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Aeroplane

Aeroplane

O belgo-italiano Vito De Luca, nome por trás do projeto Aeroplane, é a mistura perfeita de nu-disco e electro que há muito tempo eu não ouvia e curtia. Pode ser que o seu primeiro e único disco “We Can’t Fly” tenha ativado a minha nostalgia dessa boa época da cena eletrônica francesa (por mais que ele seja belga), e quando digo boa é preciso voltar pelo menos uns dez anos no tempo.

I Don’t Feel, nos vocais poderosos da cantora soul Merry Clayton, é o house empolgante que Cassius largou lá nos anos 2000 (quem aí se lembra de The Sound Of Violence e  Feeling For You?). London Bridge e The Point Of No Return estranhamente soam o rock melódico e enjoado dos anos 1980, mas é Fish In The Sky que se salva por relembrar o lado mais obscuro da mesma década. Já os vocais robóticos de Superstar parecem homenagear, mesmo que não propositalmente, o duo Air. A maioria das outras músicas, como já mencionado, faz referência perfeita à disco, tais como a faixa-título e My Enemy.

As meninas do Au Revoir Simone registram sua participação na última faixa We Fall Over, tornando a mescla de sons muito democrática – ou desorientada para alguns. Essa parceria, inclusive, resultou em um ótimo remix feito para Paris, da banda sem graça e saltitante Friendly Fires. Confira a seguir o vídeo colorido e bizarro de Superstar:

Electric Guest

Electric Guest

A primeira música que ouvi do dueto Electric Guest, formado por Asa Taccone e Matthew Compton, foi This Head I Hold (cujo vídeo você confere ao final), carro-chefe do EP que antecipa o lançamento do álbum de estreia “Mondo” agora em abril. A primeira impressão é a que ficou, porém essa música vai contra, eu imagino, o estilo musical da dupla. O piano na introdução da canção entrega o compasso da melodia inteira, tornando-a mais pegajosa com a voz um tanto delicada de Taccone e, claro, as batidas duplas acompanhadas das palminhas aceleradas antes do refrão.

O equívoco de que a levada das outras faixas seja do mais puro pop logo é dispersado por uma estranha ginga soul em American Daydream, com distorções sonoras entrelaçadas com notas de guitarra, batidas bem sossegadas e os vocais abafados no tom certo. Mesmo em Jenny, com um violão sendo tocado à medida que batidas mais pulsantes encobrem o refrão, o pop tenta invadir o território, porém sem muito sucesso.

A aura entristecida toma forma e força na última faixa do EP, Troubleman, perdurando oito longos porém despercebidos minutos. Não há muito segredo, aparentemente, nos instrumentos para formular tal clima enevoado (é o violão e a guitarra quem comanda as notas, em sua maioria), então ficamos com a letra do refrão sendo repetida várias vezes – mesmo depois de a música ter cessado, como se fosse uma lavagem cerebral -, as quais não trazem conforto ou alívio nenhum (“she’s got it bad for me / she’s got it bad for me / the only game she plays now turn the other way”).

Show da Corinne Bailey Rae em SP

Mais um show para ficar merecidamente registrado nesse ano. A cantora Corinne Bailey Rae se apresentou pela primeira vez no Brasil, em São Paulo, na última quinta-feira. Sua simplicidade no palco (até a decoração do palco era humilde: apenas um cartaz com o nome dela pendurado no fundo) fez com que a plateia ficasse mais cativada por sua graciosidade.

Logo quando entrou em cena, Corinne agradeceu imensamente – não só dessa vez como em várias outras ocasiões – por todos estarem presentes, visto que era a primeira visita dela ao país. Assim como ela mesma disse, o repetório escolhido para essa noite seria um apanhado de seus dois álbuns e alguns covers os quais já eram conhecidos em outras apresentações ao vivo.

Are You Here abriu a setlist e já podemos sentir como Bailey se concentrava ao cantar suas composições. Ora fechava os olhos ora abria um sorriso incandescente. A harmonia com sua banda de apoio contou muito para deixar o show ainda mais animado. Canções mais agitadas, como The Blackest Lily e Paper Dolls – minhas preferidas do segundo disco – quase me arrancaram da cadeira (o que de fato não teria como, pois o evento todo era sentado), já que muita guitarra, baixo e bateria se reuníram para levantar o astral da audiência. Nem preciso dizer que foi feito coro em Put Your Records On e Like A Star, música a qual tomou uma roupagem muito mais acústica e introspectiva.

O blues e o soul se personificaram, por exemplo, nos covers mais do que elegantes de Is This Love (pelo que pude entender ela falando, Corinne considera Bob Marley um pai) e Que Sera Sera (Whatever Will Be, Will Be), essa última como encerramento do show, sendo que várias vocalizações e solos de guitarra acompanharam esses últimos minutos. Ainda no final, depois de diversos thank you’s, Corinne rapidamente cumprimentou e deu alguns autógrafos para as pessoas da primeira fileira – a muito contra-gosto dos seguranças que, por precaução, se aproximaram imediatamente dos fãs. De quebra, Bailey estende a bandeira do Brasil como mais uma forma de agradecimento – o que, convenhamos, já é uma cena comum entre os artistas estrangeiros. Confira a seguir Like A Star:

Andreya Triana

Andreya Triana

Ela já é a cantora revelação do ano – pelo menos para mim. Já falei dela quando o Bonobo lançou seu último disco, já publiquei seu primeiro vídeo e agora vou falar mais uma vez enquanto não sai seu álbum de estreia.

Andreya Triana vem de South East London e desde pequena, quando ainda tinha seus sete anos, se trancava no quarto para ensaiar suas improvisações harmônicas e cantar seus próprios poemas. O ano de 2006 foi decisivo para Andreya ao participar do Red Bull Music Academy na Austrália, fazendo com que despontasse como uma futura artista para vários músicos e produtores. Entre eles, Mr. Scruff e Flying Lotus deram a chance para divulgar o dom de Triana.

Bonobo foi o primeiro a se interessar realmente pelo talento em potencial de Andreya, convidando-a  para cantar algumas faixas de novo álbum e, além disso, a participar de sua turnê em 2009. Relacionamento firmado, eis que Bonobo também se intima a produzir o primeiro trabalho de Andreya, “Lost Where I Belong”, cujo lançamento oficial será em agosto (para a Europa) e setembro (para os Estados Unidos) desse ano – ainda bem que faltam poucos meses. Apesar de ter só duas músicas divulgadas, dá para sentir o charme e o soul impregnados na deliciosa voz de Andreya, confinados na roupagem eletrônica muito bem executada por Simon Green. Confira a seguir o vídeo do segundo single A Town Called Obsolete:

Quadron

Quadron

Você conferiu há pouco tempo o single, música pela qual fez crescer o meu interesse pela dupla de dinamarqueses Quadron. O ritmo solto e pegajoso do refrão em Pressure não reflete praticamente nada o espírito das outras músicas do primeiro trabalho deles.

Tive a impressão de que eles quiseram misturar vários gêneros sonoros e, no final, se perderam no meio da caminho. Deixaram o repertório inacabado ou, melhor dizendo, indeciso. A faixa de introdução Buster Keaton é levada por uma base mais R&B, sendo que a canção seguinte Slippin pende para um clima mais pop (quase escorregando no soul). E assim vai o zigue-zague: uma hora mais black music, outra hora mais blues. Honestamente, fica difícil para eu dar um chequemate quanto ao repertório como um todo. Confira a seguir o vídeo da faixa que abre o disco:

The Watson Twins

The Watson Twins

Só tinha ouvido falar nas gêmeas acima, Chandra e Leigh, quando soube da colaboração delas no primeiro trabalho solo de Jenny Lewis, vocalista e líder da banda Rilo Kiley. Até então, The Watson Twins tinha apenas como referência um country mais alternativo, se assim posso dizer – não tem como comparar, entretanto, com Jesse Sykes, pois seu country é bem mais enobrecido, sem desmerecer as irmãs. O álbum de estreia “Fire Songs” em 2008 continua com o mesmo estilo Americana, como se ainda não tivessem se desapegado das influências de Jenny.

Agora com o novo disco “Talking To You, Talking To Me”, lançado esse ano, as meninas resolveram renovar o guarda-roupa e mudar o visual sultimente. Claro que a raiz folk entrelaçada ao country não se dissipou da noite para o dia, ainda é possível sentir o cheiro caipira misturado com alguns temperos de blues e soul – Forever More e Midnight são as faixas que mais expressam essa nova experiência. A música de introdução, Harpeth River, logo me lembrou as primeiras melodias obscuras do Portishead, e pelo jeito não fui o único a perceber isso; elas mesmas colocaram a citação no MySpace delas.

Algumas canções, porém, ficam em cima do muro, como The Brave One e Tell Me Why. De alguma maneira se destoam do resto do repertório, mas nada como as batidas lentas e acentuadas de Calling Out e Give Me A Chance para voltar com o equilíbrio sonoro. Já a baladinha pop U-N-Me, seguida da bateria acelerada de Modern Man fecha o disco como uma incógnita… talvez a ansiedade de Chandra e Leigh tenha antecipado um final mais legal e elaborado. Confira a seguir apresentação ao vivo da dupla fazendo um cover “interiorano” de Just Like Heaven do The Cure, com direito a gaita e vestimentas típicas da fazenda. :)

Corinne Bailey Rae

Corinne Bailey Rae

Ah se todas as cantoras pop fossem capazes de cantar músicas tão delicadas e ao mesmo tempo tão envolventes como Corinne Bailey Rae. É só entrar no perfil dessa inglesa no MySpace para conferir suas ótimas influências: Björk, Veruca Salt e Massive Attack. Do trip-hop ao rock feminino dos anos 90 em curtos passos.

Com tanta mistura musical, já esperava que seu segundo álbum “The Sea”, lançado essa semana, tivesse um pouco de cada gênero, sem perder, claro, sua principal característica: soul e R&B encorpados fortemente de cabo a rabo. Esqueça o hit que estampou trilha sonora de novela brasileira e grudou no playlist de todas as rádios, pois talvez você não encontre nada parecido. Confira a baladinha gostosa da garota no primeiro single I’d Do It All Again:

Aloan

Nem sei por que estou escrevendo sobre Aloan. Por ser um trio suíço, logo todas as críticas e resenhas de seus discos são ou em francês ou em alemão. Por causa disso, fica difícil até para eu contar um pouco mais sobre eles. Ouvi o último lançamento “Freaks” e, sinceramente, não é nada de extraordinário.

Falar que é trip-hop (pelo pouquíssimo que consegui ler por aí) é um equívoco, para não dizer exagero. Aliás, para mim em nada lembra o gênero eletrônico, que por si só já uma gama muito extensa de variações (dá para comparar lado a lado o som dos extintos Lamb e Moloko?). Vamos pegar a descrição do site oficial deles:

Between a sensitive electro and a fifties rock’n’roll atmosphere, the latest Aloan album offers a magic world filled with eerie creatures and beauties. It unveils a bright side of the project, keeping meanwhile a subtle shadow that reveals a deep and sparkling sound. As a pop fairy tale, it takes us to a place where everything is too perfect and it plays with the secrets and pains of our soul.

Electro, rock dos anos 50? Nem um pouco. O hip-hop esbanja suas falas em algumas faixas, suficiente para desmistificar os exemplos citados. Não precisa ir muito longe: ouça a primeira música Liqui Girl para perceber que o pop é o estilo predominante, com alguns indícios discretos de soul. E só. O single Swinger – a única foto decente que encontrei deles – é digna de playlists top 10 de rádios populares: um pouco de rock, um pouco de rap e um pouco de eletrônico.

Aloan tem mais três álbuns (o primeiro é de 2002), porém ainda não escutei nenhum deles. Pode ser que eu mude de ideia, contudo não vou me dar o trabalho de escrever outro post só por causa de um leve arrependimento. Confira a seguir o vídeo de Swinger:

Duffy

Duffy

Quem disse que eu não gosto de pop? Gosto sim, mas ao meu gosto (trocadilhos infames…). Aimee Anne Duffy, mais conhecida pelo último nome, estourou nas paradas européias – a começar pelo Reino Unido, como de praxe – no final do ano passado. A jovem galesa que sequer chegou aos trinta anos (não estou tão velho assim, vai) pegou todo o soul que tinha em suas veias e jogou com glamour em suas músicas no álbum de estréia “Rockferry” (2008). Espero, no entanto, que Duffy não entre no mesmo beco sem saída que Amy Winehouse se enfiou sem hesitar.

Quando a vi pela primeira vez, lembrei de como a Debbie Harry do Blondie estava enxuta tanto na sua voz como no seu corpinho, lá na década de 80. É óbvio que a banda dessa loira não tem nenhuma relação sonora com a loira de quem lhes falo agora. A única semelhança é o pop embutido nas canções aparentemente alternativas, provando que ainda dá para ser um pouco original – hoje em dia nada se cria, tudo se copia ? sem perder sua total autenticidade musical. Como já falei, o soul dos anos 70 (misturado com um pouquinho de disco music) rege o álbum de Duffy do começo ao fim. Sua voz grave e potente tem seus altos e baixos, dando o clima certo para as faixas mais calminhas (Syrup & Honey é a música ideal para você pegar seu amor e começar a dançar bem juntinho).

Veja o vídeo de Mercy, o single que estendeu o tapete vermelho da fama para Duffy. Você vai dançar até seus pés pegarem fogo (assista e você vai entender o que eu quis dizer).

V.V. Brown

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O cabelo é brega, o figurino mais ainda. Se V.V. Brown (seu nome verdadeiro é Vanessa) ainda não sabe se vestir, pelo menos lhe resta bom senso ao cantar. Vanessa realmente se entregou à carreira artística. Ganhou bolsa para ingressar em uma das universidades top da Inglaterra, mas negou para seguir adiante na música.

Em seu primeiro álbum “Travelling Like The Light”, cuja estréia foi agora no mês de julho, a inglesa de minha idade – finalmente alguém que não seja mais novo ou nova do que eu – preparou uma boa remessa de pop e soul com refrões entupidos de entusiasmo. Não que faça muito meu gênero e número, mas a maneira como o repertório foi produzido me satisfez. Pegue para ouvir no carro (ou no celular, se depender de coletivos) até o trabalho ou, ainda, para a praia em um final de semana ensolarado. Suas influências, de acordo com o seu perfil no Facebook, vão de CSS (argh! – não merece link) à filmes da Disney. Apesar de ter crescido ouvindo musas eternas do jazz, não notei qualquer semelhança sonora em suas faixas.

Confira o vídeo de Shark In The Water: