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El Perro Del Mar: Pale Fire

El Perro Del Mar

Já esperava que El Perro Del Mar, codinome para a sueca Sarah Assbring, experimentaria novos recursos e arranjos para o seu novo trabalho “Pale Fire”. Já tinha sido assim com o mini-álbum “Love Is Not Pop”, quando ela abandonou de vez a simplicidade do folk dos dois primeiros discos.

O que me assustou, na verdade, foram duas faixas lançadas (Innocence Is Sense e What Do You Expect) um pouco antes de anunciar esse novo repertório. Com influências diretas do IDM e do chillwave, Sarah se infiltrou em um beco sem saída  cuja nova personalidade em nada combinou com sua estética musical. Para os fãs da conterrânea Jonna Lee, nome responsável pelo projeto enigmático iamamiwhoami, talvez a semelhança renda alguma simpatia. Felizmente, ambas ficaram de fora do novo álbum.

É evidente que Assbring voltou vinte anos no tempo para resgatar os beats e loops daquela época, fazendo da maioria das canções um verdadeiro hino ao pop (que, diga-se de passagem, me agradou bastante; eu ainda sou um saudosista fervoroso dos anos 90). O primeiro single Walk On By, como a própria cantora ressaltou, é uma nostalgia, o que se prova tanto na construção da melodia quanto na produção do vídeo, abusando de cores extravagantes e efeitos especiais bem primitivos.

Arrisco dizer que El Perro Del Mar também se cercou do novo estilo obscuro adotado pela amiga Lykke Li, do seu mais recente álbum “Wounded Rhymes”. É só ouvir Hold Off The Dawn e começar a reconhecer as similaridades. A única exceção de tantos ritmos, entretanto, é Love In Vain, cuja introdução finca os dedos no dub, mas que ligeiramente volta a ter as características de Sarah.

Podcast: Paulo Tristão

Paulo Tristão

Paulo Tristão é o mais fofo de todos na nossa querida panelinha. Ele é sensível, chora de emoção quando ou vê algo que bate fundo no seu coração. Compartilha tudo que é pop, tudo que escandaliza e ahaza os quarteirões de nossas vidas. Ele forma um dos casais mais românticos que conheço até hoje – e o melhor é que não vai demorar muito para conhecê-los pessoalmente. Ele é conterrâneo do Piano Black, mas nunca marcaram uma edição carioca do Google Reader. Paulo tomou todo o cuidado e carinho para montar seu playlist: quis respeitar o clima do blog tocando algumas ladies que já passaram por aqui (porque Gaga não é a única lady), além de outras bandas que têm seu lugarzinho garantido no cenário indie-power-pop. Como o repertório fecha com muita nostalgia – saudades de quando me jogava na pista ao som de Courtney Love e Deborah Harry -,  resolvi deixar uma surpresinha para encerrar minha homenagem. Será que você vai gostar, Tristão? :D

MP3 | 192 Kpbs | 63.7 Mb | 46’23″ | download

01. Hello Saferide: Anna
02. Lykke Li: Let It Fall
03. Lisa Miskovsky: Lady Stardust
04. Lenka: The Show
05. Someone Still Loves You Boris Yeltsin: Think I Wanna Die
06. Soko: I’ll Kill Her
07. Oh Land: Heavy Eyes
08. Annemarie: Apple (Suicide On Your Stereo Set)
09. Arrah & The Ferns: Preteens
10. The Secret Handshake: TGIF
11. Hole: Malibu
12. Blondie: Maria
13. Journey: Don’t Stop Believin’

Bônus:
14. Garbage: Cherry Lips (Go Baby Go!)

Röyksopp: Junior

Saiu o disco “Junior” essa semana do Röyksopp. De primeira, não gostei nem um pouco. Aquele lance de ficar produzindo electro só porque tá em voga no mundo inteiro já encheu o meu saco. E, para quem já escutou os outros álbuns da dupla, “Melody A.M.” e “The Understanding”, vai entender direitinho o que eu estou falando.

Não tem nem como comparar com os trabalhos anteriores. O som é muito diferente e, diga-se de passagem, bem dance music, daquelas que fica tocando nessas rádios pop. O primeiro single Happy Up Here me deixou com um fio de expectativa por ser exatamente a cara dos noruegueses. É só pular para a faixa seguinte, The Girl And The Robot, que o mundo desaba na decepção. O loop infindável de sintetizadores no fundo irrita um pouco. Talvez a voz de Robyn (ela ainda existe?) ajude a tornar a música mais agradável, mas o loop continua martelando na cabeça e me faz passar para a próxima. As melodias mais calmas do álbum, como You Don’t Have A Clue e Miss It So Much, cantadas respectivamente por Anneli Drecker e Lykke Li, aliviam meu arrependimento; a voz pura e sem efeitos distorcidos mantém a doçura de cada uma delas.

Röyksopp tentou repetir o sucesso garantido de What Else Is There – que, aliás, tocou sem parar em várias rádios daqui  não entendo por quê – convidando a mesma cantora, Karin Dreijer (sim, é ela mesma, a vocalista do The Knife que resolveu se jogar sozinha no projeto insuportável Fever Ray), em duas faixas, This Must Be It e Tricky Tricky. Ambas possuem um tom crescente na voz de Karin, tornando s melodias mais animadoras do que o esperado. Silver Cruiser e Royksopp Forever, apesar de serem instrumentais, são as faixas que abrem exceção ao repertório do disco, dignas de melodias chillout.

Confira o novo clipe:

Lykke Li

Lykke Li

Lykke Li começou a fazer sucesso graças ao seu perfil no MySpace. Várias músicas demo estavam disponíveis para download, o que atraiu a atenção de vários curiosos sedentos por novidades musicais. Mas a fama demorou a vir, pois só em 2007 é que ela conseguiu lançar o primeiro EP, “Little Bit” (só três faixas, provavelmente para justificar o título do single).

Sua cultura é bem diversificada, se assim posso dizer. Apesar da nacionalidade sueca, Li Lykke Timotej Zachrisson (nem vou tentar pronunciar) passou parte da sua infância em Portugal, Marrocos, Índia e até Nepal. Se pensar que a garota só tem 22 anos, suas viagens são de causar inveja em qualquer um.

Seu primeiro álbum “Youth Novels”, lançado esse ano mesmo ano passado, teve repercussão positiva em praticamente toda a Europa e também nas terras do Tio Sam (com um pouco de atraso, como é de costume quando os artistas são do Mundo Velho). Foi em terra estrangeira, mais precisamente em Nova York, que Likke Li gravou seu álbum em apenas três meses – e pensar que ela só tinha 19 anos, um bom exemplo dessa safra de artistas bem jovens. Suas músicas vão do folk ao pop, com todo tipo de influência que você imaginar:

When I was very little I was into Michael Jackson. At six or seven it was Madonna, but she’s not what she used to be. I’ve been into everything from Edith Piaf to Joe Strummer to the Velvet Underground to Suicide to A Tribe Called Quest to African music. (The Observer)

Likke agora é conhecida e reconhecida até pela MTV, além de ter seus méritos pelo Swedish Grammy Awards com o vídeo Little Bit.

Retrozão 2008: melhores cantoras (versão twitter)

Srta. Bia, via twitter, começou um retrozão digno de um post: as melhores cantoras de 2008. Acompanhem o diálogo (leia de baixo para cima).

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Lenka, sinônimo de meiguice

É difícil isso acontecer: amor à primeira ouvida. Não que seja raro, mas não é sempre que escuto uma única música e já me apaixono pela voz ou pela melodia. (lembro de ter tido a mesma sensação com o “Binaural” do Pearl Jam e, claro, “Reveal” do R.E.M.)

Lenka

Como sei que minhas preferências musicais às vezes sofrem preconceito com meus colegas de trabalho – também pudera, eu sou super radical com as preferências musicais deles -, já me preparei para as pedradas. Entretanto, a recepção foi boa, só um deles falou que parece a Lilly Allen (sem link porque ela não merece). Mas não se preocupe, não tem nada a ver com a Lilly, pelo contrário, Lenka (que nome é esse, afinal?) é muito mais animada, afinada e, acima de tudo, muito mais meiga. Uma doçura de pop. Não sei muto sobre ela ainda, assim como todos os outros reviews que li por aí: menina australiana que treinou seus dotes de atriz com Cate Blanchett e que depois se mudou para a Califórnia tentar sua carreira de cantora.

Quando comecei a ouvir o álbum, veio à mente algumas referências femininas: Lykke Li, St. VincentNew Buffalo e até Feist. Já deu para perceber como ela é boa – e como você pode confiar cegamente no meu gosto musical.