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Retrô 2012 [Parte 1]

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Já era hora. Revistas, sites e blogs especializados em música já divulgaram suas listas de melhores álbuns do ano – mas não espere encontrar a maioria desses indicados aqui no blog. Como eu continuo um rapaz humilde, resolvi fazer uma retrospectiva para 2012 bem singela, trazendo à tona tudo o que apareceu de bom (e nem tão bom assim). O ano, na verdade, foi pobre de lançamentos memoráveis, mas pelo menos rendeu três partes do retrozão.

01. El Perro Del Mar: Walk On By
02. Porcelain Raft: Unless You Speak From Your Heart
03. Paul Banks: The Base
04. Letting Up Despite Great Faults: Visions
05. Stumbleine: Fade Into You (feat. Steffaloo)
06. Garbage: Control
07. Blackbird Blackbird: All
08. IO Echo: When The Lillies Die
09. Melody’s Echo Chamber: Crystallized
10. Beth Orton: Magpie
11. Cat Power: Cherokee
12. Clare Bowditch: You Make Me Happy

El Perro Del Mar: Pale Fire

El Perro Del Mar

Já esperava que El Perro Del Mar, codinome para a sueca Sarah Assbring, experimentaria novos recursos e arranjos para o seu novo trabalho “Pale Fire”. Já tinha sido assim com o mini-álbum “Love Is Not Pop”, quando ela abandonou de vez a simplicidade do folk dos dois primeiros discos.

O que me assustou, na verdade, foram duas faixas lançadas (Innocence Is Sense e What Do You Expect) um pouco antes de anunciar esse novo repertório. Com influências diretas do IDM e do chillwave, Sarah se infiltrou em um beco sem saída  cuja nova personalidade em nada combinou com sua estética musical. Para os fãs da conterrânea Jonna Lee, nome responsável pelo projeto enigmático iamamiwhoami, talvez a semelhança renda alguma simpatia. Felizmente, ambas ficaram de fora do novo álbum.

É evidente que Assbring voltou vinte anos no tempo para resgatar os beats e loops daquela época, fazendo da maioria das canções um verdadeiro hino ao pop (que, diga-se de passagem, me agradou bastante; eu ainda sou um saudosista fervoroso dos anos 90). O primeiro single Walk On By, como a própria cantora ressaltou, é uma nostalgia, o que se prova tanto na construção da melodia quanto na produção do vídeo, abusando de cores extravagantes e efeitos especiais bem primitivos.

Arrisco dizer que El Perro Del Mar também se cercou do novo estilo obscuro adotado pela amiga Lykke Li, do seu mais recente álbum “Wounded Rhymes”. É só ouvir Hold Off The Dawn e começar a reconhecer as similaridades. A única exceção de tantos ritmos, entretanto, é Love In Vain, cuja introdução finca os dedos no dub, mas que ligeiramente volta a ter as características de Sarah.

El Perro Del Mar: Love Is Not Pop

El Perro Del Mar

Quase pensei em escrever esse post só por causa dessa capa. Achei a jaquetinha tão moderna, o contraste do preto e branco gritando na camiseta xadrez – achei chic. Está bem fora do que El Perro Del Mar costuma mostrar, inclusive em suas próprias músicas. Agora a sueca está armada com muito mais instrumentos, visto que ela teve ajuda na produção: o nome do cara é Rasmus Hägg, do dueto experimental Studio, cujas semelhanças musicais são evidentes. Você pode sentir a diferença com o primeiro single Change Of Heart lá no MySpace dela. A voz feito seda continua a mesma, entretanto os arranjos parecem dar mais espaço para o tom quase definhado de Sarah Assbring.

O repertório é pequeno, conta somente com sete faixas, mas mesmo assim compensa o novo trabalho. O que me espantou foi o curto intervalo que ela deu entre os lançamentos de “Love Is Not Pop” e “From The Valley To The Stars”, do ano passado. Devo estar tão acostumado com espaços de dois ou três anos que, quando me deparo com novidades repentinas como essa, não me dou conta de que um ano também é um bom tempo de pausa.

P.S. 1: será que Sarah se inspirou nessa capa? Foi a primeira que me veio na cabeça.

P.S. 2: e por falar em jaquetinhas

El Perro Del Mar

El Perro Del Mar

É claro que El Perro Del Mar não passa de um nome artístico. Apesar do título ser em espanhol (cachorro do mar), a líder Sarah Assbring é sueca. Ela começou a divulgar seu trabalho em MP3 mesmo (fitas demo, será que ainda existem?). Seu primeiro EP oficial “What’s New? El Perro Del Mar” foi lançado em 2004, mas só em 2006 saiu o álbum por completo, intitulado “Look! It’s El Perro Del Mar!” (convenhamos que faltou um pouco de criatividade para dar um nome decente aos seus discos, mas isso não vem ao caso).

Suas canções, mesmo sendo simples nos arranjos, possuem uma sutileza que condiz com a delicadeza de Sarah e a nostalgia que ela transmite com suas fotos fora de época. Sua voz parece sair dos acordes do violão, o que não precisaria de outro instrumento para complementar as melodias. As letras parecem colocar em pauta ligeiros conflitos internos (percebi que às vezes ela nunca sabe o que está acontecendo ao redor dela), mas que no final tudo volta a ser como era antes (sem as complicações, claro):

I can’t understand people

And I guess that’s alright
I guess that’s alright
‘Cause they can’t understand me
They can’t understand me

El Perro Del Mar recebeu poucas críticas da mídia, mas nem por isso ela deixa de ser conhecida. Agora em 2008 ela está esteve em turnê pela Europa (dei uma bisbilhotada no MySpace dela) e já avisou que está ocupada produzindo o terceiro álbum. Por falar em turnê, não é só Europa e América do Norte que merecem visita de artistas alternativos como ela. Brasil também entrou na lista de shows no ano passado, graças ao projeto Invasão Sueca. Enquanto não sai nada de novo, aproveite para conhecer o segundo álbum da sueca, “From The Valley To The Stars”.