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Retrô 2012 [Parte 3]

podcast

Última parte da retrospectiva 2012. Ao selecionar as músicas, tive a impressão de que o começo do ano foi bem mais legal do que agora nos últimos meses.

01. Bat For Lashes: Laura
02. Melody Gardot: Goodbye
03. Jesca Hoop: Hospital (Win Your Love)
04. Blue Foundation: Just A Hand
05. Archive: Violently
06. 2:54: Killer
07. Norah Jones: Happy Pills
08. Marlango: Gira
09. Electric Guest: This Head I Hold
10. Memoryhouse: The Kids Were Wrong
11. Desire: Under Your Spell (trilha sonora de “Drive”)
12. Tennis: Origins
13. Big Sir: Regions

*Quase esqueci delas:
14. Tracey Thorn: Joy
15. Clare And The Reasons: The Lake

Marlango: Un Día Extraordinario

Marlango

Como não falar de novo do Marlango? Minha paixão começou com “The Electrical Morning”; logo depois a paixão se transformou em puro amor com “Life In The Treehouse”, o qual eu pequei por não ter resenhado, por menor que fosse a homenagem. Agora, como prova de que o sentimento pode durar uma eternidade – mesmo que poeticamente falando -, o trio espanhol lança um disco gravado todo em castelhano. Tenho resistência à línguas estrangeiras que não o inglês (Odio París serve de referência para essas raras exceções), contudo Marlango conseguiu me cativar ainda mais com essa modesta ousadia. “Un Día Extraordinario” tem sua particularidade não só pela língua, mas como esse fator influencia diretamente na letra e na melodia de todas as dez faixas.

O romantismo continua ali bem sutil, aquele orvalho que enfeita a grama logo de manhã. Os instrumentos, assim como os arranjos, também permanecem tão serenos quanto os do álbum anterior. Cada disco tem sua música marcante, e nesse novo trabalho não poderia ser diferente: Gira me transmite paz de espírito e me faz navegar inconscientemente por devaneios intermináveis (traduzindo toda essa ladainha, deixo no repeat até esgotar minha paciência).

Nem por isso deixo passar as outras canções em vão. Dame La Razón inaugura o repertório com notas abafadas de violão, logo adornadas pela charmosa voz de Leonor Watling (agora muito mais charmosa cantando em espanhol). Bocas Prestadas e Todo Es Tan Importante lembram bastante os primeiros trabalhos de Marlango, como se elas tivessem sido traduzidas especialmente para isso: muito piano, alguns retoques de saxofone e percussão saliente para acentuar a delicadeza delas. Eis, então, que nos deparamos com Si Yo Fuera Otra e Exquisita, talvez as duas únicas que deslizam sobre as típicas danças espanholas. Uma ponta de drama exagerado faz presença em Ir e Un Día Sin Ti, outro elemento que se aproxima demais das características sonoras do país deles. Confira a seguir o vídeo oficial de Dame La Razón:

Podcast #7: Apaixone-se

Quero ver todo mundo se apaixonando a partir de agora. Do rock ao trip-hop, do violão ao piano, quase sempre acompanhados dos meus vocais femininos favoritos. Ouça e apaixone-se.


MP3 | 192 Kpbs | 51,4 Mb | 37’26″ | download

01. Corinne Bailey Rae: Low Red Moon (Belly cover)
02. Grand National: Little Bin
03. Sophie Hunger: Shape
04. Canidas: Asylum
05. Azure Ray: Don’t Leave My Mind
06. Marlango: The Answer
07. The Postmarks: Three Little Birds (Bob Marley cover)
08. Tracey Thorn: You Are A Lover (The Unbending Trees cover)
09. Amanda Palmer: On An Unknown Beach (Peter Jefferies cover)
10. Four Tet: Angel Echoes

Posts postergados

Eu gostaria muito de ter finalizado e publicados os seguintes posts para esse ano, porém a preguiça e a falta de inspiração vão deixá-los para 2011:

Música:
Blackbird Blackbird
The Bilinda Butchers
Memoryhouse
Tennis (Floga-se já falou bastante sobre eles)
Caro Emerald
M83
Marlango (novo álbum)
Elizabeth & The Catapult (novo álbum)
Duffy (novo álbum, que por sinal não vi ninguém falando bem ou ruim)
Daniel Land & The Modern Painters

Livros:
Chuck Palahniuk: Rant: An Oral Biography of Buster Casey
Jeff Lindsay
: Dexter Is Delicious (uma pena a capa do livro que eu encomendei não ser a mesma)
Kurt Vonnegut: Deus o Abençoe, Dr. Kevorkian
Kurt Vonnegut: Café da Manhã dos Campeões (ainda estou lendo, mas sei que poderia terminar fácil em uma semana)

Retrô 2010

Poços de Cadas, MG

Eu sei que ainda está cedo para fazer retrospectiva, mas o ano de 2010 praticamente acabou para mim. Ainda pode acontecer muita coisa em menos de um mês, mas sequer meu relógio biológico está colaborando (tive algumas gafes por pensar que estivesse uma semana à frente de todos).

Simplesmente não tenho do que reclamar. Comecei o ano na praia, terminei meu namoro/casamento de cinco anos – o que para muitos, para não dizer todo mundo, foi uma surpresa em tanto -, fiz novas amizades (online e offline, como é de costume), voltei a sair e a dançar  – e muito – com os novos e velhos amigos (além de reencontrar alguns que moram longe), arrisquei alguns podcasts (com edições especiais da turma do Google Reader), encontrei meu bar preferido, fui a muitos shows, fui promovido, viajei pela primeira vez para a Europa (e mesmo assim reclamei do metrô de Paris, apesar de ter me fascinado com Versailles), estourei meu cartão de crédito e deixei minha conta corrente menstruada de tão vermelha que estava. Como disse meu ex, aproveitei tudo o que não consegui nos últimos cinco anos. Verdade ou não, tenho que concordar.

Aqui no blog, como puderam perceber, ficou meio parado de uns meses para cá. Não é culpa do tempo, de trabalho e muito menos da preguiça. A culpa é só minha, mas como toda promessa para o ano que se aproxima, vou tentar retomar o ritmo diário de posts – quem sabe assim ele não faz jus ao nome. Aqui deixo a lista dos vinte discos lançados e mais ouvidos por mim em 2010. Como o Last.fm não condiz muito com minha realidade  musical (ah se eu pudesse sincronizar meu celular), fiz questão de vasculhar os posts desde janeiro – até que não deu muito trabalho, para falar a verdade. O ranking não significa absolutamente nada, pois todos eles têm igual relevância e intensidade na frequência com que foram apreciados.

01. Elk City: House Of Tongues
02. Brisa Roché: Right Now
03. Blonde Redhead: Penny Sparkle
04. Tracey Thorn: Love And Its Opposite
05. Sally Seltmann: Heart That’s Pounding
06. Land Of Talk: Cloak And Cipher
07. Clare Bowditch: Modern Day Addiction
08. Andreya Triana: Lost Where I Belong
09. Betty Steeles: Betty Steeles
10. Bonobo: Black Sands
11. Holly Miranda: The Magician’s Private Library
12. Massive Attack: Heligoland
13. Four Tet: There Is Love In You
14. Marlango: Life In The Treehouse
15. Belleruche: 270 Stories
16. Unkle: Where Did The Night Fall
17. Badly Drawn Boy: It’s What I’m Thinking (Part 1)
18. Kate Nash: My Best Friend Is You
19. The Radio Dept.: Clinging To A Scheme
20. Azure Ray: Drawing Down The Moon

Bônus:
21. The Clientele: Minotaur
22. Matthew Herbert: One One

E na estante, quem ganhou o prêmio de mais lido foi Chuck Palahniuk (ainda tem uns três livros na fila), sendo que a vice-liderança ficou com Jeff Lindsay (nosso adorável serial killer Dexter vem ganhando notoriedade há alguns anos, como todos sabem). Kurt Vonnegut conseguiu seu troféu de prata apenas com três livros (mais uns três livros me esperam ansiosamente), quantidade suficiente para me convencer de sua qualidade sarcástica. Os livros que inspiraram os filmes desse ano (e talvez alguns do ano passado, não me recordo agora) também fizeram parte da minha coleção literária de 2010 – um vício recém-adquirido que provavelmente não será interrrompido no ano seguinte.

Marlango

Marlango

Eles são espanhóis, mas todas as músicas são cantadas em inglês. Pouco importa a nacionalidade ou a língua cantada, o resultado seria tão bom quanto. Leonor Watling estreou sua carreira como produtora e atriz – um bom começo para ser reconhecida posteriormente como cantora. Se alguém já assistiu ao filme de Almodóvar “Fale Com Ela”, com certeza vai lembrar do rosto dela.

Ela e Alejandro, um excelente tocador de piano, se juntaram para gravar algumas faixas demo e, mais tarde, Oscar, um trompetista vindo de Nova York, se interessou pelos ensaios musicais. Esse foi o momento para gravar o primeiro álbum do trio Marlango, uma deliciosa mistura de jazz com um tango calmo e romântico (quase que uma bossa nova). O segundo trabalho do trio, “Automatic Imperfection”, continuou com a mesma linha musical, puxando um pouco mais para o trompete mas variando entre diversos instrumentos.

“The Electrical Morning” é o melhor álbum deles, na minha singela opinião. Muito mais agitado – sem menosprezar, claro, a tranquilidade dos outros – e muito mais emoção sentida na voz grave e delicada de Eleonor. No single de estréia Hold Me Tight, Alejandro arrepia no solo de piano – e eu também me arrepio da cabeça aos pés toda vez que a ouço. Por falar em piano, é notável a presença de sua performance em quase todas as faixas. Minha segunda favorita, Walkin’ In Soho, tem um vídeo cuja paisagem desértica completa o surrealismo das imagens – tudo é curiosamente exótico: o lugar, que mais parece um ferro-velho, as roupas, as coreografias.

Confira todos os vídeos e escute todos os álbums no site oficial do Marlango. Você vai adorar, eu garanto a você. ;)