Zé Offline
Música. Cinema. Livros. Whatever.-
03/07/2009MúsicaSe a sensação do momento é o electro nauseante e insistente, carregado nas costas de cantoras-revelação como La Roux e Little Boots, eu prefiro ficar com a Adrianne Verhoeven, mais conhecida como Dri. Não, ela não toca electro, mas se arriscou com elegância em um som eletrônico lo-fi, beirando o downtempo e se esbarrando no R&B.
Proveniente de bandas da cena folk rock do Kansas como The Anniversary e Fourth Of July, além de ainda fazer parte do grupo indie Art In Manila (junto com Orenda Fink, ex-parceira de Maria Taylor no extinto Azure Ray), não dá para saber de onde Dri tirou suas influências musicais. Não que isso seja um ponto negativo, muito pelo contrário.
O álbum de estréia “Smoke Rings” revela referências de funk e hip-hop, todas elas emaranhadas em samples que servem de base para as melodias de Dri. Não tive como não lembrar de The Avalanches quando ouvi Don’t Wait e What’s Real, as mais baladinhas do disco; Free Tonight, confesso, foi a que menos gostei, mas é perfeita para um aquecimento na pista de dança; em Two Are One, Dri abre o repertório em estado de transe; Hot As Hades tem uma sequência rítmica contagiante, mesmo sem chegar nos dois minutos; Goodnight, Baby embala com a batida forte, porém é apenas um prelúdio para a última faixa que leva o nome do álbum -- quase uma canção de ninar.
Confira o vídeo de You Know I Tried, uma das minhas prediletas:
Confira as versões que Dri gravou para o Daytrotter Sessions: muito soul na veia.
Tags: adrianne verhoeven, art in manila, don't wait, downtempo, dri, eletrônica, fourth of july, free tonight, funk, goodnight baby, hip-hop, hot as hades, orenda fink, R&B, smoke rings, soul, the anniversary, two are one, what's real, you know i tried -
03/06/2009Música
Peguei The 39Steps para ouvir aleatoriamente. Pode ter sido a capa do disco que me chamou a atenção -- apesar de sempre ter algum link para testar a música. Os poucos gêneros que definem a produção guiada por Kato e o vocal de Laura Fowles, downtempo e eletrônica, podem ser facilmente traduzidos para o tão chamado trip-hop. A breve descrição que ele dá no perfil do MySpace prediz o estilo musical do dueto:
Holding onto something that was nothing in a dream….the universe of The 39Steps is calling. Scratchy horns and spring pianos, red reverbs and talk of ghosts- the details are sketchy but you know what they are saying.
Honestamente, não me supreendeu muito, mesmo lendo a biografia de adjetivos criativos que descrevem a trajetória deles. As primeiras faixas tentam seguir aquele mesmo clima mórbido e nebuloso do trip-hop, valendo-se de batidas profundas, vocais tensos e melodias de poucas e simples notas, porém até o final parece um remake do que já foi visto há dez, quase vinte anos. Nenhuma novidade.
Confira o vídeo de Coming Clean, primeiro single do álbum de estréia de mesmo título:
Tags: coming clean, downtempo, eletrônica, kato, laura fowles, the 39steps, trip hop
-
19/03/2008MúsicaNão entendeu nada do título? Não se preocupe, não tem sentido algum, é apenas mais um dos trocadilhos infames que costumo fazer.
Da brisa, sinta o ventinho soprando direto levemente da boca dessa menina. A voz de Brisa Roché em nada lembra a beleza exótica que ela tem – principalmente com aquele cabelo bagunçado, mas até que é um charme, sabia. Californiana de nascença, a gente nem acredita que um som tão bom pudesse vir lá da terra do tio Sam (já falei que prefiro as bandas do Mundo Velho?). Já com 18 aninhos resolveu partir para Paris e lá conheceu e adorou Joni e PJ. Daqui já deu pra perceber que ela tem influências indie e folk em seu repertório. Mas França também ofereceu à garotinha toques elegantes de jazz. Sim, em 2005 ela assina contrato com a Blue Notes (o St. Germain continua lá, firme e forte) e descreve seu primeiro trabalho solo como cinematic / intimate / generous / sixties / feminine / grandiose / rock n’ roll. Isso que eu chamo de detalhista. Pois bem, ouvindo o primeiro e o segundo álbum, The Chase (que eu gosto muito mais), tem um pouco de cada uma dessas características. Claro que você vai sentir mais rock do que um jazz, mas os dois elementos se misturam muito bem e o resultado é ótimo.
Tags: brisa roché, eletrônica, folk, indie, instrumental, jazz, lou rhodes, rock, the cinematic orchestra
The Cinematic Orchestra. O que falar desse grupo que mescla música instrumental com elementos eletrônicos? Perfeito. A sonoridade sensível, as melodias em concordância com a afinação dos músicos convidados. Olha, só ouvindo mesmo pra sentir a profundidade das músicas deles. O primeiro álbum deles estreou em 1999, mas só com o Man With A Movie Camera, em 2003, é que eles se destacaram. Para quem não sabe, é uma trilha sonora “revisitada” para um documentário de 1929 (eu não assisti e tampouco ouvi a trilha original). Só depois de quatro anos, para angústia e ansiedade de seus fãs, é que eles lançaram Ma Fleur. Diferente dos outros trabalhos, esse é mais cantado do que instrumentalizado. A participação mais marcante fica por conta de Lou Rhodes, que também já tem dois álbums solos maravilhosos (depois de se desfazer do dueto de trip-hop Lamb). Esse ano – há dois dias praticamente – eles lançaram uma edição ao vivo. Só nove músicas, mas todas as nove valem o álbum inteiro. A versão acústica de To Build A Home, apesar de um pouco diferente da versão original, ficou linda e delicadamente country. -



































Falou e disse