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    12/05/2009Música

    My Toys Like Me

    Peguei por acaso para ouvir My Toys Like Me, quarteto londrino que toca um electro meio estranho. Achei estranho o descompasso entre a melodia rápida dos sintetizadores e a voz fina e aparentemente fina da vocalista Frances Noon. A primeira faixa Superpowers do disco de estréia, “Where We Are” (lançaram semana passada; fresquinho, fresquinho) é rápida demais para meus ouvidos, tanto que me assustou um pouco. A música seguinte e também primeiro single, Sick Couple, baixou um pouco a bola e reverteu minha opinião em relação a eles – é a minha preferida até agora.

    A impressão é de que o vai-e-vem entre a agitação e a calmaria não vai parar nunca mais, mas depois de Barnaby (insuportável de ouvir várias vezes, admito), o repertório segue a linha mais grave das batidas e às vezes do minimal house (será que é por isso que eles têm o Herbert como amigo no MySpace?). O estilo musical do grupo é muito parecido com os poloneses do Öszibarack, mas se tivesse que escolher, ficaria com a segunda opção. ;)

    Quiet Please

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    27/03/2009Música

    A semana tá corrida, mas ainda dá tempo de comentar sobre as novidades:

    PJ Harvey & John Parish: não curto o som dela, assim como não curto ela também. Polly Jean renovou sua parceria com John Parish esse ano com “A Woman A Man Walked By”, depois de mais dez anos do lançamento de “Dance Hall at Louse Point” (1996). Como só gosto do “White Chalk” (e nunca fiz questão de ouvir mais nada além disso), pode ser um pouco improvável que eu aprecie alguma coisa agora. O primeiro single Black Hearted Love até que é interessante, mas tenho que ouvir tudo para não tirar conclusões precipitadas.

    Archive: depois do último álbum gravado ao vivo, a banda de trip-hop/rock volta com “Controlling Crowds”, junto com o lançamento do primeiro single Bullets. Vai correndo lá no MySpace que eles disponibilizaram o playlist do disco na íntegra. O estilo é o mesmo: certas faixas têm aquela introdução que parece nunca acabar, mas que mesmo assim hipnotiza do começo ao fim. Achei bem mais tranquilo – não é exatamente essa palavra – em relação ao último trabalho de estúdio “Lights” (2006), apesar de ter notado algumas influências hip-hop, como em Razed To The Ground. Posso até estar equivocado, mas o piano logo no início de Words On Signs é praticamente uma homenagem à Rabbit In Your Headlights do Unkle.

    Glen Johnson: vocalista, líder e fundador da ótima banda de ambient-post-whatever rock Piano Magic, Glen lança ainda no final desse mês seu disco solo “Details Not Recorded”. Apesar de estar sozinho, a inlfuência obscura de seu grupo é evidente. Contudo, está longe de ser um defeito querer se inspirar em sua própria criação musical. Outra integrante que também entrou em projeto paralelo foi Klima (seu verdadeiro nome é Angele David-Guillou), cujas músicas em nada têm a ver com Piano Magic mas que são tão boas quanto. Vale a pena conferir também.

    Au Revoir Simone: olha quem está de volta! Pensei que as meninas não iam mais voltar (aliás, jurava que eram quatro). O terceiro álbum do trio norte-americano está para sair em abril, cujo título “Still Night, Still Light” deve manter – acho eu – o mesmo pop-electro  alegre e saltitante dos outros discos. Quem quiser, pode segui-las no Twitter: @goodbyesimone. Tem algumas músicas inéditas nessa sessão acústica.

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    25/03/2009Música

    Saiu o disco “Junior” essa semana do Röyksopp. De primeira, não gostei nem um pouco. Aquele lance de ficar produzindo electro só porque tá em voga no mundo inteiro já encheu o meu saco. E, para quem já escutou os outros álbuns da dupla, “Melody A.M.” e “The Understanding”, vai entender direitinho o que eu estou falando.

    Não tem nem como comparar com os trabalhos anteriores. O som é muito diferente e, diga-se de passagem, bem dance music, daquelas que fica tocando nessas rádios pop. O primeiro single Happy Up Here me deixou com um fio de expectativa por ser exatamente a cara dos noruegueses. É só pular para a faixa seguinte, The Girl And The Robot, que o mundo desaba na decepção. O loop infindável de sintetizadores no fundo irrita um pouco. Talvez a voz de Robyn (ela ainda existe?) ajude a tornar a música mais agradável, mas o loop continua martelando na cabeça e me faz passar para a próxima. As melodias mais calmas do álbum, como You Don’t Have A Clue e Miss It So Much, cantadas respectivamente por Anneli Drecker e Lykke Li, aliviam meu arrependimento; a voz pura e sem efeitos distorcidos mantém a doçura de cada uma delas.

    Röyksopp tentou repetir o sucesso garantido de What Else Is There -- que, aliás, tocou sem parar em várias rádios daqui  não entendo por quê -- convidando a mesma cantora, Karin Dreijer (sim, é ela mesma, a vocalista do The Knife que resolveu se jogar sozinha no projeto insuportável Fever Ray), em duas faixas, This Must Be It e Tricky Tricky. Ambas possuem um tom crescente na voz de Karin, tornando s melodias mais animadoras do que o esperado. Silver Cruiser e Royksopp Forever, apesar de serem instrumentais, são as faixas que abrem exceção ao repertório do disco, dignas de melodias chillout.

    Confira o novo clipe:

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    09/03/2009Música

    herculesandloveaffairOuvi e não gostei. Fiquei curioso por ter Antony no meio, mas nem isso ajudou. O projeto Hercules And Love Affair, idealizado pelo DJ e produtor Andrew Butler, tenta misturar em suas músicas o elemento disco dos anos 70, porém a receita sai queimada do forno. A nostalgia se perdeu feito cego em tiroteio entre as tantas batidinhas típicas do electro e seus sintetizadores. A primeira faixa, Time Will, até dá uma faísca de esperança de que o repertório se sobressaia como uma “disco revolution”. Hercule’s Theme é a que mais remete ao glitter exagerado daquela década, porém o vocal irrita por causa de seus grunhidos intermitentes. O single de estréia, Blind, tenta contornar a situação e não consegue. O último single You Belong me fez convencer que Felix Da Housecat dá de dez a zero neles – parece que eles tentaram adicionar algum efeito house dos anos 80 e saiu isso. Nomi, a vocalista, também não me despertou interesse algum. Se ela pelo menos cantasse em um ritmo mais acelerado e empolgado do que em Iris e Athene, quem sabe eu mudava de idéia. A música mais chata de todas fica a encargo de  This Is My Love, uma melodia que fere os ouvidos por não entrar em sintonia com os vocais. Assista ao vídeo para ver se você gosta mesmo assim:

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    17/02/2009Música

    Paul's SetFlickr de Dan McPharlin: Miniatures

    Tenho a leve impressão de que os recentes artistas da música eletrônica – quando digo recente, quero dizer de 2000 até hoje – estão transformando seus trabalhos em verdadeiros e pobres clichês. Não sei bem por onde começar, quem sabe pelo electro. Lembro perfeitamente bem de como adorava – ainda gosto, aliás – escutar os primeiros álbuns ecléticos do Chicks On Speed ou do Ladytron e curtir o clima retrô do Felix Da Housecat. Alguém me indica uma boa banda de electro sem ser ou que tenha qualquer semelhança com o Hot Chip? (eles são deploráveis)

    De uns anos para cá, tenho seguido artistas que conseguem criar sem esforços a própria identidade musical, tais como Air, Bent, Télépopmusik, Röyksopp, Bonobo e até Matthew Herbert (esse último puxa mais para o jazz, mas entra na roda). Outros mais descolados da cena alternativa, como The Avalanches, DJ Shadow e Wax Tailor, também conseguiram erguer seu mérito com a brincadeira incansável de construir músicas à base de samples de filmes. Produtores cuja discografia não sigo com tanta fidelidade, como Nightmares On Wax, Soulwax e The Herbaliser, se destacam pelas suas ótimas influências do funk e do soul – apesar de curtirem bastante um hip-hop.

    Artistas mais antigos e mais conhecidos, como The Chemical Brothers, Basement Jaxx, Groove Armada, Fatboy Slim e Daft Punk, a cada ano escorregam feio na falta de criatividade. Alguns tentam causar polêmica com videoclipes que só servem para deixar a música em segundo plano (já que ela sozinha não faz a menor diferença). Adivinha de quem estou falando? Do Justice, claro.

    Posso estar muito exigente – será que a idade faz isso conosco, nos deixando mais rabugentos e menos abertos a novidades? -, posso não querer dar oportunidade para bandas relativamente novas como Cut Copy, Empire Of The Sun (que capa é essa, minha gente?), Simian Mobile Disco, MSTRKRFT (Masterkraft, para quem como eu não decifrou as siglas), Miami Horror (a inspiração setentista me assustou um pouco), Hercules And Love Affair (é com o Antony, por acaso?), e tantas outras que aparecem do nada… mas sempre que penso na possibilidade de experimentar um novo som, esbarro naquele obstáculo lá do começo: verdadeiros e pobres clichês. Acho que eles estão precisando ter umas boas aulas com os vovôs do Kraftwerk. Isso sim é música eletrônica autêntica.

    E esse tal de MGMT? O que eles tocam de bom, hein? (brincadeirinha, é só para irritar os fãs… rs!)

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    31/12/2008Música

    Faz um bom tempo que eu perdi o interesse pelo electro. Há quase dez anos que esse movimento da música eletrônica invadiu o Brasil, ainda mais com a visita de dona Miss Kittin, famosa pelo seu hit Frank Sinatra. Lembro que os meus favoritos eram Felix Da Housecat e Ladytron, mas hoje em dia não acompanho mais o trabalho deles.

    Öszbarack, quarteto da Polônia (finalmente alguém que não seja da Suécia!), conseguiu resgatar o bom electro que estava perdido desde o final da década de 90. Percebi que as músicas são mais elaboradas se considerarmos a essência do electro, melodias simples constituídas somente de sintetizadores e beats uniformes.

    Entretanto, lendo o que a banda diz a respeito de suas influências para produzir seus dois álbuns – o último lançado esse ano, intitulado “Plim Plum Plam” -, entre os artistas citados está Kraftwerk, o precussor da música eletrônica na década de 70. Além disso, é interessante reparar na lista dos demais artistas que também inspiraram o grupo: cantores de peso do jazz e do blues, como Herbie Hancock, Ella Fitzgerald e Aretha Franklin. Diversidade de referências é um quesito essencial para criar música de boa qualidade, principalmente quando não há fronteiras entre os gêneros musicais.

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    24/07/2008Música

    Não, não está escrito errado, é Costanza mesmo, igual ao sobrenome do George - mas eu sei, o cérebro lê CoNstanza, é natural. Tá todo mundo postando, comentando e falando do álbum de estréia dessa italiana, “Sonic Diary”. Quem é ela? Não sei. Claro, lá fui eu atrás da menina. Ela cantou em dois álbuns do lindo [sic] e maravilhoso [sic] Tricky. Ouvi opiniões do tipo: “você tem que ouvir!” ou, em último recurso pela falta de palavras, “sem comentários!”. Sinceramente, não achei o melhor disco do ano, muito menos da década – se é para exagerar, vamos exagerar. É um trabalho repleto de electro e  alguns imperceptíveis tons de trip-top. Sendo sincero de novo, esse alvoroço é tudo por causa do Tricky e o último disco dele, “Knowle West Boy”, que eu me recuso a ouvir, por melhor que seja (pode falar que é bom, se eu não gosto do artista, esqueça).

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