descartável bem longe de suas idéias.

    Tags: , , , , , , , ,
  • « Posts mais velhinhos

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline
SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline