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    22/06/2009Cinema e TV

    State Of Play

    Para quem preferir uma crítica do filme em relação à blogs, tecnologia e a crise do jornalismo, leia primeiro o que o Tiago Dória escreveu. Já destaco uma frase dele para antecipar o objetivo inegável do filme:

    O que percebe-se é que da metade do filme para frente, o que une os dois é a mesma coisa, a busca por uma boa história e o que seja mais próximo da verdade. Talvez numa mensagem clara de que o básico do jornalismo continua, de geração a geração, não importa o meio, as tecnologias e a época.

    “Intrigas de Estado” (State Of Play) é um filme que, além de todas as comparações e alusões as quais indicam o cenário atual do jornalismo, faz homenagem à decadência visual de Russel Crowe. Sei que parece muito superficial falar isso – que me desculpem os leitores menos ou nem um pouco fúteis -, mas o ator que tanto vislumbramos em “O Gladiador”, não só pelo seu corpo escultural quanto pela suas cenas de ação, aparece barrigudo,  beberrão (quantos copos de whisky ele tomou durante o filme?) e com eterno cansaço. Claro que as diferenças entre o “velho” jornalista experiente e a jornalista “nova” inexperiente são gritantes, entretanto o comportamento desnorteado do personagem transmite a impressão de que Russell também vive dessa maneira na vida real: hambúrgueres, fritas e todas as gorduras possíveis misturadas com chilli no almoço e purê de batata no jantar. (agora me recordo de que o ator australiano já tinha mostrado esse lado relaxado em “Gângster Americano”)

    Gostei muito do filme – e fazia um bom tempo que não assistia um bom assim, pelo menos esse ano -, contudo não capturei o espírito aventureiro da dupla dinâmica de repórteres Cal MacAffrey e Della Frye. Provas confidenciais que vão parar primeiro na mão do jornal, investigações minuciosas que nem CSIs conseguiriam executar em tão curto prazo (mesmo que o filme prove o contrário, como por exemplo a cena em que Cal extrai números do celular da vítima por ser amigo da médica-legista do hospital) e tentativas de entrevistas cuja eficácia aparentemente se mostra melhor do que a da polícia (os policiais envolvidos no caso literalmente não passam de coadjuvantes) surtiram um efeito muito além da realidade. Não estou discutindo a veracidade do roteiro, mesmo porque é uma ficção – sequer é baseado em fatos reais -, porém teimo em pensar que algumas situações poderiam ser menos fantasiosas.

    Repórteres sempre estão à caça de furos, mas não imagino essa ação toda – eu sei, eu sei, o filme é de ação; eu sei, eu sei, são repórteres “investigativos” e o slogan do filme é “find the truth” (encontre a verdade) – por causa de uma matéria. Além disso, a ânsia por conseguir um feito heróico na descoberta dos assassinatos e suas possíveis relações são deixadas de lado toda vez que Helen Mirren aparece, no papel da editora-chefe Cameron Lynne. Ao mesmo tempo em que ela quer êxito no trabalho de sua equipe jornalística, ela se preocupa com notícias inúteis a fim de tentar reverter a crise instaurada no veículo (é preciso sair à frente dos concorrentes para ter mais audiência, vender mais exemplares e sair do prejuízo); com isso, ela acaba em alguns momentos freando a empolgação de Cal e Della.

    Por outro lado, o cenário montado para mostrar a grandeza da redação do impresso me fez lembrar a época em que trabalhei na Folha de S.Paulo; não trabalhava diretamente com eles, mas nas minhas idas e vindas – quem aí nunca trabalhou de office-boy não sabe o quanto essa profissão exige caminhar  – dava uma paradinha no andar da redação para sentir o clima misturado de descontração e pressão. O computador do Cal, inclusive, era igual (se ainda não é) aos computadores que avistava nas inúmeras mesas aglomeradas. :)

    Digo, finalmente, que o filme pende mais para o suspense do que a ação. Explico. A câmera se posiciona frequentemente longe dos personagens, como se alguém os estivesse espionando. Não saber se realmente tem alguém observando através do vidro do restaurante, lugares desertos (estacionamento, principalmente), corredores de prédios vazios (e portas entreabertas, claro), tiros repentinos vindos do nada são alguns dos artifícios que dão aquele gás no desespero e tiram o fôlego de qualquer telespectador. ;)

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  • scissors
    23/03/2008Cinema e TV

    Perdi as contas de quantos filmes já foram adaptados, baseados e inspirados nos livros do Stephen King. O Iluminado (a versão do Kubrick, claro) é o melhor de todos, mesmo eu não tendo assistido aos outros. O Apanhador de Sonhos também não assisti, mas nem preciso pois de cara dá pra saber que é o pior já adaptado (no livro, uma amiga minha disse que o Stephen dá destaque para o peido durante quarenta páginas – isso mesmo, o peido). Livro do Stephen eu só li um: Saco De Ossos. Muito bom, viu. Merecia também uma adaptação pra telinha do cinema. Tem A Incendiária jogado lá na casa do meu irmão, mas fico com preguiça de pegar e ler.

    O Quarto 1408 é legal, por incrível que pareça. Quando vi o trailer, logo pensei, vai ser mais um daqueles filmes a la O Grito, O Chamado, O Etc Etc Etc. Só de não mostrar monstros alienígenas e demônios deformados já está de bom tamanho. Aliás, em parte. Tem um cara que aparece umas duas vezes de relance, pra dar aquele susto mesmo. E dá. Parece o capitão gancho. Tem outro que aparece na tubulação, parece uma múmia mal enrolada.

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