O show do R.E.M. foi ótimo e compensou a falta de ar-condicionado, além do show péssimo de Wilson Sideral (o irmão do vocalista do Jota Quest, para quem não sabe ou não se recorda). Aliás, esse foi um detalhe que me irritou muito – não só a mim, claro -, pois só de pensar que o Travis veio para a América Latina tocar junto com o R.E.M. e não veio ao Brasil é de cortar os pulsos.
Bom, na verdade eu quase cortei os pulsos quando Wilson tentou cantar Raul com um trocadilho dos mais infelizes: “Maria, pra sempre eu te amaria”. Pelo menos o público foi educado o bastante para não vaiá-lo, mas deu para perceber a inércia das pessoas frente à performance dispensável antes da atração principal.
A partir daqui é o que escrevi na época para um blog coletivo. Prefiro fazer uma continuação desse post.

Ontem foi o primeiro show da turnê mundial do R.E.M. em São Paulo, no Via Funchal. Após 7 anos desde a primeira visita da banda liderada por Michael Stipe ao Rock In Rio, eles regressaram com a agenda mais abrangente (já se apresentaram no Rio de Janeiro, em Porto Alegre e a última será hoje em São Paulo).
Os fãs já podiam ter uma idéia do que o R.E..M. viria a tocar, graças aos últimos setlists disponíveis no site oficial. É claro que, devido ao fato de a turnê divulgar só o último álbum “Accelerate”, lançado esse ano, todos nós sabíamos que não haveria um repertório recheado das músicas favoritas, como aconteceu na edição do Rock In Rio. Mas isso não foi empecilho para que o trio fizesse uma seleção digna para gregos e troianos.
O Show
R.E.M., em suas duas horas de duração, equilibrou o clima do show com músicas bem empolgantes, tantos as novas (Living Well Is The Best Revenge foi escolhida para a abertura e Supernatural Superserious deixou aquela sensação de “está quase no fim”) como as antigas (Ignoreland cativou a platéia com seu refrão e What’s The Frequency, Kenneth? foi uma das primeiras a animarem os fãs de carteirinha).
Contudo, a apresentação foi marcada obviamente pelos hits imortais da banda, como Losing My Religion – confesso que essa já cansou meus ouvidos -, The One I Love e Everybody Hurts. Outras canções tão famosas quanto, como Imitation Of Life, Man On The Moon (a última a ser tocada), Bad Day e It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine) também levantaram as pessoas de seus assentos.
Barack Obama
Já era de se esperar que Michael Stipe fizesse algum comentário em prol do recém eleito presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Disse ter ficado muito contente com o resultado das votações e que agora é a chance de mudar seu país para melhor (logo em seguida ele cantou Man-Sized Wreath para prestar sua homenagem).
Saldo Final
Gostei muitíssimo do show, mas sempre falta alguma coisa para torná-lo memorável. Cada fã, desde o menos até o mais fanático, tem suas músicas preferidas (eu me realizei quando eles tocaram She Just Wants To Be e Sweetness Follows); no meu caso, queria muito que tivesse Nightswimming, mas como disse no começo, não é possível realizar o desejo de todos. Confira o setlist e tire suas conclusões.
A interação de Michael com o público contou muitos pontos, além da produção do evento em si – no breve intervalo, antes de começarem a tocar as últimas músicas, o telão mostrava frases em português (“vamos cantar?”, “não podemos ouvir vocês”), aumentando gradativamente a vibração calorosa da platéia. Essa interação, por sinal, já é bem influente através da internet: a banda possui uma seção especial de sua turnê com publicações imediatas no Flickr, YouTube e Twitter, graças às tags criadas dias antes das apresentações – a de São Paulo, por exemplo, é remsao.
Espero que o show de hoje, o último do R.E.M. aqui no Brasil, seja tão bom quanto o que pude presenciar ontem à noite.