
Preciso falar que Tennis se tornou minha banda (agora um trio, com a participação de James Barone) favorita de uns dois anos para cá? Preciso. Preciso falar que o segundo álbum do casal Patrick e Alaina Riley, “Young & Old”, é tão bom quando o primeiro? Preciso, e muito. Todos ficaram impressionados ao saber que Patrick Carney, baterista do Black Keys, seria o produtor do novo trabalho. Eu pensei comigo mesmo: e daí? Para mim não passou de um enfeite, um atrativo para chamar atenção do público que, até então, sequer conhecia Tennis (vocês ainda não conhecem?). A sensação de estar estirado na cadeira em frente ao mar – nada de ficar com a pele grudada de areia – com o sol refletindo nos seus óculos escuros permanece.
O pop rock minimalista continua, está lá estampado com muita simplicidade e afeição. O primeiro single Origins realmente teve um toque diferente (aí sim é possível perceber as influências do produtor, com instrumentos inseridos metodicamente à medida que a melodia toma forma), porém a voz que agoniza entre os versos remete às raízes do Tennis. Mesmo assim, a faixa de introdução It All Feels The Same faz sua homenagem ao primeiro disco “Cape Dory”, exatamente para a também primeira faixa Take Me Somewhere: aos poucos vamos sentindo a emoção em cada nota da canção.
Apesar de escaparem da típica guitarra seca usada no início da carreira do Tennis (basta ouvir o EP para sentir a sutil diferença com as produzidas no debut), faixas como My Better Self, Travelling e Petition, que jogam a âncora no teclado e na bateria, não se desfazem da tradição ensolarada do trio e mantém o ritmo constante de alegria contagiante. Algumas faixas, inclusive, parecem ter sido guardadas na gaveta e só aproveitadas agora, como é o caso de Robin – impossível não comparar com a batidinha dupla de Marathon – ou High Road, cujo vocal de Alaina ficaria mais nostálgico se fosse encoberto por um som abafado – mas nem por isso deixa de ser atraente. Never To Part, dotada basicamente de baixo, percussão e o teclado desde o início, encerra o repertório como se tívessemos viajado por muito mais do que somente dez encantadoras composições. Confira a seguir o vídeo oficial de Origins (você já viu por aqui o vídeo um tanto tenebroso do lado-b Deep In The Woods):