Garbage

O post de hoje é mais uma homenagem do que propriamente uma retrospectiva a uma de minhas bandas favoritas: Garbage. Aproveitando o lançamento em 2007 da coletânea de sucessos “Absolute Garbage”, que marcou uma incerteza no destino no grupo, falarei brevemente de seus quatro trabalhos.
Quando tudo começou
O nome surgiu de um comentário negativo de alguém que, ao ouvir a fita demo, achou as músicas um “lixo” (garbage em inglês). Butch Vig, renomado produtor musical de bandas como Nirvana e The Smashing Pumpkins, se reuniu com seus amigos Duke Erikson e Steve Marker para formar a banda, cuja vocalista foi escolhida por acaso em um playlist de vídeos da MTV. Shirley Manson, que ainda fazia parte da extinta banda Angelfish, foi a escolhida para completar o quarteto.
Garbage (1995)
“Garbage” foi um estouro graças à faixa depressiva Only Happy When It Rains, porém Queer foi o single que mais chamou a atenção da crítica. Seguindo o mesmo sucesso com Stupid Girl e Milk, Garbage se mostrou forte no cenário mundial do rock, diga-se de passagem, nem tão alternativo. Eles conseguiram, inclusive, um lugarzinho na trilha sonora do remake de “Romeu + Julieta”, com o lado-b Crush #1 – cuja letra traduz perfeitamente esse romance tão trágico.
Version 2.0 (1998)
O segundo álbum do Garbage fugiu completamente do rock sombrio de estréia, dando lugar às batidas eletrônicas. O primeiro single Push It cansou de tocar nas rádios e o vídeo enjoou de tanto passar na MTV (ainda era o canal mais tradicional de clipes, não só no Brasil como no resto do mundo). Os fãs puderam matar um pouco de saudades com I Think I’m Paranoid, cujos acordes de guitarra, mesmo recheados com efeitos eletrônicos, reforçavam a identidade da banda. Special e You Look So Fine fecharam o ciclo da “segunda versão” de Garbage, contudo The World Is Not Enough foi a chave de ouro ao ser música-tema do filme de James Bond, “O Mundo Não ÿ O Bastante”.
Beautifulgarbage (2001)
O título é contraditório, e não é diferente quando se começa a escutar o terceiro álbum do Garbage. O primeiro single Androgyny trouxe uma pitada exótica de R&B, cujo vídeo também ficou exótico pelo novo corte de cabelo de Shirley – bem mais curto e bem mais andrógino. Cherry Lips (Go Baby Go!) deu continuidade à estranheza de Manson, agora com mechas loiríssimas – sem contar o tom de sua voz, propositalmente mais agudo e acompanhado de beats dançantes. A sonoridade não agradou seus fãs, nem mesmo com o último single Shut Your Mouth, que ainda resguardou algumas características do primeiro disco. A reputação do grupo despencou e a crise se instalou entre seus integrantes, gerando rumores de que a banda chegasse ao fim.
Bleed Like Me (2005)
O quarto e até então último trabalho do Garbage, após quatro anos de uma espera angustiante, rebateu qualquer boato de rompimento da banda e reergueu a fama que eles conquistaram no início da carreira. Apesar do primeiro single Why Do You Love Me ser um tanto fraco e repetitivo, Bleed Like Me, faixa-título que contou com a ajuda de Marilyn Manson em sua composição, relembrou a morbidez gostosa que não se ouvia desde o álbum de estréia. Shirley Manson se sentiu mais à vontade ao mostrar seu corpo bem conservado (ela já ultrapassou a casa dos quarenta) em Sex Is Not The Enemy e lançou um ar de mistério e reflexão em Run Baby Run.
Enquanto isso…
…Shirley Manson está concentrada em seu disco solo, previsto para ser lançado ainda esse ano. Para isso, teve de dar uma “pausa-hiato” no Garbage, e quando os boatos ressurgem de que esse seria mais uma vez o início do fim da banda, ela afirma de prontidão que isso não acontecerá. Ela de vez em quando aparece, ou cantando com suas amigas (Gwen Stefani e Deborah Harry estão entre as amizades de longa data) ou contracenando em videoclipes de outras bandas (ela aparece em These Things do She Wants Revenge) ou, ainda, atuando na telinha da TV (ela conseguiu um papel no seriado “Terminator: The Sarah Connor Chronicles”, transmitido pela Warner aqui no Brasil). Espero realmente que meu grupo predileto de rock continue firme e forte na estrada por mais uns dez anos. Não é pedir muito – a legião de fãs vão concordar comigo sem hesitar.
