Zé Offline
Música. Cinema. Livros. Whatever.-
14/04/2010Música
Sou fã do Groove Armada, mas o último álbum “Soundboy Rock” (2007) me decepcionou bastante. Apesar do pop e do hip-hop estarem embutidos na veia dos meninos, não achei que eles fossem chegar ao extremo, como nos singles Get Down (vocais femininos recitando frases inteligíveis) e Song 4 Mutya (cantora e melodias nauseantes). Foi o motivo pelo qual decidi deserda-los.
O novo disco “Black Light” reverteu minha opinião. Digo de antemão que nada se compara com as obras-primas “Vertigo” (1999) e “Lovebox” (2002), mas até que chegou bem perto. As influências do synthpop nos anos 80 concederam ao Groove Armada um estilo eletrônico nunca experimentado antes: esqueça os resquícios de chillout presenciados em At The River e Inside My Mind (Blue Skies) e as batidas fumegantes de canções mais agitadas como I See You Baby e Groove Is On. Todos sabem que o electro produzido nos dias de hoje nunca me cosquistou por completo pela sua preguiça criativa, contudo Andy Cato e Tom Findlay se deram bem ao manusear os sintetizadores.
A música de abertura Look Me In The Eye Sister surpreende com uma invasão de guitarras e a voz contagiante de Jessica Larrabee, que também convence seu talento em Just For Tonight e, principalmente, em Time And Space. Quanto aos homens, Nick Littlemore, um dos integrantes do chatinho Empire Of The Sun, tenta mostrar toda sua vivacidade em Not Forgotten e Warsaw (sem contar a estranha e disritmada Fall Silent, em que os vocais distorcidos não ajudaram), mas sem muito êxito. Ben Duffy e SaintSaviour são convidados a conduzir Paper Romance (vídeo que você confere logo abaixo), segundo single extraído do disco. E é com SaintSaviour que eu me apaixonei por completo por I Won’t Kneel, um festival de luzes, cores e letras psicodélicas. A surpresa maior, pelo menos para mim, se depositou sobre Bryan Ferry (isso mesmo, aquele que canta Slave To Love), participando com muito charme e sedução [sic] em Shameless.
Tags: andy cato, anos 80, at the river, ben duffy, black light, bryan ferry, electro, empire of the sun, get down, groove armada, groove is on, i see you baby, i won't kneel, inside my mind blue skies, jessica larrabee, lovebox, nick littlemore, paper romance, saintsaviour, song 4 mutya, soundboy rock, synthpop, tom findlay, vertigo -
26/03/2010MúsicaI drove for miles in a city trance
Tags: black light, groove armada, i won't kneel, saintsaviour
I came to ask for a second chance
But I won’t dance, no I won’t dance
I came for miles on a broken wheel
I came to see whether love can heal
But I won’t kneel, no I won’t kneel
‘Cos I can’t bend
Can’t hold
Can’t lend
Can’t fold
Can’t lose
Won’t cry
Can’t choose
‘Cos I know why I -
23/02/2010Música
Há projetos que deveriam ter algum tipo de continuidade, mas ficam só na esperança de quem curte o som. É o caso de Weekend Players, encabeçado pelo Andy Cato do Groove Armada e Rachel Foster, cujo sotaque britânico dá o charme às músicas.
Com muita influência do esquecido house dançante do final dos anos 90, o primeiro e até então único trabalho da dupla, “Pursuit Of Happiness” (2003), também se destaca pelas melodias típicas de downtempo, o que não deixa de ser referência do que o Groove Armada costumava tocar no começo de carreira. Minhas preferidas são 21st Century e Jericho, mas vale a pena escutar até a última faixa. Confira a seguir o vídeo do single Into The Sun:
Tags: 21st century, andy cato, downtempo, groove armada, house, into the sun, pursuit of happiness, rachel foster -
Gotye
2
26/05/2009Música
Tenho como premissa falar um pouco sobre o artista e depois narrar o trabalho, pois geralmente algo na vida deve ter servido de lição ou aprendizado para chegar até onde chegou. Com o Gotye (tente pronunciar: gore-ti-yeah), cujo nome verdadeiro é Wally De Backer, é praticamente impossível seguir essa premissa. Olhei o site oficial, li o Wikipedia, mas nada além de informações superficiais. Pois bem, o belga fica me devendo essa. Vamos direto às suas músicas.
Seu primeiro álbum, “Boardface” (2004) é uma referência ao trip-hop, sem sombras de dúvida, mas que deixa rastros da música eletrônica dos anos 80. A introdução de Out Here In The Cold me faz sentir em uma maratona de film noir; sua voz, delicada do começo ao fim, entra em concordância ao cantar versos completamente carentes (please, don’t leave me out here in the cold / no, no, please, don’t leave out here on my own). Mesmo tendo um tom tenro em suas cordas vocais, Gotye também convidou a ala feminina em algumas faixas, como por exemplo em True To You, Out Of My Mind e principalmente Loath To Refuse. Quando você acha que entrou na atmosfera sombria das músicas, vem Here In This Place, um solo de saxofone a la Kenny G que rompe todo o equilíbrio instrumental do que se tinha ouvido antes. Waiting For You serve de interlúdio em seus curtos dois minutos, sem ter ao menos uma batida, apenas os sussurros afinados de Wally (comparação nítida com Lullaby do Lamb).
Eis que vem “Like Drowning Bloog” (2006), uma reviravolta na composição das músicas. Não há semelhança alguma com as características nostálgicas noir do primeiro disco. Gotye abandona suas amigas e participa ativamente de todas as faixas. The Only Way parece ter influências do Beck por causa das batidinhas e dos ecos que se sobrepõem durante a melodia inteira. Hearts A Mess possui batidas sobressalentes que vão de encontro com a voracidade de Gotye no refrão. Coming Back convida a dar passos de tango -- ou seria um elegante flamenco? -- pelo salão de dança. Os beats sintetizados de Thanks For Your Time me soaram fracos e sem graça, logo pulei direto para Learnalilgivinanlovin, música tão exaltada que força seus pés a saírem do chão. Puzzle With A Peice Missing é praticamente um plágio da sonoridade tranquila de “Vertigo” criada por Groove Armada, contudo ela é muito bem orquestrada. A colagem musical é o ápice da criatividade -- sou suspeito para falar de colagens, eu adoro! -- em A Distinctive Sound; com certeza Gotye se inspirou nos vizinhos australianos The Avalanches. Já em Seven Hours With A Backseat, fica aquela impressão de que você conhece a música, está na ponta da língua, mas a memória falha -- uma faixa instrumental para deixar de fundo e no repeat. Ao escutar Night Drive, tive a mesma sensação de “Boardface”: o som destoou completamente com essa batidinha melancólica de Roxette.
Assista ao clipe de Hearts A Mess, animação fofa produzida pelo diretor australiano Brendan Cook:
E tem também a sequência solitária de stills (mais de 10 mil, segundo a descrição do vídeo) de Out Here In The Cold:
Tags: anos 80, boardface, brendan cook, gotye, groove armada, hearts a mess, like drowning blood, out here in the cold, the avalanches, trip hop, wally de backer -
13/05/2009Música

Na verdade, só conheço o Bliss por causa das participações especiais da Sophie Barker, cujos vocais ficaram conhecidos nos primeiros álbuns do Zero 7 e duas faixas do Groove Armada (Your Song e Inside My Mind, ambos do último trabalho decente que eles fizeram, “Vertigo”).“No One Built This Moment” já é o quarto trabalho do quarteto liderado pela dupla Marc-George Andersen e Steffen Aaskoven. Sophie colaborou em três singles do disco anterior “Quiet Letters” (2003): Breathe, Don’t Look Back e Right Here; agora ela emprestou sua voz para a maioria do repertório do disco. Talvez o destaque se dê pela participação do oitentista Boy George no single American Heart, entretanto uma outra artista me chamou a atenção: Ane Brun.
A musicalidade do Bliss está mais para world music – no que diz respeito a todas aquelas músicas inspiradas na cultura de cada comunidade ou país – do que a música eletrônica propriamente dita. As referências de downtempo ou chillout servem mais como uma máscara para dar ênfase no âmbito comercial: suas músicas já foram utilizadas na campanha da DKNY, episódios do CSI e na trilha sonora do filme “Sex And The City”. Trilhas, aliás, devem ser o hobby preferido deles. Entre os amigos do MySpace estão Steven Spielberg, Francis Ford Coppola e Quentin Tarantino, além de músicos compositores conhecidos como Enio Morricone e Craig Armstrong.
Independente disso, o estilo de tocar do Bliss é bonito, além de transmitir um clima bem pacífico para a mente: melodias tranquilas e vocais serenos. É para ouvir e relaxar o corpo.
Calling (feat. Sophie Barker)
Tags: ane brun, bliss, boy george, chillout, csi las vegas, dkny, downtempo, groove armada, marc-george andersen, no one built this moment, quiet letters, sex and the city, sophie barker, steffen aaskoven, world music, zero 7
Trust In Your Love (feat. Ane Brun)
American Heart (feat. Boy George)
People Among Us
-
17/02/2009Música
Flickr de Dan McPharlin: MiniaturesTenho a leve impressão de que os recentes artistas da música eletrônica – quando digo recente, quero dizer de 2000 até hoje – estão transformando seus trabalhos em verdadeiros e pobres clichês. Não sei bem por onde começar, quem sabe pelo electro. Lembro perfeitamente bem de como adorava – ainda gosto, aliás – escutar os primeiros álbuns ecléticos do Chicks On Speed ou do Ladytron e curtir o clima retrô do Felix Da Housecat. Alguém me indica uma boa banda de electro sem ser ou que tenha qualquer semelhança com o Hot Chip? (eles são deploráveis)
De uns anos para cá, tenho seguido artistas que conseguem criar sem esforços a própria identidade musical, tais como Air, Bent, Télépopmusik, Röyksopp, Bonobo e até Matthew Herbert (esse último puxa mais para o jazz, mas entra na roda). Outros mais descolados da cena alternativa, como The Avalanches, DJ Shadow e Wax Tailor, também conseguiram erguer seu mérito com a brincadeira incansável de construir músicas à base de samples de filmes. Produtores cuja discografia não sigo com tanta fidelidade, como Nightmares On Wax, Soulwax e The Herbaliser, se destacam pelas suas ótimas influências do funk e do soul – apesar de curtirem bastante um hip-hop.
Artistas mais antigos e mais conhecidos, como The Chemical Brothers, Basement Jaxx, Groove Armada, Fatboy Slim e Daft Punk, a cada ano escorregam feio na falta de criatividade. Alguns tentam causar polêmica com videoclipes que só servem para deixar a música em segundo plano (já que ela sozinha não faz a menor diferença). Adivinha de quem estou falando? Do Justice, claro.
Posso estar muito exigente – será que a idade faz isso conosco, nos deixando mais rabugentos e menos abertos a novidades? -, posso não querer dar oportunidade para bandas relativamente novas como Cut Copy, Empire Of The Sun (que capa é essa, minha gente?), Simian Mobile Disco, MSTRKRFT (Masterkraft, para quem como eu não decifrou as siglas), Miami Horror (a inspiração setentista me assustou um pouco), Hercules And Love Affair (é com o Antony, por acaso?), e tantas outras que aparecem do nada… mas sempre que penso na possibilidade de experimentar um novo som, esbarro naquele obstáculo lá do começo: verdadeiros e pobres clichês. Acho que eles estão precisando ter umas boas aulas com os vovôs do Kraftwerk. Isso sim é música eletrônica autêntica.
E esse tal de MGMT? O que eles tocam de bom, hein? (brincadeirinha, é só para irritar os fãs… rs!)
Tags: air, basement jaxx, bent, bonobo, chicks on speed, cut copy, daft punk, dj shadow, electro, empire of the sun, fatboy slim, felix da housecat, groove armada, hercules and love affair, hot chip, justice, ladytron, mami horror, matthew herbert, mgmt, mstrkrft, música eletrônica, nightmares on wax, royksopp, simian mobile disco, soulwax, telepopmusik, the avalanches, the chemical brothers, the herbaliser, wax tailor -
03/01/2009MúsicaÉ incrível como artistas fazem sucesso de uma hora para a outra, mesmo que só com uma música, e depois somem repentinamente da mesma maneira – só com aquela música. Neneh Cherry é um belo exemplo: depois da explosão com seu álbum “Man” (1996), principalmente por causa do single 7 Seconds, Neneh simplesmente desapareceu.
Neneh Cherry foi uma das grandes descobertas da década de 90 – apesar de já ter uma carreira antes disso -, trilhando o caminho de outras cantoras que também se destacaram na mesma época, como a canadense Alanis Morissette. Nem é preciso dizer que suas músicas tratavam de assuntos relacionados à independência da mulher, deixando os homens em segundo plano (uma das minhas favoritas, Kootchi, faz o homem de gato e sapato). Aqui no Brasil ela também foi destaque graças ao extinto Free Jazz, festival de música que na época revelou artistas da cena alternativa (Björk e Moloko, por exemplo).

Pelos menos agora eu sei que Neneh Cherry está de banda nova: CirKus. Seu som é mais eletrônico – nem tão agitado assim – com elementos da soul music, influências de seu padrasto e jazzista. Antes isso, lembro de ela ter feito algumas participações especiais, tais como Groove Armada (em duas faixas, Think Twice e Groove Is On) e Timo Maas (High Drama).
Tags: 7 seconds, cirkus, free jazz festival, groove armada, groove is on, high drama, kootchi, man, neneh cherry, think twice, timo maas -
02/05/2008MúsicaO show do Groove Armada me deixou em trapos no dia seguinte. Mas valeu a pena. Admito que não estava lá muito empolgado, mas superou todas as minhas expectativas. Em companhia de minha colega de trabalho Bia, nos divertimos muito – além de termos dançado até nossos ossos ficarem contorcidos.
Pareceu muito rápido, mas foi uma hora e meia de apresentação. O resto antes e o resto depois não nos interessou em nada. Nem sabíamos quem eram os DJs – também se soubéssemos, a falta de interesse continuaria.
Tags: andy cato, credicard hall, groove armada, são paulo, show -
30/04/2008Blogosfera“Hoje é dia de dançar feito uma vaca.” É a frase de uma amiga minha que vai ficar para a história. Faz tempo já, bem da época em que decidíamos, de última hora, ir para o Massivo. Isso quando a gente não inventava de ir no Alternative (bem do lado do Venice e concorrente do Morrison) e ficar na pista de cima pulando ao som de Primal Scream. Bons tempos, viu. Mas como não voltam mais, deixa pra lá.
Bom, e hoje realmente é dia de dançar. Tem Groove Armada lá no Credicard Hall. Vou mais pelas músicas que eu mais gosto, pra falar a verdade (o último álbum é uma porcaria). GA pra mim nunca foi música pra ficar pulando no meio da pista; é pra deixar tocando no computador enquanto você lê um livro ou toma um café. Acabei de ler que, para dar uma ajuda para os dois garotos, vão ter outros convidados: Anderson Noise (eu tinha um CD dele… medo!), Buga (medo em dobro), The Twelves (?), Mario Fischetti (??) e 2Headz (???).
Dalmon Albarn, ex-Blur, ex-Gorillaz, ex-The Good, The Bad and The Queen, agora vai cantar em mandarim. Acho que tá na hora de se aposentar. A Madonna podia seguir a mesma trajetória. Se com 50 anos ela acha que pode cantar hip hop, imagina quando tiver 60. (não quero imaginar)
Mudando da água para o vinho, hoje é (simbolicamente) o último dia aqui no hotel. Segunda já começo em outro lugar. Mas quem sabe eu volto para o hotel – ou vou para outro lugar melhor ainda. Só sei que preciso tirar esse desânimo momentâneo da minha cabeça e agradecer que estou lucrando com tudo isso.
Tags: groove armada -






































Falou e disse