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Ucha
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15/04/2009WhateverEu quis fazer surpresa. Nem avisei que tinha pegado a gatinha tigrada. Já tinha mostrado algumas fotos, mas a escolha foi rápida – ela tinha uma amiguinha, mas não tinha como trazer as duas. Dois gatos são mais do que suficientes, pelo menos para quem mora em apartamentos pequenos.
O meu receio, assim como o de todos que têm mais de um bichano em casa, é a briga. É natural, todos sabem, mas não tem como não se preocupar. E se a Ucha tentasse roubar o espaço do Nestor? E se o Nestor estranhasse a visita permanente da Ucha? Várias situações passaram como um flash pela cabeça. Mas felizmente correu tudo ao contrário.
Ucha ficou seus dois primeiros dias na casa do meu irmão, pois tínhamos viajado no final de semana. Nsetor já estava, como de costume, instalado na casa dele tranquilamente, sem saber que uma nova companheira estava por vir. Segundo relatos do meu irmão, Nestor foi quem estranhou de imediato: arregalou os olhos, ficou medo e saiu correndo. Ela, curiosa como qualquer gato, começou a cheirar o apartamento inteiro. Nestor, cauteloso e receoso, só olhava e mantinha distância. Aos poucos, os dois começaram a se aproximar. Um cheirando o outro, Nestor lambendo sua nova colega sem parar. (um bom sinal de amizade)
Quando finalmente vieram para o verdadeiro lar, percebemos o lado paterno do Nestor. Onde Ucha ia, Nestor ia atrás. Olhar atento, alguns miados de alerta, frequentes lambidas, quase sempre dormem juntos (por enquanto ela cabe na cama dele). O cuidado parecia até fora do normal. Eis, porém, que repentinamente Nestor pula em cima da filhota. Imaginem um gato de quase sete quilos se jogando em uma gata de apenas três meses. O susto foi grande, tanto que os gritos de desespero de Ucha nos deixavam de ouvidos atentos a todo instante.
Entretanto, com o passar do tempo, notamos que eram singelas brincadeiras. Talvez Nestor não tenha noção de seu tamanho e peso, por isso as brincadeiras pareciam verdadeiros torneios de luta livre. Dona Ucha, por outro lado, também bem que gosta de provocar. Espivetada, não pára um segundo. Corre de um lado para o outro, gosta de mexer com o rabo do novo colega e arranha debaixo do sofá inúmeras vezes – para quê serve o arranhador, me digam?
Acho que a cena mais graciosa que presenciei – era de madrugada e não estava tão acordado assim – foi Ucha mamando no Nestor. Instintivamente, claro. Nestor é macho e nunca deu leite. Como Ucha não teve a oportunidade de conhecer a mãe logo após seu nascimento, ela provavelmente tenta matar saudades com o Nestor. E o mais legal é que ele não reclama.
Agora ela até que está crescendo (a gente nunca percebe; deve ser por isso que os pais sempre chamam seus filhos de crianças), já deixou o leite de lado e está começando a comer ração com mais frequência (e a pedir comida com miados cada vez mais estridentes), principalmente a do Nestor. Mas tudo bem, eu não preciso me preocupar. Por mais que eu tente separar o banheiro – o da Ucha é rosinha, uma graça – ou colocar os pratos de cada um longe um do outro, não adianta. Eles não estão nem aí: a troca é mútua e consensual. Quem sabe, quando Ucha estiver mais adulta, o casal de amigos se transforme em um lindo casal de namorados.
Tags: gata, gato, gatos, nestor, ucha
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04/04/2009WhateverTags: nestor, ucha -
Nestor
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28/02/2009BlogosferaQuando a gente finalmente resolveu trazê-lo para casa, ele já tinha quase um ano de vida. Hoje, já para fazer dois em junho, nem dá para comparar – só lembrando mesmo – com o tamanho e delicadeza que ele tinha quando foi encontrado pelo minha sogra. Estava chovendo e, mesmo sem poder enxergar direito, avistou um ser vivo abandonado na rua, encharcado e com medo.
Minha sogra mora no interior, em uma casa não tão grande assim, mas que consegue comportar, além de sua filha e seu marido, oito hóspedes: Pequena, Dodô, Nina, Sansão, Snow, Julie, Ucha e Mel. A recepção não foi lá muito calorosa. Pequena, já velhinha porém muito rabugenta, foi a primeira a se incomodar com a presença do recém-chegado. Assim que Nestor se instalou provisoriamente no quarto da minha cunhada, Pequena corria para perturbá-lo: perseguia, gritava, ameaçava bater nele. Sansão, que apesar do nome é o mais medroso de todos (tem pavor de trovões e rojões e vive escondido debaixo da cama), também não pestanejava em mostrar seus ciúmes. O único que realmente gostou do novo residente foi Snow: logo se jogou em cima do Nestor e começou a fazer carinho até se cansar.
Como os “donos da casa” não gostaram muito da idéia de o Nestor ser mais um membro da família, minha sogra foi obrigada a deixá-lo na edícula. Não foi por maldade, ela mesma ficou com o coração na mão só de pensar que ele iria passar praticamente o dia inteiro fechado em um lugar quase escuro e isolado da casa. Minha cunhada ficou incumbida de levar sua comida e trocar sua água quando ele dava o alerta de fome. Pequena, para variar, assim que ouvia Nestor já corria na frente para atanazar a vida dele – ela que é cardíaca, podia ser um pouco mais piedosa. Quando eu e meu namorado chegamos para conhecer o novo visitante, nos encantamos. Desde pequeno foi sempre muito carinhoso, vinha nos cumprimentar com suas unhas afiadas, com os olhos arregalados de poder estar, mesmo que por algumas horas, longe de seu obscuro recinto improvisado.
Demorou até eu e a mãe do meu namorado convencê-lo a trazer Nestor para São Paulo; só ano passado é que pôde ter uma casa (aliás, um apartamento) inteira só para ele. Sempre tive receio de ter mais um acompanhante em casa, ainda mais com a má fama que sempre ouvi por aí – hoje sei que todos esses comentários são injustos – sobre eles serem ariscos, desconfiados e anti-sociais. Quando Nestor chegou em casa, ele prontamente vasculhou todos os cantos possíveis. Logo tratei de comprar comida apropriada e uns brinquedinhos para ele se acostumar com o novo ambienter; arrumei o banheiro dele no nosso banheiro (depois mudamos para a área de serviço por causa da bagunça ao se limpar) e a cama dele até hoje fica perto da nossa cama (depois de um tempo ficou pequena, mas logo comprei um nova e bem confortável). O arranhador foi um pouco caro; era para evitar futuros arranhões no sofá, o que não adiantou muito. Contudo, nem podemos culpar o Nestor, ele não entende essas coisas; é instinto, então não tem o que discutir.
Algumas vezes tivemos de voltar para o interior, pois o médico do Nestor era de lá. Ele deu todas as vacinas necessárias e, de quebra, levamos bronca por causa das gordurinhas extras. Por enquanto não podíamos comprar uma comida melhor – como são caras! -, tinha de ser aquelas que inibem o apetite. Não que ele esteja gordo feito um porco, mas reconhecemos que ele está com uma pancinha fora dos padrões de beleza e saúde. E toda vez que Nestor chegava, ele logo se arrepiava e saía correndo para se esconder no primeiro lugar mais alto que encontrava. As lembranças não eram boas e Pequena, mesmo com suas constantes faltas de ar, tinha uma memória de elefante – realmente não dá para entender o porquê de tanta ruindade. Ficávamos preocupados, pois Nestor não comia direito e sequer ia ao banheiro. Snow até que tentava brincar com ele, mas a apreensão tomava conta dele: ele não aguentava ficar lá por muito tempo – ainda bem que era só nos finais de semana.
A melhor coisa foi ter trazido Nestor para morar conosco. Não tem recompensa maior vê-lo na porta esperando a gente chegar em casa, se jogar no chão para fazer carinho em sua pancinha peluda, ouvir o “motorzinho” funcionar só de encostar a mão no seu pescoço, nos acordar às seis horas da manhã (no horário de verão era às cinco) pedindo comida com sua patinha, se enfiar debaixo do lençol e se esparramar entre nossas pernas, brincar de correr de um cômodo ao outro e, ainda, fazer posição de ataque para pular sem avisar em cima de nós, se esconder no meio das roupas quando abrimos a porta do guarda-roupa, resmungar porque seu banheiro não está limpo, deita na mesa do computador para fazer companhia ou senta em cima do vaso sanitário enquanto tomo banho. Enfim, são momentos tão significativos para nós que, para quem não está acostumado, parece até exagero. Mas não é.
Conheçam o Nestor:
Minha sogra teve outro visitante inesperado, o Chad. Felizmente, ele já tem onde morar e um dono para cuidar muito bem dele. Os oito hóspedes de quem falei lá em cima são cachorros que foram encontrados ou jogados na porta da casa da minha sogra. Desde então fazem a alegria dela – exceto do Nestor.
*Post especialmente escrito para ganhar o livro que a Lucia Freitas vai premiar. Torçam por mim, por favor.
Tags: nestor
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