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Aloan
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20/01/2010Música
Nem sei por que estou escrevendo sobre Aloan. Por ser um trio suíço, logo todas as críticas e resenhas de seus discos são ou em francês ou em alemão. Por causa disso, fica difícil até para eu contar um pouco mais sobre eles. Ouvi o último lançamento “Freaks” e, sinceramente, não é nada de extraordinário.
Falar que é trip-hop (pelo pouquíssimo que consegui ler por aí) é um equívoco, para não dizer exagero. Aliás, para mim em nada lembra o gênero eletrônico, que por si só já uma gama muito extensa de variações (dá para comparar lado a lado o som dos extintos Lamb e Moloko?). Vamos pegar a descrição do site oficial deles:
Between a sensitive electro and a fifties rock’n’roll atmosphere, the latest Aloan album offers a magic world filled with eerie creatures and beauties. It unveils a bright side of the project, keeping meanwhile a subtle shadow that reveals a deep and sparkling sound. As a pop fairy tale, it takes us to a place where everything is too perfect and it plays with the secrets and pains of our soul.
Electro, rock dos anos 50? Nem um pouco. O hip-hop esbanja suas falas em algumas faixas, suficiente para desmistificar os exemplos citados. Não precisa ir muito longe: ouça a primeira música Liqui Girl para perceber que o pop é o estilo predominante, com alguns indícios discretos de soul. E só. O single Swinger -- a única foto decente que encontrei deles -- é digna de playlists top 10 de rádios populares: um pouco de rock, um pouco de rap e um pouco de eletrônico.
Aloan tem mais três álbuns (o primeiro é de 2002), porém ainda não escutei nenhum deles. Pode ser que eu mude de ideia, contudo não vou me dar o trabalho de escrever outro post só por causa de um leve arrependimento. Confira a seguir o vídeo de Swinger:
Tags: aloan, freaks, hip-hop, pop, soul, swinger, trip hop
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28/09/2009Música
Como é difícil encontrar uma descrição apropriada para o estilo musical dessa inglesa (nascida em Londres, mas que aos dois anos já tinha mudado para Nova York). Fruto de um casamento entre um diretor de cinema escocês e uma atriz americana, é possível imaginar a criatividade de Nellie McKay, assim como sua inquietação em fazer tudo diferente, a sua maneira.
Seu trabalho destoou como revelação com o segundo álbum “Pretty Little Head”, de 2006, cujas músicas misturam jazz com letras cantadas rapidamente – quase que um rap. As letras, por sinal, também se destacam pelos assuntos que são abordados: política, protestos contra abusos de animais e relacionamentos conturbados – fora aqueles que já se perderam no tempo.
Em seu último disco, “Obligatory Villagers”, McKay continua com seu jeito original de fazer música, com o mesmo mix de jazz e hip-hop e as mesmas letras afiadas (e até sarcásticas). Entretanto, esse terceiro trabalho tem muito mais elementos do jazz contemporâneo, visto que ela convidou alguns profissionais do ramo, como Phil Woods, David Liebman e Bob Dorough – saxofones e trompetes fazem a festa na maioria das faixas.
Apesar de seu sucesso ter deslanchado como cantora, ela também pôde testar seus dons como atriz. Depois de largar a escola de música em 2000, ela se arriscou como comediante – stand up comedies, tão comuns hoje em dia. E não parou por aí: em 2006 ela mostrou seus dotes artísticos no palco da Broadway com “The Threepenny Opera”.
Tags: hip-hop, jazz, nellie mckay, obligatory villagers, pretty little head, rap -
Day One
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09/09/2009Música
Não gosto de hip-hop ou qualquer outro gênero que tenha a menor semelhança, porém tenho de tirar o chapéu para o Day One. Phelym Byrne e Donni Hardwidge tocam músicas que misturam um hip-hop amigável (leia-se: dá para entender o que eles cantam, pois não usam gírias de guetos e afins) com música eletrônica, rock e um pouco de folk. O resultado é o álbum “Probably Art”, lançado em 2007.
Diria que é uma reinvenção da música eletrônica, o que é muito difícil de se encontrar por aí. Criatividade não falta para eles dois: mesclam vários instrumentos – além do violão e da guitarra, eles arriscam na flauta, na gaita e no saxofone -, com efeitos sonoros bizarros (macacos gritando e cavalos relinchando, por exemplo) e, claro, as batidas de breakbeat que originaram o movimento rap nos anos 80. Esses e outros elementos se harmonizam de uma maneira muito divertida, tornando o álbum legal de se ouvir até o final.
É até difícil de imaginar alguém cantando rap e tocando violão. Simplesmente não combina, mas quando você ouve a dupla britânica em ação, você acaba mudando de idéia. Entretanto, para que sua opinião realmente seja a mesma que a minha (de que é uma boa sugestão musical), remova de sua mente qualquer artista de black music do cenário atual (50 Cent, Snoopy Dog, P. Diddy e outros os quais me recuso a lembrar o nome). A partir daí você estará plenamente apto a escutar o som inovador do Day One.
Tags: anos 80, breakbeat, day one, donni hardwidge, hip-hop, phelym byrne, probably art -
03/07/2009MúsicaSe a sensação do momento é o electro nauseante e insistente, carregado nas costas de cantoras-revelação como La Roux e Little Boots, eu prefiro ficar com a Adrianne Verhoeven, mais conhecida como Dri. Não, ela não toca electro, mas se arriscou com elegância em um som eletrônico lo-fi, beirando o downtempo e se esbarrando no R&B.
Proveniente de bandas da cena folk rock do Kansas como The Anniversary e Fourth Of July, além de ainda fazer parte do grupo indie Art In Manila (junto com Orenda Fink, ex-parceira de Maria Taylor no extinto Azure Ray), não dá para saber de onde Dri tirou suas influências musicais. Não que isso seja um ponto negativo, muito pelo contrário.
O álbum de estréia “Smoke Rings” revela referências de funk e hip-hop, todas elas emaranhadas em samples que servem de base para as melodias de Dri. Não tive como não lembrar de The Avalanches quando ouvi Don’t Wait e What’s Real, as mais baladinhas do disco; Free Tonight, confesso, foi a que menos gostei, mas é perfeita para um aquecimento na pista de dança; em Two Are One, Dri abre o repertório em estado de transe; Hot As Hades tem uma sequência rítmica contagiante, mesmo sem chegar nos dois minutos; Goodnight, Baby embala com a batida forte, porém é apenas um prelúdio para a última faixa que leva o nome do álbum -- quase uma canção de ninar.
Confira o vídeo de You Know I Tried, uma das minhas prediletas:
Confira as versões que Dri gravou para o Daytrotter Sessions: muito soul na veia.
Tags: adrianne verhoeven, art in manila, don't wait, downtempo, dri, eletrônica, fourth of july, free tonight, funk, goodnight baby, hip-hop, hot as hades, orenda fink, R&B, smoke rings, soul, the anniversary, two are one, what's real, you know i tried -
27/03/2009MúsicaA semana tá corrida, mas ainda dá tempo de comentar sobre as novidades:
PJ Harvey & John Parish: não curto o som dela, assim como não curto ela também. Polly Jean renovou sua parceria com John Parish esse ano com “A Woman A Man Walked By”, depois de mais dez anos do lançamento de “Dance Hall at Louse Point” (1996). Como só gosto do “White Chalk” (e nunca fiz questão de ouvir mais nada além disso), pode ser um pouco improvável que eu aprecie alguma coisa agora. O primeiro single Black Hearted Love até que é interessante, mas tenho que ouvir tudo para não tirar conclusões precipitadas.
Archive: depois do último álbum gravado ao vivo, a banda de trip-hop/rock volta com “Controlling Crowds”, junto com o lançamento do primeiro single Bullets. Vai correndo lá no MySpace que eles disponibilizaram o playlist do disco na íntegra. O estilo é o mesmo: certas faixas têm aquela introdução que parece nunca acabar, mas que mesmo assim hipnotiza do começo ao fim. Achei bem mais tranquilo – não é exatamente essa palavra – em relação ao último trabalho de estúdio “Lights” (2006), apesar de ter notado algumas influências hip-hop, como em Razed To The Ground. Posso até estar equivocado, mas o piano logo no início de Words On Signs é praticamente uma homenagem à Rabbit In Your Headlights do Unkle.
Glen Johnson: vocalista, líder e fundador da ótima banda de ambient-post-whatever rock Piano Magic, Glen lança ainda no final desse mês seu disco solo “Details Not Recorded”. Apesar de estar sozinho, a inlfuência obscura de seu grupo é evidente. Contudo, está longe de ser um defeito querer se inspirar em sua própria criação musical. Outra integrante que também entrou em projeto paralelo foi Klima (seu verdadeiro nome é Angele David-Guillou), cujas músicas em nada têm a ver com Piano Magic mas que são tão boas quanto. Vale a pena conferir também.
Au Revoir Simone: olha quem está de volta! Pensei que as meninas não iam mais voltar (aliás, jurava que eram quatro). O terceiro álbum do trio norte-americano está para sair em abril, cujo título “Still Night, Still Light” deve manter – acho eu – o mesmo pop-electro alegre e saltitante dos outros discos. Quem quiser, pode segui-las no Twitter: @goodbyesimone. Tem algumas músicas inéditas nessa sessão acústica.
Tags: a woman a man walked by, ambient rock, archive, au revoir simone, black hearted love, bullets, controlling crowds, dance hall at louse point, details not recorded, electro, glen johnson, hip-hop, john parish, klima, piano magic, pj harvey, pop, post rock, rabbit in your headlights, razed to the ground, rock, still night still light, trip hop, unkle, white chalk, words on signs -
18/03/2009MúsicaNão adianta. Eu sempre confundo com a Jenny Lewis, vocalista do Rilo Kiley. Mas é só o nome mesmo, porque em se tratando de estilo musical, não tem absolutamente nada a ver com a Jenny Wilson.
Já tinha comentado que não gostei do primeiro disco dessa sueca de cabelos escuros (estava tão acostumado com as mechas douradas da Nina Persson, mas até ela se rendeu aos cachos morenos uma época), logo fiquei hesitante em escutar ao segundo, “Hardships!”. “Love And Youth” não me chamou atenção em nada, mesmo porque não encontrei nenhuma novidade musical: é pop e ponto. O último trabalho da Jenny é legal? Hmm… sim. Fenomenal ou o melhor que ouvi até agora esse ano? Não.Todas as músicas possuem os elementos clichés do R&B: gemidos, backing vocals que gemem juntos, refrões curtos que repetem uma eternidade. O engraçado é que demorou para cair a ficha de que era R&B. Isso porque ela não usa uma batidinha hip-hop sequer, daquelas de ficar rebolando a bunda até o chão. Todo o arranjo parece ser tocado rigorosamente por instrumentos não-eletrônicos (leia-se sintetizadores e programas de computador). As ditas batidas são muito bem representadas por palminhas ou estalos -- pelo menos é o que eu consigo deduzir em Like A Fading Rainbow, Clattering Hooves e Anchor Made Of Sound, por exemplo. A primeira faixa, The Path, me enganou de primeira: o solo de teclado no início e o saxofone nos últimos dois minutos não passam despercebidos mesmo com um dos clichés que citei agora há pouco.
O primeiro single The Wooden Chair -- que penteado é esse, hein? -- é uma ode forçada às divas pop da black music, o que de fato não me agradou. Bat Waters foge um pouco à regra no começo com o piano tocando de fundo, acompanhado de uma melodia lenta e coerente, mesmo que no refrão ela erga um pouco a voz para dar ênfase nos ditos clichés. Pensei que Pass Me The Salt fosse a faixa mais insuportável (me lembrou na hora do milk shake, por que será?), porém Only Here For The Fight ganha pela irritação de tanto Jenny repetir o título da música (é sério, tem quase cinco minutos, mas parece que vai até os dez). Motherhood trilha rapidamente pelo gospel e We Had Everything surpreende radicalmente com a perfeita combinação de violino e piano -- talvez a única que compense todas as outras.
É isso. Não tem muito o que falar. É R&B, é black music, é hip-hop disfarçado de palminhas e estalos. Nem o experimentalismo estampado na classificação do MySpace de Jenny convence além do que ela já tinha mostrado desde o início: é pop e ponto. Confere o clipe aí:
Tags: anchor made of sound, black music, clattering hooves, hardships, hip-hop, jenny wilson, like a fading rainbow, love and youth, only here for the fight, pas me the salt, pop, R&B, the wooden chair
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Por quê?
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30/01/2009Cinema e TV, MúsicaEssa seria minha pergunta se soubesse que um ator (agora ex) como Joaquim Phoenix dissesse que estava partindo para carreira de cantor… de hip-hop. Nada contra os rappers, apesar de não ser meu gosto musical, mas há de se concordar que Joaquim, ator tão lembrado por seu papel imponente em “Gladiador”, em nada combina com um futuro de artista de rap. Se ele ao menos seguisse o mesmo estilo de “Johnny e June”, até dava para aceitar com um pouco mais de conformismo.
Mas ele deve ter juntado muito dinheiro com sua trajetória no cinema, então ele pode fazer o que bem entender -- mesmo que ninguém entenda o que ele tenha em mente. O mais legal, entretanto, é ver a reação heróica do repórter ao ouvir a resposta de Joaquim sobre seu novo empreendimento. Heróica e hilária. Não sei por que o ex-ator se ofendeu.
Tags: cantor de rap, gladiador, hip-hop, joaquim phoenix, johnny e june, rapper
Are you serious? WHY? -
01/01/2009MúsicaA criatividade de alguns artistas vai além da imaginação. Reinvenção é a palavra-chave para tornar um estilo musical interessante, como é o caso das colagens musicais. Alguns podem se antecipar em pensar que o método se restringe apenas ao uso de samples, o que na verdade é muito mais do que isso: o uso deles serve justamente para compor uma música inteira. Os samples, aliás, não precisam ser só de outras músicas mas como de trechos de filmes também – diria até que é a principal fonte de recursos da maioria dos artistas que produzem colagens musicais.

Josh Davis, mais conhecido por DJ Shadow, é um dos que se destacaram nessa novo movimento da cena eletrônica. Todos os seus trabalhos têm forte influência do hip-hop, porém, em seu último álbum “The Outsider” (2006) a presença de rappers é mais marcante e o uso de guitarras também têm seu peso em algumas faixas – uma combinação que não deu certo, ao meu ver, quando ele resolve misturar os dois elementos. Minha indicação fica por conta do segundo álbum “The Private Press” (2002), de onde ouvi pela primeira vez DJ Shadow através do single Six Days (o clipe era transmitido com uma certa frequência da programação da MTV).

O grupo australiano The Avalanches dá a impressão de fazer colagens por pura diversão. O mix e sincronismo de vários samples – a maioria de filmes – transformam o repertório de “Since I Left You” (2000), por enquanto o único álbum deles, uma bagunça musical engraçada para quem ouve pela primeira vez. O single Frontier Psychiatrist, na minha opinião, é a melhor faixa do álbum, recheada dos mais diversos diálogos (todos a respeito do diagnóstico do garoto Dexter). Há músicas, entretanto, que quebram o gelo pela simplicidade na produção delas, como é o caso da música-título Since I Left You, composta por uma singela frase (since I left you / I found the world so new).
Tags: dj shadow, frontier psychiatrist, hip-hop, rap, rapper, samples, since i left you, six days, the avalanches, the outsider, the private press -

Mesmo que as pessoas tentem deixar de lado o capitalismo selvagem, elas não conseguem ver alternativa melhor do que presentear seus familiares e amigos com algo que seja um sinal de afeto e carinho, ainda mais no Natal, quando os famosos amigos secretos reinam qualquer tipo de ambiente (familiar, de trabalho, entre amigos, e por aí vai).
Eu já ganhei o meu. E que presente!

Final de ano sempre é a época para os artistas lançarem suas coletâneas de singles e de melhores hits, assim como é o momento certo para as editoras lançarem guias e retrospectivas de qualquer assunto que você possa imaginar (que o diga o Guinness Book). Nessa edição de “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, os álbuns lançados até ano passado entraram para o catálogo. De praxe, como é feito nas publicações anteriores, a década de 50 é o marco inicial dessa trajetória musical. Entretanto, o que me interessa mesmo é a década de 90 – a de 80 nem tanto porque era praticamente uma criança e minha formação musical era muito crua e superficial.
Artistas e bandas de todos os gêneros musicais se destacam nessa seção do livro, desde o movimento grunge liderado pelo Nirvana, com seu álbum de maior sucesso “Nevermind”, passando pelo rock alternativo do The Lemonheads, até o dance pop e agitado do Deee-Lite e Madonna. O que percebo é que, fazendo parte de uma geração de dez anos, o progresso musical de alguns deles sofre perceptíveis mudanças. Vamos pegar, a título de exemplo, Massive Attack, que possuem dois discos: “Blue Lines”, dotato de faixas mais voltadas para o hip-hop e o house, e “Protection”, já com a linha estabelecida pelo trip-hop (aqui mais conhecido e cravado pelo grupo britânico Portishead).
A partir de 2000, na minha opinião, também há bandas muito boas, mas que na maioria constituem de uma continuação do sucesso que tiveram na década anterior. Radiohead, que estourou com “OK Computer” em 1997 (além de “The Bends”, de 1995), aparece com “Amnesiac” e “In Rainbows”, de 2001 e 2007, respectivamente. Björk também é um bom exemplo dessa sequência: em 2001 você encontra o “Vespertine” e “Medúlla” de 2004, os trabalhos mais diferentes e experimentais da cantora.
Mesmo contendo os artistas mais conhecidos – preciso dizer que a rainha do pop aparece com “Ray Of Light” e “Music”? -, fiquei surpreso com alguns que sequer imaginei fazer parte do catálogo: The Avalanches, Röyksopp, Nightmares On Wax e Joanna Newsom. É claro que há muitos outros, mas se eu fosse citar todos, a lista ia ser bem longa. Não dá para agradar a todos, principalmente a mim; sempre vai faltar alguém cujo álbum deveria ser um item obrigatório, contudo o repertório não deixa a desejar nem um pouco.
Tags: 1001 discos para ouvir antes de morrer, björk, década de 50, década de 80, década de 90, grunge, hip-hop, house music, joanna newsom, madonna, massive attack, nightmares on wax, nirvana, portishead, radiohead, royksopp, the avalanches, trip hop -



































Falou e disse