Dando continuidade à retrospectiva do ano, na segunda parte há um pouco mais de sons mesclados: música eletrônica, folk e demais experimentalismos, porém a sequência até que criou uma harmonia simpática e democrática.
Fica aqui de novo minha justificativa para não resenhar artistas ou discos que valeriam um merecido post cada um. Mas as rapidinhas, por outro lado, voltam a ganhar força.
Cat Power: o que eu posso falar da Chan Marshall? Nada, a não ser a coletânea de covers “Jukebox”, que por sinal caiu muito no meu gosto. As melodias tristonhas (e bêbadas, da época em que ela era alcóolatra) nunca me agradaram. Talvez o divórcio tenha dado uma reviravolta na sua vida pessoal e profissional, porque Cherokee, primeiro single do seu último disco “Sun”, abre o repertório da melhor e mais agitada maneira possível: de cara é um agradecimento dos anos que esteve ao lado do ator Giovanni Ribisi. Mas eu também tenho que citar Manhattan, Ruin e Nothin’ But Time, outras faixas reluzentes do disco. Apesar de não estar na mesma versão do estúdio, essa performance ao vivo tem a mesma enchente de emoções de quando eu escuto Cherokee.
Clare and the Reasons: descobri com muito atraso o lançamento do terceiro trabalho de uma das minhas Clares prediletas, “KR-51″. Eu tento não fazer comparações injustas com o maravilhoso “Arrow”, porém algumas faixas do novo repertório deslizam um pouco da imagem que eu tenho registrada na memória, uma docilidade presente não só nos vocais como nos próprios instrumentos. A música de abertura The Lake mostra exatamente esse lado delicado da banda, contudo Bass Face e PS desequilibram a harmonia das melodias. Mesmo assim, é um álbum lindo de se ouvir. Confira o vídeo do single Make Them Laugh.
Terranova: o grupo alemão passou por várias fases eletrônicas: um pouco de trip-hop no álbum de estreia “Close The Door”, um pouco de electro no terceiro disco “Peace Is Tough”. Depois de quase dez anos sumidos (“Digital Tenderness” foi lançado em 2004), eis que eles ressurgem – sem muito alarde, como de costume – com “Hotel Amour”. Com uma pegada mais house, tem até participação da cantora conterrânea Billie Ray Martin, famosa na época de ouro do eurodance nos anos 90 (vai dizer que você não se lembra dessa música). O primeiro single Question Mark, cujo vídeo você confere a seguir, tem uma proposta simples e legal, fugindo da modinha pegajosa do electro (sim, lembra bastante Moby, o que já é um ponto a favor).