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Elk City

Elk City

Falar de Elk City é uma responsabilidade sem tamanho para mim. Já acho um relapso inadmissível não tê-los citado com a devida atenção quando os descobri já no terceiro álbum, lá em 2007. Todos os blogs de download ilegal de músicas – pelo menos os que eu acompanhava -, comentavam incessantemente dessa banda de Nova York, e eu aqui me sentindo o último dos moicanos por nunca ter ouvido uma única palavra (e escutado) sobre eles.

O single Cherries In The Snow estourou “virtualmente” (não posso dizer pelas rádios mundo afora, apesar de ter plena certeza que ela é praticamente desconhecida pelas nossas terras), principalmente em todos os dispositivos de áudio disponíveis em casa – detalhes a parte, virou até toque de celular de amigo meu. Acompanhados de fortes batidas, os sinos anunciam os versos cursos e grudentos na voz marcante de Renee LoBue, deixando a guitarra como complemento durante o coro de “oooh lah lah!”.

Difícl é descrever o estilo musical de Elk City. As referências sonoras se estendem por várias fotos no perfil do MySpace, cujos rostos são bem familiares: Patti Smith, David Bowie e Dusty Springfield – ouso dizer, aliás, que Renee é o semblante moreno de Debbie Harry. É indiscutível, entretanto, a presença do rock psicodélico das décadas de 60 e 70 em toda carreira da banda, desde o primeiro disco “Status”, lançado em 2000.  Em “New Believers”, teclados, violão e muito baixo se misturam às guitarras para dar corpo ao drama em algumas canções, tais como My Type Of Criminal e Silver Laywers (uma das minhas prediletas). Algumas seguem o ritmo alegre e motivador, a exemplo de Little Brother (palmas tímidas com notas constantes de violão) e Los Cruzados, além do pop rock despojado de Totally Free e White Walls. Não posso, claro, deixar passar em vão o piano acelerado de You Got Me, o órgão melancólico de Melody, a marcha lenta de Nighttime e a quase folk Magic Door.

O último disco “House Of Tongues” veio esse ano como prova de que Elk City manteve o mesmo conjunto de ideias musicais, ainda que tenham substituído a guitarrista (a foto acima é a mais atual formação da banda). Os teclados mais uma vez iniciam a primeira faixa Real Low Riders e um tom ligeiro de blues permeia Wire Goats, até que chega o grande momento de Nine O’Clock In France – uma cena sonhadora dos integrantes do grupo passeando sem compromisso pelo charme francês. Os toques firmes de piano dão sinal verde para o melodrama em Jerks On Ice (“oh they always seem so mellow – not true”), cedendo espaço para um deslubrante solo de guitarra. The Onion é uma sequência mais prolongada  – quase seis minutos de duração – e dramática da música anterior, porém mais determinada sobre as decisões tomadas durante a vida. O violão entra de rasteira em Neat Knight – e aqui o coro do “ooh la la” tem outro sentido -, mas logo é interrompido pela força da bateria e da guitarra em For The Uninitiated. O que parece tambores abre lentamente Stars, a mais bela de todas as canções. O romantismo não para por aí: Protection suplica por um abraço apertado e a promessa de um próximo encontro finaliza o repertório com 2010.

Elk City também me surpreende quanto o assunto se volta para os anos 80 e 90. Covers de bandas como R.E.M. (Everybody Hurts), The Cure (Close To Me) e Pixies (Monkey Gone To Heaven e Number 13 Baby) foram perfeitamente executadas, sem que perdesse a essência das letras, assim como das melodias, das versões originais.

Confira a seguir o vídeo oficial (e único até agora) de Cherries In The Snow: