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    15/07/2010Música

    That boy needs therapy -- psychosomatic
    That boy needs therapy -- purely psychosomatic
    That boy needs therapy

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  • Gotye

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    scissors
    26/05/2009Música

    Gotye

    Tenho como premissa falar um pouco sobre o artista e depois narrar o trabalho, pois geralmente algo na vida deve ter servido de lição ou aprendizado para chegar até onde chegou. Com o Gotye (tente pronunciar: gore-ti-yeah), cujo nome verdadeiro é Wally De Backer, é praticamente impossível seguir essa premissa. Olhei o site oficial, li o Wikipedia, mas nada além de informações superficiais. Pois bem, o belga fica me devendo essa. Vamos direto às suas músicas.

    Seu primeiro álbum, “Boardface” (2004) é uma referência ao trip-hop, sem sombras de dúvida, mas que deixa rastros da música eletrônica dos anos 80. A introdução de Out Here In The Cold me faz sentir em uma maratona de film noir; sua voz, delicada do começo ao fim, entra em concordância ao cantar versos completamente carentes (please, don’t leave me out here in the cold / no, no, please, don’t leave out here on my own). Mesmo tendo um tom tenro em suas cordas vocais, Gotye também convidou a ala feminina em algumas faixas, como por exemplo em True To You, Out Of My Mind e principalmente Loath To Refuse. Quando você acha que entrou na atmosfera sombria das músicas, vem Here In This Place, um solo de saxofone a la Kenny G que rompe todo o equilíbrio instrumental do que se tinha ouvido antes. Waiting For You serve de interlúdio em seus curtos dois minutos, sem ter ao menos uma batida, apenas os sussurros afinados de Wally  (comparação nítida com Lullaby do Lamb).

    Eis que vem “Like Drowning Bloog” (2006), uma reviravolta na composição das músicas. Não há semelhança alguma com as características nostálgicas noir do primeiro disco. Gotye abandona suas amigas e participa ativamente de todas as faixas. The Only Way parece ter influências do Beck por causa das batidinhas e dos ecos que se sobrepõem durante a melodia inteira. Hearts A Mess possui batidas sobressalentes que vão de encontro com a voracidade de Gotye no refrão. Coming Back convida a dar passos de tango -- ou seria um elegante flamenco? -- pelo salão de dança. Os beats sintetizados de Thanks For Your Time me soaram fracos e sem graça, logo pulei direto para Learnalilgivinanlovin, música tão exaltada que força seus pés a saírem do chão. Puzzle With A Peice Missing é praticamente um plágio da sonoridade tranquila de “Vertigo” criada por Groove Armada, contudo ela é muito bem orquestrada. A colagem musical é o ápice da criatividade -- sou suspeito para falar de colagens, eu adoro! -- em A Distinctive Sound; com certeza Gotye se inspirou nos vizinhos australianos The Avalanches. Já em Seven Hours With A Backseat, fica aquela impressão de que você conhece a música, está na ponta da língua, mas a memória falha -- uma faixa instrumental para deixar de fundo e no repeat. Ao escutar Night Drive, tive a mesma sensação de “Boardface”: o som destoou completamente com essa batidinha melancólica de Roxette.

    Assista ao clipe de Hearts A Mess, animação fofa produzida pelo diretor australiano Brendan Cook:

    E tem também a sequência solitária de stills (mais de 10 mil, segundo a descrição do vídeo) de Out Here In The Cold:

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    17/02/2009Música

    Paul's SetFlickr de Dan McPharlin: Miniatures

    Tenho a leve impressão de que os recentes artistas da música eletrônica – quando digo recente, quero dizer de 2000 até hoje – estão transformando seus trabalhos em verdadeiros e pobres clichês. Não sei bem por onde começar, quem sabe pelo electro. Lembro perfeitamente bem de como adorava – ainda gosto, aliás – escutar os primeiros álbuns ecléticos do Chicks On Speed ou do Ladytron e curtir o clima retrô do Felix Da Housecat. Alguém me indica uma boa banda de electro sem ser ou que tenha qualquer semelhança com o Hot Chip? (eles são deploráveis)

    De uns anos para cá, tenho seguido artistas que conseguem criar sem esforços a própria identidade musical, tais como Air, Bent, Télépopmusik, Röyksopp, Bonobo e até Matthew Herbert (esse último puxa mais para o jazz, mas entra na roda). Outros mais descolados da cena alternativa, como The Avalanches, DJ Shadow e Wax Tailor, também conseguiram erguer seu mérito com a brincadeira incansável de construir músicas à base de samples de filmes. Produtores cuja discografia não sigo com tanta fidelidade, como Nightmares On Wax, Soulwax e The Herbaliser, se destacam pelas suas ótimas influências do funk e do soul – apesar de curtirem bastante um hip-hop.

    Artistas mais antigos e mais conhecidos, como The Chemical Brothers, Basement Jaxx, Groove Armada, Fatboy Slim e Daft Punk, a cada ano escorregam feio na falta de criatividade. Alguns tentam causar polêmica com videoclipes que só servem para deixar a música em segundo plano (já que ela sozinha não faz a menor diferença). Adivinha de quem estou falando? Do Justice, claro.

    Posso estar muito exigente – será que a idade faz isso conosco, nos deixando mais rabugentos e menos abertos a novidades? -, posso não querer dar oportunidade para bandas relativamente novas como Cut Copy, Empire Of The Sun (que capa é essa, minha gente?), Simian Mobile Disco, MSTRKRFT (Masterkraft, para quem como eu não decifrou as siglas), Miami Horror (a inspiração setentista me assustou um pouco), Hercules And Love Affair (é com o Antony, por acaso?), e tantas outras que aparecem do nada… mas sempre que penso na possibilidade de experimentar um novo som, esbarro naquele obstáculo lá do começo: verdadeiros e pobres clichês. Acho que eles estão precisando ter umas boas aulas com os vovôs do Kraftwerk. Isso sim é música eletrônica autêntica.

    E esse tal de MGMT? O que eles tocam de bom, hein? (brincadeirinha, é só para irritar os fãs… rs!)

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    01/01/2009Música

    A criatividade de alguns artistas vai além da imaginação. Reinvenção é a palavra-chave para tornar um estilo musical interessante, como é o caso das colagens musicais. Alguns podem se antecipar em pensar que o método se restringe apenas ao uso de samples, o que na verdade é muito mais do que isso: o uso deles serve justamente para compor uma música inteira. Os samples, aliás, não precisam ser só de outras músicas mas como de trechos de filmes também – diria até que é a principal fonte de recursos da maioria dos artistas que produzem colagens musicais.

    DJ Shadow

    Josh Davis, mais conhecido por DJ Shadow, é um dos que se destacaram nessa novo movimento da cena eletrônica. Todos os seus trabalhos têm forte influência do hip-hop, porém, em seu último álbum “The Outsider” (2006) a presença de rappers é mais marcante e o uso de guitarras também têm seu peso em algumas faixas – uma combinação que não deu certo, ao meu ver, quando ele resolve misturar os dois elementos. Minha indicação fica por conta do segundo álbum “The Private Press” (2002), de onde ouvi pela primeira vez DJ Shadow através do single Six Days (o clipe era transmitido com uma certa frequência da programação da MTV).

    O grupo australiano The Avalanches dá a impressão de fazer colagens por pura diversão. O mix e sincronismo de vários samples – a maioria de filmes – transformam o repertório de “Since I Left You” (2000), por enquanto o único álbum deles, uma bagunça musical engraçada para quem ouve pela primeira vez. O single Frontier Psychiatrist, na minha opinião, é a melhor faixa do álbum, recheada dos mais diversos diálogos (todos a respeito do diagnóstico do garoto Dexter). Há músicas, entretanto, que quebram o gelo pela simplicidade na produção delas, como é o caso da música-título Since I Left You, composta por uma singela frase (since I left you / I found the world so new).

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    25/12/2008Livro, Música

    Mesmo que as pessoas tentem deixar de lado o capitalismo selvagem, elas não conseguem ver alternativa melhor do que presentear seus familiares e amigos com algo que seja um sinal de afeto e carinho, ainda mais no Natal, quando os famosos amigos secretos reinam qualquer tipo de ambiente (familiar, de trabalho, entre amigos, e por aí vai).

    Eu já ganhei o meu. E que presente!

    1001discos

    Final de ano sempre é a época para os artistas lançarem suas coletâneas de singles e de melhores hits, assim como é o momento certo para as editoras lançarem guias e retrospectivas de qualquer assunto que você possa imaginar (que o diga o Guinness Book). Nessa edição de “1001 Discos Para Ouvir Antes de Morrer”, os álbuns lançados até ano passado entraram para o catálogo. De praxe, como é feito nas publicações anteriores, a década de 50 é o marco inicial dessa trajetória musical. Entretanto, o que me interessa mesmo é a década de 90 – a de 80 nem tanto porque era praticamente uma criança e minha formação musical era muito crua e superficial.

    Artistas e bandas de todos os gêneros musicais se destacam nessa seção do livro, desde o movimento grunge liderado pelo Nirvana, com seu álbum de maior sucesso “Nevermind”, passando pelo rock alternativo do The Lemonheads, até o dance pop e agitado do Deee-Lite e Madonna. O que percebo é que, fazendo parte de uma geração de dez anos, o progresso musical de alguns deles sofre perceptíveis mudanças. Vamos pegar, a título de exemplo, Massive Attack, que possuem dois discos: “Blue Lines”, dotato de faixas mais voltadas para o hip-hop e o house, e “Protection”, já com a linha estabelecida pelo trip-hop (aqui mais conhecido e cravado pelo grupo britânico Portishead).

    A partir de 2000, na minha opinião, também há bandas muito boas, mas que na maioria constituem de uma continuação do sucesso que tiveram na década anterior. Radiohead, que estourou com “OK Computer” em 1997 (além de “The Bends”, de 1995), aparece com “Amnesiac” e “In Rainbows”, de 2001 e 2007, respectivamente. Björk também é um bom exemplo dessa sequência: em 2001 você encontra o “Vespertine” e “Medúlla” de 2004, os trabalhos mais diferentes e experimentais da cantora.

    Mesmo contendo os artistas mais conhecidos – preciso dizer que a rainha do pop aparece com “Ray Of Light” e “Music”? -, fiquei surpreso com alguns que sequer imaginei fazer parte do catálogo: The Avalanches, Röyksopp, Nightmares On Wax e Joanna Newsom. É claro que há muitos outros, mas se eu fosse citar todos, a lista ia ser bem longa. Não dá para agradar a todos, principalmente a mim; sempre vai faltar alguém cujo álbum deveria ser um item obrigatório, contudo o repertório não deixa a desejar nem um pouco.

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    01/07/2008Cinema e TV, Música

    Adoro a criatividade das pessoas, principalmente quando a criação se resume à musica. Essa semana – esse final de semana que passou, para ser mais exato – eu descobri dois trunfos da música eletrônica: Saltillo (parece nome de vinho chileno, mas depois descobri que é uma cidade do México) e Wax Tailor (não é o Wax Poetic).

    Saltillo na verdade é o nome do trabalho solo de Menton J. Matthews III, que mistura batidas eletrônicas com seu violino afinadíssimo. A primeira faixa, A Necessary End, me faz lembrar demais a música tema de Réquiem Para Um Sonho, talvez pela melodia repetitiva – mas que em nenhum momento fica enjoativa. Tem também umas músicas cantadas,  cujo vocal feminino é bem típico de bandinhas de trip-hop. Entrei no site dele, mas não tem nada dele; pelo contrário, ele comenta trilhas sonoras de filmes que ele venera. Bom, todo artista tem suas influências, ele provavelmente tem esses filmes como preferência. O que eu achei mais legal, além do mix entre clássico e moderno, são os samples que ele usa em algumas músicas.

    Wax TailorE por falar em samples, Wax Tailor (ou JC Le Saout, se preferir pelo francês) entrou para a lista dos meus artistas favoritos de samplers – em primeiro está The Avalanches, seguido do DJ Shadow. Acho o máximo fazer esse tipo de colagem musical, ainda mais quando é com diálogos de filmes (Ben-Hur, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, Planeta dos Macacos  e Cassino são alguns exemplos). No caso do Tailor, ele usa trechos de falas para montar as letras de suas músicas. Sim, tem umas músicas meio hip-hop, mas é comum eles puxarem para esse lado mais “mano”. Paciência. Até que eu consigo ouvir.  Charlotte Savary dá o tom da fineza para as faixas em que canta. The Man With No Soul é a minha preferida, dançante e bem sensual.

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