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She Keeps Bees

She Keeps Bees

She Keeps Bees foi uma descoberta por acaso (na verdade, ela foi feita pelo Bettoni). Andy LaPlant, responsável pela bateria, e Jessica Larrabee, a vocalista, formam mais um dueto de indie rock do Brooklyn, fazendo valer a palavra independente: todos os seus trabalhos foram gravados em casa e lançados por eles mesmos.

Mas o mais legal desse achado foi Jessica, quem colaborou em três faixas do último álbum do Groove Armada, “Black Light”: Just For Tonight, Time & Space e Look Me In The Eye Sister. Essa última, aliás, foi para mim uma das melhores ousadias da dupla britânica, não  só pela voz peculiar de Larrabee (até aí, os meninos sempre acertaram a mão na escolha dos vocais femininos), mas pelo ritmo conduzido por guitarras e pouquíssimos sintetizadores.

Pois a surpresa seguiu o mesmo caminho quando comecei a ouvir os discos do She Keeps Bees (só três até agora: “Minisink Hotel”, “Nests” e “Dig On”) e os EPs do casal yankee. Músicas curtas, quase não ultrapassando os três minutos, guitarras tristes que acompanham as firmes entonações de Jessica. As comparações cruzam PJ Harvey e Cat Power claramente, porém percebo um equilíbrio tênue entre a vivacidade crua de Polly e a letargia depressiva de Chan. Confira a seguir o vídeo do single Gimmie.

Land Of Talk

Land Of Talk

Mais uma dica do INMWT. Os poucos artistas que escuto do Canadá (nem precisaria citar a Feist, mas tem também The Dears) me fascinam. Com Land Of Talk não foi diferente. A banda, liderada pela vocalista e guitarrista esquisitinha Elizabeth Powell, tem o som pregado no rock e cujas influências – não descritas por eles, segundo a página no Facebook – vão de Blonde Redhead (adoro!) a PJ Harvey (abstenho meus comentários e abro exceção apenas para “White Chalk”). Eu prefiro ficar com a primeira opção – não é uma comparação muito próxima, na minha opinião, mas já é de grande valia. Com dois álbuns nas costas até agora, o meu predileto ainda é “Some Are Lakes”, lançado ano passado pelos selos mais-do-que-independentes One Little Indian e Saddle Creek.

Land Of Talk é praticamente a Izzie, típicas bandas de uma pessoa só (por falar em uma só, como anda nossa amiga desbocada Annie Hardy?). Seu talento para a guitarra é impressionante se você tomar como base apenas a foto de menina comportada aí em cima. Há músicas mais agitadas, sem fôlego para pausas tanto para a voz desprendida quanto para as mãos em versos evocados com mais emoção: Corner Phone é o ápice dessa exaltação, contudo Some Are Lakes quebra um pouco o gelo e se torna a baladinha melodramática do disco.

Rapidinhas da semana

A semana tá corrida, mas ainda dá tempo de comentar sobre as novidades:

PJ Harvey & John Parish: não curto o som dela, assim como não curto ela também. Polly Jean renovou sua parceria com John Parish esse ano com “A Woman A Man Walked By”, depois de mais dez anos do lançamento de “Dance Hall at Louse Point” (1996). Como só gosto do “White Chalk” (e nunca fiz questão de ouvir mais nada além disso), pode ser um pouco improvável que eu aprecie alguma coisa agora. O primeiro single Black Hearted Love até que é interessante, mas tenho que ouvir tudo para não tirar conclusões precipitadas.

Archive: depois do último álbum gravado ao vivo, a banda de trip-hop/rock volta com “Controlling Crowds”, junto com o lançamento do primeiro single Bullets. Vai correndo lá no MySpace que eles disponibilizaram o playlist do disco na íntegra. O estilo é o mesmo: certas faixas têm aquela introdução que parece nunca acabar, mas que mesmo assim hipnotiza do começo ao fim. Achei bem mais tranquilo – não é exatamente essa palavra – em relação ao último trabalho de estúdio “Lights” (2006), apesar de ter notado algumas influências hip-hop, como em Razed To The Ground. Posso até estar equivocado, mas o piano logo no início de Words On Signs é praticamente uma homenagem à Rabbit In Your Headlights do Unkle.

Glen Johnson: vocalista, líder e fundador da ótima banda de ambient-post-whatever rock Piano Magic, Glen lança ainda no final desse mês seu disco solo “Details Not Recorded”. Apesar de estar sozinho, a inlfuência obscura de seu grupo é evidente. Contudo, está longe de ser um defeito querer se inspirar em sua própria criação musical. Outra integrante que também entrou em projeto paralelo foi Klima (seu verdadeiro nome é Angele David-Guillou), cujas músicas em nada têm a ver com Piano Magic mas que são tão boas quanto. Vale a pena conferir também.

Au Revoir Simone: olha quem está de volta! Pensei que as meninas não iam mais voltar (aliás, jurava que eram quatro). O terceiro álbum do trio norte-americano está para sair em abril, cujo título “Still Night, Still Light” deve manter – acho eu – o mesmo pop-electro  alegre e saltitante dos outros discos. Quem quiser, pode segui-las no Twitter: @goodbyesimone. Tem algumas músicas inéditas nessa sessão acústica.