Nunca fui fã assíduo do Metric, admito. Prefiro muito mais o projeto solo da Emily Haines, líder do grupo originalmente formado em Nova York mas que agora tem como pátria o Canadá. Entretanto, nenhum dos três álbums até agora me detiveram tanto quanto o quarto, cujo lançamento está previsto para o mês que vem (mas que você pode conferir na íntegra lá no site oficial deles).

Sendo mais franco ainda, o disco que até então eu ouvia sem parar – e olha que não eram todas as faixas – era “Grow Up And Blow Away”, principalmente Soft Rock Star. Fora isso, mais nada. Agora com “Fantasies” é diferente: eu escuto todas sem exceção e sem parar.
Para começar, Help Me Alive, single de estréia que ganhou versão acústica (vai lá no site para baixar, é de graça), ganha força progressiva na bateria enquanto Emily solta aos poucos versos amigáveis como I tremble / They’re gonna eat me alive e, logo depois, já entra na frase principal da música com My heart keeps beating like a hammer. A introdução da próxima, Sick Muse, me fez vibrar porque é quase igual ao comecinho de Special do Garbage, e porque Haines coloca o coração na boca para cantar Everybody, everybody just wanna fall in love / Everybody, everybody just wanna play the lead. As guitarras de Satellite Mind remexe qualquer esqueleto e quase estoura qualquer tímpano se estiver no último volume. Para dar uma pausa, Twilight Galaxy relaxa as mentes perturbadas com um sitentizador de fundo – mesmo que ela não cante para isso: Go higher than high /Go lower than deep / Keep doing it wrong / Keep singing alone.
Mal dá para descansar e Metric volta com tudo com Gold Guns Girls – minha preferida, por sinal -, dando a impressão de que não estão satisfeitos (Is it ever gonna be enough?). Gimme Sympathy é a mais pop de todas, outra faixa que recebeu uma versão mais desplugada. Collect Call se atreve com uma leve melodia eletrônica do início ao fim, tornando-se a mais balada do álbum. Front Row rasga com um riff pesado e abafa de propósito a voz de Emily. Blindness soa melancólica por causa do protesto contra a maldade desenfreada do ser humano, tanto que até a batida pacífica e tímida só aparece no meio da música. E, para terminar, Stadium Love resume toda a empolgação do repertório como se realmente estívessemos em um estádio.
Agora me fala se não valeu a pena?