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    31/08/2009Música

    Já passei da fase de dançar, pular e gritar ao som de techno, house e gêneros eletrônicos similares. Contudo, ainda há resquícios dessa época agitada em minhas veias (a nostalgia fica por conta da minha pobre e fraca memória). Gus Gus é o típico grupo que me faz lembrar dos bons tempos de música eletrônica, especialmente no início da década de 90 – a década atual significou para mim o início de um assassinato à verdadeira música.

    “Forever” expressa exatamente essa sensação de que ainda há o que salvar desse mundo perdido. Vocais agudos, versos pequenos e estrofes curtíssimas; às vezes basta uma palavra ou duas para preencher a melodia inteira (mesmo que não faça sentido algum), seguindo seu percurso com batidas rápidas e efeitos especiais os quais só os computadores podem oferecer ? claro que eventualmente um instrumento convencional ajuda a complementar o ritmo robotizado. (aí você faz aquela cara de paisagem e me pergunta: é isso que você chama de verdadeira música?)

    Gus Gus agora conta com só três pessoas: Biggi Veira (Birgir Thorarinsson), Earth (é a vocalista, já que o nome original também não ajuda muito a definir o sexo: Urður Hákonardóttir) e President Bongo (Stephan Stephensen). A formação original, com nove integrantes, tinha como vocalistas a novíssima Hafdís Huld – ela tinha 15 anos quando ingressou no grupo – e Emiliana Torrini, que colaborou com uma música para o segundo filme da trilogia Senhor dos Anéis.

    Com nomes tão estranhos, não é difícil de adivinhar que todos são da mesma terra de Björk, a Islândia. Talvez pelo sucesso dela, tanto pela sua inovação musical como pelas roupas (quem se lembra do “cisne” no Oscar?), Gus Gus surgiu como uma revelação experimental, mas que aos poucos conseguiu edificar sua identidade ? nem que para isso tivesse evasão da maioria dos colaboradores – fazendo da música eletrônica algo mais acessível para ouvidos acostumados só com o pop chato e sem graça de sempre.

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    10/06/2009Música

    Orbital

    Não, eu não sou fã. Sequer conheço todas as músicas da dupla Paul Hartnoll e Phil Hartnoll. Mas com certeza você já ouviu Orbital em algum lugar, mesmo sem se recordar onde, quando ou como. Os dois discos que carimbaram minha memória foram “The Middle Of Nowhere” (1999) e “The Altogether” (2001) -- você encontrava em qualquer loja de esquina. Infelizmente eles não ficaram tão conhecidos quanto The Crystal Method ou The Chemical Brothers, mas tiveram seu reconhecimento no outro lado do mundo (essas bandas de cá são tão limitadas…). Começaram há vinte anos fazendo a velha música eletrônica, o esquecido techno. Nada muito de excepcional, tenho que concordar (não é também meu estilo preferido), mas que mereceram seu lugarzinho entre tantos destaques da cena eletrônica perdida dos anos 90.

    Agora eles lançam uma segunda coletânea (a primeira foi para compactar a carreira entre 1989 e 2002), intitulada 20, com remixes e versões ao vivo inéditas, além dos singles que fizeram hits nas pistas de dança -- eu ainda era uma criança… rs! Curiosidade: nossa amiga Alison Goldfrapp participou de duas músicas no disco “Snivilisation” (1994), quando estava longe de lançar seu primeiro trabalho (depois ela voltou a cantar com eles no TMON).

    Confira o vídeo do single The Box. Conseguiu reconhecer a atriz?

    Para fechar, meu vídeo preferido do dueto. Não só pela criatividade da história mas pelo enredo também -- é tema de “O Santo”, filme que até hoje eu não assisti e cuja trilha sonora é um desbunde em quesito de música eletrônica:

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    20/05/2009Música

    The Crystal Method

    Eu conheço The Crystal Method praticamente de nome – lembro que eles fizeram um remix estonteante de I Think I’m Paranoid do Garbage. Realmente foi uma dos duetos que se destacaram no início dos anos 90, auge de várias vertentes da música eletrônica, entre elas techno, drum’n'bass (não sei por que jungle era sinônimo) e o breakbeat – joga aí na bacia Fatboy Slim, The Prodigy, The Chemical Brothers e Groove Armada (nem precisa de link porque são figurignhas pra lá de carimbadas). A dupla californiana, composta por Ken Jordan e Scott Kirkland, estava na mesma prateleira de sucesso que Orbital, ou seja, quase ninguém se dava conta de que eles eram tão famosos quanto os que acabei de citar.

    Já comentei o que penso da música eletrônica atual, então pulo essa parte. Vamos ao que interessa: “Divided By Night”, quarto disco de estúdio do The Crystal Method, traz à tona o melhor da música eletrônica daquela época (os anos 90 já estão beirando “vinte anos atrás”, mas eu não quero pensar nisso agora…rs!), música essa que não existe mais nos anos 2000. O trabalho de construir uma melodia coerente, com introdução de loops frequentes, beats e batidas pulsantes crescentes, sintetizadores ganhando força no fundo para estourar os tímpanos no ápice do refrão, scratches que dão a súbita pausa para acalmar os nervos parecem uma receita de bolo ultrapassada e sem sabor. Só que Ken e Scott guardaram a receita a sete chaves e ressucitaram em todo o repertório do novo trabalho.

    Os vocais têm peso, é fato, tanto que os convidados variam entre rappers e cantoras de rock. Porém, serviram muito bem para dar o incremento na “arte final” da produção. A faixa instrumental, que abre e dá título ao álbum, dita o caminho a ser trilhado: pura agitação. O primeiro single Drown In The Now mostra o lado mais gangsta do duo, mergulhando depois no electro de Kling To The Wreckage, abafado pelos acordes mais acentuados de guitarra. Double Down Under é outra melodia instrumental perfeita para trilha sonora de um filme de ação (será que eles quiseram matar saudades?). Dentre as minhas favoritas, senão as melhores do disco, estão Come Back Clean, cuja sequência rítmica dos versos cantados por Emily Haines se desenrolam fácil nos diversos efeitos eletrônicos; Slipstream, em contrapartida, é a versão masculina de Emily, cedendo a breaks mais graves e distorcidos para dar ênfase na voz um tanto ríspida de Jason Lytle. Senti que migalhas de trance foram jogadas em Black Rainbows e Falling Hard encerra a festa com uma bela balada de quase sete minutos.

    Drown In The Now (feat. Matisyahu)

    Divided By Night

    Slipstream (feat. Jason Lytle)

    Come Back Clean (feat. Emily Haines)

    Garbage – I Think I’m Crystalized

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    24/03/2009Música

    O show do Radiohead era muito esperado por todos. Eu não esperava tanto assim. Não sou fã a ponto de ficar lá na frente só para ver mais de perto a feiúra de Thom Yorke, vocalista e líder da banda.

    Kraftwerk em SP, 22.03.09
    Kraftwerk em SP, 22.03.09 Kraftwerk em SP, 22.03.09 Kraftwerk em SP, 22.03.09 Krafwerk em SP, 22.03.09 Kraftwerk em SP, 22.03.09 Kraftwerk em SP, 22.03.09

    Bom, antes de tudo, vamos falar de Kraftwerk. Assim que os insuportáveis Los Hermanos saíram, logo a molecada vazou feito água pelo ralo e a turma mais adulta (para não dizer mais velha) se apoderou vagarosamente do lugar. A empolgação já se percebia pelos gritos da multidão que acompanhava o passo-a-passo da preparação do palco para o grupo alemão entrar em cena. A videografia que seguia de acordo com o ritmo das músicas realmente foi de encantar os olhos. Se alguém ainda não sabe, Kraftwerk é o grupo que inventou a música eletrônica, bem no comecinho da década de 70. Há de concordar que naquela época eles eram totalmente desprovidos de tecnologia – o que fazia deles uma grande novidade, e com razão -, porém o impacto da simplicidade mesmo assim não esmaeceu para quem os viu ao vivo. O repertório ficou com as mais conhecidas, tanto que eu pulava feito um boneco de posto de gasolina com Tour De France, Das Model e Musique Non Stop. Os vovôs da música eletrônica não pecaram em nada em sua uma hora de apresentação e com certeza não decepcionaram seu público.

    E chega a hora de entrar Radiohead. Quando as barras metálicas que enfeitavam as laterais do palco se moveram para o centro, o público logo foi se amontoando onde podia para tentar ficar o mais próximo possível (eu que não tenho mais idade e paciência para muvucas, fiz questão de ficar em um lugar mais arejado e menos claustrofóbico). Quem esperava um show dos hits deve ter se decepcionado muito ou, no mínimo, em parte. Mesmo sendo a primeira visita da banda ao Brasil, o setlist não foi alterado em quase nada. A turnê para divulgar o último álbum “In Rainbows” (2007) seguiu à risca como em outros países: eles tocaram praticamente todas as faixas, abrindo exceção para uma ou duas músicas de cada um dos discos anteriores. Das que eu lembro de ter escutado – fazia dois anos que eu não encostava nesse disco -, fiquei satisfeito em pelo menos ter lembrado o título das músicas: 15 Step (faixa de abertura do show), All I Need, Reckoner (não sei o que aconteceu, mas Thom perdeu força e sua voz foi completamente abafada pelos instrumentos, motivo pelo qual deixou muito a desejar), Bodysnatchers e a maravilhosa Videotape (lembrei na hora do Max Reinert, cuja canção inspirou um post seu).

    Foram elas, aliás, que eu mais apreciei de ter ouvido: a sequência de batidas fortes que introduz There, There me hipnotizou; a guitarra pesada de The National Anthem me tirou do chão; Idioteque me fez balançar os esqueletos com a sequência eletrônica que a banda se deu o luxo de prolongar por mais alguns segundos; o solo de poucos acordes de Talk Show Host ficou tão perfeita quando a original; Exit Music (For A Film), apesar de ser quase uma acapella, conseguiu arrancar coro da platéia nos versos finais, assim como em Paranoid Android (essa já no primeiro bis); Everything In Its Right Place ganhou vida na minha voz (desafinado e quase rouco, mas continuei confiante ao tentar acompanhar o timbre de Thom… rs!); Lucky só não levantou tanto o público pois veio logo depois de Fake Plastic Trees, a música mais famosa do grupo inglês; Karma Police, outro single conhecido, deu a impressão de ter sido tocada forçosamente, como se fosse uma obrigação. Preciso citar que eles cantaram Creep? (com direito aos palavrões da versão proibida… rs!)

    Outras músicas, entretanto, destoaram completamente do repertório: Optmistic, Pyramid Song, The Gloaming e You And Whose Army? poderiam ser perfeitamente substituídas por outros tantos hits da banda – por que eles não tocaram Street Spirit (Fade Out), como fizeram no México? Ou, ainda, por que não tocaram Stop Whispering, um dos primeiros sucessos? Nenhum show é perfeito, mas para quem é fã nunca há defeitos. Não foi o melhor show do ano só por causa do Radiohead, como andaram falando por aí. Na minha opinião, Kraftwerk foi o que contribuiu para que o ingresso valesse cada centavo.

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    17/02/2009Música

    Paul's SetFlickr de Dan McPharlin: Miniatures

    Tenho a leve impressão de que os recentes artistas da música eletrônica – quando digo recente, quero dizer de 2000 até hoje – estão transformando seus trabalhos em verdadeiros e pobres clichês. Não sei bem por onde começar, quem sabe pelo electro. Lembro perfeitamente bem de como adorava – ainda gosto, aliás – escutar os primeiros álbuns ecléticos do Chicks On Speed ou do Ladytron e curtir o clima retrô do Felix Da Housecat. Alguém me indica uma boa banda de electro sem ser ou que tenha qualquer semelhança com o Hot Chip? (eles são deploráveis)

    De uns anos para cá, tenho seguido artistas que conseguem criar sem esforços a própria identidade musical, tais como Air, Bent, Télépopmusik, Röyksopp, Bonobo e até Matthew Herbert (esse último puxa mais para o jazz, mas entra na roda). Outros mais descolados da cena alternativa, como The Avalanches, DJ Shadow e Wax Tailor, também conseguiram erguer seu mérito com a brincadeira incansável de construir músicas à base de samples de filmes. Produtores cuja discografia não sigo com tanta fidelidade, como Nightmares On Wax, Soulwax e The Herbaliser, se destacam pelas suas ótimas influências do funk e do soul – apesar de curtirem bastante um hip-hop.

    Artistas mais antigos e mais conhecidos, como The Chemical Brothers, Basement Jaxx, Groove Armada, Fatboy Slim e Daft Punk, a cada ano escorregam feio na falta de criatividade. Alguns tentam causar polêmica com videoclipes que só servem para deixar a música em segundo plano (já que ela sozinha não faz a menor diferença). Adivinha de quem estou falando? Do Justice, claro.

    Posso estar muito exigente – será que a idade faz isso conosco, nos deixando mais rabugentos e menos abertos a novidades? -, posso não querer dar oportunidade para bandas relativamente novas como Cut Copy, Empire Of The Sun (que capa é essa, minha gente?), Simian Mobile Disco, MSTRKRFT (Masterkraft, para quem como eu não decifrou as siglas), Miami Horror (a inspiração setentista me assustou um pouco), Hercules And Love Affair (é com o Antony, por acaso?), e tantas outras que aparecem do nada… mas sempre que penso na possibilidade de experimentar um novo som, esbarro naquele obstáculo lá do começo: verdadeiros e pobres clichês. Acho que eles estão precisando ter umas boas aulas com os vovôs do Kraftwerk. Isso sim é música eletrônica autêntica.

    E esse tal de MGMT? O que eles tocam de bom, hein? (brincadeirinha, é só para irritar os fãs… rs!)

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