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    25/09/2009Música

    Garbage

    O post de hoje é mais uma homenagem do que propriamente uma retrospectiva a uma de minhas bandas favoritas: Garbage. Aproveitando o lançamento em 2007 da coletânea de sucessos “Absolute Garbage”, que marcou uma incerteza no destino no grupo, falarei brevemente de seus quatro trabalhos.

    Quando tudo começou
    O nome surgiu de um comentário negativo de alguém que, ao ouvir a fita demo, achou as músicas um “lixo” (garbage em inglês). Butch Vig, renomado produtor musical de bandas como Nirvana e The Smashing Pumpkins, se reuniu com seus amigos Duke Erikson e Steve Marker para formar a banda, cuja vocalista foi escolhida por acaso em um playlist de vídeos da MTV. Shirley Manson, que ainda fazia parte da extinta banda Angelfish, foi a escolhida para completar o quarteto.

    Garbage (1995)
    “Garbage” foi um estouro graças à faixa depressiva Only Happy When It Rains, porém Queer foi o single que mais chamou a atenção da crítica. Seguindo o mesmo sucesso com Stupid Girl e Milk, Garbage se mostrou forte no cenário mundial do rock, diga-se de passagem, nem tão alternativo. Eles conseguiram, inclusive, um lugarzinho na trilha sonora do remake de “Romeu + Julieta”, com o lado-b Crush #1 – cuja letra traduz perfeitamente esse romance tão trágico.

    Version 2.0 (1998)
    O segundo álbum do Garbage fugiu completamente do rock sombrio de estréia, dando lugar às batidas eletrônicas. O primeiro single Push It cansou de tocar nas rádios e o vídeo enjoou de tanto passar na MTV (ainda era o canal mais tradicional de clipes, não só no Brasil como no resto do mundo). Os fãs puderam matar um pouco de saudades com I Think I’m Paranoid, cujos acordes de guitarra, mesmo recheados com efeitos eletrônicos, reforçavam a identidade da banda. Special e You Look So Fine fecharam o ciclo da “segunda versão” de Garbage, contudo The World Is Not Enough foi a chave de ouro ao ser música-tema do filme de James Bond, “O Mundo Não ÿ O Bastante”.

    Beautifulgarbage (2001)
    O título é contraditório, e não é diferente quando se começa a escutar o terceiro álbum do Garbage. O primeiro single Androgyny trouxe uma pitada exótica de R&B, cujo vídeo também ficou exótico pelo novo corte de cabelo de Shirley – bem mais curto e bem mais andrógino. Cherry Lips (Go Baby Go!) deu continuidade à estranheza de Manson, agora com mechas loiríssimas – sem contar o tom de sua voz, propositalmente mais agudo e acompanhado de beats dançantes. A sonoridade não agradou seus fãs, nem mesmo com o último single Shut Your Mouth, que ainda resguardou algumas características do primeiro disco. A reputação do grupo despencou e a crise se instalou entre seus integrantes, gerando rumores de que a banda chegasse ao fim.

    Bleed Like Me (2005)
    O quarto e até então último trabalho do Garbage, após quatro anos de uma espera angustiante, rebateu qualquer boato de rompimento da banda e reergueu a fama que eles conquistaram no início da carreira. Apesar do primeiro single Why Do You Love Me ser um tanto fraco e repetitivo, Bleed Like Me, faixa-título que contou com a ajuda de Marilyn Manson em sua composição, relembrou a morbidez gostosa que não se ouvia desde o álbum de estréia. Shirley Manson se sentiu mais à vontade ao mostrar seu corpo bem conservado (ela já ultrapassou a casa dos quarenta) em Sex Is Not The Enemy e lançou um ar de mistério e reflexão em Run Baby Run.

    Enquanto isso…
    …Shirley Manson está concentrada em seu disco solo, previsto para ser lançado ainda esse ano. Para isso, teve de dar uma “pausa-hiato” no Garbage, e quando os boatos ressurgem de que esse seria mais uma vez o início do fim da banda, ela afirma de prontidão que isso não acontecerá. Ela de vez em quando aparece, ou cantando com suas amigas (Gwen Stefani e Deborah Harry estão entre as amizades de longa data) ou contracenando em videoclipes de outras bandas (ela aparece em These Things do She Wants Revenge) ou, ainda, atuando na telinha da TV (ela conseguiu um papel no seriado “Terminator: The Sarah Connor Chronicles”, transmitido pela Warner aqui no Brasil). Espero realmente que meu grupo predileto de rock continue firme e forte na estrada por mais uns dez anos. Não é pedir muito – a legião de fãs vão concordar comigo sem hesitar.

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    15/07/2009Música

    Olhei, li de novo, digitei várias vezes e nada. Fiquei espantado quando constatei que não tinha escrito nada, absolutamente nada, ainda sobre Sarah Blasko. Shame on me! Para redimir meus pecados frente a uma falta tão grave, escrevo agora sobre o novo disco dela.

    Sarah estreou no mundo do pop rock australiano com o disco “The Overture & The Underscore”, gravado em 2004 em Hollywood. A partir daí, teve seu primeiro trabalho lançado em todos os cantos do mundo, além de ter feito turnê junto com Tom McRae e Martha Wainwright (isso mesmo, é a irmã do Rufus). Nem deu tempo de respirar e no final de 2006 ela se enclausurou no estúdio para preparar mais doze faixas, as quais fariam parte do “What The Sea Wants, The Sea Will Have” (a capa do álbum transforma as mechas de Sarah em infinitas ondas do mar).

    Agora em 2009, Blasko viajou até a Suécia para gravar seu terceiro trabalho “As Day Follows Night”. Largando o site oficial no arquivo morto e contando suas experiências e notícias em um blog não registrado de template simpático e simples (pecou apenas por não liberar os comentários), Sarah vai divulgando modestamente, na minha opinião, seu melhor disco de carreira. Se no debut Sarah revelou sua preferência pelo rock, às vezes alternando com algumas notas de violão, agora ela demonstra muita afinação nos arranjos escolhidos, dando um clima campestre para a maioria do repertório.

    Prova disso é o primeiro single All I Want, cuja entonação na voz se faz justa comparação com Ane Brun. O segundo single No Turning Back rompe a atmosfera folk com batidas acentuadas e firmes um pouco antes das últimas faixas, apesar de algumas predizerem o mesmo tipo de percussão, tais como Hold On My Heart e Bird On A Wire. Is My Baby Yours, com sua melodia ditada por pouquíssimos acordes de violão, chega ao ápice vocal no refrão-título, entretanto não vence a belíssima melodia de Down On Love. Night & Day fecha elegantemente com uma coleção equilibrada de todos os instrumentos usados desde a primeira música.

    Confira a seguir o vídeo de primeiro single:

    P.S.: não pequei tanto assim, citei um cover dela não faz muito tempo.

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    02/06/2009Música

    Julie Doiron

    Não tenho muito o que falar da Julie Doiron. Ela é uma canadense que vem tocando suas músicas sozinhas há mais de dez anos. Veja a discografia no site oficial da garota e você verá que são muitos discos desde então. Antes disso, ela fazia parte da banda indie Eric’s Trip, banda de folk psicodélico que terminou logo no começo dos anos 90, momento decisivo para iniciar sua carreira solo.

    Julie leva uma vida como qualquer outra mulher: é casada com o pintor Jon Claytor e mãe de dois filhos, Charlotte e Ben -- para quem acha que vida de cantora de rock se resume a álcool, drogas e pura diversão. Para quem ouve os primeiros discos, pode dar a entender que ela é uma pessoa infeliz e de mal com a vida, mas no último trabalho dela, “I Can Wonder What You Did With Your Day” (2009), essa visão se dissipa. Ela mesmo comenta ess mudança:

    “I’m more positive, for sure,” she laughs, from her home in Montreal. “I guess it’s because I’m happy, pretty much…maybe…finally.  I think that I finally figured out how to move around a little easier in the world. I feel a lot happier, and if things aren’t going as well, I try to change it. Maybe that’s why. I just was starting to write happier songs, ’cause it feels like a new chapter in my life.”

    As músicas acompanham mais o rock do que o folk experimentado nos álbuns anteriores. Talvez isso seja prova de toda a empolgação e alegria que demonstra em suas palavras acima. Contudo, as melodias curtas ainda marcam o estilo de Julie (a maioria não passa dos três minutos de duração). Não tenho uma faixa preferida, como costumo destacar na maioria dos meus posts, mas a que mais me intriga é Consolation Prize: Julie já entra cantando bruscamente, a guitarra dando o devido apoio no fundo e, lá pela metade da canção (só tem dois minutos no total, aliás), vidros são estilhaçados com força. Arranjos não muito convencionais, há de se convir. :)

    O vídeo abaixo, feito para o single Dance Music, foi dirigido pelo seu marido:

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    25/05/2009Música

    Evan Dando

    Que notícia boa eu li essa semana: The Lemonheads, a banda de rock alternativo liderada pelo vocalista gostoso Evan Dando está com disco novo para o próximo mês: “The Varshons”. O título induz ao que estão pensando (ou não): o repertório é constituído somente por covers. Todo mundo já deve saber – pelo menos para quem conhece a carreira dele – que Evan adora fazer versões, desde as mais tradicionais até as mais bizarras. O single mais conhecido, aliás, é uma versão mais rock de Mrs. Robinson. As mais inimagináveis incluem ABBA (Knowing Me, Knowing You), New Kids On The Block (Step By Step) e Whitney Houston (How Will I Know) – tem também o cover fofo de Luka da Suzanne Vega e até Fade To Black do Metallica.

    Nesse novo disco, a versão mais bizarra foi da Christina Aguilera (cuja letra, na verdade, foi escrita e produzida por Linda Perry, pois sabemos que a competência da loirinha se restringe a rebolar), além de ter colaborações de Liv Tyler e Kate Moss. Confira o tracklist:

    1. I Just Can’t Take It Anymore (Gram Parsons)
    2. Fragile (Wire)
    3. Layin’ Up With Linda (G.G. Allin)
    4. Waiting Around To Die (Townes Van Zandt)
    5. Green Fuz (Randy Alvey & Green Fuz)
    6. Yesterlove (Sam Gopal)
    7. Dirty Robot (feat. Kate Moss) (Arling & Cameron)
    8. Dandelion Seeds (July)
    9. Mexico (Fuckemos)
    10. Hey, That’s No Way To Say Goodbye (feat. Liv Tyler) (Leonard Cohen)
    11. Beautiful (Linda Perry)

    O primeiro single será a primeira faixa, com lançamento na primeira semana de junho. A turnê já começou lá nos EUA (confira as datas aqui), claro, mas quem sabe eles não dão uma passadinha aqui pelo Brasil? Só para constar, eu fui no show deles em 2004.

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    21/05/2009Música

    Izzie Powell

    Mais uma dica do INMWT. Os poucos artistas que escuto do Canadá (nem precisaria citar a Feist, mas tem também The Dears) me fascinam. Com Land Of Talk não foi diferente. A banda, liderada pela vocalista e guitarrista esquisitinha Elizabeth Powell, tem o som pregado no rock e cujas influências – não descritas por eles, segundo a página no Facebook – vão de Blonde Redhead (adoro!) a PJ Harvey (abstenho meus comentários e abro exceção apenas para “White Chalk”). Eu prefiro ficar com a primeira opção – não é uma comparação muito próxima, na minha opinião, mas já é de grande valia. Com dois álbuns nas costas até agora, o meu predileto ainda é “Some Are Lakes”, lançado ano passado pelos selos mais-do-que-independentes One Little Indian e Saddle Creek.

    Land Of Talk é praticamente a Izzie, típicas bandas de uma pessoa só (por falar em uma só, como anda nossa amiga desbocada Annie Hardy?). Seu talento para a guitarra é impressionante se você tomar como base apenas a foto de menina comportada aí em cima. Há músicas mais agitadas, sem fôlego para pausas tanto para a voz desprendida quanto para as mãos em versos evocados com mais emoção: Corner Phone é o ápice dessa exaltação, contudo Some Are Lakes quebra um pouco o gelo e se torna a baladinha melodramática do disco. Confira algumas faixas do disco de estréia, “Applause Cheer Boo Hiss” (2006):

    Death By Fire

    Sea Foam

    Dark Nature Places

    Summer Special

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    30/04/2009Música

    Van She

    Fiquei sabendo lá no INMWT. Resolvi ouvir uma música e gostei. Arrisquei ouvir o álbum e não me decepcionei. O quarteto australiano aí em cima é formado por Nick Routledge (vocais, guitarra), Matt Van Schie (baixo), Michael Di Francesco (sintetizadores) e Tomek Archer (batera). Influenciados pelo som dos anos 80 – eu me arrisco dizer que eles tiveram como referência Depeche Mode e The Cure -, Van She tem um repertório bem equilibrado no seu disco de estréia, “V”, que começa bem rock nas primeias faixas, onde eles abusam de baixo, guitarra e bateria.

    Strangers, a primeira que ouvi, já me encantou de primeira; Cat & The Eye e Changes dobram a dose dos acordes de guitarras. Passando por It Could Be The Same, você percebe que os garotos se acalmaram um pouco e decidiram pular para os sintetizadores, fazendo a alegria de quem gosta de um bom synthpop (eu nem tanto, mas também depende da banda, né); Temps Mort provavelmente é a faixa que mais deve empolgar os fãs do gênero eletrônico, mesmo não chegando aos dois minutos.

    A guitarra volta a fazer parte do arranjo em Talkin’, porém os efeitos de vozes distorcidas é bem visível – aliás, bem ouvível. Kelly incrementa as vozes alteradas digitalmente e esquece do rock que estava presente nas primeiras canções – com exceção de Virgin Suicide, que apesar de começar lenta em notas de violão e suave no tom do vocalista, se anima no refrão com a batera mais forte. Sunbeams repete a fórmula dos beats, mas fica muito melosa e repetitiva.

    Strangers (confira o vídeo)

    Changes

    Cat & The Eye (confira o vídeo)

    Temps Mort

    Talkin’

    Virgin Suicide

    Kelly (confira o vídeo, completamente 80s!)

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    14/04/2009Música

    Acho que Elysian Fields é um dos duetos de (soft, slow, psicodelic, experimental?) rock que eu mais curti ter ouvido nos últimos anos. “The Afterlife” é o último álbum lançado por eles, porém não é o meu favorito. Não deixa de ser um disco quase que obrigatório no playlist do seu acervo musical (não vou falar iPod porque sou pobre… rs!), mas é que os discos anteriores tem a essência que tanto me fez apaixonar por essa dupla de Brooklyn, Nova York.

    Os acordes soltos de guitarra na maioria de suas canções me fascina de modo a deixá-las presas em meu subconsciente por vários dias. A voz sexy e desprendida – que nas primeiras vezes me lembrava Shirley Manson cantando Sleep – de Jennifer Charles, então, me deixa em estado de transe. De todos, “Burn Raps And Love Taps” é o meu disco predileto, mas é no trabalho de estréia deles que tem a minha faixa preferida: Lady In The Lake.

    O mais de escutar Elysian Fields é que o som do casal se mantém praticamente o mesmo desde o começo. E eles não podiam ter começado em época melhor: 1996, o melhor ano para a cena da música alternativa (na minha modesta opinião).

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    13/04/2009Música

    Fez quinze anos que Kurt Cobain morreu. E quem nasceu em 1990 já é maior de idade desde o ano passado. O que é pior?

    Eles provavelmente não devem saber quem é Kurt Cobain. Muito menos Nirvana. Eles não devem saber que Courtney Love era do Hole e mulher do Kurt. Eles não devem sequer saber que o Dave Grohl (quem?)  tem um banda chamada Foo Fighters (nossa, nunca ouvi falar!). Grunge: alguém se arrisca? Stone Temple Pilots? Alice In Chains? Será que eles ao menos já ouviram falar no Red Hot Chilli Peppers?

    Agora tudo é emo. Ficar triste, querer se matar e beijar meninos e meninas virou moda.

    Essa primeira década de 2000 não teve nada de bom a oferecer. Mesmo. E ano que vem faz vinte anos que não surge nada de memorável como surgiu na década de 90.

    Deprimente.

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    27/03/2009Música

    A semana tá corrida, mas ainda dá tempo de comentar sobre as novidades:

    PJ Harvey & John Parish: não curto o som dela, assim como não curto ela também. Polly Jean renovou sua parceria com John Parish esse ano com “A Woman A Man Walked By”, depois de mais dez anos do lançamento de “Dance Hall at Louse Point” (1996). Como só gosto do “White Chalk” (e nunca fiz questão de ouvir mais nada além disso), pode ser um pouco improvável que eu aprecie alguma coisa agora. O primeiro single Black Hearted Love até que é interessante, mas tenho que ouvir tudo para não tirar conclusões precipitadas.

    Archive: depois do último álbum gravado ao vivo, a banda de trip-hop/rock volta com “Controlling Crowds”, junto com o lançamento do primeiro single Bullets. Vai correndo lá no MySpace que eles disponibilizaram o playlist do disco na íntegra. O estilo é o mesmo: certas faixas têm aquela introdução que parece nunca acabar, mas que mesmo assim hipnotiza do começo ao fim. Achei bem mais tranquilo – não é exatamente essa palavra – em relação ao último trabalho de estúdio “Lights” (2006), apesar de ter notado algumas influências hip-hop, como em Razed To The Ground. Posso até estar equivocado, mas o piano logo no início de Words On Signs é praticamente uma homenagem à Rabbit In Your Headlights do Unkle.

    Glen Johnson: vocalista, líder e fundador da ótima banda de ambient-post-whatever rock Piano Magic, Glen lança ainda no final desse mês seu disco solo “Details Not Recorded”. Apesar de estar sozinho, a inlfuência obscura de seu grupo é evidente. Contudo, está longe de ser um defeito querer se inspirar em sua própria criação musical. Outra integrante que também entrou em projeto paralelo foi Klima (seu verdadeiro nome é Angele David-Guillou), cujas músicas em nada têm a ver com Piano Magic mas que são tão boas quanto. Vale a pena conferir também.

    Au Revoir Simone: olha quem está de volta! Pensei que as meninas não iam mais voltar (aliás, jurava que eram quatro). O terceiro álbum do trio norte-americano está para sair em abril, cujo título “Still Night, Still Light” deve manter – acho eu – o mesmo pop-electro  alegre e saltitante dos outros discos. Quem quiser, pode segui-las no Twitter: @goodbyesimone. Tem algumas músicas inéditas nessa sessão acústica.

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    24/03/2009Música

    O show do Radiohead era muito esperado por todos. Eu não esperava tanto assim. Não sou fã a ponto de ficar lá na frente só para ver mais de perto a feiúra de Thom Yorke, vocalista e líder da banda.

    Kraftwerk em SP, 22.03.09
    Kraftwerk em SP, 22.03.09 Kraftwerk em SP, 22.03.09 Kraftwerk em SP, 22.03.09 Krafwerk em SP, 22.03.09 Kraftwerk em SP, 22.03.09 Kraftwerk em SP, 22.03.09

    Bom, antes de tudo, vamos falar de Kraftwerk. Assim que os insuportáveis Los Hermanos saíram, logo a molecada vazou feito água pelo ralo e a turma mais adulta (para não dizer mais velha) se apoderou vagarosamente do lugar. A empolgação já se percebia pelos gritos da multidão que acompanhava o passo-a-passo da preparação do palco para o grupo alemão entrar em cena. A videografia que seguia de acordo com o ritmo das músicas realmente foi de encantar os olhos. Se alguém ainda não sabe, Kraftwerk é o grupo que inventou a música eletrônica, bem no comecinho da década de 70. Há de concordar que naquela época eles eram totalmente desprovidos de tecnologia – o que fazia deles uma grande novidade, e com razão -, porém o impacto da simplicidade mesmo assim não esmaeceu para quem os viu ao vivo. O repertório ficou com as mais conhecidas, tanto que eu pulava feito um boneco de posto de gasolina com Tour De France, Das Model e Musique Non Stop. Os vovôs da música eletrônica não pecaram em nada em sua uma hora de apresentação e com certeza não decepcionaram seu público.

    E chega a hora de entrar Radiohead. Quando as barras metálicas que enfeitavam as laterais do palco se moveram para o centro, o público logo foi se amontoando onde podia para tentar ficar o mais próximo possível (eu que não tenho mais idade e paciência para muvucas, fiz questão de ficar em um lugar mais arejado e menos claustrofóbico). Quem esperava um show dos hits deve ter se decepcionado muito ou, no mínimo, em parte. Mesmo sendo a primeira visita da banda ao Brasil, o setlist não foi alterado em quase nada. A turnê para divulgar o último álbum “In Rainbows” (2007) seguiu à risca como em outros países: eles tocaram praticamente todas as faixas, abrindo exceção para uma ou duas músicas de cada um dos discos anteriores. Das que eu lembro de ter escutado – fazia dois anos que eu não encostava nesse disco -, fiquei satisfeito em pelo menos ter lembrado o título das músicas: 15 Step (faixa de abertura do show), All I Need, Reckoner (não sei o que aconteceu, mas Thom perdeu força e sua voz foi completamente abafada pelos instrumentos, motivo pelo qual deixou muito a desejar), Bodysnatchers e a maravilhosa Videotape (lembrei na hora do Max Reinert, cuja canção inspirou um post seu).

    Foram elas, aliás, que eu mais apreciei de ter ouvido: a sequência de batidas fortes que introduz There, There me hipnotizou; a guitarra pesada de The National Anthem me tirou do chão; Idioteque me fez balançar os esqueletos com a sequência eletrônica que a banda se deu o luxo de prolongar por mais alguns segundos; o solo de poucos acordes de Talk Show Host ficou tão perfeita quando a original; Exit Music (For A Film), apesar de ser quase uma acapella, conseguiu arrancar coro da platéia nos versos finais, assim como em Paranoid Android (essa já no primeiro bis); Everything In Its Right Place ganhou vida na minha voz (desafinado e quase rouco, mas continuei confiante ao tentar acompanhar o timbre de Thom… rs!); Lucky só não levantou tanto o público pois veio logo depois de Fake Plastic Trees, a música mais famosa do grupo inglês; Karma Police, outro single conhecido, deu a impressão de ter sido tocada forçosamente, como se fosse uma obrigação. Preciso citar que eles cantaram Creep? (com direito aos palavrões da versão proibida… rs!)

    Outras músicas, entretanto, destoaram completamente do repertório: Optmistic, Pyramid Song, The Gloaming e You And Whose Army? poderiam ser perfeitamente substituídas por outros tantos hits da banda – por que eles não tocaram Street Spirit (Fade Out), como fizeram no México? Ou, ainda, por que não tocaram Stop Whispering, um dos primeiros sucessos? Nenhum show é perfeito, mas para quem é fã nunca há defeitos. Não foi o melhor show do ano só por causa do Radiohead, como andaram falando por aí. Na minha opinião, Kraftwerk foi o que contribuiu para que o ingresso valesse cada centavo.

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