Imperial Bedrooms
Nunca tinha lido nada de Bret Easton Ellis, nem mesmo “American Psycho”, cuja adaptação para o cinema, ouvi dizer, ficou bem melhor. Como sempre, meu interesse por um autor fica à espreita do que vejo em destaque nas prateleiras das livrarias. Seu último romance, “Imperial Bedrooms”, foi o motivo inicial, porém logo descobri pela sinopse que teria de ler “Less Than Zero” antes, primeiro livro do autor escrito há vinte e cinco anos.
Apesar de ser uma sequência, é completamente desnecessário ler a obra de estreia para entender as personagens no romance mais recente. Less Than Zero é uma história inútil com pessoas vazias de expressão e ação, tanto que é possível resumir-la em pouco mais de duas linhas: jovens de dezoito anos ricos que fazem festas em suas mansões, bebem, cheiram e fazem sexo ao som de muitas bandas dos anos 1980.
Com menos páginas do que seu antecessor, mas sem ter uma narrativa de uma criança de dez anos, Imperial Bedrooms mostra seu protagonista, Clay, não muito longe do que era quase trinta anos atrás. Agora roteirista e morando em Nova York, Clay retorna para Los Angeles para negociar atores de seu novo filme. Voltar à sua cidade natal é recordar amargamente da sua juventude superficial e perceber, depois de tanto tempo, que ela continua entediante e movida à falsas alegrias, todas compradas com muito dinheiro. Os amigos antigos, entre eles a ex-namorada Blair, agora casada com Trent, o traficante Rip e Julian, que na época iniciou uma breve carreira de garoto de programa para quitar uma dívida, ressurgem mais apáticos e misteriosos. Todos eles se conectam indiretamente devido à presença de Rain, mulher com quem Clay começa a se envolver; sem saber, ele é infiltrado em um conflito perigoso de interesses.
Mistério, aliás, é o elemento com que Bret tenta trabalhar para tentar reverter a inércia de Less Than Zero: mensagens anônimas de celular, apartamento invadido, sensação de estar sendo perseguido – tem até um assassinato nos bastidores de Hollywood. Entretanto, a indiferença com que Clay trata tudo e todos deixa o leitor quase beirando a irritação. Devo admitir que, pelo menos agora, há realmente um enredo, há o que contar além de indivíduos se entupindo de álcool e entorpecentes – drogas ainda fazem parte da trama, mas felizmente entram como coadjuvantes. Ao terminar o livro, fiquei me perguntando por que o autor quis fazer uma continuação rasa de uma história incompetente e, ao mesmo tempo, tentar emplaca-la com o mesmo sucesso de Psicopata Americano. Claro que ele não obteve êxito.

Com uma história narrada em pouco mais de cento e cinquenta páginas, não se pode exigir muitos detalhes de “Drive”, escrito por James Sallis. A vida de Driver (ele não tem nome; mesmo quando insiste em revela-lo, um dos personagens o interrompe com desdenho) dá um salto quando resolve abandonar o casal adotivo Smith em Tucson, no Arizona, e chegar na terra dos filmes, em Los Angeles. Tendo tido a grande sorte de encontrar com um astro de Hollywood em um dos vários diners da cidade – onde o autor, sem explicações, faz questão de descrever como são, além da comida que neles é servido, prato a prato -, a carreira de dublê de motorista de carros em cenas de ação é o que mais lhe convém no momento, visto que é o que ele mais gosta de fazer: dirigir.
Quando você começa a ler um livro melhor que outro de um determinado autor, você também começa a exigir mais qualidade literária dele. No caso de Chuck Palahniuk, o critério é a bizarrice. Sim, quanto mais bizarra a história, mais envolvente e divertida ela se tornará. Claro que uma boa dose de humor negro complementa tal quesito, mas é preciso tomar cuidado para que não beire o sadismo – como aconteceu em 
