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Oh Land: novo álbum

Oh Land

Aí está a nova Oh Land, tão produzida quanto uma modelo mundialmente conhecida. Nem dá para reconhecer – e muito menos comparar – com a misteriosa loira agarrada a um homem-peixe na capa de seu primeiro álbum, “Fauna”. E é é exatamente onde as pessoas confundiram a suposta estreia da dinamarquesa: Nanna na verdade está em seu segundo trabalho, porém é considerado como o debut nos Estados Unidos (sua nova moradia é o Brooklyn, em Nova York).

O experimentalismo todo envolto nas primeiras músicas de Oh Land se dissipa pela metade nesse segundo disco, intitulado com o próprio nome. O primeiro single para divulgá-lo, Sun Of A Gun, foi uma desagradável surpresa aos meus ouvidos, uma decepção derradeira diante da esperança que pudesse ter de uma artista tão talentosa. O electropop arrancou a porta do bom senso e derramou doses exageradas de batidas eletrônicas. Aconteceu também com Voodoo, uma sucessão mais arrasadora de sintetizadores mal distribuídos em seus quase três minutos de duração.

Mas como falei, foi apenas a metade do disco. Canções como Perfection (cuja versão acústica você assiste ao final) e Lean zelam pela dignidade musical de Oh Land, trazendo até uma certa nostalgia de quando quase ninguém – talvez somente eu – a conhecia. Em algumas faixas, Nanna se aventura perigosamente entre suas facetas instrumentais, tentando equilibrar os efeitos eletrônicos de Break The Sun e Wolf & I (outra bela composição) com as batidas primitivas de White Nights e We Turn It Up. O encerramento do repertório com as notas de xilofone em Rainbow me satisfez, mesmo que não por completo. Ainda espero um terceiro álbum com as influências clássicas e originais de Oh Land.

Podcast: Paulo Tristão

Paulo Tristão

Paulo Tristão é o mais fofo de todos na nossa querida panelinha. Ele é sensível, chora de emoção quando ou vê algo que bate fundo no seu coração. Compartilha tudo que é pop, tudo que escandaliza e ahaza os quarteirões de nossas vidas. Ele forma um dos casais mais românticos que conheço até hoje – e o melhor é que não vai demorar muito para conhecê-los pessoalmente. Ele é conterrâneo do Piano Black, mas nunca marcaram uma edição carioca do Google Reader. Paulo tomou todo o cuidado e carinho para montar seu playlist: quis respeitar o clima do blog tocando algumas ladies que já passaram por aqui (porque Gaga não é a única lady), além de outras bandas que têm seu lugarzinho garantido no cenário indie-power-pop. Como o repertório fecha com muita nostalgia – saudades de quando me jogava na pista ao som de Courtney Love e Deborah Harry -,  resolvi deixar uma surpresinha para encerrar minha homenagem. Será que você vai gostar, Tristão? :D

MP3 | 192 Kpbs | 63.7 Mb | 46’23″ | download

01. Hello Saferide: Anna
02. Lykke Li: Let It Fall
03. Lisa Miskovsky: Lady Stardust
04. Lenka: The Show
05. Someone Still Loves You Boris Yeltsin: Think I Wanna Die
06. Soko: I’ll Kill Her
07. Oh Land: Heavy Eyes
08. Annemarie: Apple (Suicide On Your Stereo Set)
09. Arrah & The Ferns: Preteens
10. The Secret Handshake: TGIF
11. Hole: Malibu
12. Blondie: Maria
13. Journey: Don’t Stop Believin’

Bônus:
14. Garbage: Cherry Lips (Go Baby Go!)

Oh Land

Nanna Øland Fabricius

O que mais posso falar sobre experimentalismo quando o assunto é música? O que mais posso falar quando mulheres tão belas com vozes tão delicadas seguem por esse caminho? Pois as européias ficam entre as primeiras se tivesse que fazer uma lista de cantoras cujo potencial musical é grande – porém não têm a devida atenção do lado de cá.

Oh Land é o nome que esconde o talento da dinarmaquesa Nanna Øland Fabricius, cujos passos de bailarina tiveram de ser desviados por causa de um problema nas costas. Com seus joviais 23 anos – já comentei, mas falo novamente: a safra de artistas está cada vez mais precoce (mas não que isso seja um mau sinal, é porque estou me sentindo velho mesmo) -, seu primeiro trabalho de estúdio, “Fauna”, revelou dons até então desconhecidos: rodeado pela mãe cantora de ópera e o pai organista, era de se esperar que Nanna, sozinha, preparasse os próprios arranjos,  programasse as batidas eletrônicas e tocasse piano, violão e violino, além, claro, dos afinadíssimos vocais.

A criatividade também acometeu o figurino durante a produção do disco, resultando em fantasias de coruja e coreografias com guarda-chuvas (sem referências à Rihanna, por favor, que por sinal não merece link), sem contar a estranhíssima capa com o homem-peixe. E mais uma vez se prova a eficácia da divulgação independente: ela começou postando os primeiros demos no MySpace, lá por 2004. Um produtor/DJ olhou, ouviu e gostou. Grandes gravadoras, abram seus olhos.