Tagged: love is not pop

El Perro Del Mar: Pale Fire

El Perro Del Mar

Já esperava que El Perro Del Mar, codinome para a sueca Sarah Assbring, experimentaria novos recursos e arranjos para o seu novo trabalho “Pale Fire”. Já tinha sido assim com o mini-álbum “Love Is Not Pop”, quando ela abandonou de vez a simplicidade do folk dos dois primeiros discos.

O que me assustou, na verdade, foram duas faixas lançadas (Innocence Is Sense e What Do You Expect) um pouco antes de anunciar esse novo repertório. Com influências diretas do IDM e do chillwave, Sarah se infiltrou em um beco sem saída  cuja nova personalidade em nada combinou com sua estética musical. Para os fãs da conterrânea Jonna Lee, nome responsável pelo projeto enigmático iamamiwhoami, talvez a semelhança renda alguma simpatia. Felizmente, ambas ficaram de fora do novo álbum.

É evidente que Assbring voltou vinte anos no tempo para resgatar os beats e loops daquela época, fazendo da maioria das canções um verdadeiro hino ao pop (que, diga-se de passagem, me agradou bastante; eu ainda sou um saudosista fervoroso dos anos 90). O primeiro single Walk On By, como a própria cantora ressaltou, é uma nostalgia, o que se prova tanto na construção da melodia quanto na produção do vídeo, abusando de cores extravagantes e efeitos especiais bem primitivos.

Arrisco dizer que El Perro Del Mar também se cercou do novo estilo obscuro adotado pela amiga Lykke Li, do seu mais recente álbum “Wounded Rhymes”. É só ouvir Hold Off The Dawn e começar a reconhecer as similaridades. A única exceção de tantos ritmos, entretanto, é Love In Vain, cuja introdução finca os dedos no dub, mas que ligeiramente volta a ter as características de Sarah.

El Perro Del Mar: Love Is Not Pop

El Perro Del Mar

Quase pensei em escrever esse post só por causa dessa capa. Achei a jaquetinha tão moderna, o contraste do preto e branco gritando na camiseta xadrez – achei chic. Está bem fora do que El Perro Del Mar costuma mostrar, inclusive em suas próprias músicas. Agora a sueca está armada com muito mais instrumentos, visto que ela teve ajuda na produção: o nome do cara é Rasmus Hägg, do dueto experimental Studio, cujas semelhanças musicais são evidentes. Você pode sentir a diferença com o primeiro single Change Of Heart lá no MySpace dela. A voz feito seda continua a mesma, entretanto os arranjos parecem dar mais espaço para o tom quase definhado de Sarah Assbring.

O repertório é pequeno, conta somente com sete faixas, mas mesmo assim compensa o novo trabalho. O que me espantou foi o curto intervalo que ela deu entre os lançamentos de “Love Is Not Pop” e “From The Valley To The Stars”, do ano passado. Devo estar tão acostumado com espaços de dois ou três anos que, quando me deparo com novidades repentinas como essa, não me dou conta de que um ano também é um bom tempo de pausa.

P.S. 1: será que Sarah se inspirou nessa capa? Foi a primeira que me veio na cabeça.

P.S. 2: e por falar em jaquetinhas